Psiquiatria

150 anos de Juliano Moreira: o médico negro que revolucionou a psiquiatria

150 anos de Juliano Moreira: o médico negro que revolucionou a psiquiatria

Compartilhar
Imagem de perfil de SanarFlix

Juliano Moreira nasceu em 6 de janeiro de 1872 em Salvador, Bahia. Filho de Galdina Joaquina de Amaral, Juliano foi criado na residência do Barão de Itapuã, o médico e professor Luís Adriano Alves de Lima Gordilho, onde sua mãe trabalhava.

Vida pessoal

Moreira ingressou na Faculdade de Medicina da Bahia aos 13 anos de idade e aos 18 já estava formado, se tornando um dos primeiros médicos negros do país. Ao longo da sua faculdade, foi aluno de Raimundo Nina Rodrigues, na primeira turma de Medicina Legal. Nina Rodrigues foi um dos precursores do racismo científico no Brasil, pois defendia que a miscigenação foi responsável pelo surgimento das doenças mentais no país. Moreira lutava contra essas teses racistas e acreditava que a origem das doenças mentais vinham da falta de acesso à educação e ao saneamento básico, ao alcoolismo e à sífilis. Ele também combateu a tese de que o clima tropical contribui para o desenvolvimento de doenças mentais, o que colocava os povos do sul do mundo como os mais propensos a desenvolver esse tipo de enfermidade.

Grandes marcos

Um dos maiores marcos de Juliano Moreira foi a sua dedicação à humanização da psiquiatria no Brasil. Entre 1895 a 1902, estudou sobre doenças mentais na Alemanha, Bélgica, Itália, Suíça, França, Inglaterra e Escócia. Em 1903, assumiu a diretoria do Hospício Nacional de Alienados, no Rio de Janeiro, onde ele implementou mudanças significativas no tratamento dos pacientes. Algumas delas foram a proibição do uso de coletes e camisas de força, retirada das grades de ferro das janelas, separação dos pacientes adultos das crianças, a criação da enfermaria infantil e a implantação de oficinas artísticas. 

Moreira foi um dos fundadores da Sociedade Brasileira de Psiquiatria, Neurologia e Medicina Legal e ocupou a diretoria da Academia Brasileira de Ciências. Quando era vice-diretor, recebeu Albert Einstein no Brasil, em 1925. Também foi membro de diversas sociedades médicas ao redor do mundo, incluindo a Anthropologische Gesellschaft (Munique), a Societé de Medicine (Paris) e a Medico-legal Society (Nova York).

Falecimento

Juliano Moreira faleceu em 1933, de tuberculose. Após a sua morte, o hospital psiquiátrico da Bahia foi batizado de Hospital Juliano Moreira.

Referências:

Juliano Moreira: o psiquiatra negro que revolucionou o tratamento de transtornos mentais no Brasil. BBC BRASIL, 6 de jan. de 2021. Disponível em: <https://www.bbc.com/portuguese/geral-55557894> Acesso em: 16 de dez. de 2021

OLIVEIRA, Regiane. Juliano Moreira, o psiquiatra negro que revolucionou o tratamento das doenças mentais no Brasil. El País, 06 de jan. de 2021. Disponível em: 

<https://brasil.elpais.com/ciencia/2021-01-06/juliano-moreira-o-psiquiatra-negro-que-revolucionou-o-tratamento-das-doencas-mentais-no-brasil.html> Acesso em: 16 de dez. de 2021

ODA, Ana Maria Galdino Raimundo. DALGALARRONDO, Paulo. Juliano Moreira: um psiquiatra negro frente ao racismo científico. Brazilian Journey of Psychiatry, 01 de dez. de 2000. Disponível em:

<https://www.scielo.br/j/rbp/a/wzF5QyZ7pVvVVF5VqRHwSHf/?lang=pt> Acesso em 16 de dez. de 2021.