Coronavírus

3ª dose de vacina contra COVID-19 pode ser necessária para combater variantes

3ª dose de vacina contra COVID-19 pode ser necessária para combater variantes

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Sanar

5 min há 260 dias

Enquanto campanhas de vacinação tomam forma em todo o mundo, o SARS-CoV-2 rapidamente sofre mutações que o deixam ainda mais contagioso. Por isso, pesquisadores alertam que pessoas já imunizadas contra o novo coronavírus podem receber uma 3ª dose de vacina contra COVID-19.

As variantes do novo coronavírus encontradas em Manaus (P.1), na África do Sul (501.V2) e em partes do Reino Unido (B.1.1.7) parecem reduzir a eficácia de vacinas por carregarem a mutação E484K, que dribla a ação de anticorpos produzidos pelo corpo humano.

Especialistas ouvidos pela BBC Brasil acreditam que, por isso, a vacina contra a COVID-19 tenha que ser atualizada para proteger contra as variantes já existentes e as que ainda vão surgir.

“Nessa mesma época no ano passado, tínhamos o vírus que surgiu em Wuhan, na China. Neste ano, já temos três variantes que causam preocupação. Nesse período do ano que vem, poderemos ter mais variantes. Então, é possível que a vacina tenha que ser atualizada todo ano para acompanhar esse ritmo”, declarou ao site o virologista Julian Tang, professor da Universidade de Leicester, no Reino Unido.

No último domingo (07/02), o governo britânico anunciou que pretende disponibilizar para sua população vacinas anuais contra a COVID-19, assim como ocorre com a gripe.

Queda de eficácia global

Alguns fabricantes de vacinas contra a COVID-19, como Moderna, Oxford/AstraZeneca, Moderna e Pfizer já anunciaram que seus imunizantes oferecem proteção contra as novas variantes detectadas.

Porém, ainda segundo a reportagem da BBC, os estudos realizados apontaram para uma maior proteção contra os casos mais graves da doença. A eficácia global dos imunizantes, ou seja, que engloba também casos leves e moderados, ainda precisa ser mensurada.

Um estudo com a vacina Novavax, por exemplo, mostrou que a eficácia global cai de 95,6% contra o vírus original para cerca de 60%, quando aplicada na África do Sul, onde predomina a variante com mutação E484K.

Já a vacina Johnson & Johnson, de dose única, mostrou uma eficácia de 72% para formas moderadas e graves da covid-19 nos Estados Unidos, mas na África do Sul, esse percentual caiu para 57% e, na América Latina, para 66%.

“O que apareceu nesses dados preliminares é que houve uma queda no percentual de pessoas que não tiveram nenhum sintoma. Mas não teve aumento no percentual de casos graves”, explicou o virologista Felipe Naveca, que participou do primeiro sequenciamento da variante de Manaus.

“Se a vacina continuar protegendo para as formas graves da doença, essas pessoas continuam protegidas para aquilo que é o mais importante da vacina. Agora, se os estudos demonstrarem queda de eficácia nesse sentido, provavelmente as pessoas já vacinadas terão que ser reimunizadas (com vacina adaptada) ou tomar uma dose adicional”, completou o especialista.

Ponto para a CoronaVac

Principal vacina aplicada no Brasil, a CoronaVac, desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, leva vantagem entre os imunizantes no quesito resistência às variantes com a mutação E484K.

A microbiologista ouvida pela BBC Brasil, Ana Paula Fernandes, explica que isso acontece porque a CoronaVac é produzida a partir do vírus inteiro inativado, enquanto outros imunizantes focam em injetar no corpo humano genes da proteína spike do vírus para estimular a produção de anticorpos neutralizantes.

“Quando você entra em contato com vírus inteiro inativado, várias células do seu sistema imune são ativadas e são produzidos vários outros anticorpos, não só esse que a gente chama de neutralizante” explica Fernandes, que também é professora e pesquisadora do Centro de Tecnologia em Vacinas e Diagnóstico da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Agora, entenda mais sobre como os imunizantes afetam o sistema imune.

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