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A ação dos leucócitos no combate a COVID-19, aliada ao uso de plasma convalescente | Colunistas

A ação dos leucócitos no combate a COVID-19, aliada ao uso de plasma convalescente | Colunistas

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Cristovão Pereira

6 minhá 151 dias

Introdução

Os leucócitos, ou glóbulos brancos, compõem o grupo responsável pela defesa do organismo contra patógenos, fazendo parte de um complexo mecanismo denominado sistema imune.

Originados na medula óssea, eles são encontrados circulantes no organismo e, em caso de necessidade, são recrutados para combater uma infecção.

Os vírus, como o SARS-Cov-2, são parasitas obrigatórios que necessitam de uma célula – hospedeira – para se multiplicarem e exercerem o seu papel de nocividade.

As mucosas, assim como a pele, são importantes barreiras físicas pertencentes ao sistema imune inato, as quais impedem a entrada de patógenos no organismo.

No entanto, tal mecanismo não se mostra suficiente para barrar o novo coronavírus, uma vez que as mucosas da boca, do nariz e dos olhos se apresentam como a sua principal via de contaminação.

A ausência de tratamento medicamentoso comprovadamente eficaz contra o novo coronavírus, colocou em pauta a discussão em torno do uso de plasma convalescente para tratar indivíduos que se encontram em estágio grave da doença.

Tal imunoterapia, já foi utilizada no tratamento de outras doenças – inclusive causadas por vírus da mesma família do SARS-Cov-2 -, a SARS e a MERS.

Desenvolvimento

Diante da facilidade com a qual o vírus SARS-Cov-2 adentra o organismo, através das mucosas, é notável a necessidade da utilização da máscara, a fim de impedir que gotículas expelidas por pessoas contaminadas ao falar, por exemplo, atinjam essas regiões.

Ao conseguir vencer a barreira física, o vírus invade o tecido e dá início ao seu processo de infecção e multiplicação no corpo humano.

Em questão de minutos ou poucas horas, leucócitos que constituem o sistema imune inato, tais como neutrófilos, macrófagos e células NK, são recrutados para combater o vírus.

Os neutrófilos, as células mais abundantes, são as primeiras a agir mediante uma infecção e possuem ação de destruição celular.

Semelhante aos neutrófilos, as células NK, conhecidas como “matadoras natas”, são responsáveis por secretar IFN-gama, uma citocina importante para aumentar a ação fagocitária dos macrófagos e que, juntamente com a IL-12 e IL-18, participa na diferenciação do linfócito TCD4+ em Th1, funcionando como uma ponte que auxilia na ativação do sistema imune adaptativo.

A diferenciação em Th1 pelas células auxiliadoras TCD4+ é de extrema importância, tendo em vista que são específicas para antígenos virais, secretando citocinas importantes como TNF, responsável por ativar uma via de apoptose em células infectadas, e IFN-gama.

Sem tirar o mérito da resposta inata, a reação secundária caracterizada, principalmente, pelos linfócitos B e linfócitos T se apresenta como a mais específica e mais capacitada para matar o vírus.

Diferente dos linfócitos B, os linfócitos T possuem sua maturação final no timo, porém encontram-se juntos com os linfócitos B, majoritariamente, em estruturas denominadas linfonodos, onde são ativados com o auxílio de células apresentadoras de antígenos, dentre elas as mais importantes, as dendríticas.

Ao serem apresentados aos antígenos do SARS-Cov-2, os linfócitos TCD8+ ou citotóxicos são ativados, possuindo ação efetora contra as células contaminadas por vírus.

Já os linfócitos TCD4+ efetores, ao serem ativados, se diferenciam em células de memória e em plasmócitos, os quais passam a secretar imunoglobulinas específicas que irão atuar contra o patógeno, agindo mediante a opsonização de células, ativação do sistema complemento e sinalização para células NK.

Apesar de se apresentar como uma resposta mais eficaz no combate ao novo coronavírus, a produção de anticorpos leva um tempo considerável para se efetivar, podendo chegar a dias, o que no Covid-19 pode ser decisivo para algumas pessoas, tendo em vista que a virulência do SARS-Cov-2 possui uma velocidade assustadora, podendo levar o paciente a desenvolver um estágio grave da doença, antes que o corpo humano esteja munido para barrar o patógeno de forma mais eficiente.

Dada a importância dos anticorpos, produzidos mediante os linfócitos B, no combate a infecção pelo novo coronavírus e o tempo considerável que levam para ser produzidos, a utilização do plasma convalescente tem-se tornado uma opção de tratamento para indivíduos que desenvolvem o caso mais grave da doença, tendo em vista a ausência de uma vacina que permita a criação de uma memória imunológica na população.

A extração do plasma é feita de indivíduos que foram previamente acometidos pelo vírus e que, por ventura, produziram anticorpos contra o SARS-Cov-2.

O plasma convalescente utilizado se apresenta como uma opção de reforço ao sistema imune do indivíduo que se encontra em estado grave, tendo em vista que ele auxilia os leucócitos do organismo no combate ao novo coronavírus, enquanto a via adaptativa mediada por células T e anticorpos não entram em ação, dado o tempo considerável que eles levam para serem produzidos, em comparação a rapidez com a qual o vírus se espalha no organismo.

Considerações finais

Nesse viés, é notória a importância dos leucócitos no papel de defesa do organismo, sendo eles importantes elementos para a manutenção da homeostase do corpo humano, bem como do bem-estar do indivíduo.

Diante da pandemia causada pelo novo coronavírus, percebe-se a dimensão da participação dessas células na tentativa de eliminar esse novo patógeno, o qual, por não ter tido contato com a humanidade antes, encontrou ambiente propício no organismo humano, dada a ausência de uma memória imunológica capaz de promover uma resposta precoce ante a sua rápida virulência.

Sendo assim, o tratamento com plasma convalescente se apresenta como uma alternativa promissora diante do cenário de incertezas que o mundo vive na luta contra o SARS-Cov-2.

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