A história do primeiro transplante cardíaco

A história do primeiro transplante cardíaco

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Carreira Médica

5 min246 days ago

Me dei conta de que fazia algo extraordinário quando olhei para o peito aberto do paciente e não vi um coração a bater

Dr Christiaan Barnard

Foi com essa frase que o Dr. Chistiaan Barnard explicou ter realizado o primeiro transplante cardíaco da história.

Ao longo dos anos, muito foi desenvolvido. Drogas imunossupressoras como, por exemplo, a ciclosporina, aumentaram o tempo de sobrevivência dos transplantados – provocando menos infecções e controlando a rejeição ao órgão.

Também passamos por aumentos no número de procedimentos. No Brasil, por exemplo, saímos de 166 transplantes realizados no ano de 2010 para 380 procedimentos realizados ao longo de 2017.

Mas você sabe a história do primeiro transplante cardíaco?

O Paciente

Lewis Washkansky, 53 anos, portador de insuficiência cardíaca por miocardiopatia isquêmica, diabético e hipertenso, já tendo sofrido 3 infartos anteriormente.

Sua angiocoronariografia foi revisada e, por consenso, suas lesões foram diagnosticadas como intratáveis cirurgicamente. Em suma, o paciente era tido como inoperável para a cardiologia.

Entretanto, para Dr. Chistiaan, cirurgião cardíaco chefe do departamento no Hospital Groote Schuur, esse não era o final. Sr Washkansky era, para ele, candidato a uma cirurgia experimental.

Após conversar com sua equipe e discutir o caso, o médico explicou ao Sr. Washkansky os riscos do procedimento. Mesmo assim, seu paciente confiou-lhe a vida, já que ele era considerado um caso terminal e sua expectativa de vida não chegava a meses.

Assim, foi iniciada uma corrida contra o tempo. Dr. Chistiaan ficou de sobreaviso no hospital por mais de duas semanas, esperando um coração que pudesse salvar a vida do seu paciente.

O primeiro transplante cardíaco

Na madrugada do dia 3 de dezembro de 1967, uma jovem na casa dos 20 anos sofreu um sério acidente de carro na Cidade do Cabo, África do Sul.

Após ser avaliada por dois neurocirurgiões, seus danos cerebrais e lesões foram considerados irreversíveis. Não havia na época tomografias ou métodos complexos de imagem. Dessa forma, o diagnóstico de morte encefálica foi estabelecido com base na natureza das lesões, múltiplas fraturas, e na ausência dos reflexos bulbares, como a respiração.

O pai da vítima autorizou a retirada do coração – que, diga-se de passagem, ainda batia no seu peito.

Depois de 10 horas de procedimento, movimentando uma equipe de mais de 50 pessoas – entre cirurgiões, cardiologistas, anestesiologistas, imunologistas, enfermeiros e perfusionistas – a cirurgia acabou.

Sr Washkansky foi entubado cerca de 6 horas depois da cirurgia e acordou consciente.

Nós, na África do Sul, tivemos que decidir o que fazer. Todos os dias víamos pacientes que não podiam ser ajudados. A única possibilidade de ajudá-los era o transplante de coração

Dr Christiaan Barnard

De modo geral, tudo era desconhecido na época. Não se sabia os possíveis desdobramentos da cirurgia. A esposa do paciente, por exemplo, temia que ele acordaria com a mente e personalidade de uma jovem de 20 anos.

Nada disso aconteceu e Sr. Washkansky sobreviveu a cirurgia. Entretanto, 18 dias após o transplante, faleceu de pneumonia.

Via de regra, a luta para combater a rejeição ao órgão do organismo reduz o sistema imunológico do paciente, o que pode ter influenciado na sua morte. Contudo, a autópsia revelou um bom coração.

Repercussões do transplante

Jornal da época comemorando primeiro transplante cardíaco

Após o feito, a imprensa mundial estava extasiada. Entre críticas e felicitações, Dr. Chistiaan Barnard se tornou uma celebridade e viajou o mundo, propagando sua técnica e operando outros pacientes.

Ao longo de sua vida, o médico realizou outras dezenas de transplantes cardíacos, a maioria com sucesso. Alguns dos seus pacientes viveram mais de 30 anos com o enxerto.

O segundo paciente de Dr Chistiaan, por exemplo, viveu um ano e sete meses com o novo coração. O dentista Philip Blaiberg, operado um mês depois do primeiro transplante realizado.

O progresso desse ato resultou em inovações nas áreas da cirurgia, imunologia, fisiologia, anestesiologia, dentre outras áreas da medicina.

Atualmente, a história do primeiro transplante cardíaco é contada no Museu Heart of Cape Town, que fica nas dependências do Hospital Groote Schuur, um dos maiores hospitais da Cidade do Cabo, na África do Sul.

Confira mais sobre o Museu Heart of Cape Town clicando aqui.

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 Re-criação da sala de cirurgia do primeiro transplante cardíaco
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Instrumental e medicações
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Re-criação da sala de cirurgia do primeiro transplante cardíaco
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