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A função da glândula pineal no tratamento de doenças | Colunistas

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Imagem de perfil de MARIA FERNANDA CORREA RAMOS

Definição

Define-se como glândula pineal uma estrutura fotoneuroendocrina localizada no centro do encéfalo. Também chamada de epífise, tal glândula é responsável por regular o ritmo circadiano, secretar melatonina, hormônio com forte efeito sobre a ação gonadal, mas também possuindo efeito oncostaticos, geroprotetor, antioxidante (Stehle et al., 2011), assim atuando também como importante imunoprotetor (Arias et al., 2003), já sendo descrito em tratamento de doenças degenerativas como Alzheimer, por exemplo.

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Anatomia da glândula Pineal

A glândula  pineal trata-se de uma estrutura com o formato de uma pinta, da onde surge seu nome, localizada dentro do sistema nervoso central no epitálamo, ou seja, na parte superior e posterior do diencéfalo, alojada sobre o mesencéfalo, logo abaixo do esplênio do corpo caloso, posteriormente aos dois tálamos, com sua base inserida por meio de uma haste à comissura das habênulas, tendo volume em humanos de cerca de 7,4mm (comprimento) X 6,9mm (largura) X 2,5mm
(espessura) (RANSON; CLARK, 1968; YAMAMOTO,
KAGEYAMA, 1980).

Quanto a sua vascularização, seu suprimento sanguíneo deriva de uma rede capilar, organizada pelo parênquima, formando um eixo central, com
seus capilares apresentando fenestrações e a característica
de não ter barreira hemoencefálica (MACHADO, 1993;WURTMANN et al., 1968; ), o que implica que as trocas de substâncias entre os tecidos e os vasos sejam efetuadas de modo mais rápido e fácil. Sua rede vascular  corre pelas paredes da sua cápsula posterior e lateral, sendo composta de capilares abundantes. A artéria pineal, seu vaso principal, é ramo da
coroidea posterior mediana, contribuindo também para a irrigação do trígono das habênulas, podendo ser única ou não (DUVERNOY et al., 2000; WACKENHEIN, 1978; YAMAMOTO et al., 1981). A drenagem venosa principal é realizada pela veia pineal também chamada de veia talâmica
póstero-mediana, veia epitalâmica ou veia látero epifisária, sendo tributária da veia de Galeno (JOHANSON, 1954; YAMAMOTO et al., 1980)

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Fisiologia da glândula pineal


Quando a fisiologia de tal glândula se destaca, a produção e secreção de indolaminas, sintetizadas a partir do triptoptofano, na qual se destaca a N-acetil-5-metoxitriptamina, mais conhecida como melatonina, por parte das células pineais.
Asíntese de melatonina começa com a captação de triptofano pelos pinealócitos por meio de um mecanismo de transporte ativo sob controle adrenérgico. Uma vez, no pinealócito, o triptofano é transformado em serotonina, através de processos de hidroxilação e descarboxilação. A serotonina, cuja concentração na pineal excede a de qualquer outro órgão do corpo e apresenta variações circadianas (níveis que aumentam durante o dia e diminuem no escuro), é transformada em N-acetilserotonina (NAS) pela ação da arilalquilamina N-acetiltransferase (AANA). Essa enzima, que também apresenta marcada ritmicidade circadiana, parece ser a etapa limitante da velocidade na cadeia de síntese da melatonina. O NAS é metilado em melatonina (N-acetil-5-metoxitriptamina) pela ação da enzima hidroxiindol-O-metiltransferase (HIOMT).
Devido ao seu alto grau de lipossolubilidade, uma grande quantidade de melatonina se difunde na circulação à medida que é sintetizada. A melatonina é transportada no plasma, tanto ligada à albumina (70%) quanto na forma livre (30%).

Devido ao seu alto grau de lipossolubilidade, uma grande quantidade de melatonina se difunde na circulação à medida que é sintetizada. A melatonina é transportada no plasma, tanto ligada à albumina (70%) quanto na forma livre (30%).
Além disso, a melatonina não só desempenha um papel fundamental na indução do sono, mas também tem um efeito hipotensor e inibidor da atividade tireoidiana é também um antioxidante, neuroprotetor, modulador do sistema imunológico e oncostático, já que controla o desenvolvimento de tumores.

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Não obstante, também é responsável pela secreção da serotonina, um hormônio neurotransmissor responsável por estabelecer a comunicação entre os neurônios, atuando na regulação do humor, do sono, do apetite, do sistema digestivo, da temperatura do organismo, entre outros.
A serotonina é um hormônio oposto à melatonina. Ou seja, quando o dia clareia, a glândula pineal para de produzir melatonina e começa a produzir serotonina, preparando o corpo humano para o dia de atividades que se inicia.

Uma baixa concentração de serotonina pode levar a diversos sintomas, como:

• mau humor no período da manhã;
• sono durante o dia;
• baixa libido;
• aumento da vontade de ingerir doces;
• fome constante;
• dificuldade de aprendizado;
• distúrbios na capacidade de se concentrar e problemas de memória;
• irritabilidade.

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Tratamento de doenças


Atualmente, alguns distúrbios e doenças podem ser tratadas a partir da  melatonina, como insônias. No caso dos idosos, por exemplo, a insônia é tratada com melatonina, já que esse hormônio apresenta uma queda acentuada na síntese com a idade. Estima-se que a produção de melatonina seja 75% menor em idosos que em pessoas jovens.

Além dos distúrbios do sono, a melatonina pode ser recomendada para doenças neurológicas que cursam com o distúrbio do sono e para pessoas que fazem viagens internacionais constantemente. Nesse último caso, a melatonina adequa o corpo ao novo fuso horário.

Existem ainda outros benefícios relatados, entretanto,a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia enfatiza que ainda não há evidências atuais que justifiquem o uso para outros casos que não os relacionados ao sono. A melatonina pode ser benéfica para tratamentos de enxaqueca, depressão, obesidade, algumas lesões isquêmicas e doenças como Parkinson e Alzheimer, porém, os estudos sobre essas ações ainda estão sendo concluídos.

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Como ativar a glândula pineal


O correto funcionamento da glândula pineal depende do tempo que fica expostos à luz ou à ambientes escuros. É preciso que haja um equilíbrio  para promover ao corpo humano ambiente propício para produzir os hormônios na quantidade ideal para o bom funcionamento do organismo.

Dessa forma, para estimular a glândula é importante buscar uma exposição sensível e saudável à luz, além de evitar a exposição a aparelhos luminosos, como longos períodos conectado à TV e aparelhos digitais, antes de dormir principalmente, já que a luz emitida pelos dispositivos pode causar redução na produção de melatonina e serotonina.

Regular ciclos e hábitos de vida também é uma importante maneira de manter uma rotina adequada com os ritmos da luz solar. Em outras palavras, dormir todos os dias no mesmo horário, por exemplo, contribui com a higiene do sono e favorece a correta produção dos hormônios sintetizados pela glândula pineal.

Por fim, é de suma importância entender que o organismo funciona por meio de um complexo sistema de feedback entre o meio interno e externo. Com um estilo de vida mais saudável, por exemplo, alimentação completa e variada, prática de atividade física, boas noites de sono e controle do estresse, os ciclos internos do corpo tendem a se regular naturalmente.

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Referências

https://www.bbc.com/portuguese/geral-56722714#:~:text=A%20gl%C3%A2ndula%20pineal%20ou%20ep%C3%ADfise,mundo%20dos%20sonhos%3A%20a%20melatonina.

https://christianefujii.com.br/glandula-pineal-entenda-a-funcao-da-estrutura-conhecida-como-terceiro-olho/

https://www.scielo.cl/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0717-95022014000200023

http://fisiovet.uff.br/wp-content/uploads/sites/397/delightful-downloads/2018/07/Gl%C3%A2ndula-pineal.pdf

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto

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