Coronavírus

A infecção pela COVID-19 é capaz de aumentar o intervalo QT?

A infecção pela COVID-19 é capaz de aumentar o intervalo QT?

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O objetivo do presente post é discutir se a infecção pela COVID-19 é capaz de aumentar o intervalo QT naqueles pacientes hospitalizados. Tomaremos como base estudo realizado no Centro Médico da Universidade de Columbia, em Nova Iorque, EUA.

Sabemos que outras infecções virais, como infecção pelo HIV ou HCV, estiveram associadas a prolongamento do intervalo QT. 

Sabe-se também que a elevação nas citocinas inflamatórias, particularmente o fator de necrose tumoral, é capaz de aumentar a duração do potencial de ação, o que pode levar a intervalo QTc aumentado no ECG. 

Desta vez os pesquisadores estão buscando avaliar a presença da alteração eletrocardiográfica na infecção pelo SARS-CoV-2.

Como o estudo foi realizado

No estudo, 3.050 pacientes que realizaram teste para o SARS-CoV-2 e um eletrocardiograma na instituição foram incluídos.

Os indivíduos possuíam idade superior a 18 anos e foram divididos em grupos, de acordo com o tratamento recebido:

  • Hidroxicloroquina + Azitromicina;
  • Hidroxicloroquina;
  • Azitromicina;
  • Nenhuma das duas medicações.

Os eletrocardiogramas realizados nas instituições foram laudados por eletrofisiologistas que não tiveram acesso ao resultado do teste de COVID-19 dos participantes, com medição do intervalo QT corrigido (QTc).

Resultado aponta que COVID-19 pode aumentar intervalo QTc

De acordo com os resultados apontados pelo estudo, a infecção pela COVID-19 esteve associada a prolongamento do intervalo QTc de base, tanto após o 2° ou 5° de tratamento. 

Mais pacientes que não haviam recebido tratamento com hidroxicloroquina e/ou azitromicina apresentaram intervalo QTc de 500 ms ou mais, comparados àqueles com teste negativo para COVID-19. 

Outros fatores associados com prolongamento do intervalo QTc incluíam idade superior a 80 anos comparados àqueles com idade inferior a 50 anos; doença renal crônica grave, comparados àqueles sem doença renal crônica; níveis de troponina ultra sensível e lactato elevados. 

Conclusões

Este estudo de natureza retrospectiva e observacional é um dos estudos com maior número de pacientes avaliando mudanças seriadas no intervalo QTc.

Um dos aspectos distintivos do estudo é a inclusão de pacientes com teste negativo da COVID-19, mas que continuaram a receber tratamento com hidroxicloroquina/azitromicina.

Isto permitiu analisar mudanças no eletrocardiograma de forma independente da presença da doença.

Em suma, os resultados apontaram para prolongamento do intervalo QTc nos pacientes infectados, mesmo com ajustes para possíveis variáveis prolongadoras do intervalo QTc, como doença renal crônica, idade e tratamento medicamentoso concomitante.

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Referências

Cardiac Corrected QT Interval Changes Among Patients Treated for COVID-19 Infection During the Early Phase of the Pandemic – JAMA