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A influência da atividade física na morbi-mortalidade do covid-19 | Colunistas

A influência da atividade física na morbi-mortalidade do covid-19 | Colunistas

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Gustavo Alejandro Rodriguez

9 min há 7 dias

Introdução

Existem mais de 200 diferentes tipos de vírus e bactérias que podem causar infecções respiratórias em seres humanos. O período de incubação usualmente varia de 2 a 14 dias. Aproximadamente 80% são assintomáticos ou com sintomas leves. (11) O vírus SARS-CoV-2, causador da COVID-19, se espalhou por vários continentes ao redor do mundo causando uma preocupação mundial. Parece que esta doença afeta com maior severidade populações com comorbidades. (5) Sejam essas comorbidades clínicas ou subclínicas.

 O OCVID-19 afeta as células imunológicas do nosso corpo. Thevarajan et al. mostrou que houve um aumento nas células T hepler, ASC ativados por células CD4+ Células T e CD8+ em pacientes que estavam com COVID-19. (5)

Existe uma relação entre a Atividade Física e o sistema imunológico.  Dependendo do tipo, da intensidade e do volume e da atividade física ela tem um papel importante na modulação do sistema imunológico. 

Treinos em alta intensidade, 64 a 90% do VO2max, causam uma grande diminuição das células CD8+ e linfócitos T, deprimindo o sistema imunológico, por um aumento da cascata de citocinas. 

Estudos comprovam que o exercício físico em intensidade moderada, até 64% VO2máx, o que equivale a 80% FC, tem uma ação anti-inflamatória, atuando no sistema imunológico através da redução das citosinas pró-inflamatórias, como a TNF-alpha. O treino de intensidade moderada esta associada a uma diminuição de incidências, duração e severidade de doenças respiratórias. 

Conceito

A WHO sugere que adultos devam se exercitar entre 150 à 300 minutos por semana. Isso inclui entre 75 à 150 minutos de atividade intensa além de trabalho resistido, musculação, 2 vezes na semana. 

No mundo atualmente, 1 em cada 3 mulheres e 1 em cada 4 homens, são sedentários, isto equivale a uma população mundial de 1.4 Bilhões de pessoas que não fazem atividade física suficiente para se manterem saudáveis! Um comportamento sedentário está associado a todas as causas de mortalidade como a obesidade, doenças cardiovasculares, Câncer e Diabetes Tipo 2. (10)

Os sistemas imunológicos inato e adaptativo são as primeiras linhas de defesa contra patógenos que invadem nosso corpo. A prática da atividade física regular, em uma intensidade moderada tem contribuição significativa para o sistema imunológico promovendo uma ação anti-inflamatória. As células Natural Killers (NK), os fagócitos, neutrófilos, monócitos e macrófagos fazem parte desta primeira linha de defesa. (1, 3, 7, 10,11) 

Exercício, Imunidade, Comorbidades e COVID

O papel do sistema imune relacionado ao exercício ainda é complexo. Ele pode, dependendo de uma série de variáveis, tais como o tipo, a frequência, intensidade do exercício tanto melhorar quando piorar a imunidade. Treinos em alta intensidade causam uma grande diminuição das células CD8+ e linfócitos T, deprimindo assim o sistema imunológico. Treinos em intensidade moderada tem uma ação anti-inflamatória, atuando no sistema imunológico através da redução das citosinas pró-inflamatórias, como a TNF-alpha. O sedentarismo também é prejudicial para o sistema imune. (6)

A importância de uma atividade física regular, 3 a 4 vezes na semana, com uma intensidade moderada mostra uma grande evidencia do efeito salutário ao organismo prevenindo doenças cardiovasculares e diabetes tipo 2. Karstoft e Pedersen et al. discutem como os mecanismos do exercício influenciam o metabolismo anti-inflamatório. (6)

Estudos mostram que existe uma diferença entre, no sistema imunológico, dos tipos treino intervalado de alta intensidade e o de moderada intensidade. O primeiro pode diminuir a resposta anti-inflamatória, já o segundo induziram mudanças nas citosinas associadas ao sistema imunológico. Outro estudo mostrou uma diferença entre a intensidade do HIIT 90% FCmáx praticado 3x na semana e o HIIT 70% FCmáx praticado 5x na semana. No primeiro houve um aumento da TNF-alpha enquanto no segundo houve uma diminuição. Estes estudos corroboram o impacto positivo da atividade física de moderada intensidade afetarem o sistema imunológico. (9) 

Atividade física promove as ações anti-inflamatória, diminuição do cortisol, catecolaminas, aumento das miocinas IL-6, IL-15 e Irisina entre outras, influenciando na diminuição da %G, transformando a gordura branca, não desejável em gordura marrom, desejável, alterando assim a composição corporal e o IMC. Diminuído as citosinas pró-inflamatórias IL-1ß, IL-2, IL-6, IL-8, IL-10, IL-17, Interferon Gamma (IFN-y) e TNF-alpha, fatores de estimulação de granulóscitos (G-CSF). A tempestade de citocinas gera um ataque ao sistema imunológico contra o organismo, que pode causar lesões substanciais a órgãos como os pulmões, coração, cérebro, rins, baço, ficado e linfonodos. (8,9,12)

Qual o melhor tipo de atividade física?

Em um estudo onde os participantes fizeram 20 minutos de esteira, foi verificado o efeito de uma atividade física aeróbia de alta intensidade, entre 80 e 85% da FCmáx prevista que está entre os limares 1 e 2, aeróbio e anaeróbio respectivamente, houve um aumento significativo dos glóbulos brancos logo após o exercício e permaneceram altos pelas próximas 24horas. Enquanto os neutrófilos voltaram ao valor de referência após o mesmo período. Linfócitos e Mastócitos permaneceram elevados por 24 horas pós atividade aeróbia. Não houve mudança em lgA, IgM, IgE, IgG e sub-tipos de IgG (IgG1, lgG2, lgG3 e lgG4). Em suma, as mudanças causadas pelo exercício no sistema imune humoral foram transitórias. (5)

Em uma atividade regular de intensidade moderada é mais benéfica (30-60% VO2max) aumentando a produção de citocinas anti-inflamatórias (IL-4 e IL-10) por células T. Portanto a prática regular de atividade física pode contribuir para a melhora da resposta anti-inflamatória, que pode reverter a linfocitopenia.(4)

Conclusão

A pandemia do COVID-19 já se tornou uma ameaça clínica no mundo todo, para médicos, pesquisadores, enfermeiros, profissionais da saúde e em geral para toda a população. Já é um fato que para diminuir a contaminação espalhadas pelo SARS-CoV-2 o distanciamento social é melhor forma. Porém a prática de uma atividade física de intensidade moderada no seu lar é não só recomendada como indicada. 

A prática de atividade física moderada intensidade durante a pandemia além de ajudar a combater nos transtornos como o de ansiedade e a depressão, e doenças como a obesidade, Diabetes tipo 1 e 2. O exercício   colabora com a imunomodulação do corpo e pode ser um fator importante para a melhora do sistema imune contra a progressão do SARS-CoV-2. (4) 

Pessoas ativas que fazem o uso regular do exercício tem uma menor chance de mortalidade causada pelo vírus SARS-CoV-2. Pode ser em parte pela melhora no sistema imunológico ou pelo fato de pessoas com um IMC normal tem um menor indicie inflamatório no seu corpo. Comorbidades como o sobrepeso, a obesidade, o Diabetes Melintus podem ter um prognóstico pior na COVID-19. Provavelmente devido a constante condição pró inflamatória destas doenças. A atividade física pode reverter o processo inflamatório levando o corpo a uma homeostasia natural, onde ele pode se defender de uma forma melhor ao combate deste vírus.

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto

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Bibliografia

  1. Nuttall FQ. Body Mass Index: Obesity, BMI, and Health: A Critical Review. Nutrition Today. [Online] 2015;50(3): 117–128. Available from: doi:10.1097/NT.0000000000000092
  2. Eliakim A, Wolach B, Kodesh E, Gavrieli R, Radnay J, Ben-Tovim T, et al. Cellular and Humoral Immune Response to Exercise Among Gymnasts and Untrained Girls. International Journal of Sports Medicine. [Online] © Georg Thieme Verlag Stuttgart · New York; 1997;18(3): 208–212. Available from: doi:10.1055/s-2007-972621
  3. Leandro CG, Ferreira e Silva WT, Lima-Silva AE. Covid-19 and Exercise-Induced Immunomodulation. Neuroimmunomodulation. [Online] 2020;27(1): 75–78. Available from: doi:10.1159/000508951
  4. Rosa-Neto JC, Silveira LS. Endurance Exercise Mitigates Immunometabolic Adipose Tissue Disturbances in Cancer and Obesity. International Journal of Molecular Sciences. [Online] 2020;21(24). Available from: doi:10.3390/ijms21249745 [Accessed: 21st April 2021]
  5. Rahmati-Ahmadabad S, Hosseini F. Exercise against SARS-CoV-2 (COVID-19): Does workout intensity matter? (A mini review of some indirect evidence related to obesity). Obesity Medicine. [Online] 2020;19: 100245. Available from: doi:10.1016/j.obmed.2020.100245
  6. Lancaster GI, Febbraio MA. Exercise and the immune system: implications for elite athletes and the general population. Immunology & Cell Biology. [Online] 2016;94(2): 115–116. Available from: doi:https://doi.org/10.1038/icb.2015.103
  7. Simpson RJ, Kunz H, Agha N, Graff R. Exercise and the Regulation of Immune Functions. Progress in Molecular Biology and Translational Science. [Online] Elsevier; 2015. p. 355–380. Available from: doi:10.1016/bs.pmbts.2015.08.001 [Accessed: 21st April 2021]
  8. Fallon K. Exercise in the time of COVID-19. Australian Journal of General Practice. [Online] 2020;49. Available from: doi:10.31128/AJGP-COVID-13 [Accessed: 21st April 2021]
  9. Abd El-Kader SM, Al-Shreef FM. Inflammatory cytokines and immune system modulation by aerobic versus resisted exercise training for elderly. African Health Sciences. [Online] 2018;18(1): 120. Available from: doi:10.4314/ahs.v18i1.16
  10. Batatinha HAP, Biondo LA, Lira FS, Castell LM, Rosa-Neto JC. Nutrients, immune system, and exercise: Where will it take us? Nutrition. [Online] 2019;61: 151–156. Available from: doi:10.1016/j.nut.2018.09.019
  11. Physical activity. [Online] Available from: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/physical-activity [Accessed: 21st April 2021]
  12. Jiménez-Pavón D, Carbonell-Baeza A, Lavie CJ. Physical exercise as therapy to fight against the mental and physical consequences of COVID-19 quarantine: Special focus in older people. Progress in Cardiovascular Diseases. [Online] 2020;63(3): 386–388. Available from: doi:10.1016/j.pcad.2020.03.009
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