Alergologia e imunologia

A necessidade urgente de derrotar o movimento anti-vacina

A necessidade urgente de derrotar o movimento anti-vacina

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De acordo com a opinião de Peter Hotez há, no momento em que vivemos, uma necessidade urgente de derrotar o movimento anti-vacina. Em seu artigo publicado na revista Nature o autor defende a confrontação direta dos grupos anti-vacinas, e afirma que a autoridade e experiência da comunidade científica não são mais suficientes para derrotá-los.

Movimento anti-vacina: uma ameaça desde antes da pandemia

Antes mesmo da instalação da pandemia da COVID-19, a Organização Mundial de Saúde já considerava a hesitância com a vacinação como uma ameaça global à saúde. 

Enquanto as vacinas da COVID-19 estavam sendo desenvolvidas, a comunidade científica já antecipava que esta hesitância se faria maior ainda com a vacina contra o novo coronavírus, desenvolvida em caráter emergencial.

Peter Hotez conta que ele, juntamente com outros experts na área, começaram a realizar reuniões online, antecipando discussões de como amplificar a mensagem da segurança baseada em evidências das vacinas. 

O “império” do movimento anti-vacina

Um dos motivos que preocupa o pesquisador é que o movimento anti-vacina tem tomado proporções fora do controle das autoridades. 

Atualmente existem centenas de sites trazendo desinformação a favor do movimento, e os seguidores nas mídias sociais já chegam a 58 milhões de pessoas. 

Peter acredita que o movimento está ganhando, e as razões, segundo ele, residem no fato das autoridades subestimarem o poder destes grupos, seu alcance e sua força anticiência. Peter indaga se as autoridades estão bem equiparadas para contrapo-los. 

A desinformação propagada pelo movimento

Uma das mensagens do movimento anti-vacina, que alcançou o mundo, é que a vacinação com vacinas de adenovírus resultará em mais mortes e prolongamento da pandemia. 

O que contribuiu para fortalecer a propagação da desinformação foi o raro efeito adverso de formação de trombos, que inclusive fez os Estados Unidos suspender temporariamente a vacinação com a vacina Johnson & Johnson. 

Na Europa, muitos países também suspenderam ou restringiram o uso da vacina da Oxford/AstraZeneca pelas mesmas razões. Porém estes países possuem outras opções de vacinas, diferentes de muitos outros países, onde a única opção de vacinação está sendo rejeitada devido aos boatos espalhados.

Conclusões

Diante do avanço do movimento anti-vacina, é preciso unir forças para combater a propagação da desinformação. 

Estamos lidando com um vírus causador de uma pandemia mas, infelizmente, lidamos também com grupos que buscam desqualificar a nossa melhor estratégia para derrotá-lo: a vacinação.

Esforços precisam ser reunidos para promover a segurança das informações repassadas, educando o público e fortalecendo as relações entre a comunidade científica e a população. 

A imunização enfrenta um inimigo poderoso, e é preciso enfrentá-lo de forma inteligente e eficaz. 

Referências

COVID vaccines: time to confront anti-vax aggression – Nature