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A pandemia está controlada? | Colunistas

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Rian Barreto Rodrigues

8 min há 51 dias

Introdução

Controlada. Apesar da humanidade ter sofrido uma pandemia, conhecida como Gripe espanhola no final da primeira guerra mundial (1918), o surto de coronavírus se espalhou pelo globo e não existiam mecanismos estratégicos de defesa para barrar seu crescimento, não havia o controle que evitou o surto de coronavírus no início dos anos 2000. Aos poucos, o conhecimento sobre o vírus, principalmente no tocante a sua transmissão e a seu mecanismo de ação, proporcionou um método de prevenção, com medidas de restrição e de educação em saúde para a população em escala global.

Atualmente, têm-se inúmeros imunizantes que prometem, não extinguir, mas diminuir a incidência e controlar a pandemia. Os resultados são bons, apesar da grande capacidade de mutação do vírus, que já criou diversas cepas. Diversos países voltaram com a funcionalidade usual e consideram o cenário estável, mas de maneira geral, o mundo ainda possui diversos obstáculos para controlar a Covid-19.

Início da pandemia

Em dezembro de 2019, na província chinesa Wuhan, no centro do país, surgiu o que conhecemos hoje por novo coronavírus, um vírus altamente mutagênico que começou a infectar a população que frequentava o mercado público, onde eram vendidos animais para a produção de comidas típicas. O vírus chamou atenção do mundo pela rápida disseminação, diferente do Sars, que ameaçou a população mundial em 2003, mas logo foi controlada, causando cerca de 700 óbitos, a Sars-Cov-2, como foi nomeado pela ONU, em fevereiro de 2020, possui capacidade de transmissão mesmo no período incubatório e isso proporcionou, em poucos meses, um alcance de escala global.

Evolução dos casos

A evolução dos casos foi rápida, a capacidade do vírus de se propagar por aerossóis, por contato com fluidos e com superfícies contaminadas, proporcionou um caos no âmbito da saúde pública. As cidades chinesas entraram em lockdown, a OMS decretou, em 30 de janeiro de 2020, uma emergência de saúde pública global. Logo começou a notificação nos mais diversos países ao longo do globo, levando diversos países a fecharem suas fronteiras e imporem medidas de restrição. Em 11 de março de 2020, o coronavírus foi declarado uma pandemia.

No Brasil os casos foram detectados no dia 25 de fevereiro e com apenas um mês do primeiro caso o país já contava com aproximadamente 2000 infectados pelo vírus.  O crescimento exponencial, de início teve como foco o sudeste do país, em especial os estados de São Paulo e Rio de Janeiro.

Em muitos países da Europa, como a Espanha e a Itália, houve também um aumento expressivo da infestação, chegando a um estágio que o Governo declarou estado de alarme. Nesses países, mesmo com todas as medidas de precaução o número de infectados continuou subindo.

Atualmente o número de casos confirmados se aproxima de 170 milhões, dentre esse valor cerca de 33 milhões concentram-se nos Estados Unidos, 27 milhões na Índia, 16 milhões no Brasil, 5 milhões na França e 5 milhões na Turquia. Desses 170 milhões de contaminados têm-se cerca de 3,5 milhões de óbitos.

Fonte: Johns Hopkins- coronavírus resource center.

 Medidas restritivas e educação em saúde

Para tentar conter o avanço do COVID-19, medidas de educação em saúde como o distanciamento social, o uso de álcool para a assepsia das mãos, o uso de máscara e o isolamento são constantemente veiculados por diversas mídias sociais, com o intuito de prevenir o contato com o vírus, haja vista as diferentes manifestações que cada pessoa poderá desenvolver, e diminuir a transmissão. O Governo de cada país passou a exigir o uso desses mecanismos de defesa para controlar a pandemia, nas atividades comerciais e no dia a dia de forma geral. Nunca na história, houve tanta preocupação com a saúde, tanta informação em relação à saúde, esse é um marco que a humanidade alcançou, apesar de toda a negligência de muitos incrédulos que insistem nas aglomerações e na perpetuação de muitos mitos sobre a doença e sobre supostos métodos de tratamento precoce.

De forma geral, a quarentena, o distanciamento social e o isolamento são mecanismos excepcionais, estatisticamente provados como eficazes para conter o avanço do vírus. Além disso é importante pontuar que medidas de comportamento individual, o autocuidado, são de fundamental importância para conter a pandemia. Portanto, cuide-se, fazendo a sua parte e auxilie as pessoas próximas a você a entenderem a importância do cumprimento das medidas de segurança, para que possamos nos aproximar do controle desse cenário.

 A caminho do controle

Uma das formas mais prováveis de proporcionar certa segurança e de controlar a pandemia é a vacinação, desde 2020 muitos projetos de vacina foram elaborados, dentre esses, a CoronaVac, Oxford/AstraZeneca, Sinopharm, Pfizer/BioNTech, Moderna, Janssen, Sputnik V, entre outras vacinas foram produzidas e aprovadas para a administração. No entanto, a presença limitada de produção pelos laboratórios, proporcionou uma certa desigualdade na distribuição de vacinas, sendo, naturalmente, os países mais influentes e que se sobressaíram na busca pelos contratos com os laboratórios, os beneficiados, isso proporcionou uma certa tese de “Apartheid da vacina”, por isso a OMS exigiu a doação de doses em excesso.

Como meta para o controle do vírus, estima-se que será necessário a administração do imunizante em valores superiores a 75% da população, e essa é uma realidade ainda distante que levará tempo, uma vez que as novas cepas do vírus, fruto do potencial mutagênico viral, diminuem a eficácia das vacinas. E isso mostra que apesar de fazer uma grande diferença, a vacinação não vai extinguir o coronavírus, tampouco vai impedir a contaminação dos imunizados, mas, certamente, irá amenizar a situação e diminuir as chances de você desenvolver um quadro grave.

A eficácia de cada vacina também varia: A CoronaVac possui uma eficácia de 50,38% em casos leves, cerca de 78% em casos moderados, 100% em casos graves; A Astrazeneca apresenta uma eficácia de 76% na primeira dose e 82% após a segunda dose; A Sputnik V possui cerca de 92% de eficácia; A moderna e a Pfizer possuem cerca de 95% de eficácia, estando entre as melhores; a Sinopharm, vacina chinesa, apresenta 86% de eficácia.

Atualmente, o progresso da vacinação é 1.8 bilhões de doses administradas em mais de 125 países, em especial, nas Américas, na Europa e em partes da Asia. Os valores adquiridos por muitos países, em termos de administração de doses do imunizante proporcionou um certo alívio, favorecendo a flexibilização das medidas de isolamento e de segurança.

Conclusão

Com o passar do tempo, o contato com o vírus, seja por meio da vacinação, seja pelo contágio, vai proporcionar à humanidade uma certa imunidade coletiva que diminuirá as chances de propagação da doença e de mortalidade, apesar da possibilidade de reinfecção, e, consequentemente, controlará o cenário. É uma perspectiva a longo prazo, dado que conta como fator dependente do contato da população com o vírus para que ocorra uma memória imunológica e, assim, diminuir a gravidade do quadro provocado pelo patógeno.

AUTOR: Rian Barreto Arrais Rodrigues de Morais

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O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto

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  Referências

  1. https://www.bbc.com/portuguese/internacional-55156721
  2. https://coronavirus.jhu.edu/map.html
  3. https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2021/03/21/covid-19-quando-se-determina-o-fim-de-uma-pandemia.ghtml
  4. http://www.invivo.fiocruz.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=815&sid=7
  5. https://www.scielosp.org/article/ress/2020.v29n2/e2020119/
  6. https://www.scielo.br/j/rbti/a/w5ncnKcbTKRR9LDYVYsj6mg/?lang=pt#
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