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A prevenção de trombose na COVID-19: apenas com anticoagulantes?

A prevenção de trombose na COVID-19: apenas com anticoagulantes?

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Sanar Medicina

4 minhá 90 dias

Nesta altura da pandemia, já sabemos que pacientes com COVID-19 encontram-se em um estado pró-trombótico. Mas é possível fazer prevenção da trombose na COVID-19 apenas com anticoagulantes?

Apesar da tromboprofilaxia, ainda há chances de ocorrência de trombos, arteriais ou venosos. Diversos mecanismos explicam este estado pró-trombótico.

Podemos citar a ativação imune, levando a resposta de fase aguda, o que resultado em aumento de fatores de coagulação. 

Entra pra conta também a hiperreatividade plaquetária, secundária à hipóxia, bem como ativação do sistema complemento. Alguns outros mecanismos já foram propostos, como a ativação de células endoteliais. 

Os autores de um artigo publicado na revista The Lancet Rheumatology ainda acreditam que a patogenia da trombose nos pacientes com COVID-19 compartilha semelhanças com a síndrome de Behçet. 

O que é a Síndrome de Behçet

A síndrome de Behçet é caracterizada por vasculite sistêmica, onde comumento os pacientes cursam com úlceras orogenitais e uveíte. A vasculite envolve uma parcela destes pacientes e causa trombose venosa, superficial ou profunda. 

Dentre os componentes da tríade de Virchow, o dano à parede endotelial é o principal envolvido na gênese da trombose, e não o estado de hipercoagulabilidade. 

Semelhanças entre Síndrome de Behçet e a COVID-19

Os pacientes com COVID-19 e Síndrome de Behçet compartilham semelhanças.

Apesar do termo embolia pulmonar, os achados de Tomografia Computadorizada mostram, em ambas as doenças, que o que acontece na verdade é algo denominado “imunotrombose”, ou trombose “in situ” secundário à processo inflamatório local. 

As semelhanças são também vistas nos achados histológicos. Os trombos visualizados em pacientes com Síndrome de Behçet estão fortemente aderidos à parede vascular.

Em pacientes com COVID-19, os trombos estão conformados à vasculatura e não há evidências de formação de trombose em sítio distante. 

Portanto, a inflamação pulmonar parece ser a responsável pela formação dos trombos em ambos os pacientes. 

Tromboprofilaxia apenas é suficiente?

Seguindo o raciocínio acima exposto, alguns autores sugerem que a tromboprofilaxia apenas não é suficiente para reduzir os eventos trombóticos.

Apenas para lembrar, a tromboprofilaxia reduz o risco de tromboembolismo em até 50% para pacientes hospitalizados e imóveis. 

Além disso, mostrou benefícios na sobrevivência e é tratamento já estabelecido em pacientes com COVID-19. 

No entanto, complicações relacionadas à trombose ainda ocorrem em altas taxas. Dessa forma, os autores advogam que a terapia anti-inflamatória deve ser implementada como adjuvante à terapia anti-trombótica. 

Conclusão sobre a trombose na COVID-19

Estudos prévios, realizados antes da pandemia, já haviam mostrado o benefício do uso de agentes anti-inflamatórios na redução de eventos trombóticos.

Os agentes utilizados foram desde corticoides sistêmicos à agentes que miravam na Interleucina 1-beta. Em conclusão, a hipótese apresentada é plausível e possui evidências prévias para outras condições. 

Resta-nos aguardar por resultados de estudos que comprovem o benefício de utilizar a terapia anti-inflamatória em associação com a tromboprofilaxia para pacientes internados com COVID-19. 

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