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A quarentena e o adoecimento psíquico

A quarentena e o adoecimento psíquico

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Sanar Saúde

4 min há 441 dias

O isolamento social sem dúvidas trouxe diversas mudanças para a vida dos brasileiros. Para muitas pessoas, este período está sendo ainda mais difícil, porque além de lidar com a alteração dos hábitos, elas também precisam lidar com as suas emoções para manter a saúde mental, mesmo diante do contexto caótico.

Alguns estudos, inclusive, já começaram a apontar os efeitos psicológicos da quarentena, como é o caso da pesquisa desenvolvida pelo professor Alberto Filgueiras, do Instituto de Psicologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), em parceria com o Dr. Matthew Stults-Kolehmainen, do Yale New Haven Hospital, nos EUA. 

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Entenda a pesquisa

A pesquisa publicada online pelo The Lancet, porém ainda sem revisão, revela que os casos de depressão praticamente dobraram entre os brasileiros entrevistados, enquanto as ocorrências de ansiedade e estresse tiveram um aumento de cerca de 90%, nesse período.

Os dados utilizados no estudo foram coletados em dois momentos específicos: de 20 a 25 de março e de 15 a 20 de abril.  Ao total, 1.460 pessoas em 23 estados e todas as regiões do país responderam a um questionário on-line com mais de 200 perguntas.

A prevalência de pessoas com estresse agudo na primeira coleta de dados foi de 6,9% contra 9,7%, na segunda. Para depressão, os números saltaram de 4,2% para 8,0%. Por último, no caso de crise aguda de ansiedade, o resultado foi 8,7% na primeira coleta para 14,9%, na segunda coleta.

O levantamento ainda apontou que as mulheres são mais propensas do que os homens a sofrerem com estresse e ansiedade durante a quarentena, em especial as que continuam trabalhando, porque se sentem mais sobrecarregadas com o acúmulo das tarefas domésticas e com o cuidado dos filhos em casa.

No que diz respeito a depressão, as principais causas são idade mais avançada, ausência de crianças em casa, baixo nível de escolaridade e a presença de idosos no ambiente doméstico.

 Outros fatores de risco são: alimentação desregrada, doenças preexistentes, ausência de acompanhamento psicológico, sedentarismo e a necessidade de sair de casa para trabalhar.

De acordo com a pesquisa, o medo de contrair o vírus nas ruas, faz os trabalhadores que precisam sair de casa adoecerem mais do que aqueles que estão em home office ou isolados em suas casas.

 “Ao contrário do que pensamos, pessoas no confinamento não tendem a adoecer mais mentalmente. Aquelas que precisam sair de casa para trabalhar diariamente foram as que apresentaram os maiores níveis de adoecimento mental”, diz Filgueiras em uma entrevista cedida a CNN.

A importância do cuidado

A pesquisa sinaliza que quem recorreu à psicoterapia pela internet apresentou índices menores de estresse e ansiedade. Tiveram resultados mais positivos também aquelas pessoas que puderam praticar exercício físico aeróbico em comparação com aquelas que não fizeram nenhuma atividade física, ou que praticaram apenas atividades de força.

A pressão social para mudar bruscamente de rotina, adquirir novos hábitos, ser produtivo, pode trazer ainda mais estresse para as pessoas. Sobre isso, Filgueiras fez um alerta: “Esse período da quarentena não é o momento de mudar seus hábitos radicalmente. Isso pode gerar ainda mais angústia. Respeite seu estilo de vida e seus limites”, reforça.

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