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A Vacina Covaxin gera alta resposta imunológica? | Colunistas

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Luã de Morais

5 min há 3 dias

Introdução

É beirado o segundo ano de pandemia de covid-19 no mundo. Nesse período, uma verdadeira corrida para o desenvolvimento de uma profilaxia contra a infecção por coronavírus se instaurou e, como desfecho dos incessantes estudos e testes, diversas vacinas hoje, felizmente, estão em circulação e corroboram para a preservação de diversas vidas diariamente.

Dentro desse contexto, a Covaxin (BBV152), produzida pelo laboratório indiano Bharat Biotech, ganha notoriedade ao divulgar estudos clínicos promissores. Recentemente, inclusive, foi aprovada pela ANVISA no Brasil e esteve envolvida em algumas polêmicas de cunho político. Dessa forma, em muito se questiona sobre seu potencial de induzir resposta imunológica eficazmente. Assim, cabe compreender o seu mecanismo de funcionamento e o que há de evidências científicas sobre o seu uso para inferir um julgamento imparcial sobre esse fármaco. 

Como funciona a BBV152 

A vacina covaxin baseia-se na tecnologia de vírus inativado – assim como a Coronavac, na qual o vírus inteiro é utilizado, porém sem o que seu material genético apresente algum potencial replicante; a ele há emprego de calor, agentes químicos, radiação ou qualquer estratégia que rompa a sua integridade e o desnature evitando, assim, replicação viral e consequente infecção. Essa técnica é largamente conhecida e explorada na vacinologia, o que confere maior segurança de sua ação quando comparada a utilização do vírus atenuado.

Nesse sentido, à luz da imunologia, a interação dos linfócitos TCD4 com o MHC II das Células Apresentadoras de Antígenos (APCs) – em especial células dendríticas que fagocitaram o vírus inativo da covid – 19 – garante a ativação do braço imunológico Th2 de resposta humoral, o qual induzirá troca de classe de imunoglobulinas por células B e maturação da afinidade. Esse evento assegura uma imunização efetiva mediada por anticorpos neutralizantes. 

No entanto, a imunidade celular é menos proeminente nesse tipo de vacina quando comparada aquelas que utilizam vírus atenuado, vetor viral (AstraZeneca, Sputnik V e Janssen), ácidos nucleicos (Moderna e Pfizer) ou são baseadas em proteínas (Novavax e Covanx). Isso ocorre justamente por seu caráter não replicante, dependendo, portanto, de adjuvantes em sua formulação para deflagrar, em menor escala, a via Th1. Uma molécula de imidazoquinolina, que é um agonista do receptor toll-like (TLR) 7/8, é usada, então, como adjuvante na vacina Covaxin para estimular respostas mediadas por células.

Para além disso, o contato das APCs com toda a extensão do capsídio viral inativado é vantajoso à medida em que viabiliza um reconhecimento mais amplo e disseminado do patógeno. Em contraste com a tecnologia de vacinas de RNAm que geram resposta apenas contra uma única proteína de membrana do Sars – CoV 2 (proteína spike), a Covaxin pode fornecer defesa contra uma variedade de epítopos do vírus em questão. 

Evidências de sua eficácia 

Há uma especulação de que a sua eficácia gire em torno dos 81% em estudos preliminares de fase III. Estudos preprint divulgados na BioRxiv apresentam achados de que foi possível de neutralizar a variante do Reino Unido VUI-202012/01 utilizando soro humano vacinado com BBV 152 (Covaxin).

Em seus ensaios clínicos de fase 1, os anticorpos neutralizantes do soro foram detectados em todos os participantes no dia 104 após a administração de duas doses – apesar do declínio esperado de concentração, e os níveis desses anticorpos foram semelhantes aos da vacina mRNA-1273 (Moderna), que recebeu autorização de uso emergencial. 

Contudo, o BBV152 demonstrou potencial para fornecer respostas imunológicas humorais e mediadas por células. Nos estudos de fase II, amostras de soro do dia 56 de 38 participantes neutralizam efetivamente uma variante de SARS-CoV-2 de preocupação (linhagem B.1.1.7 ou variante delta inglesa). 

O ensaio de eficácia de fase 3 envolve 25.800 voluntários e está atualmente em andamento. Concomitante a isso, a BBV152 (Covaxin) recebeu autorização de uso de emergência na Índia e recentemente foi aprovada pela ANVISA, no Brasil, apesar de que seu uso não será concretizado no país.


Os resultados relatados nestes estudos disponíveis até o momento não permitem avaliações precisas de eficácia, no entanto. A avaliação dos resultados de segurança requer extensos ensaios clínicos de fase 3, atualmente sendo realizados na Índia com a participação de mais de 25 mil indianos voluntários.

Conclusão

Perante todo o exposto, a Covaxin pode ser considerada uma vacina promissora. Embora estudos robustos de fase III acerca de sua eficácia estejam em curso, as evidências descritas até o momento fundamentam a sua aprovação para uso emergencial no decorrer da pandemia de covid19 em voga. Trata-se de um imunizante altamente indutor de resposta imune Th2, sendo capaz, ainda, de fomentar a diferenciação em via Th1 por meio da adição de adjuvantes à sua composição. Além disso, a tecnologia de vírus inativado utilizada no caso da Covaxin e da Coronavac garante que a imunização curse sem risco de infecção pelo vírus, o que a torna segura para uso. 

Assim, a BBV152 equipara-se às demais vacinas em circulação em termos de indução de resposta imunológica, sendo uma opção viável, fundamentada e bastante válida no enfrentamento da atual pandemia. Essa é, portanto, mais uma aliada da vacinação de toda população mundial em tempo de emergência.

Autor: Luã de Morais de Lima

Instagram: @luadmdlima

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