Colunistas

A vacina da Janssen é eficaz contra as variantes do coronavírus? | Colunistas

A vacina da Janssen é eficaz contra as variantes do coronavírus? | Colunistas

Compartilhar

Victória Beatriz

8 min há 65 dias

Introdução

Visando o combate ao coronavírus, diversas vacinas foram criadas em tempo recorde no mundo inteiro. Você já deve conhecer um pouco sobre as vacinas Coronavac, Pfizer e AstraZeneca, que estão sendo aplicadas em solo brasileiro já há alguns meses. Entretanto, em 22 de junho chegou ao Brasil uma nova vacina, a da Janssen.  A mesma possui algumas características próprias, como a aplicação em dose única. Neste texto, você irá conhecer um pouco mais sobre essa vacina, e sua atuação frente as novas variantes do coronavírus.

Conheça a vacina

A vacina Janssen, que possui o nome oficial Ad26.COV2.S, foi desenvolvida pela empresa farmacêutica Janssen, do conhecido grupo Johnson & Johnson. Segundo a OMS, a dose da Ad26.COV2.S tem uma eficácia de 66,9% contra Covid-19 sintomático, 76,7% contra COVID-19 grave após 14 dias, e 85,4% após 28 dias. Ademais, a eficácia da vacina contra hospitalizações foi de 93,1% após 14 dias, e 100,0% após 28 dias.

Essa vacina é indicada para pessoas com 18 anos ou mais, em dose única de 0,5 ml administrada por via intramuscular, no músculo deltoide. Para análise de suas características, foi realizado um estudo multicêntrico, randomizado e duplo-cego, em milhares de voluntários em 8 países.

Como funciona?

O funcionamento da vacina da Janssen é semelhante ao das vacinas AstraZeneca e Sputnik V. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a vacina Ad26.COV2.S é formada por um vetor de adenovírus recombinante, inativado para replicação, de sorotipo 26 (Ad26), que codifica uma proteína spike do SARS-CoV-2, em comprimento total e estabilizada. Meio complicado, não é? Vamos destrinchar tudo isso nos parágrafos a seguir.

Segundo a Agência Europeia de Medicina, a vacina da Janssen é composta por um adenovírus que foi modificado para conter o gene responsável pela produção da proteína spike do SARS-CoV-2. A proteína spike é uma proteína que o vírus SARS-CoV-2 utiliza para entrar nas células do corpo. O adenovírus da vacina não se reproduz, não causa Covid-19 nem outras doenças, e é algo utilizado em vacinas há mais de 20 anos.

Conforme citado acima, o adenovírus passa esse gene do SARS-CoV-2 para as células da pessoa vacinada. A partir disso, as células dessa pessoa usarão o gene para produzir a proteína spike. O sistema imunológico da pessoa reconhecerá a proteína spike como estranha e ativará glóbulos brancos para alvejá-la.

Finalmente, como consequência desse processo, se a pessoa entrar em contato com o vírus SARS-CoV-2, o seu sistema imunológico reconhecerá a proteína spike do mesmo, e estará prontamente preparado para defender-se.

O problema das variantes

Variantes de preocupação (VOC) e variantes de interesse (VOI) são classificadas assim por sua capacidade de aumentar a transmissibilidade, virulência ou sintomatologia, e potencialmente limitar a eficácia de medidas de saúde pública, como vacinas.

Segundo a European Pharmaceutical Review, em março haviam quatro variantes preocupantes: a variante Alpha (B.1.1.7) do Reino Unido, Beta (B.1.351) da África do Sul, Gama (P.1) do Brasil; e Delta (B.1.617.2) da Índia. Em julho, foi identificada também uma nova variante da temida variante Delta, a Delta plus. Há ainda a variante P2 (do Rio de Janeiro) e também N9, P4 e P5, originalmente encontradas no Brasil.

Eficácia contra as variantes

Em estudo divulgado pela revista Nature, a dose da vacina gerou anticorpos neutralizantes contra uma gama de variantes preocupantes do SARS-CoV-2, incluindo contra a variante Delta (B.1.617.2), Beta (B.1.351), Gama (P.1) Alfa (B.1.1.7), Epsilon (B.1.429), Kappa (B.1.617.1) e variantes D614G, bem como a cepa SARS-CoV-2 original (WA1 / 2020).

Segundo a revista Galileu, no caso das variantes Beta e Gama, houve uma menor produção de anticorpos neutralizantes na comparação com a reação ao vírus original. Por outro lado, a produção de anticorpos não neutralizantes e das células T praticamente não foi impactada pelas variantes.

De fato, ensaios mais recentes atestam que a vacina é realmente eficaz contra a temida variante Delta. Segundo declaração dada pela Johnson & Johnson em 01/07/2021, um estudo pre-print enviado pela empresa ao repositório bioRxiv contém uma nova análise de amostras de sangue obtidas de um subconjunto de participantes num estudo de Fase 3 sobre este assunto. No estudo, afirma-se que a vacina gerou atividade imunológica forte e persistente contra a variante Delta, inclusive em níveis até mais altos do que contra a variante Beta.

De modo geral, a vacina foi consistentemente eficaz em todas as regiões estudadas globalmente, incluindo na África do Sul e no Brasil, onde há uma alta prevalência de variantes Beta e Zeta. A OMS atualmente recomenda o uso de Ad26.COV2.S mesmo se as variantes estiverem presentes em um país.

Por que apenas uma dose?

Segundo a especialista em doenças infecciosas da University of California San Francisco, Monica Gandhi, a vacina entrou em testes de Fase III como dose única porque os testes de fases anteriores mostraram excelentes respostas imunológicas após apenas uma dose.  Não obstante, a J&J está atualmente conduzindo estudos sobre uma possível necessidade de segunda dose, e ainda sobre a utilização dessa vacina em crianças, adolescentes e grávidas.

Segunda dose?

O formato de aplicação em dose única e a crescente preocupação com a variante Delta levou alguns norte-americanos a questionarem a aplicação de uma segunda dose desta vacina. Entretanto, representantes da Johnson & Johnson afirmam que atualmente não há evidencias cientificas da necessidade de uma segunda dose, e a recomendação atual da OMS e do CDC é a aplicação em dose única da mesma.

Autor: Victória Beatriz

Instagram: @vicbeatriz98

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto

Gostou do artigo? Quer ter o seu artigo no Sanarmed também? Clique no botão abaixo e participe

Bibliografia

1.       Sadoff J, Gray G, Vandebosch A, et al. Safety and Efficacy of Single-Dose Ad26.COV2.S Vaccine against Covid-19. N Engl J Med. 2021;384(23):2187-2201. doi:10.1056/nejmoa2101544

2.       COVID-19 Vaccine Janssen | European Medicines Agency. Accessed July 3, 2021. https://www.ema.europa.eu/en/medicines/human/EPAR/covid-19-vaccine-janssen

3.       Johnson & Johnson’s Janssen COVID-19 Vaccine Overview and Safety | CDC. Accessed July 3, 2021. https://www.cdc.gov/coronavirus/2019-ncov/vaccines/different-vaccines/janssen.html

4.       (No Title). Accessed July 3, 2021. https://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/341784/WHO-2019-nCoV-vaccines-SAGE-recommendation-Ad26.COV2.S-2021.2-eng.pdf?sequence=2&isAllowed=y

5.       As vacinas que usam adenovírus contra COVID-19 | Questão de Ciência. Accessed July 3, 2021. https://www.revistaquestaodeciencia.com.br/artigo/2021/01/11/um-virus-como-vetor-de-tres-vacinas-contra-covid

6.       Positive New Data for Johnson & Johnson Single-Shot COVID-19 Vaccine on Activity Against Delta Variant and Long-lasting Durability of Response | Johnson & Johnson. Accessed July 3, 2021. https://www.jnj.com/positive-new-data-for-johnson-johnson-single-shot-covid-19-vaccine-on-activity-against-delta-variant-and-long-lasting-durability-of-response

7.       Covid-19: Brasil, um possível celeiro de novas variantes do coronavírus | Veja Saúde. Accessed July 3, 2021. https://saude.abril.com.br/medicina/brasil-um-possivel-celeiro-de-novas-variantes-do-coronavirus/

8.       Variantes da COVID-19: quais são, sintomas e o que significam – Tua Saúde. Accessed July 3, 2021. https://www.tuasaude.com/variantes-covid/

9.       Covid: por que o Brasil se tornou “caldeirão de variantes” do coronavírus e qual o perigo disso – BBC News Brasil. Accessed July 3, 2021. https://www.bbc.com/portuguese/brasil-57283273

10.     The delta and delta plus variants: Everything you need to know. Accessed July 3, 2021. https://www.nbcnews.com/science/science-news/delta-delta-variants-everything-need-know-rcna1281

11.     How Effective Is the Johnson & Johnson COVID-19 Vaccine? Here’s What You Should Know | UC San Francisco. Accessed July 3, 2021. https://www.ucsf.edu/news/2021/03/420071/how-effective-johnson-johnson-covid-19-vaccine-heres-what-you-should-know

12.     AP-2.

13.     (No Title). Accessed July 3, 2021. https://www.cdc.gov/vaccines/acip/meetings/downloads/slides-2021-02/28-03-01/02-COVID-Douoguih.pdf

14.     People Seek Out mRNA Boosters for J&J Vaccine | MedPage Today. Accessed July 3, 2021. https://www.medpagetoday.com/special-reports/exclusives/93377

15.     Alter G, Yu J, Liu J, et al. Immunogenicity of Ad26.COV2.S vaccine against SARS-CoV-2 variants in humans. Nature. Published online June 9, 2021:1-5. doi:10.1038/s41586-021-03681-2

16.     Vacina da Janssen tem resposta “robusta” contra variantes em estudo – Revista Galileu | Saúde. Accessed July 4, 2021. https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/Saude/noticia/2021/06/vacina-da-janssen-tem-resposta-robusta-contra-variantes-em-estudo.html

Compartilhe com seus amigos:
Política de Privacidade © Copyright, Todos os direitos reservados.