Anatomia de órgãos e sistemas

Abscesso Anorretal | Colunistas

Abscesso Anorretal | Colunistas

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Matheus Neres

6 minhá 48 dias

O que é?

Os abscessos, na maioria dos casos, surgem a partir da obstrução de uma cripta anal e sua glândula, ocorrendo acúmulo de pus no tecido subcutâneo ao redor da cripta. Outra frequência ocorre devido a material estranho. Os abcessos são tipicamente polimicrobianos com bactérias aeróbias e anaeróbicas, como exemplo, temos Staphylococcus aureus, Streptococcus e Enterococcus, Escherichia coli, Proteus e Bacteroides; pode progredir envolvendo o espaço isquiorretal, interesfíncter ou do músculo elevador do ânus, pois são espaços normalmente preenchidos com tecido areolar gorduroso com pouca resistência à progressão de infecções.

Os abscessos[Pacheco1]  apresentam uma complicação muito frequente, que são as fístulas que ocorrem em cerca da metade dos pacientes, este ocorre frequentemente como resultado de um abscesso que se formou nesta região. O pus contido dentro do abscesso é eliminado, naturalmente ou com ajuda de drenagem, dando lugar à formação de uma fístula anal. A fístula comunica a região interna do canal anal ou reto até a pele da região externa do períneo ou nádegas. Não é uma complicação do tratamento e sim uma evolução natural da condição. É um problema que exige avaliação e tratamento especializado para sua cura.

Etiologia

  1. Doença inflamatória intestinal, como doença de Crohn ou retocolite ulcerativa;
  2. Hidradenite supurativa;
  3. Infecções do reto, como amebíase, linfogranuloma venéreo, tuberculose ou esquistossomose retal;
  4. Fissura anal;
  5. Câncer anorretal;
  6. Imunidade comprometida;
  7. Ter passado por uma cirurgia da região anorretal, como hemorroidectomia, episiotomia ou prostatectomia, por exemplo.

Causas menos comuns: ato de deglutir (engolir) alimentos sem mastigar, podendo levar fragmentos de ossos ou espinhas de peixe até o canal anal. Estes fragmentos não são digeridos e passam pelo canal anal podendo gerar uma escoriação, perfuração, que provoca um abscesso.

Classificação

  1.  Submucoso: Imediatamente abaixo da mucosa, justaposto à cripta.
  2. Isquiorretal: Ocupa o esfíncter anal externo até o espaço isquiorretal.
  3. Interesfincteriano: abscessos anorretais que se localizam entre os esfíncteres externos e internos; não costumam causar alterações na pele à inspeção, mas o abscesso pode ser palpado no toque retal, correspondendo cerca de 2 a 5% dos casos.
  4. Supraelevador ou pelvirretal: Pode originar-se de infecções critpoglandulares com disseminação para região superior para o espaço do músculo supraelevador ou de um quadro inflamatório pélvico. Sintomatologia: dor perianal intensa, febre e, algumas vezes, retenção anal.
  5. Ferradura: a variação do abscesso pelvirretal, de maior complexidade, originando-se posteriormente ao canal anal e expandindo-se até o assoalho pélvico.

Epidemiologia

A incidência exata do abscesso anorretal não pode ser estimada uma vez que há pessoas que rompem espontaneamente, não buscando assim ajuda médica para possível avaliação e tratamento, enquanto outros ainda são tratados no consultório médico, sem qualquer documentação oficial.

Os abscessos anorretais ocorrem quase duas vezes mais frequentemente em homens em relação a mulheres e está mais relacionado com a terceira e quarta década de vida.

Clínica

Dor significativa em região anal ou retal; característica constante, podendo piorar com evacuação, tosse e esforço. Sensação de febre e mal-estar podem ocorrer. Abscessos que se localizam perto da borda anal, na linha média posterior, sendo uma massa macia superficial indurada, que pode ou não ser flutuante.

Isquiorretais: além do esfíncter anal externo; maiores, endurecidos e bem circunscritos; localizados lateralmente sobre o aspecto medial das nádegas; edema e sintomas constitucionais como febre e anorexia.

Imagem 1: Abscesso Anorretal (http://www.drfernandovalerio.com.br/)

Diagnóstico

Dor por movimento e assento. Os abscessos perianais, geralmente não são acompanhados por febre, leucocitose e sepse no paciente imunocompetente. Os isquiorretais são dolorosos no exame retal e são laterais ao limite anal. Os abscessos interesfincterianos: dolorosos com a defecação, geralmente associados à descarga retal e à febre, e uma massa macia pode ser palpável no exame digital do canal retal.

 A presença do pus dá o diagnóstico e indica a necessidade de drenagem cirúrgica. A febre pode estar presente, mas não é uma regra. O exame físico: área endurecida, quente, rubor e dolorosa ao toque. É possível observar um local de saída de secreção purulenta.

Nos casos de difícil diagnóstico[Pacheco2] : exames de imagem, ultrassonografia, tomografia computadorizada ou ressonância magnética, que identificarão o local e a extensão do abscesso. Indica-se também a realização de hemograma, para a avaliação do grau da infecção, e de glicemia, devido ao risco de diabetes associada.

Tratamento

Drenagem cirúrgica: deve ser realizada assim que o diagnóstico é realizado, mesmo quando não exista flutuação no abscesso.

A lidocaína e epinefrina são administradas. A incisão é realizada o mais próximo possível da borda anal, minimizando assim a possibilidade de fístula e drenar o pus do abscesso; a cavidade do abscesso é irrigada com salina estéril.

Condições para uso de antibióticos: celulite extensa perianal, sinais de infecção sistêmica, diabetes melito, doença valvular cardíaca e Imunossupressão.

Prevenção

Água: pode ter diversos benefícios para a saúde, é essencial para várias funções no corpo, como diminuição da prisão de ventre.

Alimentação balanceada, rica em fibras: ajuda o aparelho digestivo a funcionar mais eficientemente. Isso significa que o cólon se mantém saudável, o que ajuda a evitar condições de inflamação, podendo evitar parte dos casos de abscessos perianais.

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Referências

Abscesso Anorretal (https://bit.ly/3aAHHgB)

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