Coronavírus

Adaptar vacinas às novas variantes do coronavírus pode levar 2 meses

Adaptar vacinas às novas variantes do coronavírus pode levar 2 meses

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Sanar

4 minhá 3 dias

Cientistas da Universidade de Oxford e do Instituto Butantan estão estudando a resposta das vacinas CoronaVac e Oxford às novas variantes do coronavírus que já estão circulando por vários países. Segundo informaram ao Estadão, o processo de adaptação dos dois imunizantes às novas cepas pode levar cerca de dois meses.

As duas vacinas são as únicas já aprovadas para uso emergencial no Brasil e já estão sendo aplicadas em grupos de risco. Com a descoberta de novas variantes do SARS-CoV-2, cientistas da Universidade de Oxford e do Instituto Butantan começaram testes para verificar se as linhagens emergentes afetam o desempenho dos imunizantes.

Por enquanto, são três as variantes mais preocupantes, segundo avaliação da Organização Mundial da Saúde (OMS): B.1.1.7, originada no Reino Unido, B.1.351, detectada primeiro na África do Sul, e a cepa P.1, que surgiu no Amazonas.

A variante brasileira é apontada como mais transmissível. Ela já predomina nos casos de COVID-19 em Manaus e foi detectada em, pelo menos, outros dez estados do país, além de outros países.

Como são feitos os estudos?

Como explica o Uol, os estudos que avaliam a eficácia das vacinas contra as novas variantes do coronavírus são realizados em duas frentes principais. A primeira envolve o sequenciamento genético do vírus presente em amostras de pacientes infectados e já vacinados. O objetivo é avaliar se há mais casos da doença entre contaminados pelas novas variantes.

Já na segunda frente, são feitos testes que colocam o soro de pacientes imunizados em contato com as novas cepas para avaliar se os anticorpos são capazes de neutralizar o SARS-CoV-2.

A coordenadora dos centros de pesquisa da vacina de Oxford no Brasil, Sue Ann Costa Clemens, afirmou que as amostras da cepa P.1, coletadas em infectados de Manaus, foram enviadas há duas semanas para Oxford e que os resultados devem sair em breve.

Caso seja necessário adaptar a vacina existente, ela estima que o prazo necessário seja de cerca de dez semanas. “É o tempo para cultivar o novo vírus e fazer as alterações. Depois disso, terá início a produção”, disse.

A farmacêutica chinesa Sinovac, parceria do Instituto Butantan no desenvolvimento da CoronaVac, já havia anunciado no fim de janeiro que o “redesenho” da vacina levaria dois meses.

Como declarou o pesquisador responsável pelo estudo Shao Yiming, em entrevista ao jornal chinês Global Times, esse é o prazo necessário para o cultivo do chamado banco de semente do vírus usado no imunizante.

Uma vez adaptada, a vacina não precisará passar por ensaios clínicos novamente, somente por testes de imunogenicidade que confirmarão, in vitro, se o imunizante é capaz de provocar resposta imune.

Novos resultados chegam em breve

A Universidade de São Paulo (USP) também está realizando testes de eficácia da CoronaVac contra a cepa P.1. Pesquisadores do Instituto de Medicina Tropical (IMT) vão fazer o sequenciamento genético de amostras de participantes do estudo clínico da Coronavac no Brasil infectadas pelo vírus.

Conforme declarou Ester Sabino, professora do IMT envolvida na pesquisa, são 500 amostras vindas de vários locais do Brasil. “O objetivo é verificar as variantes mais frequentes entre os voluntários”, disse ao Estadão.

Em outra frente, pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da USP farão os testes em laboratório com o soro de vacinados para checar se os anticorpos formados são capazes de deter as cepas. Os resultados devem chegar em duas semanas, estimam os cientistas.

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