Pediatria

Adolescência

Adolescência

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SanarFlix

4 minhá 631 dias

INTRODUÇÃO:

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), adolescência compreende o período de vida entre 10 e 20 anos incompletos, caracterizado por importantes transformações físicas – crescimento como um todo e surgimento da puberdade, evidenciada pelos caracteres sexuais secundários –, reorganização psíquica, peculiaridades afetivo-sexuais, comportamentais, socioculturais, espirituais, com busca de projetos de vida e outra percepção do mundo. Já de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a adolescência engloba jovens entre 12 e 18 anos.

Mesmo reconhecendo que na adolescência o critério cronológico perde importância, para que se possa compreender a evolução do processo, é interessante analisar o desenvolvimento dividido por idade: adolescência inicial – dos 10 aos 13 anos; adolescência média – dos 14 aos 16 anos; adolescência final – dos 17 aos 20 anos.

A adolescência inicial é um período marcado pelo rápido crescimento e pela entrada na puberdade; a adolescência média caracteriza-se pelo desenvolvimento intelectual e pela maior valorização do grupo; e na adolescência tardia consolidam-se as etapas anteriores e o adolescente se prepara para assumir o mundo adulto. Na última fase, se todas as transformações tiverem ocorrido conforme previsto nas fases inicial e média, incluindo a presença de suporte familiar e do grupo de iguais, o adolescente estará pronto para as responsabilidades da idade adulta.

PRINCIPAIS AGRAVOS A SAÚDE:

Imagem: As dez principais causas de morte entre adolescentes (2012). Fonte: Tratado de Pediatria: Sociedade Brasileira de Pediatria, 2017.

Para atender adolescentes, é preciso também conhecer as causas prevalentes de morbidade e mortalidade entre jovens, para que o profissional de saúde esteja preparado para lidar com situações e agravos evitáveis, com uma perspectiva de curso de vida.

Imagem: As dez principais causas de anos de vida perdidos ajustados para deficiência entre adolescentes (2012). Fonte: Tratado de Pediatria: Sociedade Brasileira de Pediatria, 2017.

As queixas de adolescentes atendidos em ambulatório abrangem enorme espectro. Relacionam-se principalmente ao crescimento e desenvolvimento normal e variantes – baixa estatura, puberdade precoce ou antecipada, ginecomastia – excesso de peso, obesidade, Síndrome Metabólica, transtornos alimentares (anorexia, bulimia, vigorexia), cefaleia, dores recorrentes, distúrbios menstruais, acnes, desvios de coluna, dificuldades escolares e nos relacionamentos familiares, entre outros. As questões de saúde mental estão cada vez mais frequentes – quadro depressivo, fobias, ansiedade, autoagressão e ideação suicida.

CONSULTA DO ADOLESCENTE:

A consulta é um momento privilegiado de comunicação com o adolescente e deve acontecer em um clima que inspire confiança, respeito e sigilo. O adolescente também precisa ser receptivo ao processo. É essencial deixar bem claro desde o início que o paciente é a figura central, dirigindo-se sempre a ele.

  • Anamnese

Esse momento da consulta consiste na coleta de informações sobre o paciente, familiares e o ambiente onde vive. É importante que seja ampla e aborde os aspectos físicos, psíquicos, sociais, culturais, sexuais e espirituais do adolescente. Do ponto de vista didático, pode-se dividir a anamnese em três ou mais momentos: entrevista com paciente e familiares juntos, entrevista com o paciente a sós e retorno para paciente e pais/responsáveis.

Primeiro momento da anamnese: adolescente e familiares juntos

Tópicos a serem abordados:

  • Motivo da consulta – nem sempre é uma patologia, mas uma situação ou agravo (ex: queda no rendimento escolar, “timidez excessiva”);

  • Histórico da situação atual e pregressa do paciente, incluindo agravos e doenças;

  • Estado vacinal (verificar o cartão de imunizações);

  • Dados da gestação, parto e condições de nascimento, bem como peso ao nascer;

  • Hábitos alimentares (horário das refeições, quantidade e qualidade dos nutrientes, hábitos de guloseimas);

  • Condições de habitação, ambiente e rendimento escolar, exposição a ambientes violentos, uso de tecnologia da informática (tempo em celular, games, computador);

  • História familiar – refere-se a configuração, dinâmica e funcionalidade: com quem o(a) adolescente mora, situação conjugal dos pais e consanguinidade, outros agregados na residência, harmonia ou situações conflituosas no ambiente.

  • Não se esquecer de obter dados sobre o sono, lazer, atividades culturais, exercícios físicos e religião.

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