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Alucinações induzidas por robôs podem facilitar o fim das alucinações da Doença de Parkinson | Colunistas

Alucinações induzidas por robôs podem facilitar o fim das alucinações da Doença de Parkinson | Colunistas

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Introdução

A doença de Parkinson é um distúrbio no sistema nervoso central que afeta o movimento, geralmente começa com um tremor na mão. Outros sintomas incluem: movimentos lentos, rigidez, perda de equilíbrio e alucinações.

Quase metade dos pacientes com Parkinson possuem alucinações, e estudos recentes mostram que as mesmas são indícios de resultados cognitivos negativos, inclusive podendo haver maior mortalidade. Bernasconi et al. usaram um método robótico para induzir alucinações, para estudar os mecanismos desse sintoma.

O que pode causar a doença de Parkinson

A causa da DP ainda é desconhecida. Porém, cerca de 5% dos pacientes é possível identificar uma anormalidade genética que pode ser relacionada com a doença, mas no restante dos pacientes isso não ocorre. O que leva a pensar que pode ser por uma predisposição genética associada a fatores ambientais.

O que ocorre no cérebro dos pacientes com DP

Acontece uma perda progressiva de neurônios em várias partes do cérebro, como na região conhecida como substância negra, em que seus neurônios são responsáveis pela produção do neurotransmissor chamado Dopamina.

Consequências da perda de neurônios

Lentidão para realização de movimentos, associada a tremores e aumento do tônus muscular, ou seja, rigidez. O quadro pode ser assimétrico, um lado do corpo ocorre uma piora mais drástica que o outro. Nem todos os pacientes com Parkinson apresentam tremor. Quando ocorre o sintoma de alucinações é um indicio de uma grande piora no quadro da doença.

Como são as alucinações na doença de Parkinson

As alucinações na doença de Parkinson são sintomas perturbadores que podem ser risco para psicose e demência. De acordo com o estudo que usa o método robótico para provocar ‘‘alucinações de presença’’, essas alucinações em quase metade dos portadores da doença de Parkinson parecem ser provocadas por um processamento sensor motor alterado na rede Fronto temporal.

Porque as alucinações ocorrem

Os sintomas psicóticos e as alucinações podem ocorrer principalmente se a demência se desenvolve com a progressão da doença, ou também pela utilização de medicamentos para tratá-la. Normalmente desenvolvem no estágio 5 da doença, ou seja, o uso dos medicamentos começa a provocar muitos efeitos colaterais que superam seus benefícios.

Teste robótico de ‘‘Fantasma’’

É um teste em que o paciente faz movimentos de cutucar e o robô faz os mesmos. Quando esses movimentos ficam sincronizados, não ocorre nenhuma alteração, porém quando estão fora de sincronia, tanto em adultos saudáveis, tanto em pacientes com Doença de Parkinson relatam as alucinações. Os portadores de DP que já tiveram alucinações são mais sensíveis ao teste.

Sucesso do teste Fantasma

O teste teve ótimos resultados, e permitiu que os pesquisadores localizassem a rede neural responsável pelas alucinações. Inclui três zonas no córtex Fronto temporal do cérebro:

  • giro frontal inferior
  • córtex pré motor ventral
  • giro temporal médio posterior.

Apesar de todo o sucesso no teste, o estudo ainda está em andamento.

Novas formas de realização do teste

Os pesquisadores planejam usar a tecnologia robótica durante a realização de ressonância magnética em pacientes com DP, para tentar captar em tempo real a atividade neural associada ás alucinações enquanto ocorrem.

Esse estudo ainda pode possibilitar prever alucinações em pacientes com Doença de Parkinson que ainda não apresentaram alucinações, mas que ainda podem apresentar, ou seja talvez em um futuro esses testes fantasmas possam evitar que essas alucinações ocorram.

Novas drogas que podem ser utilizadas no tratamento das alucinações

O estudo do teste Fantasma, pode possibilitar o desenvolvimento de novas drogas que podem tratar o sintoma das alucinações, ou mesmo pode melhorar as drogas já utilizadas e em andamento.

‘‘As drogas que funcionam neste modelo, podem ser levadas adiante no desenvolvimento para estudos maiores e mais clinicamente orientados- ou seja, o bloqueio eficaz de alucinações induzidas pode prever o bloqueio de alucinações espontâneas’’, disse Siderowf.

Conclusão

A doença de Parkinson é progressiva, e difere de paciente para paciente, por isso o estudo ainda precisa se verificado e aprimorado, mas abre grandes portas para uma possível cura das alucinações.

Autor: Bruna Caroline Basso Perretto

Instagram: @medbrunabp10

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto

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Referências

Medscape;

https://neurologista-rp.com/doenca-de-parkinson/;