Coronavírus

Análise genômica de variantes da COVID-19 em idosos assintomáticos

Análise genômica de variantes da COVID-19 em idosos assintomáticos

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No post de hoje pretendemos tratar a respeito da análise genômica de variantes da COVID-19 em idosos assintomáticos. Estudos prévios a respeito do tema já mostraram que, variações na sequência dos genes do SARS-CoV-2 resultam em diferenças na infectividade, transmissibilidade e patogenicidade do vírus.

No trabalho aqui analisado, mostraremos os resultados da análise do genoma do RNA do SARS-CoV-2 obtido a partir de 7 indivíduos assintomáticos. 

Metodologia do estudo

O estudo consistiu faz parte do Strengthening the Reporting of Observational Studies in Epidemiology (STROBE), onde sintomas e SWAB nasofaríngeo foram coletados de 20 indivíduos do sexo feminino, residentes em estabelecimento de cuidados a longo prazo, que tiveram contato com profissionais de saúde que testaram positivo para a COVID-19. 

No momento do rastreio, todos os indivíduos eram assintomáticos, dentre os quais 7 deles posteriormente positivaram o teste em reação de cadeia da polimerase (RT-PCR) para o vírus SARS-CoV-2. 

Foram recoletadas amostras dos 7 indivíduos e um novo teste foi realizado, com uma outra metodologia. Além disso, o sequenciamento completo do genoma foi realizado nas 7 amostras positivas. 

Características dos indivíduos

Os 7 indivíduos femininos com teste positivos e assintomáticos tinham idade que variava entre 75 a 92 anos. Os valores do teste de PCR mostravam altas cargas virais. 

No seguimento de 30 dias após confirmação da infecção pelo SARS-CoV-2, 5 indivíduos permaneceram assintomáticos, enquanto 2 desenvolveram um quadro de letargia e declínio cognitivo, porém sem nenhum sinal ou sintoma respiratório.

Após duas e quatro semanas, ambos vieram a óbito, respectivamente. 

Análise do Genoma

Dentro do próprio grupo de estudo, não houve mais do que 3 substituições de nucleotídeos. Porém, quando comparados os genomas do grupo com o do vírus original de Wuhan, cerca de 13 a 15 substituições foram encontradas. 

A variante da proteína Spike S:D614G foi encontrada em todos os 7 genomas dos indivíduos. As demais variantes resultaram em troca de 7 ou 8 aminoácidos em proteínas virais. 

Estas variantes foram estimadas como capazes de produzir mudanças de conformação e função na proteína S e nas demais proteínas envolvidas. 

Discussão

De acordo com dados já registrados na literatura, sabe-se que mudanças na sequência proteína Spike do vírus podem estar associadas à maior patogenicidade e infectividade do SARS-CoV-2.

A própria variante S:D614G já foi correlacionada a maior infectividade e transmissibilidade do vírus.

A hipótese levantada pelos cientistas afirma que as mudanças estruturais provocadas por esta variação na proteína Spike resulta em maior habilidade de ligação ao receptor da enzima conversora de angiotensina 2 (ACE2), aumentando sua chance de entrada na célula.

Porém, as demais variações encontradas nas 7 amostras analisadas podem ter restaurado a forma anterior da conformação da proteína Spike, diminuindo sua capacidade de ligação ao receptor ACE2, e gerando redução da capacidade do vírus estabelecer infecção.

Além disso, uma outra variação apresentada interfere na capacidade que o vírus possuía de antagonizar os efeitos do interferon tipo I e tipo III, o que pode ter reduzido a patogenicidade do vírus. 

Conclusão sobre as variantes da covid-19 em idosos

Todas as variações, quando analisadas conjuntamente, podem explicar o porquê destes indivíduos, com mais de 75 anos, foram assintomáticos, com 5 deles recuperando-se totalmente sem manifestar sintomas algum. 

Devido ao pequeno número amostral, mais estudos ainda serão necessários para determinar se as variações genômicas aqui apresentadas estão realmente ligadas a menor patogenicidade do vírus. 

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Referências

Genome Analysis for Sequence Variants in SARS-CoV-2 Among Asymptomatic Individuals in a Long-term Care Facility – JAMA Network

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