Farmacologia

Anestésicos: saiba tudo sobre os anestésicos gerais e locais

Anestésicos: saiba tudo sobre os anestésicos gerais e locais

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SanarFlix

5 min há 822 dias

Confira um artigo completo que falamos sobre os Anestésicos para esclarecer todas as suas dúvidas. Ao final, confira alguns materiais educativos para complementar ainda mais os seus estudos.

Boa leitura!

Introdução e definição dos Anestésicos

Anestesia é definida como a perda da função sensitiva. Desse modo, os anestésicos são fármacos capazes de bloquear as capacidades sensitivas do organismo, sendo utilizados no alívio da dor e bloqueio de outras funções sensitivas para realização de procedimentos médicos invasivos, tais como cirurgias e alguns exames (Ex: endoscopia).

De maneira geral, os anestésicos são divididos em anestésicos gerais e anestésicos locais, que se diferem principalmente pela capacidade de induzir ou não perda da consciência.

Os anestésicos gerais são amplamente utilizados nos procedimentos em que se necessita retirar os reflexos do paciente, além de promover diminuição da dor e desconforto, levando a perda momentânea da consciência.

Já os anestésicos locais não provocam alterações no nível de consciência do paciente e são utilizados em procedimentos menores. Outros fatores diferem entre esses dois grupos, como mecanismo de ação e efeitos colaterais, que serão abordados detalhadamente nos próximos tópicos.

Anestésicos Gerais

Os anestésicos gerais são utilizados quando se deseja provocar depressão global do sistema nervoso central (SNC), levando a perda da percepção e resposta aos estímulos externos, cursando com perda da consciência, amnésia anterógrada, analgesia, inibição dos reflexos autônomos e relaxamento da musculatura esquelética.

A anestesia geral pode ser feita por via venosa ou inalatória e conta com o auxílio de fármacos coadjuvantes, chamados de pré-anestésicos, que servem para abolir a dor, gerar sedação, proteger as vias aéreas, bloquear os reflexos vagais e reduzir o metabolismo. As classes de medicamentos utilizados como pré-anestésicos são:

  • Anticolinérgicos: esses bloqueadores muscarínicos são utilizados para proteger o coração de uma possível parada durante o processo de indução anestésica.

  • Antieméticos: inibem a náusea e o vômito durante a anestesia e no período pós-anestésico.

  • Anti-histamínicos: evitam a ocorrência de reação alérgica e auxiliam na sedação, diminuindo a quantidade de anestésico a ser administrado.

  • Ansiolíticos e/ou hipnóticos: aqui são utilizados principalmente os benzodiazepínicos e os barbitúricos. Os barbitúricos ajudam na velocidade da sedação, temos como principal exemplo o Tiopental, fármaco bastante eficaz neste processo, capaz de tornar desnecessária a fase excitatória da anestesia. Já os benzodiazepínicos são utilizados normalmente 24 horas antes da anestesia, com o objetivo de controle da ansiedade do paciente.

  • Relaxantes musculares: são utilizados para evitar os reflexos autônomos durante a indução e também para facilitar a intubação. Opioides também podem ser utilizadas para controle dos reflexos autonômicos, bem como para auxílio na analgesia.

Estágios da Anestesia Geral

A administração dos anestésicos gerais deve ser guiada pelos princípios de segurança e eficiência, baseada na natureza do procedimento a ser realizado, condições fisiológicas atuais do paciente e propriedades do fármaco. Com isso, o processo anestésico segue as seguintes etapas:

  1. Preparação pré-anestésica: neste estágio, são utilizados ansiolíticos, como Midazolam ou Diazepam.

  2. Indução anestésica: representa a etapa inicial da anestesia, que consiste no momento de transição ente o estado consciente para o estado inconsciente. Como já mencionado anteriormente, o Tiopental é o fármaco mais utilizado nesta etapa devido a sua capacidade de “pular” a fase de excitação (descrita a seguir).

  3. Bloqueio neuromuscular: pode ser feito com succinilcolina e ou rocurônio para facilitar a intubação orotraqueal.

  4. Manutenção: é a fase de ajuste da quantidade de droga inalada e/ou infundida, minuto a minuto, seguindo os parâmetros clínicos e os dados fornecidos pela monitorização do paciente. Aqui utiliza-se comumente Propofol e outras classes medicamentosas podem ser usados, como antieméticos, antiarrítmicos, entre outros, a depender da necessidade clínica do paciente.

  5. Recuperação anestésica: consiste na etapa de retorno da consciência quando é retirado o anestésico gradativamente, mantendo apenas a oxigenação. Nessa etapa, faz-se uso de Neostigmina, que reverte os efeitos dos bloqueadores musculares, e Atropina, um anticolinérgico utilizado para diminuir os efeitos bradicárdicos da Neostigmina, e para diminuir as secreções brônquicas.

SE LIGA! A consulta pré-anestésica é uma avaliação clínica que deve ser realizada previamente à realização de qualquer ato anestésico. Os principais objetivos dessa consulta são informar os cuidados perioperatórios, determinar a condição do paciente, estimar o risco anestésico-cirúrgico do procedimento e orientar a escolha do tipo de anestesia. Na consulta pré-anestésica o paciente informa se já recebeu anestesia em algum momento da vida, seus hábitos (tabagismo, alcoolismo, drogas ilícitas), alergias, data da última menstruação, entre outras informações relevantes para escolha da melhor técnica anestésica.

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