Farmacologia

Antivirais

Antivirais

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SanarFlix

6 minhá 548 dias

INTRODUÇÃO:

Os vírus, sendo parasitas intracelulares obrigatórios, têm a sua replicação diretamente dependente dos processos de síntese da célula hospedeira. Por consequência, para que possuam eficácia, quaisquer antivirais precisam ser ativos no interior da própria célula hospedeira. Podem bloquear a entrada do vírus na célula, a sua saída ou inibir algum passo importante no ciclo de replicação viral.

O conhecimento envolvido nos mecanismos da replicação viral forneceu uma compreensão das etapas críticas do ciclo de vida dos vírus, que podem atuar como alvos potenciais da terapia antiviral. Atualmente, há terapia antiviral para os herpes vírus, HCV, HBV, HPV, influenza e para o HIV. Todos estes agentes possuem a propriedade em comum de serem virustáticos, mostrando-se ativos apenas com o vírus em replicação e não afetando os vírus latentes.

ANTIVIRAIS COM AÇÃO CONTRA HERPES VÍRUS:

A disponibilidade de medicamentos antivirais eficazes e bem tolerados que inibem coletivamente a maioria dos nove herpes vírus humanos (HHVs) reduziu significativamente a morbimortalidade causada por esses vírus em indivíduos saudáveis. A disponibilidade desses medicamentos também contribuiu para o controle de infecções por herpes vírus resultantes da imunossupressão causada por doenças, como imunodeficiência humana, infecção por vírus (HIV) ou doenças malignas do sistema retículo-endotelial, como o linfoma de Hodgkin. Tão importante quanto, a disponibilidade dessas drogas permitiu o uso crescente e bem-sucedido de potentes imunossupressores para o manejo de uma ampla variedade de doenças, como a rejeição de transplantes, porque uma proporção substancial de infecções por herpes vírus são devidas a reativação de infecções latentes assintomáticas por herpes vírus.

Aciclovir:

O aciclovir (ou acicloguanosina) é um derivado purínico análogo da guanosina ativo, in vitro, contra os vírus de DNA, incluindo o herpes simples 1 e 2, hepatite B, varicela-zoster e o vírus Epstein-Barr, mas, na prática clínica, tem ação específica contra os vírus do herpes simples 1 e 2 e contra o vírus varicela-zóster. É o protótipo de um grupo de agentes antivirais que são ativados pela timidina quinase viral (TK) para se tornarem inibidores da DNA-Polimerase, bloqueando a síntese viral de DNA. Ou seja, para agir como um inibidor da síntese do DNA viral, o aciclovir deve ser fosforilado a um derivado monofosfato por meio da timidina quinase do vírus. O monofosfato de aciclovir é, em seguida, transformado em trifosfato por meio de quinases celulares. O trifosfato de aciclovir é um inibidor competitivo da deoxiguanosina e inibe a polimerase viral, bloqueando a replicação do vírus sensível, ao impedir o alongamento da cadeia de ADN.

O espectro antiviral clinicamente útil do aciclovir é limitado a certos herpesvírus. O aciclovir é aproximadamente 10 vezes mais potente contra o vírus herpes simplex tipo 1 (HSV-1) e vírus herpes simplex tipo 2 (HSV-2) do que contra o vírus varicela-zoster (VZV) e é ainda menos ativo contra o citomegalovírus (CMV).

HORA DA REVISÃO: Infecção por Herpes simplex (HSV)

Existem dois vírus de Herpes-simplex (HSV-1 e HSV-2) e a infecção por eles é comum em todo o mundo. Tanto o HSV-1 quanto o HSV-2 podem causar herpes genital ou labial. Estima-se que a maioria das infecções por herpes genital são transmitidas por pessoas que não sabem que têm a infecção, ou são assintomáticas quando ocorre a transmissão. Existem três formas clínicas da infecção dos herpes simples: primária (indivíduo sem anticorpos contra HSV-1 ou HSV-2), não-primária (indivíduo com anticorpo para um dos herpes simples que se infecta pelo outro) ou recorrente (reativação do vírus). A apresentação inicial da infecção primária pode ser severa, com úlceras genitais dolorosas, disúria, febre, linfadenopatia inguinal local e cefaleia. Em outros pacientes, no entanto, a infecção é leve, subclínica ou totalmente assintomática. A infecção não-primária do primeiro episódio está associada a menos lesões e sintomas menos sistêmicos do que a infecção primária, presumivelmente porque os anticorpos contra um tipo de HSV oferecem alguma proteção contra o outro. As recorrências clínicas do HSV genital são comuns, mas são tipicamente menos graves do que infecções primárias ou não primárias. A duração média das lesões é geralmente menor com recidivas do que na infecção primária. Um diagnóstico clínico de herpes genital deve ser confirmado com testes laboratoriais. A apresentação clássica com múltiplas vesículas em uma base eritematosa muitas vezes está ausente em muitos pacientes. Assim, é importante confirmar o diagnóstico de infecção pelo vírus herpes simplex (HSV) com qualquer uma das seguintes técnicas: cultura viral, reação em cadeia de polimerase (PCR), anticorpo de fluorescência direta e testes sorológicos específicos. A complicação mais temida da infecção pelo herpes simples é a encefalite (notadamente pelo HSV-1), sendo a causa mais comum de encefalite esporádica fatal. Os achados neurológicos são geralmente agudos (<1 semana de duração) e incluem alteração de funções neurológicas superiores (comportamento) e de nível de consciência, déficits nervosos cranianos focais, hemiparesia, disfasia, afasia, ataxia ou convulsões focais. Mais de 90% dos pacientes apresentam febre. Encefalite pelo HSV é uma infecção devastadora do sistema nervoso central. Mesmo com a administração precoce da terapia após o início da doença, quase dois terços dos sobreviventes terão déficits neurológicos significativos. Por essa razão, a terapia empírica com aciclovir EV deve ser iniciada assim que o diagnóstico for considerado.

  • Farmacocinética

O aciclovir pode ser administrado por via intravenosa, oral e em uso tópico. A biodisponibilidade do aciclovir por via oral é baixa (15% a 21%) e diminui ao longo do uso. O aciclovir é distribuído amplamente nos fluidos corporais. A ligação às proteínas plasmáticas é inferior a 20%. Concentrações em secreções vaginais variam de 15% a 170% daquelas no plasma. Absorção percutânea de aciclovir após administração tópica é baixa, tendo, portanto, baixa penetração.

SE LIGA! No herpes-zoster os níveis de concentração do aciclovir no líquido vesicular são semelhantes aos do plasma. 

O aciclovir é depurado principalmente por filtração glomerular e secreção tubular. Para se ter noção, a meia vida do fármaco é de 2,5h a 3h em pacientes com função renal normal, mas eleva-se para cerca de 20h em pacientes anúricos.

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