Coronavírus

Anvisa aprova uso do antiviral Remdesivir para pacientes com COVID-19

Anvisa aprova uso do antiviral Remdesivir para pacientes com COVID-19

Compartilhar

Sanar

5 minhá 36 dias

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta sexta-feira (12/03) o uso do antiviral Remdesivir contra a COVID-19. Com a medida, o medicamento será o primeiro a ter recomendação em bula contra o SARS-CoV-2.

A gerente de Avaliação de Segurança e Eficácia da Anvisa, Renata Lima Soares, destacou que a decisão acompanha a aprovação de outras agências regulatórias, como a europeia EMA, a canadense e a FDA, dos Estados Unidos.

“Chegou-se à conclusão que o Remdesivir exibia uma potente atividade in vitro e in vivo contra o SARS-Cov-2. O rim foi identificado como único órgão alvo de toxicidade, mas nenhuma preocupação maior foi identificada”, disse.

A especialista ainda acrescentou que o medicamento pode prevenir uma progressão da infecção causada pela COVID-19 e que os estudos demonstraram menor tempo de recuperação no grupo que recebeu a medicação.

Indicação terapêutica e restrita do Remdesivir

Com a aprovação da Anvisa, o Remdesivir poderá ser utilizado em pessoas com pneumonia e que precisem de suplementação de oxigênio, com a restrição de que sejam maiores de 12 anos e pesem, pelo menos, 40 kg.

“É importante destacar que a indicação terapêutica aprovada em bula não se restringe à forma leve, moderada ou grave da doença. Ela está ligada à apresentação da pneumonia com necessidade de suplemento de oxigênio, desde que o paciente não esteja em ventilação mecânica ou extracorporea”, esclareceu Soares.

A aplicação inicial recomendada é em dose única, de 200mg, administrado por infusão intravenosa. A partir do segundo dia, a dosagem é reduzida para 100mg e o máximo de tempo de uso contínuo indicado são dez dias.

OMS não recomenda Remdesivir

A decisão da Anvisa, porém, é contrária à recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS). Em outubro de 2020, a organização atualizou suas orientações para desaconselhar o uso de Remdesivir, Hidroxicloroquina e mais dois medicamentos para tratar pacientes hospitalizados, independente da gravidade da doença.

A decisão foi baseada em dados de quatro ensaios clínicos randomizados e feitos ao redor do mundo com 7.333 pessoas hospitalizadas com COVID-19. O painel formado pela OMS reuniu também 24 especialistas de diferentes países e quatro sobreviventes do novo coronavírus, que revisaram os dados do estudo.

O relatório concluiu que o uso dos medicamentos avaliados teve pouco ou nenhum efeito na mortalidade geral, uso de ventilação e duração de internação de pacientes hospitalizados. “A maioria dos pacientes não prefere o tratamento intravenoso com remdesivir devido às evidências de baixa certeza”, escreveram os pesquisadores na diretriz atualizada.

Anvisa justifica diferença de abordagem

Questionada pela imprensa, a Anvisa afirmou que estudo da OMS avaliou o perfil de mortalidade. “A OMS focou na prevenção de mortes. Os estudos que consideramos válido é se houve uma redução no tempo de hospitalização dos pacientes. Então a gente considerou que é mais uma terapia pro combate da Covid-19”, afirmou Gustavo Mendes, gerente-geral de Medicamentos e Produtos Biológicos da agência regulatória.

Segundo a CNN Brasil, os dados avaliados pela Anvisa indicaram que o tempo médio de internação de pacientes com suporte de oxigênio – mas não com ventilação invasiva – tratados com remdesivir diminuiu de 15 para 10 dias em comparação com os que não receberam o antiviral.

“Redução no tempo de hospitalização é um parâmetro válido, principalmente no contexto brasileiro com falta de leitos”, completou Mendes.

Aprovação definitiva da vacina Oxford/AstraZeneca

A Anvisa também concedeu o registro definitivo para a vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford em parceria com a farmacêutica anglo-sueca AstraZeneca. Aqui no Brasil, o imunizante é distribuído pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e até então tinha apenas a aprovação de uso emergencial.

A vacina Oxford/AstraZeneca é a segunda contra a COVID-19 a obter o registro definitivo para uso da população brasileira em geral. A primeira foi a da Pfizer/BioNTech.

Ao anunciar a liberação, Gustavo Mendes disse que a Fiocruz será responsável por uma das etapas de desenvolvimento do imunizante no Brasil e que isso representa “maior autonomia e maior acesso à vacina”.

Quer as principais notícias da Sanar no seu celular todos os dias? Então faça parte do canal Sanar News no Telegram agora mesmo!

Compartilhe com seus amigos:
Política de Privacidade. © Copyright, Todos os direitos reservados.