Coronavírus

Ao lado da pandemia da Covid, uma outra pandemia: a da obesidade

Ao lado da pandemia da Covid, uma outra pandemia: a da obesidade

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Sanar Medicina

4 min há 54 dias

A pandemia pelo novo coronavírus, conhecido por SARS-CoV-2, causador da doença denominada COVID-19, chamou a atenção para um outro grave problema de saúde: a alta prevalência da obesidade ao redor do mundo. 

Estudos já mostram que a obesidade se tornou importante fator de risco independente para desfechos negativos em pacientes com COVID-19. 

Neste artigo, pretendemos discutir o tema, e entender o porquê da obesidade exercer um papel tão negativo sobre a pandemia da Covid. 

O impacto da obesidade na pandemia da Covid

Diversos estudos apontam a obesidade como um fator associado a pior prognóstico naqueles indivíduos infectados pela Covid.

Os estudos apontam para diversos desfechos negativos e maior prevalência de obesidade nos indivíduos graves.

Quando comparados a indivíduos não obesos, indivíduos com índice de massa corporal aumentado apresentavam também maior necessidade de uso de ventilação mecânica, maior probabilidade de admissão hospitalar e de desenvolver doença grave.

Um grande estudo do Reino Unido, realizado com mais de 16.000 pacientes, mostrou maior probabilidade significativa de óbito entre os indivíduos obesos.  

O risco se tornou maior quanto maior o índice de massa corporal, e a obesidade piorou desfechos mesmo em pacientes jovens, entre 14 e 45 anos. 

Por que a obesidade torna o indivíduo tão susceptível?

Sabemos que outras doenças estão intimamente implicadas na probabilidade de desenvolver Covid grave. 

Diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares, alguns tipos de cânceres, todas são condições também fortemente associadas à desfechos negativos na Covid.

Estas comorbidades estão intimamente associadas a obesidade, que igualmente predispõem os indivíduos a apresentarem resposta pobre contra a infecção. 

Mas os estudos também encontraram a obesidade como sendo um fator independente para pior prognóstico, mesmo sem levar em conta sua associação com outras condições comórbidas.

A obesidade é capaz de alterar a resposta imune do hospedeiro

A obesidade carrega consigo uma série de fatores que podem explicar os piores desfechos. 

Isto porque diversas alterações presentes na obesidade levam a uma disfunção imunológica, que predispõe o sistema imune a responder mal.

Por exemplo, o estado pró-inflamatório presente nos indivíduos obesos é somado à tempestade inflamatória causada pelo novo coronavírus.

A obesidade em si também é capaz de alterar a resposta imune inata e adaptativa, é o que apontam diversos estudos, prejudicando a defesa do hospedeiro contra a invasão viral. 

As células T, que desempenham papel importantíssimo na resposta imune, apresentam maturação e atividade prejudicadas na condição de peso acima do normal.  

Além disso, a condição de resistência a insulina, fortemente associada a indivíduos obesos, também foi associada a disfunção do sistema imune, já que a insulina pode  desempenhar papel importante na regulação e ativação de células do sistema imune. 

Obesidade: uma pandemia silenciosa e perigosa

Antes mesmo da pandemia da Covid, a obesidade já era considerada uma condição extremamente perigosa devido sua associação com doenças crônicas. 

A pandemia da Covid só fez trazer à tona uma outra pandemia silenciosa, a da obesidade. 

A obesidade enfraquece o sistema imune e torna o indíviduo mais susceptível a infecções, e a atenção devida a este problema ainda está longe do ideal. 

Referências

Obesity and COVID-19: what makes obese host so vulnerable?

Double trouble: a pandemic of obesity and COVID-19 

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