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Aplicações da realidade virtual na medicina| Colunistas

1. Introdução

O termo Realidade Virtual (RV) pode soar como uma novidade para muitos, mas possui as suas origens nas academias militares e na indústria do entretenimento, que tiveram um amplo impulso no século XX. A definição exata do termo é de uma ferramenta para relacionar o ser humano a uma máquina que simula um ambiente pré-definido e ajuda a aprofundar experiências com grande fidelidade e colocar os conhecimentos em prática, sem correr riscos que, eventualmente, poderia ocorrer no ambiente realístico.

Um exemplo do seu funcionamento ocorre quando o indivíduo entra numa sala e, através de um óculos, se sente como se encontrassem em um local diferente, ou seja, estivessem experimentando a sensação proposta, pela tecnologia, no mundo real.

No início deste mês, tive essa experiência, através de um jogo que consistia em atirar no máximo de zumbis possíveis. Juntava-se a sensação visual, a auditiva e a olfativa. Eram 4 jogadores e quem conseguisse vivenciar mais a situação proposta pelo jogo, ganhava.

2. A realidade virtual na área médica

A  RV ganha uma importância cada vez maior, inclusive para a área da saúde. A  empresa de tecnologia ABI Research estima que os investimentos na RV para cuidados médicos terá um crescimento nos próximos anos. Em 2017, o valor foi de $8.9 milhões e a expectativa é que em 2022 seja de até $285 milhões. Apesar de ainda pouco utilizado, há um interesse crescente, em aplicações da tecnologia, proveniente de hospitais e demais instituições médicas.

Atualmente, é possível encontrar diversas aplicações, como no planejamento pré-operatório, na assistência, no  treinamento cirúrgico e no ensino. Na instituição em que estou me graduando, temos a capacitação, desde o primeiro semestre, em bonecos que simulam um paciente de verdade, em que podemos realizar desde suturas simples até atender um IAM. Assim, os estudantes interagem com pacientes virtuais e aprendem as habilidades que serão aplicadas no mundo real.

Porém, a proposta da realidade virtual ultrapassa o intuito de aprendizado para os profissionais da Medicina,  pois também é uma maneira de auxiliar pacientes em seus tratamentos. Exemplos do seu uso é o de controle de dor por meio de um jogo chamado Snoworld, em que o jogador precisa atirar bolas de neves em pinguins, congestionando as vias dolorosas e, assim, atenuando o efeito somestésico.

Pesquisadores descobriram que o jogo ajuda a distrair os pacientes e chega a ser mais eficiente do que opióides fortes, como a Morfina, em certos casos. Ademais, podemos, também, utilizar os princípios da terapia cognitiva-comportamental, expondo, em ambiente virtual, os pacientes aos seus medos, como a claustrofobia e o transtorno do estresse pós traumático. Tudo isso acontece em segurança, sem riscos reais ao paciente.

Idosos e deficientes físicos também podem se beneficiar da tecnologia, com a possibilidade de serem transportados à outras realidades, com uma melhoria importante na qualidade de vida.  Um exemplo é um programa que está sendo desenvolvido em Stanford, que propõe levar idosos para caminhadas e passeios, tudo acontecendo de forma virtual.

Todavia, também há exemplos, como o programa também da Universidade de Stanford, que auxilia os médicos a simularem um procedimento cirúrgico que realizarão posteriormente nos pacientes, diminuindo, assim, possíveis complicações.

Sem dúvidas, a RV está e continuará contribuindo com a evolução da Medicina. Desta forma, é importante que o Brasil invista nessa tecnologia, que pode auxiliar, cada vez mais, tanto os profissionais, como os pacientes no campo da saúde.

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