Classificação de Kikiros | Colunistas

A Classificação de Kikiros é utilizada para classificar em cinco graus a retratilidade do prepúcio (prega cutânea que recobre a glande), ou seja, serve para classificar a fimose. Essa é uma doença que pode ter causa fisiológica ou primária como sendo a mais comum e cuja condição impede a exposição parcial ou total da glande – cabeça do pênis – durante a infância. Naturalmente, nos primeiros meses de vida, há aderência do prepúcio, porém ela tende a desaparecer ao longo do primeiro ano de idade na maioria dos casos e, na minoria, até os cinco anos. Segundo o Ministério da Saúde, aos seis meses de idade 80% ainda não possuem o prepúcio retrátil, enquanto que aos três anos esse número diminui para 50%. Caso a aderência permaneça[Pacheco1] , faz-se necessário realizar tratamento específico para cada caso, desde pomadas à base de corticoides, como betametasona tópica, até mesmo procedimentos cirúrgicos, dependendo do grau de fimose, idade e quadro clínico do paciente. No tratamento cirúrgico pode utilizar-se da postectomia, ou também chamada de circuncisão, sendo indicado de maneira precoce quando ocorre balanopostite (inflamação da glande) recorrente e infecção urinária recorrente em pacientes que também possuem outras anormalidades do aparelho urinário. Outra causa de fimose é a secundária ou patológica, a qual pode ocorrer em qualquer fase da vida devido a quadros inflamatórios, infecciosos, traumas locais, assim como a falta de higiene local. Na qual o tratamento também será específico para cada caso e seguindo os mesmos princípios, porém tendo indicação absoluta para circuncisão no caso de ser patológica. Quanto à classificação de Kikiros, a fimose pode ser classificada de grau 0 a 5. Quando é classificado como grau 0, ocorre retração total do prepúcio. No grau 1 ocorre retração total do prepúcio, porém a

BEATRIZ YUKI MARUYAMA

2 minhá 3 dias

Desvendado o Sinal de Hegar | colunistas

O sinal de Hegar, descrito pelo médico alemão Ernst Hegar, possui grande relevância ginecológico-obstétrica para diagnóstico da gestação, sobretudo por sua realização simples, econômica e precoce. No presente artigo, serão abordados temas relacionados à história, método de pesquisa, significado clínico e fisiológico, sensibilidade e especificidade deste sinal, bem como serão citados outros sinais pertencentes ao mesmo grupo de alterações fisiológicas da gestante ao qual pertence o sinal de Hegar, ditos de probabilidade para diagnóstico da gestação. Antecedentes históricos             O Sinal de Hegar leva o nome daquele que primeiro o descreveu, no ano de 1895, Ernst Ludwig Alfred Hegar, até então professor da disciplina de Ginecologia e Obstetrícia na Universidade de Freiburg, Alemanha. O trabalho de Ernst Hegar possui grande relevância no que tange à implementação de medidas de antissepsia e assepsia em procedimentos ginecológicos-obstétricos, bem como mostrou-se inovador no tratamento do vaginismo ao implementar a utilização dos chamados Dilatadores Vela de Hegar para tal; e das rupturas de períneo com prolapso genital por meio da colpoperineorrafia. Ernst Hegar nasceu em 1830, em Darmstadt, na Alemanha, falecendo em 1914, em Breisgau, também na Alemanha. Fig. 1: Ernst Hegar. Fonte: Google Imagens. Pesquisa e significado clínico             Para pesquisa do Sinal de Hegar, é necessária a palpação do istmo uterino, região estreita, levemente afunilada e alongada localizada entre o corpo e o colo do útero. Esta é realizada de forma bimanual pelo médico ginecologista através do toque vaginal e da palpação abdomino-pélvica. Os dedos inseridos na vagina, preferencialmente pertencentes à mão dominante, devem acessar o istmo uterino por meio do fórnix posterior da vagina, estando a paciente em posição ginecológica para tal. Já os dedos sobre a região abdomino-pélvica devem pressioná-la de modo a

Gabriel Salvestro

5 minhá 3 dias

Pérolas sobre fibrilação atrial crônica | Colunistas

A fibrilação atrial crônica é uma arritmia supraventricular multifatorial, que causa grande repercussão para pacientes, equipe e sistema de saúde.  Com impacto notório sobre a qualidade de vida e sobrevida, há extensa literatura sobre o assunto, além de diversos estudos em andamento objetivando evolução do diagnóstico e tratamento. Atualmente, a melhor abordagem é multiprofissional e holística – combinando manejo estruturado e atenção às expectativas e valores do paciente. Definição e diagnóstico Definição Arritmia supraventricular com ativação elétrica atrial errática e contração ineficaz, apresentando-se no eletrocardiograma como intervalos R-R irregularmente irregulares, ausência de ondas P definidas e ativação atrial instável. Diagnóstico O diagnóstico demanda documentação em ECG de 12-derivações ou tira-única, mostrando mais de 30 segundos com ritmo cardíaco sem ondas P identificáveis e intervalos RR irregulares, com condução atrioventricular preservada. Quando o ritmo irregular for identificado por dispositivos (smartwatches ou dispositivos implantáveis, como marcapasso), é importante verificar a gravação para excluir artefatos e diagnósticos inapropriados. Pérola: Fibrilação atrial: ECG com ritmo irregular, ausência de ondas P e duração maior que 30 segundos. Epidemiologia É a arritmia crônica mais comum em adultos, associada à significativa morbimortalidade, que impacta negativamente os pacientes, o sistema de saúde e gera gastos. A prevalência é estimada entre 2-4% dos adultos, porém, com a transição demográfica e aumento da longevidade, espera-se um aumento de 2 a 3 vezes. A idade é um importante fator de risco não modificável, mas ressalta-se a importância de outras comorbidades, como hipertensão, diabetes, coronariopatia, insuficiência cardíaca, nefropatia crônica e obesidade na patogênese e perpetuação desta arritmia. Uma em cada três pessoas desenvolve FA ao longo da vida – esse

Themissa Voss Cardiologia

8 minhá 4 dias

Atrofia Muscular Espinhal (AME) | Colunistas

Nos últimos meses as redes sociais se tornaram palco de uma corrida contra o tempo para algumas famílias, você já deve ter visto ou até mesmo ajudado as diversas campanhas de arrecadação para comprar o remédio mais caro do mundo. Custando cerca de 12 milhões de reais, o Zolgensma é usado para neutralizar em crianças de até dois anos de idade os efeitos da atrofia muscular espinhal (AME). Definição A amiotrofia espinhal abrange um conjunto de doenças de herança autossômica recessiva, caracterizado pela degeneração gradativa dos neurônios motores no corno anterior da medula e dos núcleos de nervos cranianos. Essa é a segunda desordem fatal mais comum com esse caráter genético, perdendo apenas para a fibrose cística.  Quadro clínico A perda progressiva dos motoneurônios alfa prejudicam apenas a função da motricidade, preservando os neurônios sensoriais. Isso leva à fraqueza e à atrofia simétrica dos músculos voluntários proximais das pernas e dos braços, podendo atingir os músculos do tronco com a progressão da doença. Alguns aspectos clínicos incomuns são vistos na AME, a exemplo do padrão de distribuição da fraqueza muscular, que é mais compatível com uma desordem miopática do que neurogênica, não ocorrendo uma distribuição homogênea da fraqueza e atrofia muscular. A mortalidade e a morbidade são diretamente relacionadas com a idade do início das manifestações. As crianças com o subtipo mais grave (AME tipo I), podem não apresentar sinais ao nascimento, mas em poucos meses abrem um quadro de fraqueza muscular. A maior frequência de óbito ocorre nos casos de início mais recente e a principal causa são as infecções respiratórias. Classificação A doença é classificada de acordo com a gravidade e o

Flávia Shwenck

4 minhá 4 dias

Equação de Harris Benedict | Colunistas

Uma ferramenta básica da nutrição completou 100 anos em 2019 desde o primeiro estudo que a validou para a comunidade científica – a equação ou fórmula de Harris Benedict vem sendo utilizada para estimar a taxa do metabolismo basal, baseado em parâmetros personalizáveis, como peso, idade, grau de atividade diária e sexo, que podem entrar na equação como fatores multiplicadores. Ainda é uma fórmula amplamente utilizada na rotina de profissionais que lidam com nutrição e esporte. Metabolismo é a denominação do conjunto de processos pelos quais os nutrientes são manipulados para fornecer energia e matéria prima para que o organismo desenvolva suas atividades. A taxa de metabolismo basal (TMB) é composta pelo total de calorias gastas para manter as funções vitais do organismo (como a frequência cardíaca, respiração, equilíbrio de pH sanguíneo e homeostase térmica) no indivíduo em repouso físico e mental, após 12 horas de jejum, em vigília e a uma temperatura ambiente de 20° C. Fórmula do gasto energético total para o sexo masculino (fórmula simplificada): Fórmula do gasto energético total para o sexo feminino (fórmula simplificada): As fórmulas possuem variação dos valores multiplicadores de acordo com a faixa etária e se forem utilizadas durante a gestação. Existem inúmeros sites on-line que permitem aplicar a fórmula sem dificuldades, como o https://manytools.org/handy/bmr-calculator/. Gasto energético total (GET) Fatores multiplicadores da equação A fórmula de Harris Benedict sofre influência da taxa metabólica basal (TMB), que é variável de pessoa a pessoa de acordo com sua constituição genética, percentual de massa muscular, sexo e idade. Fatores multiplicadores são adicionados em relação a atividade física diária e sua intensidade, levando

Cristina Trentin

5 minhá 9 dias

“Técnica de Lichtenstein: padrão-ouro para o tratamento das hérnias inguinais” | Colunistas

As hérnias da parede abdominal são afecções muito comuns na rotina da cirurgia geral. De acordo com dados do DataSus, foram realizadas 287,5 mil cirurgias de hérnia no Brasil no ano de 2019. Diante desse cenário é de extrema importância fomentar a realização de hernioplastias pelo método mais adequado e eficaz para cada tipo de hérnia. Para tratamento de hérnias inguinais, o “padrão-ouro” é a hernioplastia à Lichtenstein. Por que essa técnica é considerada “padrão-ouro”? Após ser criada, a técnica de Lichtenstein rapidamente atingiu o “padrão-ouro” no tratamento das hérnias inguinais pois é eficiente, amplamente aplicável, possui uma curva de aprendizado pequena (ou seja, é de fácil ensino para jovens cirurgiões e altamente reprodutível), baixa taxa de complicações e recidivas, não possui custos elevados e pode até ser realizada sob anestesia local em sistema ambulatorial. A aplicação majoritária dessa técnica tem sido responsável por resultados tardios excelentes, tornando a ocorrência de recidivas algo muito improvável, ocorrendo apenas em aproximadamente 1% dos casos. Quais são os objetivos dessa técnica? Os objetivos principais ao utilizar a técnica de Lichtenstein são, a partir da implantação de uma tela, diminuir a tensão na linha de sutura que causava inúmeros casos de recidivas no passado (quando eram mais utilizadas técnicas convencionais como as de Bassini, McVay e Shouldice, que são reparos feitos utilizando os próprios tecidos do paciente) e induzir a fibroplasia sobre a matriz da malha, o que vai reforçar a parede abdominal. Quais são as etapas do procedimento?  Após realizar a inguinotomia, a dissecção por planos, a abertura da aponeurose do músculo oblíquo externo, a dissecção do cordão inguinal, a identificação do saco herniário, sua dissecção e redução, é iniciada a etapa que

Luiza Rabello Cardoso

2 minhá 9 dias
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