Triângulo de Hasselbach: definição, composição e importância no reparo de hérnias inguinais. | Colunistas

O que é o triângulo de Hasselbach? O triângulo de Hasselbach, ou trígono inguinal, é uma região na porção inferior da parede abdominal delimitada pelas seguintes estruturas: margem lateral do músculo reto abdominal (medialmente), ligamento inguinal (inferiormente) e vasos epigástricos inferiores (superolateralmente). A imagem abaixo esquematiza a organização dessas estruturas na parede anterolateral do abdome: Figura 1: Triângulo de Hasselbach 1 Fonte: https://www.sanarmed.com/hernias-da-parede-abdominal-inguinais-femorais-umbilicais-e-incisionais Qual a importância do triângulo de Hasselbach? O triângulo de Hasselbach é essencial para a classificação das hérnias inguinais, que consistem na protrusão do conteúdo abdominal pela região inguinal. Essas hérnias podem ser classificadas em indiretas, quando surgem fora do triângulo (lateralmente aos vasos epigástricos inferiores) e em diretas, quando surgem dentro da região demarcada pelo triângulo (medialmente aos vasos epigástricos inferiores). Visão interna do triângulo de Hasselbach: As hérnias inguinais são, atualmente, reparadas com assiduidade por via laparoscópica. Nesse sentido, o conhecimento anatômico do triângulo de Hasselbach, do ponto de vista interno, é essencial para esse procedimento. Como visto anteriormente, os vasos epigástricos são estruturas chave para a delimitação desse dispositivo anatômico. Na visão laparoscópica, esses vasos podem ser confundidos com os ligamentos umbilicais mediais, como mostra a figura abaixo: Figura 2: visão interna da parede abdominal Fonte: https://www.britannica.com/science/abdominal-muscle Figura 3: ligamento umbilical medial Fonte: Fattini, 3 Ed. Bônus: os 5 triângulos da região inguinal O triângulo de Hasselbach serve como ponto de partida para a delimitação de outros 4 triângulos na região inguinal. Essa delimitação atua como guia para o reparo adequado dos variados tipos de hérnias que podem surgir nessa região. Como demonstra a imagem abaixo, inferiormente aos vasos

Carolina Mendonça

2 minhá 3 dias

Escore de cálcio coronário como preditor de risco cardiovascular | Colunistas

Introdução As doenças cardiovasculares são a causa mais comum de mortalidade, principalmente nos países desenvolvidos. O Brasil segue a mesma tendência, pois elas são responsáveis por um terço das mortes. Desde 1961, os estudos de Framinghamidentificaram o colesterol sérico como um dos fatores de risco para doenças cardíacas coronárias, desenvolvidas a partir do depósito gradual de colesterol e outras matérias gordurosas, formando placas na parede de uma artéria coronariana (MARTE; SANTOS). As placas de ateroma ou aterosclerose cursam com inflamação, devido à agressão vascular provocada pelo LDLox e outras células, podendo também sofrer o processo de calcificação. Essa calcificação tipicamente ocorre em regiões de bifurcação vascular, pois a força de cisalhamento aumenta o estresse oxidativo e diminui os inibidores da calcificação. Esse fenômeno ocasiona a mineralização da placa, viabilizando a estimativa do escore de cálcio e predição do risco cardiovascular. (LIBERMAN, 2013). Você conhece o escore de cálcio coronário? O escore de cálcio coronário é um exame não invasivo, realizado a partir da tomografia computadorizada sem contraste, em cortes axiais, sincronizado com o intervalo R-R registrado no eletrocardiograma. A radiação utilizada é geralmente menor que 1,5 mSv. A presença e extensão de calcificações são determinadas como uma imagem hiperatenuante, com mais de 130 Unidades Hounsfield (UH) e área ≥ 3 pixels adjacentes (pelo menos 1 mm²). A medida da quantidade de cálcio nas artérias coronárias pode ser calculada a partir do volume, área ou método de Agatston. Este é o mais utilizado na prática clínica e baseia-se na presença de dois ou mais pixels adjacentes com densidade tomográfica (atenuação) acima de 130 UH. Cada lesão calcificada identificada é multiplicada por um fator de 1 a 4, de acordo com a densidade da placa: fator 1 – se densidade <

Sabrina Santos Alves

5 minhá 3 dias

Glomérulo renal | Colunistas

Introdução Achados como proteinúria e hematúria, no sumário de urina, te fazem pensar em sinais de alerta para doenças renais? Já ouviu falar em síndromes nefróticas, síndromes nefríticas ou em glomerulonefrites? Todos esses conceitos são decorrentes de falhas associadas a uma das principais estruturas responsáveis pela homeostasia do corpo: o glomérulo renal. O que é o Glomérulo renal? A urina é o meio de excreção dos resíduos corporais, bem como também da água, eletrólitos e não eletrólitos em excesso no organismo. Produzida nos rins, é conduzida pelos ureteres até a bexiga, na qual é armazenada para que seja eliminada através da uretra. No entanto, o que determina a composição da urina são os inúmeros processos de filtração, absorção e secreção que ocorrem nas unidades funcionais dos rins: os néfrons. Estruturas que, por sua vez, são formadas pelo corpúsculo renal (ou de Malpighi) – constituído da associação entre glomérulo, cápsula de Bowman e mesângio – e por um conjunto de túbulos e tubos com propriedades e funções específicas. O glomérulo renal consiste na principal unidade de filtração sanguínea, que irá auxiliar na reabsorção de líquidos e solutos, concomitantemente à formação da urina. Ele é formado por um tufo de capilares fenestrados que são originados de subdivisões da arteríola aferente, no momento em que penetra no polo vascular do corpúsculo renal. Dessa maneira, o sangue arterial chega ao glomérulo por meio da arteríola aferente, circula pelas alças de capilares, onde é filtrado, e retorna à corrente sanguínea pela arteríola eferente, também pelo polo vascular; enquanto isso, os líquidos e substâncias que atravessam a barreira de filtração glomerular para o espaço capsular são captados pelo túbulo contorcido proximal, no polo urinário, para, futuramente, serem reabsorvidos ou

Maria Beatriz Neves

7 minhá 3 dias

Destrinchando a trombose arterial mesentérica | Colunistas

Introdução             Fenômenos isquêmicos são uma preocupação recorrente tanto para médicos quanto para pacientes. Diversas condições podem cursar com redução do fluxo sanguíneo para determinado órgão, com consequente limitação da entrega de oxigênio e de nutrientes. Aqui destrincharemos a isquemia causada por trombose arterial mesentérica.             Quando fazemos uma refeição, o fluxo sanguíneo intestinal necessita de até um quarto do débito cardíaco total, número que representa um aumento de 150% do fluxo em um estado pré-prandial. Diante disso, é fácil perceber que grandes obstruções nas artérias podem causar enorme prejuízo para a digestão. A aorta abdominal emite três ramos principais, sendo eles respectivamente, de proximal para distal, o tronco celíaco, artéria mesentérica superior e artéria mesentérica inferior. A anatomia auxilia no entendimento dos desfechos e do acometimento dos vasos. Tendo em vista que a artéria mesentérica superior dispõe de um ângulo mais agudo e um diâmetro maior, a probabilidade de que um trombo vindo de outros locais adentre por esta artéria é consideravelmente maior do que nos demais ramos da aorta abdominal. A partir de agora, você compreenderá como se dá a isquemia arterial mesentérica e suas consequências para quem sofre desta condição. Etiologia e classificação             As principais causas de isquemia mesentérica são trombose e embolismo, os quais resultam em uma oclusão parcial ou total da luz arterial. Um pouco de raciocínio nos ajuda a entender de forma clara a divisão destes fenômenos entre agudo e crônico. Veja como é simples: fenômenos trombóticos são, em sua grande maioria, decorrentes de placas de aterosclerose, as quais são resultado de anos de acúmulo de lipídeos na camada íntima dos vasos, o qual é estenosado progressivamente, caracterizando um quadro claramente crônico. Na contramão do que foi descrito, quando

André Busato

7 minhá 4 dias

Vasos sanguíneos – fiéis guias aos viajantes | Colunistas

Você está precisando saber um pouco mais sobre essas incríveis “estradas” e como elas permitem que os nutrientes “viajem” de um lugar a outro de seu corpo e ainda respeitando as necessidades de cada local? Então está no lugar certo. Aqui eu vou oferecer a você uma visão geral e objetiva sobre os vasos sanguíneos, das ínfimas células até as grandes e pressionadas artérias. Continue conosco! Nível celular   Figura 1: Á esquerdaFigura 2: À direitaFonte 1: https://anatomiaonline.com/wp-content/uploads/2015/07/vasos-sanguineos.jpg Fonte 2: https://www.google.com/url?sa=i&url=https%3A%2F%2Fwww.infoescola.com%2Fbiologia%2Fcelula-endotelial%2F&psig=AOvVaw1L91i3V269dUuQQNDmYDGM&ust=1608746727641000&source=images&cd=vfe&ved=0CAIQjRxqFwoTCKi9xNyW4u0CFQAAAAAdAAAAABAJ Vasos sanguíneos são revestidos por células endoteliais, as quais possuem características essenciais para o crescimento e o reparo de tecidos, discutidas mais profundamente adiante. São elas: Capacidade notável de ajustar quantidade e arranjo de células de acordo com as necessidades locais;Controle da passagem de materiais (destaca-se aqui a diapedese, trânsito de glóbulos brancos dos vasos para as células);Estímulo à formação de novos vasos e liberação de sinais para adição de tecido conectivo e conjuntivo a eles. Vasculogênese e angiogênese Vasculogênese: ocorre ainda na fase embrionária e trata-se da migração, proliferação e diferenciação de células endoteliais embrionárias, formando rudimentos de vasos sanguíneos.Angiogênese: relacionada ao crescimento de vasos e reparo de tecidos, refere-se à proliferação e movimento das células endoteliais desses primeiros vasos, levando ao crescimento e à ramificação dos vasos por todo o corpo. Tecidos que precisam de perfusão liberam fator de crescimento endotelial vascular (VEGF), pelo seguinte mecanismo: Primeiro, a carência de oxigênio nos tecidos leva a um aumento do nível de HIF1α (fator induzido por hipóxia α);Depois, HIF1α estimula a transcrição de VEGF;Assim, a proteína VEGF é secretada e difunde-se pelo tecido;Então, VEGF estimula as células endoteliais

Giovanna Bertolino Vieira

6 minhá 4 dias

Tratamento da Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) | Colunistas

A Síndrome dos Ovários Policísticos é a endocrinopatia mais frequente em mulheres em idade reprodutiva, chegando a acometer 16,3% delas. Devido à alta prevalência, é necessário saber como manejar e tratar as pacientes com SOP que chegarem aos seus cuidados. O primeiro ponto a ser esclarecido antes de partir para o tratamento é qual a queixa específica da sua paciente. Ou seja, você deve saber se a paciente está buscando um tratamento para infertilidade (tem interesse em engravidar num futuro próximo) ou um tratamento para o hiperandrogenismo e distúrbios menstruais. Essa distinção deve ser feita, pois os tratamentos, nesses dois casos, são excludentes, logo, para ser decidido o melhor tratamento para aquela paciente devemos saber qual o objetivo dela com essa terapia. Tratamento da infertilidade A infertilidade deve ser o alvo do tratamento nas pacientes com SOP que manifestem o desejo de engravidar. No caso de paciente com sobrepeso ou obesidade, devemos iniciar pela perda do peso, pois, com a redução do peso, há uma melhora na irregularidade menstrual, além de aumentar a resposta à indução da ovulação e reduzir a chance de possíveis complicações obstétricas. A primeira linha de tratamento da infertilidade nas mulheres com SOP é o Citrato de Clomifeno, que consiste num modulador seletivo do receptor de estrogênio. Esse medicamento age inibindo o feedback negativo do estrogênio no hipotálamo, o que aumenta o FSH, estimulando o desenvolvimento folicular e induzindo a ovulação. Outra opção de tratamento é a metformina, com eficácia menor que a do citrato de clomifeno, no entanto, as pacientes que não respondem à monoterapia com o citrato de clomifeno podem se beneficiar da associação dessas duas drogas. Além disso, há evidências de que um pré-tratamento com a

Débora Lima

6 minhá 5 dias
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