Transplante de células-tronco hematopoiéticas | Colunistas

O primeiro transplante de células-tronco hematopoiéticas (TCTH) foi realizado em 1957 como nova forma de tratamento oncológico. Desde então, o procedimento evoluiu bastante a ponto de atualmente serem feitos mais de 50 mil TCTHs por ano no mundo, tanto para doenças malignas como benignas. Esse artigo aborda conceitos importantes do procedimento que são essenciais para a prática clínica diária. Como funciona o TCTH? O objetivo principal do TCTH é a cura de doenças malignas ou hematológicas, onde primeiramente o paciente – nesse caso, o receptor- é submetido à quimioterapia ou radioterapia, ou ambos (regime de condicionamento). Esse processo provoca a morte das células da medula óssea e do sistema imune, doentes ou não. Após uma análise diligente de compatibilidade entre doador e receptor, este último recebe do primeiro células-tronco e células do sistema imune saudáveis. Ressalta-se a importância da compatibilidade não ser total, pois havendo células doentes residuais no receptor, o enxerto erradicará esse remanescente pelo efeito enxerto versus tumor. Tipos de TCTH O TCTH é classificado pela origem do enxerto e pela relação entre doador e receptor. As células-tronco podem ser obtidas através do sangue periférico, medula óssea ou unidades de cordão umbilical. O TCTH pode ser ou autólogo, em que as células são provenientes do próprio receptor, ou alogênico, no qual o enxerto é obtido de outro indivíduo ou de unidades de cordão umbilical (Figura 1). Diferenças quanto à fonte do enxerto As células-tronco costumavam ser obtidas diretamente da medula óssea do doador na sala de cirurgia. Com a introdução do fator estimulante de colônia de granulócitos, essas células-tronco passaram a ser obtidas mais comumente através do sangue periférico tanto para transplante autólogo quanto alogênico. Após a administração

Marina Baeta

5 minhá 401 dias

Bioenergética

INTRODUÇÃO:  A bioenergética descreve a transferência e a utilização da energia em sistemas biológicos, sendo o estudo quantitativo das transformações de energia que ocorrem nas células vivas. Nesse sentido, o objeto de análise é a habilidade das células em aproveitar a energia, direcionando-a na forma de trabalho biológico. O processo citoplasmático relacionado é a glicólise, enquanto que os mitocondriais são a cadeia transportadora de elétrons e o ciclo do ácido cítrico (Ciclo de Krebs). COMPOSIÇÃO QUÍMICA DAS CÉLULAS E PRINCIPAIS TIPOS DE LIGAÇÕES QUÍMICAS: Os organismos vivos são compostos por 92 elementos, sendo que apenas quatro deles – carbono (C), hidrogênio (H), nitrogênio (N) e oxigênio (O) – perfazem 96,5% do peso de um organismo. A ligação dos átomos desses elementos é feita através de ligações covalentes, formando moléculas. Como os átomos não são separados por excitação térmica, as ligações são rompidas apenas em reações específicas com outros átomos ou moléculas. Existem também as ligações mais fracas entre duas moléculas, conhecidas como ligações não covalentes. As reações ocorrem no interior das células em um meio aquoso. Em cada molécula de água (H2O), os dois átomos de hidrogênio (H) ligam-se ao átomo de oxigênio (O) por ligações covalentes. As duas ligações são altamente polares porque o átomo de oxigênio atrai fortemente elétrons, enquanto o átomo de hidrogênio os atrai fracamente. Nesse aspecto, há uma distribuição desigual de elétrons na molécula de água, com predominância de carga positiva nos dois átomos de H e de carga negativa no O. Quando uma região da molécula de água carregada positivamente se aproxima de uma região carregada negativamente de uma segunda molécula de água, a atração elétrica entre elas pode resultar em uma ligação de hidrogênio. Tais ligações são muito mais fracas do que as ligações covalentes e são facilmente rompidas pelo movimento cinético que

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4 minhá 595 dias

Enzimas e coenzimas

INTRODUÇÃO: São duas as condições fundamentais para haver vida. Primeiro, o organismo deve ser capaz de se autorreplicar; segundo, ele deve ser capaz de catalisar reações químicas com eficiência e seletividade. A importância central da catálise pode parecer surpreendente, mas é fácil de demonstrar. Os sistemas vivos fazem uso da energia do ambiente. Muitos humanos, por exemplo, consomem quantidades substanciais de sacarose (o açúcar comum) como combustível, geralmente na forma de comidas e bebidas doces. A conversão de sacarose em CO2 e H2O, em presença de oxigênio, é um processo altamente exergônico, liberando energia livre que pode ser usada para pensar, mover-se, sentir gostos e enxergar. Entretanto, um saco de açúcar pode permanecer na prateleira por anos a fio sem qualquer conversão evidente em CO2 e H2O. Embora esse processo químico seja termodinamicamente favorável, ele é muito lento. Mesmo assim, quando a sacarose é consumida por seres humanos (ou por qualquer outro organismo), ela libera sua energia química em segundos. A diferença é a catálise. Sem catálise, as reações químicas como aquelas da oxidação da sacarose poderão não ocorrer na escala de tempo adequada e então não podem sustentar a vida. SE LIGA NO CONCEITO! Catálise, em química, é o aumento da velocidade de uma reação devido a adição de uma substância (catalisador); sendo assim, a catálise pode ser simplesmente definida como sendo a ação do catalisador. Esta substância, que normalmente está presente em pequenas quantidades, pode ser recuperada ao final da reação, não sendo consumida pela mesma. Por sua vez, as enzimas consistem nos catalisadores biológicos, as quais participam das reações bioquímicas. Neste Super Material, o foco se voltará para os catalisadores das reações dos sistemas biológicos: as enzimas, as proteínas mais notáveis e mais altamente especializadas. As enzimas têm um poder catalítico extraordinário, geralmente muito maior do que

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6 minhá 595 dias

Lipídeos e proteínas (metabolismo e catabolismo)

METABOLISMO:  O metabolismo, a soma de todas as transformações químicas que ocorrem em um organismo, é uma atividade celular altamente coordenada, em que muitos sistemas multienzimáticos (vias metabólicas) cooperam para desempenhar suas funções básicas: Obter energia química do ambiente, por captura de energia solar ou por degradação de nutrientes; Converter moléculas de nutrientes em moléculas do próprio organismo; Polimerizar precursores monoméricos em produtos poliméricos (ex.: aminoácidos proteínas); Sintetizar e degradar biomoléculas requeridas em funções celulares especializadas. O metabolismo pode ser dividido em estágios que refletem o grau de complexidade ou tamanho das moléculas geradas. No nível 1, temos as reações químicas de conversão de metabólitos poliméricos em seus constituintes monoméricos. No nível 2, estes monômeros são quebrados em intermediários simples. No nível 3, em organismos aeróbicos, a principal via é o ciclo de Krebs, onde os intermediários do nível 2 são degradados completamente a CO2 e H2O. A informação necessária para especificar cada reação vem da estrutura da enzima que catalisa aquela reação. Qualquer participante de uma reação metabólica, seja ele substrato, intermediário ou produto, é chamado de metabólito, e as moléculas que não podem ser mais utilizadas pelo organismo e, portanto, devem ser eliminadas, são denominadas catabólitos. O metabolismo pode ainda ser dividido em duas principais categorias: Anabolismo (ou biossíntese): Processos que envolvem primariamente a síntese de moléculas orgânicas complexas a partir de precursores pequenos e simples. Esses processos necessitam de energia, geralmente na forma de potencial de transferência do ATP, e do poder redutor de transportadores de elétrons e baseiam-se na redução de moléculas (ganho de elétrons). Catabolismo: Processos relacionados a degradação de substâncias complexas com concomitante geração de energia. Parte dessa energia é conservada na forma de ATP e de transportadores de elétrons

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8 minhá 595 dias

Matriz extracelular

INTRODUÇÃO: Em um organismo multicelular, as células podem ser unidas por meio de interações célula-célula ou se ligarem por meio dos materiais que elas secretam, mas, de uma forma ou de outra, devem estar coesas para formar uma estrutura multicelular organizada. O mecanismo de coesão coordena a arquitetura do organismo, sua forma e o arranjo dos diferentes tipos celulares. As junções entre as células criam vias para a comunicação, permitindo que as células compartilhem sinais que estruturem seu comportamento e regulem seu padrão de expressão gênica. As ligações entre células à matriz extracelular controlam a orientação da estrutura interna de cada célula. A formação e a destruição das ligações e a modelagem da matriz extracelular governam o modo como as células se movem no organismo, orientando-as durante o crescimento, o desenvolvimento e o reparo celular. Dessa forma, o aparato das junções celulares, os mecanismos de adesão celular e a matriz extracelular são críticos para cada um dos aspectos da organização, função e dinâmica das estruturas multicelulares. A matriz extracelular consiste em uma rede complexa de proteínas e cadeias de polissacarídeos secretados pelas células. Sua disponibilidade é variada em diferentes tipos de tecido. Nos tecidos conjuntivos, tais como ossos ou tendões, por exemplo, a matriz extracelular é abundante e as células se encontram esparsamente distribuídas. A matriz é rica em polímeros fibrosos constituídos principalmente de colágeno. Ligações diretas entre as células são relativamente raras, mas as células apresentam importantes ligações à matriz que as permitem esticar a própria matriz e ser por ela esticadas. Por outro lado, no tecido epitelial, como aquele que reveste o intestino ou a epiderme, as células são fortemente ligadas em camadas chamadas de epitélio. A matriz extracelular é escassa e consiste principalmente em uma fina camada denominada lâmina basal (ou membrana basal), que se situa subjacente

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3 minhá 595 dias

Membrana plasmática

INTRODUÇÃO: Cada célula do seu corpo é delimitada por uma bolha minúscula de membrana e essa membrana tem a consistência semelhante ao óleo de salada. E qual é exatamente a sua função? A membrana plasmática não define apenas as bordas da célula, mas também permite que a célula interaja com seu ambiente de forma controlada. As células devem ser capazes de excluir, absorver e excretar diferentes substâncias, cada uma em quantidades específicas. Além disso, devem ser capazes de se comunicar com outras células, identificando-se e compartilhando informações. Para executar essas funções, a membrana plasmática precisa de lipídios, que formam uma barreira semipermeável entre a célula e seu ambiente. Ela também precisa de proteínas, que estão envolvidas no transporte através da membrana e na comunicação celular, e carboidratos (açúcares e cadeias de açúcar), que enfeitam as proteínas e os lipídios e ajudam as células a reconhecerem umas às outras. MODELO DO MOSAICO FLUIDO:  Imagem: Modelo do mosaico fluido. Fonte: OpenStax Biology. O modelo da estrutura da membrana plasmática aceito atualmente, chamado de modelo mosaico fluido, foi proposto pela primeira vez em 1972. Este modelo tem evoluído ao longo do tempo, mas ainda fornece uma boa descrição básica da estrutura e comportamento das membranas em muitas células. De acordo com o modelo de mosaico fluido, a membrana plasmática é um mosaico de componentes, principalmente de fosfolipídios, colesterol e proteínas, que se movem livremente e com fluidez no plano da membrana. Ou seja, um diagrama da membrana é apenas um instantâneo de um processo dinâmico em que os fosfolipídios e as proteínas estão continuamente deslizando uns entre os outros. Curiosamente, esta fluidez significa que se você inserir uma agulha muito fina em uma célula, a membrana irá simplesmente fluir ao redor da agulha; e, uma vez que a agulha é removida, a

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3 minhá 595 dias
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