Pâncreas anular: um pouco sobre esta anomalia congênita | Colunistas

O pâncreas anular é uma anomalia no desenvolvimento embrionário, onde há um anel de tecido pancreático circulando a segunda porção duodenal, podendo ser tanto uma obstrução parcial quanto total, com sintomas de obstrução intestinal alta. É considerada rara, já que sua incidência estimada é de 1:10.000-20.000 nascimentos. Embriologia pancreática O pâncreas se desenvolve a partir do início da 5ª semana, a partir dos brotos pancreáticos dorsal e ventral, formados por células endodérmicas que surgem a partir da porção caudal do intestino anterior. Disponível em: Embriologia Clínica, Capítulo 11: O Aparelho Digestório| Moore, Keith L.; Persaud, T.V.N.; Torchia, Mark G. O broto dorsal maior desenvolve a maior porção pancreática. O broto ventral menor se desenvolve perto da entrada do ducto biliar. O broto ventral forma o processo uncinado e uma parte da cabeça do pâncreas; conforme os brotos se fundem, seus ductos se anastomosam. À medida que o duodeno gira para a direita e assume a forma de um “C”, o broto ventral se dirige à região posterior, onde se funde ao broto pancreático dorsal. No caso de pâncreas anular, o broto ventral envolve o duodeno durante sua migração, antes de se fundir ao broto dorsal, resultando em um anel pancreático que causa estenose/obstrução duodenal. A e B: mostram a base provável de um pâncreas anular. C: um pâncreas anular que circunda o duodeno. Este defeito congênito produz obstrução completa (atresia) ou obstrução parcial (estenose) do duodeno Caso haja inflamação no pâncreas anular, pode ser que se desenvolva uma obstrução duodenal. Mais recorrente em meninas do que em meninos. Fisiopatologia A anomalia, em que a cabeça do pâncreas envolve

Milena Abra

4 minhá 25 dias

Classificação de Forrest: Úlceras Pépticas Hemorrágicas | Colunistas

O que é hemorragia digestiva alta? A hemorragia digestiva alta (HDA) é uma condição frequente em todo o mundo. Consiste em um sangramento que pode se originar desde o esôfago até o ângulo de Treitz. Esta complicação leva a internações hospitalares prolongadas, além de estar associada à significativa morbidade e mortalidade. O sangramento pode ser decorrente de causas varicosas, quando ocasionadas por uma síndrome da hipertensão portal com ruptura de varizes esofágicas ou gástricas e causas não varicosas, sendo estas as causas mais comuns de HDA. A úlcera péptica gastroduodenal é a mais frequente etiologia com uma incidência estimada de 31-67% dos casos. Além disso, pode observar a presença da hemorragia em pacientes com esofagite (7-31%), malformações vasculares (5-10%), laceração de Mallory-Weiss (4-8%), neoplasias (2-4%), lesão de Dieulafoy e entre outras. Úlceras pépticas As úlceras pépticas são lesões em algum segmento da mucosa do trato gastrointestinal que podem alcançar a submucosa e até mesmo a própria camada muscular do aparelho digestivo. Elas são formadas a partir do surgimento de fatores agressivos que desequilibram o mecanismo de neutralização do suco gástrico no organismo como infecção por Helicobacter pylori (H. pylori) e uso de anti-inflamatórios não esteróidais (AINES) que são as principais etiologias do agravo. O diagnóstico é obtido em primeiro momento pelo exame clínico, através da anamnese, na qual há queixa por parte do paciente de hematêmese ou melena, que são habitualmente relacionadas com a origem topográfica da hemorragia, esta localizada até a segunda porção duodenal. Além dos relatos citados, deve-se investigar sintomas como epigastralgia, uso de medicamentos como AINES, salicilatos e anticoagulantes, história de infecção por H. pylori, alcoolismo, tabagismo, história de cirurgias e comorbidades. No exame físico, deve-se atentar para os sinais vitais, a palidez

Ana Raquel Silva

3 minhá 45 dias

Trombose da veia mesentérica: o que é, anatomia, diagnóstico | Colunistas

Introdução A trombose da veia mesentérica (TVM) é um tipo de abdome agudo vascular, constituindo uma etiologia incomum de oclusão intestinal. Representa cerca de 5 a 15% das isquemias mesentéricas, mas que vem sendo cada vez mais diagnosticada graças à melhoria da acurácia dos exames complementares. Em mais de 90% dos casos, ocorre na veia mesentérica superior, entretanto também pode afetar a veia mesentérica inferior, ocorrendo frequentemente a nível do intestino delgado e no jejuno. Os pacientes acometidos possuem em média 45 a 60 anos, com leve predominância de homens. Possui uma clínica inicial frequentemente insidiosa e inespecífica, podendo evoluir para casos graves e, por vezes, fatais. Devemos lembrar que tanto a oclusão mesentérica arterial como a trombose venosa mesentérica possuem em comum o infarto intestinal, cuja extensão e gravidade vai depender da localização da oclusão, sendo a clínica da TVM menos dramática do que na trombose arterial, uma vez que é um fenômeno lentamente progressivo. Anatomia A veia mesentérica superior é responsável por drenar o sangue do intestino delgado, ceco, do cólon ascendente e transverso. Origina-se na fossa ilíaca direita, por meio da fusão das veias que drenam o íleo, ceco e apêndice. Ascende à direita da artéria mesentérica superior, passando ventralmente ao ureter direito, veia cava inferior, porção horizontal do duodeno e inferior da cabeça do pâncreas. Posteriormente ao colo do pâncreas, une-se com a veia esplênica, formando a veia porta. Já a veia mesentérica inferior drena o reto, cólon descendente e sigmoide. Inicia-se no reto através da veia retal superior, participando do plexo sacral. Ao ascender, cruza os vasos ilíacos comuns e se torna a veia mesentérica inferior, que se situa à esquerda da artéria homônima. Passa posteriormente ao colo do pâncreas e

Hiolanda Piler

5 minhá 68 dias

Como pode ser feita uma cirurgia bariátrica? | Colunistas

A obesidade é um distúrbio metabólico mundial, que afeta cerca de 600 milhões de adultos, segundo a OMS. Com isso, aumenta-se o risco de comorbidades e complicações, como diabetes mellitus, dislipidemia, doenças cardiovasculares e síndrome da apneia obstrutiva do sono. No Brasil, a obesidade causa um custo estimado em R$ 84.3 bilhões/ano. Por conta do seu grande impacto socioeconômico, muitas intervenções são estudadas, sendo a mais resolutiva a cirurgia bariátrica, adequada para casos mais severos. Este procedimento é classicamente indicado em pacientes com Índice de Massa Corpórea (IMC) maior que 35 kg/m3, com ao menos uma comorbidade associada, ou com IMC maior que 40 kg/m3. Algumas diretrizes ampliam as recomendações para indivíduos com IMC 30-35 (obesidade grau I) e DM2 associada, mas isso não é adotado no Brasil. A cirurgia bariátrica é um tratamento excelente para a obesidade mórbida, com satisfatória perda de peso e remissão das comorbidades, melhorando a qualidade de vida. A diabetes mellitus tipo 2 (DM2), por exemplo, possui índices consideravelmente maiores de remissão após a cirurgia, em comparação com a terapia medicamentosa para a obesidade. Sabendo de toda essa importância, quais as principais maneiras de realizar esse procedimento? Principais métodos cirúrgicos Bypass em Y-em Roux É considerado o procedimento que causa maior perda de peso a longo prazo. Por muito tempo, esta foi a operação mais realizada, sendo ultrapassado pela gastrectomia sleeve. Na cirurgia, é construída uma bolsa gástrica de cerca de 30 cm3. O intestino delgado é seccionado a 30-50 cm do ligamento de Treitz, e a porção distal à secção é ligada à bolsa gástrica, formando uma anastomose gastrojejunal, por onde passarão os alimentos. As secreções duodenais e pancreáticas vêm a partir da alça

Matheus Zaian

5 minhá 68 dias

Apendicite na gestante | Colunistas

O quadro de dor abdominal aguda que se manifesta nas gestantes pode evidenciar diagnósticos particulares e mostrar-se um desafio terapêutico. Nesses casos, deve-se dar ênfase especial à possibilidade de doenças ginecológicas e/ou cirúrgicas quando ocorre uma dor abdominal aguda que se desenvolve durante a gravidez. Dentre as causas de abdome agudo de causa não obstétrica na gestante, destacam-se a apendicite, os distúrbios do trato biliar e a obstrução intestinal. A apendicite é considerada, na literatura, como a principal causa de abdome agudo não obstétrico na gestante. Epidemiologia Estima-se que 1 a 2% das gestantes vão necessitar de cirurgia por causa não obstétrica durante a gestação. A apendicite ocorre em aproximadamente 1:1.500 partos. Esta patologia pode acontecer em qualquer período gestacional, sendo mais comumente observada nos dois primeiros trimestres da gestação, com uma incidência estimada de 32%, 42% e 26% no primeiro, segundo e terceiro trimestres, respectivamente. Quadro clínico Uma das preocupações na avaliação cirúrgica de uma gestante é que muitas vezes pode ser difícil diferenciar os aspectos normais da gravidez dos processos patológicos. Durante o período gestacional a mulher passa por uma série de alterações fisiológicas, como aumento relativo dos leucócitos (15.000 a 16.000/mm3) e PCR, principalmente no segundo trimestre, que não necessariamente fala a favor de processo infeccioso. Muitos dos achados típicos da apendicite, tais como dor abdominal, náuseas, vômitos e leucocitose leve, são também compatíveis com uma gestação normal. Aqui a febre é incomum, a menos que o apêndice esteja perfurado com sepse abdominal, segundo o Sabiston. Porém, apesar de os sintomas serem atribuídos à gestação, devemos manter a suspeição, pois a morbi/mortalidade mãe-feto é alta nos casos de apendicite complicada em decorrência de um diagnóstico tardio. Vale

Cleison Brito

3 minhá 68 dias

Tríade de Rigler: achados patognomônicos de íleo biliar | Colunistas

A tríade de Rigler é o conjunto de três sinais que compõem o quadro radiológico patognomônico de íleo biliar e o presente texto tem por objetivo elucidar um pouco tanto sobre essa patologia quanto sobre os seus sinais radiológicos clássicos. Íleo biliar  Descrito pela primeira vez por Bartholin em 1654, o termo íleo biliar denomina o quadro de obstrução do intestinoal por um ou mais cálculos biliares que atingiram a luz do TGI ao atravessarem fístulas colecistoentéricas, sendo uma complicação rara da litíase biliar. Representando 1 a 4% dos casos de obstrução intestinal mecânica na população geral, esta condição afeta predominantemente idosos, resultando em 25% dos casos de obstrução intestinal na população com idade superior a 65 anos, devendo, por isso, sempre ser investigada em quadro de abdome agudo obstrutivo em idosos. Acometendo entre 0,3% a 0,5% dos pacientes com litíase biliar, principalmente idosos, mulheres e obesos, populações nas quais a colelitíase é mais incidente, o diagnóstico de íleo biliar não deve ser descartado em pacientes sem histórico prévio de doenças das vias biliares, pois aproximadamente ⅓ dos pacientes não possui qualquer histórico. O quadro clínico é insidioso e manifesta-se com sintomas inespecíficos de abdome agudo causado pela obstrução intestinal: cólica abdominal, distensão abdominal, náuseas e vômitos, podendo ser confundido com outras etiologias. Contudo, a taxa de mortalidade é elevada, de 12 a 17%, torna o diagnóstico precoce do quadro de fundamental importância.   A formação da fístula em portadores de litíase biliar provavelmente ocorre devido à inflamação causada pela presença dos cálculos, denominada colecistite calculosa. Ao impactarem na bolsa de Hartmann ou infundíbulo, os cálculos levam ao aumento da pressão intraluminal, congestão venosa e isquemia da mucosa, o que desencadeia uma reação inflamatória. Episódios repetidos

Gabriela Holanda

5 minhá 69 dias
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