Casos Clínicos: Pneumotórax Aspirativo | Ligas

Área: Cirurgia Geral Autores: Rodrigo Torres Lins Revisor(a): Luma Rios Leorne Orientador(a): Dra Dulcyane Ferreira de Oliveira Liga: Liga Acadêmica de Habilidades Cirúrgicas do Amazonas (HABILIDADES CIRÚRGICAS-AM) Apresentação do caso clínico Paciente sexo masculino, 25 anos, pardo, natural e residente da cidade de Manaus-AM, estava em um bar com uns amigos próximos de sua residência, localizado no bairro Coroado. Por volta da meia-noite, chegou seu desafeto e tiveram uma discussão levando a uma briga, o mesmo foi ferido por um objeto perfurocortante em hemitórax esquerdo, localizado no 5º espaço intercostal na linha Axilar média. Foi realizado curativo de 3 pontos e 2 acessos periféricos calibrosos em ambos os MMSS com 18Fr. Além de instalado oxigenioterapia e encaminhado ao pronto atendimento pelo SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência). Ao exame físico, o paciente encontrava-se em regular estado geral, lúcido, orientado em tempo e espaço, afebril (37,1 ºC), acianótico, anictérico, hidratado, taquipneico (frequência respiratória = 32 irp), taquicárdico (frequência cardíaca = 110 bpm), normotenso (120 x 89 mmHg). Na ausculta pulmonar apresentou murmúrio vesicular ausente e som timpânico em hemitórax esquerdo. Foi atendido no SPA do Coroado pois era o mais próximo do local de ocorrência, o mesmo foi reavaliado pela equipe de plantão tendo sua roupa cortada para avaliação completa. Após procedimentos padrões de rotina, notou-se que o paciente tinha alguns hematomas no seu rosto além de uma perfuração em seu hemitórax esquerdo, comprovada com radiografia de tórax em AP e perfil, sem comprometimento de artérias e veias. Foi encaminhado ao cirurgião para avaliação e colocação de dreno no hemitórax esquerdo.  Foi inserido dreno em selo d’água,

Casos Clínicos: Atresia de Vias Biliares (AVB)

História Clínica L.G.F.S, masculino, atualmente com 2 meses e 18 dias de vida, apresenta histórico de icterícia iniciada em torno do 21º dia de vida com piora importante nas últimas 2 semanas, havia sido orientado banho de sol, mas sem melhora do quadro. A mãe refere que, em conjunto com a piora da icterícia, houve escurecimento da urina e, há 03 dias, notou que as fezes começaram a ficar brancas. LGFS é o terceiro filho de pais não consanguíneos, e seus irmãos mais velhos são saudáveis. Não há histórico familiar para doenças hepáticas ou metabólicas. Nasceu de parto normal, com 39 semanas gestacionais, APGAR 9/10, peso ao nascimento de 3,5kg, recebeu alta da maternidade com a mãe, anictérico e mamando leite materno livre demanda. Exame Físico • Ativo e Reativo aos estímulos. • Peso: 5,100kg, comprimento 50cm. • Faces: corada, hidratada, ictérica 3+/4+, sem esboço de dor ao exame, calmo. • Ao exame físico, apesar da icterícia visível tanto pela esclera quanto pela coloração da pele, LGFS se apresenta saudável, com ganho ponderal e desenvolvimento neuropsicomotor adequados para a idade. • Abdome levemente distendido, porém, flácido, indolor e sem massas palpáveis. Apresenta fígado palpável 3cm do rebordo costal direito, de consistência levemente endurecida, contornos finos e regulares. Baço não é palpável, mas a percussão do espaço de Traube é maciça. Sem ascite. Não se visualiza circulação colateral em parede abdominal. • Após a retirada das fraldas para o exame, nota-se fezes acólicas e urina de aspecto colúrico. Não há hérnias inguinais, genitálias e períneo sem alterações. Figura 1 –

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8 min7 days ago

Casos Clínicos: Obstrução Arterial Aguda

História clínica C.V.R.T., 35 anos, sexo feminino, católica, casada, 2 filhos, branca, natural e procedente de São Paulo. Procurou atendimento médico por queixa de dor no membro inferior esquerdo. Paciente refere dor súbita há 10 horas seguida de parestesia, que evoluiu há alguns minutos com dificuldade de mobilização do pé. Refere antecedente de febre reumática com fibrilação atrial crônica (FA) há 25 anos, sem anticoagulação há aproximadamente 3 meses. Suspendeu a medicação por conta própria. Nega outras comorbidades, nega trauma local. Exame físico • Sinais vitais: PA: 120 x 80 mmHg, FC: 110 bpm; FR: 15 ipm; SatO2: 98% em ar ambiente. • Bom estado geral, fácies de dor, corada e hidratada, orientada em tempo e espaço. • Cardíaco: bulhas arrítmicas, normofonéticas, em 2 tempos com sopro sistólico pancardíaco. • Abdome: plano, flácido, indolor à palpação, sem massas palpáveis, sem visceromegalias. • Membros inferiores: membro inferior esquerdo (MIE) com cianose não fixa na planta, frialdade até terço médio de perna, diminuição de sensibilidade em mesmo nível (térmica, tátil e dolorosa), dor à palpação do compartimento anterior da perna, força diminuída à dorsiflexão do pé. Membro inferior direito (MID) sem alterações. Ausência de feridas em ambas as pernas. Tabela 1- Pulsos dos membros inferiores Figura 1 – Exame físico em paciente com cianose plantar não fixa em membro inferior esquerdo. Prosseguimento do caso após avaliação clínica Realizada internação hospitalar da paciente, seguida de repouso no leito em

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11 min7 days ago

Casos Clínicos: Torção de testículo

História clínica Paciente M.H.M., 20 anos, sexo masculino. Relata que há quatro dias iniciou com dor em testículo direito de forma súbita com piora progressiva. Associado à dor, apresentou náuseas sem vômitos. Não notou irradiação da dor. Diz que não procurou serviço de saúde antes, pois pesquisou na internet sobre dor testicular e acreditou que iria melhorar sozinho. Como não obteve melhora, procurou o hospital. Nega hematúria, disúria ou outros sintomas urinários. Nega ter tido febre. Nega ter doenças ou fazer uso contínuo de medicações. Exame físico • Sinais vitais: PA 125×90; FC 92bpm; Temperatura axilar = 35,6o C • Nota-se testículo direito horizontalizado e elevado na bolsa testicular, com hiperemia e espessamento da pele adjacente. Testículo esquerdo tópico, sem alterações. • À palpação, o testículo e epidídimo direito apresentam-se endurecidos e moderadamente dolorosos ao toque. • Demais aspectos do exame físico sem alterações. Prosseguimento do caso após avaliação clínica Inicialmente, foi prescrita analgesia com anti-inflamatório (cetoprofeno) com melhora da dor. Também foram solicitados exames complementares: laboratório e USG doppler de bolsa testicular. Exames complementares Exames laboratoriais Exame de urina tipo I (EAS) colhido na entrada sem alterações Usg doppler Figura 1 Figura 2 QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO 1. No exame físico, qual

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6 min7 days ago

Casos Clínicos: Epididimite

História clínica Paciente D.V.M.N., 43 anos, sexo masculino. Paciente relata que há três semanas vem apresentando dor de forte intensidade no testículo direito, associada a episódios de febre de até 38,5o C. A dor irradia para região inguinal direita e teve episódios de náuseas sem vômitos. Não tem queixas em testículo contralateral. Nega sintomas urinários. Não tem outras queixas fora a dor e a febre. Relata ser sexualmente ativo. Esteve duas vezes em outro pronto-socorro. Na primeira vez, foi medicado com anti-inflamatório e na segunda vez recebeu alta com receita de ciprofloxacino, tendo feito uso por cinco dias. Como não obteve melhora com uso do antibiótico, retornou ao pronto-socorro. Paciente nega outras doenças ou uso contínuo de medicações Nega cirurgias prévias Exame físico Paciente febril ao toque. Temperatura axilar = 38,2o C. Testículos tópicos e simétricos, não há hiperemia. Epidídimo direito endurecido e doloroso à palpação em toda sua extensão. Cordão espermático à direita espessado e doloroso ao toque. Não há nodulações à palpação do testículo direito. • Testículo e epidídimo esquerdo indolores e sem alterações. • Paciente relata melhora da dor ao se elevar a bolsa testicular. Prosseguimento do caso após avaliação clínica Paciente encaminhado para sala de medicação, onde realizou analgesia com dipirona sódica com alívio da dor. Realizou também exames complementares de sangue e USG doppler de bolsa testicular para avaliação do quadro. Exames complementares Exames laboratoriais

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5 min7 days ago

Casos Clínicos: Neoplasia de Próstata

História clínica A.C.F., 51 anos, sexo masculino, conta antecedente de sintomas do trato urinário inferior que caracterizou como jato urinário médio, sensação de esvaziamento vesical incompleto e noctúria três vezes há dois anos. Refere que evoluiu com retenção urinária aguda há dois meses após episódio de prostatite aguda e que esta com sonda vesical de demora desde então. Fez tratamento adequado com antibioticoterapia orientada por urocultura. Dosagem de PSA da ocasião da retenção urinária aguda foi de 62 e PSA controle atual de 14,9. PSA de dois anos atrás era de 2,6. Conta que pai teve diagnóstico de câncer de próstata. Foi submetido à biópsia transretal de próstata e traz resultado que mostra adenocarcinoma de próstata Gleason 5+4 em todos os fragmentos. Exame físico Encontrava-se em bom estado geral. Abdome globoso, flácido e indolor. Exame digital de próstata: próstata indolor, volume maior que 80 g, endurecida bilateralmente com nódulo palpável em base esquerda. Exames complementares Exames laboratoriais Prosseguimento do caso após avaliação clínica Solicitados exames de imagem para estadiamento. Ressonância multiparamétrica da pelve com próstata com dimensão de 82 g e extensa lesão infiltrativa acometendo ambos os lobos da base ao ápice, em especial o aspecto posterior do lobo esquerdo. Presença de comprometimento bilateral de feixe vasculonervoso e envolvimento de ambas as vesículas seminais e do terço distal da uretra prostática. Presença linfonodomegalias nas cadeias ilíacas externas com até 3,9 cm. Cintilografia óssea: áreas de concentração anômala do indicador em asa do ilíaco esquerdo e acetábulo esquerdo e região trocantérica do fêmur direito com características de lesões secundárias ósseas.

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9 min7 days ago

Casos Clínicos: Litíase urinária

História clínica J. J. M., 30 anos, sexo feminino, casada, um filho, procura o pronto atendimento por dor em flanco esquerdo há 2 dias, tipo cólica, de forte intensidade, com irradiação para região inguinal do mesmo lado. Refere ainda náuseas, vômitos, febre aferida em domicílio (T:38 °C) e disúria. Nega alteração de hábito intestinal. Nega corrimento vaginal ou atraso menstrual. Relata episódios frequentes de infecção do trato urinário nos últimos anos, tratadas ambulatorialmente. Paciente é obesa (IMC 35 kg/m²) e faz uso de broncodilatador inalatório para controle de asma. Nega outras comorbidades, cirurgias prévias, tabagismo ou etilismo. Exame físico de admissão Sinais vitais: PA 110×70 mmHg, FC 107 bpm, FR 16, SpO2 96%, Taxilar 38,2 °C Encontrava-se em bom estado geral, hipocorada 2+/4+, hidratada, febril, eupneica, fácies de dor. Abdome globoso, flácido, com dor intensa à palpação de flanco esquerdo e fossa ilíaca esquerda, sinal de Giordano positivo à esquerda, sem sinais de peritonite. Exames complementares Exames laboratoriais Exame de urina tipo I (EAS) colhido na entrada evidenciando hematúria microscópica, leucocitúria e nitrito negativo. Urocultura com crescimento de Proteus mirabilis multissensível. Paciente realizou uma ultrassonografia (USG) de abdome total, que demonstrou imagens hiperecoicas na projeção da pelve renal bilateralmente, com intensa sombra acústica posterior, compatível com formação calculosa, além de aumento da dimensão do rim esquerdo com hidronefrose importante associada. Prosseguimento do caso após avaliação clínica Na sequência da investigação, foi solicitada uma tomografia (TC) de abdome total sem contraste endovenoso, que evidenciou rins com dimensões aumentadas, afilamento do parênquima renal, cálculos coraliformes bilaterais,

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11 min7 days ago

Casos Clínicos: Hemorragia Digestiva Alta

História clínica J. A. C. L., 50 anos, masculino, branco, casado, pedreiro desempregado, natural e procedente de região metropolitana da capital do estado da Bahia, é levado pela esposa para emergência do Hospital Universitário da capital com história de melena, seguido de hematêmese volumosa, há cerca de 24 horas. Refere vômito borráceo, odor de ferro, sem presença de restos alimentares ou outros elementos. A melena foi caracterizada pelo paciente, como pastosa, escura, de caráter em borra de café e odor consideravelmente fétido. Nega febre, dispneia, tonturas, desmaios, cefaleia ou outras queixas álgicas no momento. Diz ter diagnóstico, há 2 anos, de doença parenquimatosa crônica do fígado e hipertensão portal, sendo atualmente acompanhado no ambulatório de centro de referência de seu município. Ademais, conta seguir as orientações médicas, não apresentando, desde o início do diagnóstico, outros problemas advindos dessa doença (sic). Ainda a respeito de seus antecedentes médicos e patológicos, nega transfusões ou traumas. Nega HAS, DM e epidemiologia para Doença de Chagas e Esquistossomose. Nega uso de antiplaquetários, anti-inflamatórios ou anticoagulantes. Refere ambos pais falecidos em idade longeva, acreditando ter causa associada à senilidade. Tem dois irmãos, de 37 e 45 anos, vivos e aparentemente hígidos. Refere desconhecimento sobre doenças de caráter hereditário ou congênito na família. Em hábitos de vida e psicossociais, descreve sedentarismo, alimentação hiperlipídica sem consumo regular de frutas e leguminosas, além de abstenção de álcool há 10 meses, quando perdeu o emprego. Conta, também, história passada de hábito etílico desde os 20 anos aos finais de semana, fazendo uso até o momento da embriaguez, com eventuais perdas da consciência, consumindo aguardente (cachaça a base de cana-de-açúcar) e cervejas. Nega tabagismo, uso de drogas ilícitas ou injetáveis, múltiplos parceiros ou parceiras sexuais, relação sexual

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27 min7 days ago
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