COVID-19: Por que mata mais as pessoas com obesidade e diabetes? | Especialistas

Já se perguntou porquê pessoas com obesidade e diabetes tem maior chance de vir a óbito quando contraem a covid-19? Atualmente estamos sendo bombardeados por informações acerca da infecção pelo coronavírus, também conhecida como SARS-CoV-2, causadora da COrona VIrus Disease (COVID-19) e sua pandemia. Entre os principais pontos pesquisados e debatidos estão os fatores relacionados à sua gravidade, e apesar de cada vez mais, observamos que ninguém está a salvo,  tem chamado atenção a associação do pior prognóstico em paciente mais velhos (especialmente acima de 60 anos), e naqueles com obesidade, diabetes e hipertensão, mesmo nos jovens. Em parte, é  fácil justificar o motivo de idosos com menor reserva funcional evoluírem pior. Mas o que tem de diferente o SARS-CoV-2 das outras infecções virais, que explica a maior magnitude da morbimortalidade em portadores de diabetes e obesidade? Diabetes É bem determinado que o diabetes mellitus (DM) é um fator de risco para infecções de maneira geral, já que compromete a resposta imune inata. Para explicar essa relação cabe usar até o famoso “dilema tostines”- para quem nunca escutou falar é o seguinte: “O biscoito vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais?”, mas o que isso tem a ver com o diabético ter mais infecção?! Simples: aqui também estamos rodando em círculo, cujo eixo é: uma condição de estresse (como a infecção por COVID-19) que desencadeia uma sobrecarga de citocina, aumentando a secreção de hormônios  hiperglicemiantes (como glucagon, glicocorticoides e catecolaminas), o que resulta em hiperglicemia e complicações diabéticas, como a própria disfunção de leucócitos, falha na quimiotaxia e fagocitose de monócitos e macrófagos, promovendo um estado pró-inflamatório e

Dr. Alexandre Câmara

6 min42 days ago

Nódulo na tireoide: o que saber e o que fazer? | Colunistas

Os nódulos tireoidianos são comuns na prática clínica e, apesar de serem assintomáticos, possuem prevalência entre 3 e 7% da população. Geralmente, são diagnosticados através da palpação ocasional durante o exame físico e, ainda mais, com a ultrassonografia de região cervical. São encontrados mais comumente em idosos, nas mulheres e em situações de exposição à radiação ou carência de iodo. A maioria dos nódulos é de origem benigna, mas um nódulo solitário, de consistência endurecida, pouco móvel e associado à linfonodomegalia é considerado de alto risco para câncer. Além disso, caracterizar a anatomia e a função tireoidiana do paciente é imprescindível. Não está clara a patogênese dos nódulos e a participação do TSH atuando como fator de crescimento ainda não está clara. Entre as causas mais frequentes encontramos: cistos coloidais e tireoidites (80%), neoplasias foliculares benignas (15%) e o carcinoma (5%). Existem alguns fatores de risco para malignidade como: sexo masculino (3x maior), crianças e idosos, sintomas compressivos e invasivos (crescimento rápido, rouquidão, mudança de voz, disfagia e dor) e tireoidite autoimune (TSH e TRAb podem atuar como fatores mitogênicos e antiapoptóticos). O que fazer diante de um nódulo tireoidiano? O melhor método de investigação é a punção aspirativa com agulha fina (PAAF) guiada por ultrassom. No entanto, inicialmente, solicitamos os exames de avaliação da função tireoidiana (TSH e T4 livre) e o ultrassom de tireoide. Se não houver hipertireoidismo e o nódulo for de 1cm ou mais deverá ser feita a biópsia através da PAAF. Por outro lado, se o nódulo for menor que 1 cm, porém com características de malignidade (margem irregular, conteúdo sólido, hipoecoico, microcalcificações, fluxo sanguíneo intranodular) ou com linfonodomegalias associadas, também deverá ser biopsiado.

Welberth Fernandes

1 min50 days ago

Como calcular o bolus de insulina? | Colunistas

De acordo com Federação Internacional de Diabetes, citado pela Sociedade Brasileira de Diabetes (2019), o Brasil teve 12,5 milhões de pessoas com diabetes em 2017, sendo o quarto país com o maior número de diabéticos. Segundo o DATASUS, a região brasileira com a maior taxa de mortalidade por diabetes em 2019 foi o Nordeste com 37,5 mortes a cada 100 mil habitantes. Para saber mais:             “A diabetes mellitus é um distúrbio metabólico caracterizado por hiperglicemia persistente devido a uma deficiência na produção de insulina (DM 1) ou na ação ineficiente desse hormônio (DM 2). O diagnóstico é feito através de duas glicemias em jejum acima de 126mg/dL, na ausência de sintomas de hiperglicemia (poliúria, polidpsia, polifagia e emagrecimento) ou TTGO 75g com valor maior ou igual a 200mg/dL.” (SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES, 2019).             A insulinoterapia é usada para o tratamento de diabetes mellitus tipo 1 e para diabetes do tipo 2, só deve ser iniciada quando a glicemia em jejum for maior que 300mg/dL, associada à perda significativa de peso, cetonúrias e outras complicações (SANAR, 2019). A reposição pode ser classificada em: basal, na qual a insulina se mantém em doses baixas no sangue durante o dia e para a reposição, as insulinas usadas são a intermediária e a lenta; e bolus, na qual o pico de insulina ocorre quando há aumento de glicose no sangue e as insulinas usadas para a reposição são a rápida e a ultrarrápida (BD, 2020). Algumas dicas importantes (AGUIAR, 2011): Bolus correção – Dose de insulina usada para corrigir a glicemia medida antes da refeição. Bolus refeição – Dose de insulina necessária para

Martha Monteiro

1 min50 days ago

Climatério difícil: como podemos ajudar? | Colunistas

Definimos como climatério o período da vida das mulheres em que há um declínio acentuado e progressivo da função ovariana. Geralmente, tal processo ocorre entre os 40 e 65 anos e culmina com o déficit hormonal e no fim da capacidade reprodutiva.             Algumas mulheres sofrem com um conjunto de sinais e sintomas que ocorrem nesse período e que constituem a síndrome do climatério. No entanto, outras mulheres podem não apresentar sintomas. Figura 1 Guideline sobre climatério da SBRH (2015).             A menopausa é a última menstruação espontânea da mulher associada por amenorreia (ausência de menstruação) por 12 meses, ocorrendo geralmente entre os 48 e 50 anos de idade.             A confirmação do climatério e da menopausa é eminentemente clínica, sendo desnecessárias dosagens hormonais.             A idade da ocorrência da menopausa parece geneticamente programada para cada mulher, pelo número de folículos ovarianos, mas pode ser influenciada por vários fatores, como: – Fatores socioeconômicos — Mulheres que têm longas jornadas de trabalho e exercem atividades estressantes têm mais chances de entrar na menopausa mais cedo. – Paridade — Mulheres nulíparas têm menopausa mais precocemente, enquanto o aumento da paridade correlaciona-se à menopausa mais tardia (poupa folículos). – Tabagismo —A idade da instalação da menopausa é antecipada de 12 a 18 meses, sendo explicada pela deficiência estrogênica causada diretamente pelo tabaco. – Nutrição — Nutrição deficiente e baixo peso levam à ocorrência precoce da idade da menopausa             O tratamento visa a remissão dos principais sintomas, a prevenção de eventos mórbidos (câncer, osteoporose, dislipidemias e eventos cardiovasculares) e a melhora da qualidade de vida

Welberth Fernandes

2 min78 days ago

Resumo: Síndrome de Sheehan | Ligas

Definição e Epidemiologia A síndrome de Sheehan classicamente trata-se de hipopituitarismo pós-parto secundário à necrose hipofisária decorrente de hipotensão ou choque por causa de hemorragia maciça durante ou após o parto. A incidência da síndrome de Sheehan tem diminuído, principalmente, em países e regiões mais desenvolvidas em razão da melhora nos cuidados obstétricos, contudo, ela permanece sendo causa comum de deficiência de hormônio de crescimento em muitos pacientes e ainda é frequente em regiões pobres ao redor do mundo onde os cuidados periparto são mais precários. Seu diagnóstico pode ser ignorado por anos, o que agrava a morbimortalidade entre as pacientes, devendo o clínico estar atento aos sinais de deficiência pituitária após o parto, principalmente em mulheres com história de hemorragia ou parto complicado. Fisiopatologia        A Síndrome de Sheehan é decorrente do infarto da glândula hipofisária, principalmente do lobo anterior, em virtude de baixo fluxo sanguíneo, que pode ser secundário a vasoespasmo, trombose ou compressão vascular. Sabe-se que durante a gestação ocorre aumento progressivo da glândula hipofisária de 30% a 100% do seu peso, porém acredita-se que o seu suprimento de sangue se mantenha inalterado em relação ao estado pré-gestacional, sendo tal situação responsável por tornar a glândula mais suscetível à necrose por causa da hipotensão ou do choque pós-parto. Estudos recentes evidenciaram um aumento da presença de anticorpos antipituitária (PitAb) no soro de pacientes com síndrome de Sheehan em comparação com pacientes com hipopituitarismo por outras causas, porém o papel da autoimunidade na síndrome de Sheehan não está bem estabelecido e não há aumento da associação entre esta síndrome e outras doenças autoimunes. Quadro clínico A apresentação do quadro clínico pode ser dividida em forma aguda e crônica. A primeira

LIEMS

2 min100 days ago

Resumo: Síndrome de Cushing | Ligas

Definição e Epidemiologia A síndrome de Cushing é caracterizada pelo conjunto de sinais e sintomas da exposição crônica ao excesso de glicocorticoides. As causas de Síndrome de Cushing se dividem em exógenas e endógenas, sendo aquelas as mais comuns (iatrogênicas). O Cushing endógeno é dividido em dois grandes grupos: ACTH dependente, que se relacionam com problemas no eixo hipotálamo- hipofisário ou com tumores secretagogos de CRH/ ACTH, e ACTH independente, que ocorrem devido a doenças primárias da suprarrenal. Fisiopatologia 1)Doença de Cushing Refere-se ao corticotropinoma (adenoma hipofisário hipersecretante de ACTH), uma neoplasia benigna, na maioria das vezes, de pequenas dimensões (microadenoma). Predomina no sexo feminino e tem progressão lenta. Ocorre, nessa patologia, uma hipersecreção de ACTH, a qual provoca uma hiperplasia bilateral da adrenal. Os corticotrofos estão atrofiados na Doença de Cushing, inibidos pelo hipercortisolismo e pela ausência de CRH. 2)Secreção ectópica de ACTH e CRH Neoplasias não hipofisárias são capazes de secretar ACTH. Até metade dos casos se relaciona ao Carcinoma de Pequenas Células do Pulmão (oat cell). Por causa dessa associação, neoplasias secretantes de ACTH são mais comuns no sexo masculino, entre 40 e 60 anos. Em geral, nesses casos, a progressão do tumor é rápida, sem que haja tempo hábil para o aparecimento dos sintomas clássicos da síndrome. A secreção de CRH é raríssima. Os tumores mais comumente associados são: carcinoide brônquico, carcinoma medular da tireoide e Ca de próstata. 3)Atividade Suprarrenal Autônoma Nos adultos, os adenomas adrenais (benignos) são mais comuns do que os carcinomas (malignos) e predominam nas mulheres. Os carcinomas quase sempre são grandes (> 6 cm) ao passo que os adenomas costumam

LIEMS

3 min100 days ago

Resumo: Acromegalia | Ligas

Definição e Epidemiologia                 Consiste em uma doença sistêmica crônica, decorrente da hipersecreção do hormônio de crescimento (GH) e do fator de crescimento semelhante à insulina tipo 1 (IGF-1). A maioria dos casos de acromegalia ocorre como consequência de um adenoma hipofisário secretor de GH (somatotropinoma), sendo 80% deles macroadenomas (>10mm). A doença apresenta uma evolução insidiosa e, muitas vezes, seu diagnóstico é feito cerca de 7 a 10 anos após o surgimento dos primeiros sinais e sintomas, fato que atrasa o início do tratamento e contribui para o desenvolvimento de complicações e para o aumento da mortalidade relacionados à acromegalia.                 É considerada uma doença rara, porém subdiagnosticada. Ocorre com igual frequência em homens e mulheres e pode acontecer em qualquer idade, sendo mais frequente entre a terceira e quinta década de vida. Sua incidência é de 3 a 4 casos por 1 milhão de habitantes ao ano e sua prevalência é de, aproximadamente, 70 casos por 1 milhão de habitantes. No Brasil, ainda há a necessidade de realização de estudos para a identificação de novos casos de acromegalia. Atualmente, há apenas cerca de 1.000 casos registrados no DATASUS. Além disso, a acromegalia está associada a uma taxa de mortalidade cerca de duas vezes maior à da população geral, a qual pode ser revertida pela normalização dos níveis de GH e IGF-1. Fisiopatologia                        A regulação do GH ocorre sob o controle principal do hormônio liberador do hormônio de crescimento (GHRH), que estimula a secreção de GH pela hipófise anterior, e a somatostatina (SRIF), que inibe tal secreção. O GH estimula a geração do IGF-1, o qual é sintetizado, predominantemente, no fígado e tem importante papel na regulação do eixo somatotrófico pela retroalimentação negativa sobre

LIEMS

4 min100 days ago

Uso da tecnologia no tratamento do Diabetes Mellitus | Especialistas

O tratamento do paciente portador de Diabetes Mellitus (DM) vem ganhando aliados importantes  e “inovadores”, a revolução tecnológica na área da saúde é uma realidade, e já temos disponíveis algumas novidades que até pouco tempo atrás nem imaginaríamos que pudessem existir um dia e atualmente são ferramentas fundamentais para o cuidado do diabetes. Alguns exemplos que posso citar são: a possibilidade de medir a glicose e aplicar insulina de maneira indolor;O pâncreas artificial;A insulina inalável; E algoritmos eletrônicos que auxiliam ao médico na decisão terapêutica para ajuste do DM. Assim, mesmo que você não seja especialista na área, hoje em dia não dá para se contentar em saber somente os critérios diagnóstico de diabetes, é fundamental conhecer as atualidades na medicina desta área, já que existem mais de13 milhões de brasileiros com diabetes (7% da população), e querendo ou não, em algum momento você vai se deparar com estas inovações. Um dos produtos com maior probabilidade de você encontrar alguém utilizando são os dispositivos que permitem a aferição da glicose por monitorização contínua, tornando o controle menos invasivo do DM, como o glicosímetro FreeStyle Libre, que faz a leitura dos níveis de glicose por meio de um sensor instalado no braço (figura1A), ao invés de usar a gota de sangue — como é feito com o medidor tradicional —, o aparelho captura o “açúcar” do líquido intersticial, através de um sensor que fica implantado no subcutâneo (figura 1B), que só precisa ser trocado a cada 14 dias, e mesmo a troca é totalmente indolor. Figura 01 Já para reduzir o incomodo e a dor das picadas da agulha de insulina temos duas novidades: o dispositivo i-Port Advance e a insulina

Dr. Alexandre Câmara

3 min106 days ago

Atenção Primária – Diabetes Mellitus | Colunistas

Diabetes Mellitus tipo 2: quando rastrear? Frequentemente na prática clínica em Unidade Básica de Saúde ou mesmo em consultórios particulares, deparamo-nos com pacientes completamente assintomáticos, procurando serviço médico para fazer o famoso “check-up”. Diante desta situação, é comum o próprio paciente relatar que deseja realizar diversos exames laboratoriais que faz todo ano para ver como está de saúde. A pergunta que devemos fazer é: “Realmente há necessidade de todos esses exames? Os mesmos devem ser realizados todo ano?” Nessa série de posts sobre rastreamentos, vamos expor e discutir as perguntas acima no âmbito das diversas patologias de muitas especialidades da clínica médica (oncologia, cardiologia, endocrinologia…) e pra começar, vamos falar sobre o rastreamento de uma doença comum: Diabetes Mellitus tipo 2. Antes mesmo de falarmos sobre a doença propriamente dita, precisamos relembrar que o termo “rastreamento” é definido pelo Ministério da Saúde como “a realização de testes ou exames diagnósticos em populações ou pessoas assintomáticas, com a finalidade de diagnóstico precoce (prevenção secundária) ou de identificação e controle de riscos, tendo como objetivo final reduzir a morbidade e mortalidade da doença, agravo ou risco rastreado”. Visto que o rastreamento e diagnóstico precoce da Diabetes Mellitus tipo 2 minimiza o risco de desenvolvimento de complicações macro e microvasculares, vamos agora discutir os principais pontos deste post: Quem deve ser rastreado? A diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes (2017-2018) recomenda os procedimentos de diagnóstico em população de alto risco identificados por um escore maior ou igual a 15 pontos no questionário Finnish Diabetes Risk Score (FINDRISC), um escore validado que utiliza parâmetros de gênero, idade, IMC, circunferência abdominal, antecedentes pessoais, antecedentes familiares e hábitos para identificar o risco de desenvolvimento

Gabriel Martinez

2 min111 days ago
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