Deficiência de vitamina B12 e suas consequências em pacientes bariátricos, veganos e vegetarianos | Colunistas

Introdução A vitamina B12, também chamada de cobalamina ou cianocobalamina, pertence à família das cobalaminas, substâncias que contêm cobalto na sua forma. É uma vitamina hidrossolúvel e é um micronutriente essencial (não é sintetizada pelo organismo humano) e está presente em alimentos de origem animal, como leite, carnes e ovos. A deficiência de vitamina B12 é um problema de saúde pública, principalmente em veganos, vegetarianos e na população idosa. Fisiologia Síntese A síntese de vitamina B12 é feita por microrganismos e a vitamina é encontrada em alimentos fermentados por bactérias ou contaminados por elas e em tecidos de animais (ex.: ruminantes que ingerem adequadamente o cobalto) que a acumulam após a receberem da microbiota intestinal. Nas células, ela participa de atividades enzimáticas e possui 2 funções: na forma de metilcobalamina, atua como coenzima na metilação da homocisteína para metionina no citoplasma celular, importante para a síntese de DNA. E, na forma de 5-desoxiadenosil cobalamina, age como coenzima na conversão da L-metilmalonil Coenzima A para succinil coenzima A na mitocôndria. Absorção Ocorre no sistema digestivo e é um processo que precisa de um trato gastrointestinal íntegro, ou seja, sem lesões. Nos alimentos, a vitamina B12 é ligada às proteínas, que se dissociam pela ação do ácido gástrico e da pepsina no estômago. Proteínas de ligação secretadas na saliva, ligam-se à vitamina no estômago, chamadas de ligantes R ou haptocorrinas (HC). Células parietais gástricas produzem e secretam fator intrínseco. A vitamina B12 se liga ao fator intrínseco por meio das HC, que são clivadas por proteases pancreáticas secretadas no duodeno. Essa ligação forma o complexo vitamina B12/fator intrínseco no duodeno,

Carolina Henriques

8 minhá 69 dias

Síndromes edematosas – apresentação clínica | Colunistas

Uma boa investigação clínica sobre o desenvolvimento do edema é imprescindível para chegar ao diagnóstico dessas síndromes edematosas. Devemos identificar a clínica, pesquisar as características e suas respectivas causas, bem como indicar exames apropriadamente. Desse modo, a definição e a fisiopatologia do desenvolvimento do edema são conceitos indispensáveis para avaliação clínica. Há uma variedade de condições clínicas que estão associadas ao desenvolvimento do edema, tais como insuficiência cardíaca, cirrose, síndrome nefrótica, TVP, obstrução linfática, entre outras.    Definição   Síndromes edematosas são o excesso de líquido nos tecidos corporais acumulado principalmente no espaço intersticial ou extracelular e, na minoria das vezes, no espaço intracelular. As principais causas de edema intracelular são depressão dos sistemas metabólicos dos tecidos e a nutrição inadequada destes. Como exemplo, a oclusão arterial aguda, onde a nutrição está sendo ineficaz para o membro; isso aumenta a pressão hidrostática de mediadores químicos e lesão inflamatória. Dessa forma, ocorre um edema secundário à falta de nutrição adequada. Quanto ao edema extracelular, ocorre extravasamento anormal de líquido do plasma para o espaço intersticial através das paredes dos capilares ou bloqueio linfático (linfedema).  Fisiopatologia Embora a fisiopatologia do edema varie em cada doença, o seu desenvolvimento requer uma alteração em uma ou mais das forças de Starling. Em geral, isso pode ocorrer através da elevação na pressão hidrostática, aumento da permeabilidade capilar, pressão oncótica plasmática mais baixa e obstrução linfática. No capilar arterial, a pressão hidrostática é alta, o que faz com que haja fuga de líquido do capilar para o interstício. Consequentemente, haverá aumento da pressão oncótica dentro do capilar e, com isso, dentro dos padrões normais e fisiológicos,

Karla Gomes

4 minhá 83 dias

Anemia megaloblástica: deficiência de ácido fólico ou cobalamina? | Colunistas

A anemia megaloblástica é uma condição decorrente de um bloqueio na síntese de DNA por uma assincronia da maturação do núcleo em relação ao citoplasma. O núcleo celular amadurece mais lentamente e, quando a divisão celular ocorre, a célula apresentará tamanho aumentado. Células com alto turn over celular (renovam-se mais rápido) são as mais afetadas, a exemplo das células precursoras da medula óssea e das da mucosa do trato gastrointestinal (TGI). Essa alteração afeta as células vermelhas do sangue (hemácias) bem como todas as suas precursoras e por isso recebem o nome de megaloblastos. Esses megaloblastos são reconhecidos pelo corpo como defeituosos e são destruídos ainda no interior da medula, gerando uma eritropoiese ineficaz. As possíveis origens desse distúrbio são a deficiência de ácido fólico e/ou vitamina B12 (cobalamina), mas como diferenciá-las? FISIOPATOLOGIA Ácido Fólico (Folato)             O ácido fólico é absorvido pelo duodeno e jejuno proximal e sua principal fonte natural são os vegetais verdes frescos. Seu maior reservatório é o fígado, porém, por ser hidrossolúvel, seu estoque dura pouco e os sinais clínicos da sua depleção ocorrem cerca de 4-5 meses após o começo das perdas.             Ele circula no corpo como metiltetrahidrofolato (MTHF) e, ao penetrar nas células, seu grupo metil é retirado em uma reação que usa a vitamina B12 como cofator enzimático e assim o folato é transformado na sua forma ativa. Nesse processo, o ácido fólico “doa” um grupamento metil para a homocisteína, um precursor de bases nitrogenadas, sendo estas constituintes do DNA. Assim, tanto na deficiência de ácido fólico como na de cobalamina, essa reação não ocorre adequadamente e há um acúmulo de homocisteína que é lesiva ao endotélio e pode aumentar o risco

Taísa Nogueira

4 minhá 116 dias

Mieloma múltiplo: uma revisão | Colunistas

O que é? Mieloma múltiplo é uma gamopatia monoclonal e neoplasia hematológica, mais frequente em homens acima dos 50 anos de idade. Quando um linfócito B diferencia-se em plasmócito, pode ocorrer uma mutação, formando uma célula maligna dentro da medula óssea. Esse plasmócito anômalo é capaz de produzir uma imunoglobulina monoclonal em grande quantidade que se acumula no sangue. Relembrando Plasmócitos são células de defesa derivadas dos linfócitos B que, durante uma resposta imunológica, reconheceram antígenos e receberam informações para a diferenciação em plasmócitos. São células que sintetizam e secretam ativamente grandes quantidades de proteínas – as imunoglobulinas de várias classes, genericamente chamadas de “anticorpos”. Características O mieloma múltiplo é uma doença sistêmica e as imunoglobulinas monoclonais podem aderir-se umas às outras ou a tecidos, causando disfunção de órgão-alvo. CRAB é uma dica mnemônica que descreve as possíveis alterações relacionadas à progressão do mieloma múltiplo: C (cálcio): hipercalcemia (> 10mg/dL);R (renal): lesão renal (creatinina > 2mg/dL ou ClCr < 40mL/min);A (anemia): anemia (Hb < 10g/dL ou queda > 2g/dL do basal);B (bones): lesão osteolítica detectada em raio-X, TC ou PET-CT. Quadro clínico A doença óssea decorre de dois mecanismos: Ativação dos osteoclastos: células responsáveis pela reabsorção e pelo remodelamento ósseo, cursando com liberação de fosfato de cálcio e aumento da calcemia;Inibição dos osteoblastos: células responsáveis pela síntese da porção orgânica da matriz óssea. É comum que as lesões ósseas causem lombalgia ou dor em região de costelas, o que ocorre em 70% dos pacientes. Dor recente de início súbito pode indicar fratura patológica, independentemente de história de trauma.

Viviane de Caprio

3 minhá 127 dias

Distúrbios da hemotopoiese na anemia megaloblástica | Colunistas

Introdução A anemia ocorre pela diminuição do hematócrito, da concentração de hemoglobina ou da concentração de hemácias no sangue. Essas alterações são manifestadas na quantidade ou características da hemoglobina ou no tamanho dos eritrócitos circulantes. A etiologia da anemia é diversa, podendo ser por doenças hereditárias, hemorragias, infecções, doenças crônicas, neoplasias e deficiências nutricionais. A anemia megaloblástica é causada por carência nutricional de vitamina B12 e/ou ácido fólico, os quais são obtidos através da dieta. A carência desses componentes é muito frequente em idosos, vegetarianos rigorosos e pessoas com dieta hipoproteica ou apresentam distúrbios de absorção intestinal. Além disso, a deficiência pode ocasionar transtornos hematológicos, neurológicos e cardiovasculares, estando diretamente relacionada a hiper-homocisteinemia, um fator independente de risco cardiovascular e danos neuronais. A hematopoiese é um processo responsável pela produção de células sanguíneas, o qual controla a proliferação, diferenciação e maturação dessas células. Nos adultos, a hematopoiese é compartimentalizada na medula óssea gerando eritrócitos e leucócitos. Anemia As anemias podem ser classificadas pela forma e dimensão dos eritrócitos no sangue. Ela pode ser: microcítica, macrocítica e normocítica. Além disso, pode ser hipocrômica, normocrômica e hipercrômica (sem importância clínica). De acordo com os índices hematimétricos é possível classificar qual tipo de anemia o indivíduo possui. Na anemia megaloblástica, as células vermelhas são macrocíticas, com base na elevação do volume corpuscular médio (VCM) e normocrômicas ou hipocrômicas com base na hemoglobina corpuscular média (HCM). Fisiopatologia A vitamina B12 é liberada pela digestão de proteínas, sendo capturada pela transcobalamina I, que é uma proteína R produzida na saliva e no estômago. Esse complexo é degradado pelas proteases pancreáticas, consequentemente há transferência da vitamina

Ana Flávia Lima

4 minhá 127 dias

Os sons de Korotkoff: qual a sua importância para a medida da Pressão Arterial? | Colunistas

A medida da pressão arterial é elemento básico e fundamental em toda avaliação, seja ela ambulatorial ou na sala de emergência. O padrão-ouro para esta medida se dá por meio da cateterização de uma artéria, com a instalação de um transdutor capaz de aferir pressões de 0 a 500 mmHg de forma contínua, todavia esse método é invasivo e dispendioso, sendo adotado apenas em pacientes internados em situações selecionadas. Para a rotina do profissional de saúde, resta como alternativa o método auscultatório, pois, embora represente medida indireta, constitui procedimento simples, rápido, não-invasivo, de baixo custo e com um desvio-padrão dos valores obtidos inferior a 10% em relação ao cateterismo arterial. A medida indireta da pressão arterial requer apenas um esfigmomanômetro, um estetoscópio e um profissional treinado e representa um dos primeiros procedimentos ensinados na grade curricular dos cursos de saúde. O estudante que ausculta pela primeira vez o que ele leu nos livros de semiologia como os “sons de Korotkoff” não é capaz de mensurar o impacto desta descoberta há mais de 100 anos. Nikolai Korotkoff era cirurgião e seu foco de estudo estava na avaliação do fluxo sanguíneo dos membros na presença de aneurismas. Seu objetivo era encontrar um sinal capaz de avaliar a viabilidade do membro no caso da ligação da artéria aneurismática e isso o levou a auscultar frequentemente as artérias de seus pacientes. Com esse exercício, percebeu a produção de sons especiais na artéria braquial quando comprimida pela campânula do estetoscópio. Tais sons já haviam sido relatados por outros pesquisadores, mas Nikolai foi o primeiro a sugerir seu uso na medida da pressão arterial e, por isso, ganhou a sua paternidade, dando-lhes seu sobrenome: os sons de Korotkoff. Para a identificação desses sons, é necessário

Marcella Araújo Pires

5 minhá 141 dias
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