Como fazer o melhor uso do carvão ativado? | Colunistas

Historicamente referido como o antídoto universal, o carvão ativado é amplamente utilizado para o tratamento das intoxicações. Mas você sabe mesmo como fazer o melhor uso dele? O carvão ativado é produzido após a queima de polpa vegetal e outros compostos posteriormente expostos a altas temperaturas (entre 800 e 1000ºC) que alteram sua porosidade, levando a um aumento de até 400 vezes em sua superfície de contato. O carvão ativado possui diversos usos; desde filtros de impurezas e fins estéticos, como clareamento dentário e limpeza de pele, até sua utilização como antídoto para intoxicações. A utilização do carvão ativado na medicina deve-se principalmente a seu poder de adsorção de toxinas no lúmen gastrointestinal, isto porque sua superfície porosa possui carga eletronegativa atraindo substâncias carregadas positivamente e eliminando-as integralmente nas fezes, uma vez que ele próprio não pode ser absorvido pelo organismo. Outros usos importantes são, também, melhora da função renal em pacientes renais crônicos e redução de níveis séricos de colesterol. Indicações As principais indicações para seu uso estão relacionadas à necessidade de impedir a absorção do fármaco ou toxina pelo TGI e, isoladamente, pode ser tão ou mesmo mais eficaz que a êmese ou lavagem gástrica. Doses repetidas de carvão ativado podem ser necessárias quando houver benefício para o paciente na eliminação mais rápida e quando meios mais invasivos para remoção, como hemodiálise, não são indicados ou estão indisponíveis. O uso de carvão ativado deve ser bem avaliado em pacientes que cheguem ao serviço de emergência com suspeita de intoxicação e algumas variáveis devem ser consideradas: Tempo de contato: o efeito do carvão ativado é máximo quando utilizado até 1h após a

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3 minyesterday

Refluxo Gastroesofágico em crianças: o que você precisa saber | Colunistas

1. Definições Refluxo gastroesofágico (RGE): é a passagem fisiológica do conteúdo do estômago para o esôfago. Regurgitação: é o refluxo do conteúdo gástrico espontâneo, passivo ou sem esforço, que chega à orofaringe e pode sair ou não pela boca. Após um episódio de regurgitação, é comum o lactente ter fome. Vômitos: o refluxo do conteúdo, nesse caso, ocorre com esforço, forçado. É um reflexo altamente coordenado pelo centro medular do vômito, envolvendo músculos abdominais e respiratórios. Doença do refluxo gastroesofágico (DRGE): diferenciada do refluxo fisiológico pelas consequências patológicas, como sintomas incômodos e complicações associadas. 2. Epidemiologia O refluxo gastroesofágico geralmente ocorre de forma fisiológica, sendo mais comum em lactentes. Esses episódios podem ocorrer cerca de 30 vezes em um único dia, diminuindo de frequência com o crescimento da criança. O refluxo surge nos primeiros meses de vida, sendo mais comum em torno dos quatro meses e, na maioria das vezes, desaparecendo após o primeiro ano de vida. Crianças maiores geralmente têm sintomas mais crônicos, resolvendo-se em cerca de metade delas. Há a possibilidade de que crianças com episódios frequentes de refluxo tenham maior probabilidade de desenvolver a doença futuramente. A DRGE é o distúrbio esofágico mais comum em crianças de todas as idades e provavelmente tem influência genética. A doença pode levar à sintomatologia muito incômoda e consequências respiratórias e esofágicas, como pneumonias, bronquiectasias, estenoses do esôfago e esôfago de Barrett. 3. Anatomia do Esôfago O esôfago é um tubo muscular oco entre a faringe e o estômago que transporta alimentos e

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10 minyesterday

Casos Clínicos: Intolerância à lactose | Ligas

Área: Gastroenterologia Autores: Francisca Isabelly Maia Chaves e Gleidson Souza da Ponte Revisor: Luís Eduardo Rodrigues Reis Orientador: Geison Vasconcelos Lira Liga: Núcleo de Desenvolvimento Médico de Sobral – NUDEMES   Introdução O leite é uma importante fonte de proteína animal e cálcio. Entretanto, a digestão da lactose, importante componente desse alimento, depende da enzima intestinal lactase. Essa enzima hidrolisa esse dissacarídeo em uma molécula de glicose e uma de galactose. A falta, total ou parcial, dessa enzima acarreta a não absorção da lactose, com o acúmulo desse dissacarídeo no lúmen intestinal ocorre um aumento da pressão osmótica, retendo água e aumentando o trânsito intestinal, resultando em vários sintomas, como distensão abdominal, dores, fezes amolecidas, flatulências e comprometimento da absorção de cálcio. Essa deficiência é chamada de intolerância à lactose e pode ser de três tipos. O tipo congênita é herdada e autossômica recessiva, nesse caso a criança não produz a lactase e se não diagnosticada precocemente pode levar o recém-nascido a óbito. A intolerância primária é aquela desenvolvida na infância ou até idades adultas, também conhecida como hipolactasia, nesse caso o paciente deixa de produzir natural e progressivamente a enzima. O último tipo é a deficiência secundária ou adquirida, na qual a falta da enzima se dá por uma lesão na mucosa do intestino, proveniente de outras doenças ou tratamentos, após a solução ou interrupção do que está provocando essa deficiência o problema pode ser resolvido. Identificação do paciente e história clínica JMS, 48 anos, mulher, de origem hispânica, branca, casada, mãe de dois filhos saudáveis, heterossexual, católica, formada em literatura, professora do ensino médio. Portadora de

Casos Clínicos: Esquistossomose Mansônica

HISTÓRIA CLÍNICA Masculino, 51 anos, pardo, agricultor, casado, natural e procedente de cidade do interiror do nordeste brasileiro, católico. Paciente refere hematêmese associada à melena. Nega constipação, icterícia, náuseas e vômitos. Refere de antecedente epidemiológico banho em rios com caramujos. EXAME FÍSICO Estado geral regular, hipocorado (2+/4+), sonolento, eupnéico, hidratado, acianótico, afebril ao toque, anictérico. FC: 74 bpm, FR: 16 ipm; PA: 110/70 mmHg; Tax: 36,5 o C. Sem achados dignos de nota em orelhas, olhos, nariz e cavidade oral. Ausência de linfonodomegalias palpáveis. Glasgow: 15. Pares cranianos sem alterações. Ginecomastia. Murmúrio vesicular presente em todo campo pulmonar sem ruídos adventícios. Ritmo cardíaco regular em dois tempos, bulhas normofonéticas, sem sopros. Flácido, ruídos hidroaéreos presente e normoativos. Traube ocupado. Ausência de hepatomegalia. Ausência de flapping e de edema em membros inferiores. Rarefação de pelos em membros inferiores. Ausência de artrite. EXAMES COMPLEMENTARES Endoscopia digestiva alta • Varizes esofágicas de médio e grosso calibre. • Múltiplas úlceras bulboduodenais. PONTOS DE DISCUSSÃO 1. Qual o diagnóstico mais provável? 2. Em qual fase da doença encontra-se o paciente? 3. Os exames de imagem são necessários para o diagnóstico da doença? 4. Qual a conduta terapêutica mais apropriada?

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5 min12 days ago

Casos Clínicos: Doença de Chagas e Megaesôfago Chagásico

HISTÓRIA CLÍNICA 62 anos, masculino, pardo, natural de cidade do interior do nordeste brasileiro. Há cerca de um ano, o paciente procurou atendimento em um hospital público de alta complexidade, com queixa de disfagia a alimentos sólidos. Há aproximadamente três meses, paciente relata redução das dejeções, mal-estar ao alimentar-se e distensão abdominal. A disfagia vem piorando progressivamente e há um mês é acompanhada de episódios persistentes de vômitos para alimentos sólidos, pastosos e líquidos, com restos alimentares. Foi internado há uma semana, com piora do quadro. Refere perda de 15 kg em seis meses, fraqueza em membros inferiores, ausência de dejeções associados a pouca ingesta de alimentos. Refere passado de etilismo, durante aproximadamente 40 anos, com uso de bebidas fermentadas e destiladas, abstêmio há oito anos. Nega tabagismo. Nega febre, cansaço, hematêmese, palpitações, dispneia, alteração da coloração da urina, disúria, poliúria, oligúria, uso de medicações. EXAME FÍSICO Paciente em péssimo estado geral, acianótico, anictérico, corado, afebril, caquético. Pulso radial: 70 bpm; PA: 90×60 mmHg – braço esquerdo e sentado; FR: 16 irpm; Temperatura Axilar: 36,6 o C; Peso: 50,6 kg; IMC: 16,75 Kg/m2 . Ausência de adenopatia. Dentes em precário estado de conservação e higiene, ausência de unidades dentárias, com uso de prótese dentária. Língua de tamanho habitual com motricidade preservada. Ausência de déficits. Presença de cicatriz na extremidade superior direita do tórax, devido à implantação de marcapasso. Murmúrios vesiculares bem distribuídos, sem ruídos adventícios. Ausência de estase jugular. Bulhas rítmicas, hipofonéticas em 2 tempos, sem sopros. Escavado, flácido, ruídos hidroaéreos presentes, predominância

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6 min12 days ago

Casos Clínicos: Hepatite C Crônica

HISTÓRIA CLÍNICA Paciente, 70 anos, do sexo feminino, parda, procedente de cidade do interior. A paciente relata que há quinze anos foi diagnosticada como portadora de hepatite C crônica. Nesse período, realizou tratamento com medicamentos Interferon e Ribavirina, porém, não alcançou resposta viral sustentada. Há quatorze meses uma ultrassonografia (USG) de abdome revelou nódulo hepático no segmento IVa. Tomografia computadorizada (TC) mostrou que o nódulo era predominantemente sólido, hipervascularizado e com área apresentando eliminação precoce do contraste (Wash-out) nas fases tardias. Nega dor e aumento do volume abdominal, edema e icterícia. Apresenta diabetes mellitus tipo 2 há cinco anos. Refere operação cesariana há 30 anos e transfusão de sangue há 34 anos. Nega alergia medicamentosa, tabagismo e etilismo. Epidemiologia negativa para esquistossomose e doença de Chagas. EXAME FÍSICO Bom estado geral e nutricional, lúcida e orientada no tempo e no espaço, mucosas normocrômicas, acionóticas e anictérica. Eupnéica e afebril. FC: 88 bpm; FR: 16 ipm; TA: 132 x 86 mmHg. Ausência de linfonodomegalias palpáveis, sem turgência jugular. Ativa, escala de Glasgow 15, força muscular preservada, ausência de déficits focais ou “flapping”. Murmúrio vesicular bem distribuído em ambos os hemitóraces, ausência de ruídos adventícios. Ictus cordis em posição anatômica. Bulhas rítmicas, normofonéticas em 2 tempos, sem sopros. Globoso à custa de panículo adiposo, cicatriz infra-umbilical mediana (secundária a cirurgia cesariana). Ruídos hidroaéreos presentes. Abdome flácido, indolor à palpação superficial e profunda; fígado palpável há 5 cm do rebordo costal direito com bordas endurecidas e irregulares. Espaço de Traube ocupado. Bem perfundidas, presença de

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8 min12 days ago

Casos Clínicos: Litíase Biliar

HISTÓRIA CLÍNICA 32 anos, sexo masculino, natural e procedente de cidade do interior. Relata que há cerca de 03 meses vem apresentando dor em cólica, de forte intensidade, em hipocôndrio direito com irradiação para todo abdome superior e dorso. Informa que alguns episódios melhoravam com o uso de analgésicos orais. Todavia, em diversas ocasiões foi atendido em unidade de emergência e realizou analgesia intravenosa, devido à intensidade da dor. Relata que as crises dolorosas vêm associadas a náuseas e vômitos, e são desencadeadas pela ingestão de alimentos gordurosos. Nega icterícia, colúria e acolia fecal. Ritmo intestinal e aspecto das fezes normais. EXAME FÍSICO Bom estado geral, lúcido e orientado no tempo e espaço, normocorado, hidratado, anictérico, acianótico e afebril. FC: 64 bpm; FR: 16 ipm; Tensão Arterial: 122×86 mmHg. Ausência de linfonodomegalias palpáveis, sem turgência jugular. Sem alterações. Tórax de conformação habitual, expansibilidade preservada, murmúrio vesicular bem distribuído bilateralmente sem ruídos adventícios. Ictus cordis em posição anatômica. Bulhas rítmicas, normofonéticas em 2 tempos, sem sopros. Abdome plano, flácido, ruídos hidroaéreos presentes, timpânico. Indolor à palpação superficial e profunda, sem sinais de irritação peritoneal. Ausência de visceromegalia ou massas anômalas. Sinal de Murphy negativo. Bem perfundidas, sem edemas. Articulações sem sinais de flogose. EXAMES COMPLEMENTARES Figura 1. Ultrassonografia do abdome: cálculos móveis (com hiper-refringência e projeção de sombra acústica) no interior da vesícula biliar que apresenta paredes finas e regulares.

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7 min12 days ago

Refluxo gastroesofágico em crianças: fisiológico ou patológico? | Colunistas

Provavelmente você já ouviu falar ou até mesmo já viu bebês e crianças pequenas mamarem e, pouco depois, regurgitarem parte do leite. Esse processo, denominado refluxo gastresofágico, embora frequentemente cause preocupação aos pais, é muito comum e tende a desaparecer com o passar do tempo, normalmente não representando perigo. Porém, é importante manter-se atento, pois este pode vir a se tornar um processo patológico, acarretando algumas complicações. O que é refluxo gastroesofágico? Refluxo gastroesofágico (RGE) consiste no retorno de conteúdos gástricos para o esôfago, e é um processo fisiológico normal em bebês, crianças e adolescentes saudáveis, caso ocorra em episódios breves, assintomáticos e não provoquem lesões esofágicas. Mas cuidado, não se confunda! Quando este refluxo for acompanhado de sintomatologias incômodas e complicações, chama-se Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) e é um processo patológico. O RGE manifesta-se normalmente apenas por regurgitações e ocorre devido ao relaxamento transitório do esfíncter esofágico inferior (EEI), desencadeado pela distensão do fundo gástrico. Assim, esse processo é mais comum nos primeiros meses de vida, visto que o EEI dos lactentes ainda não está completamente desenvolvido, mas normalmente apresenta resolução espontânea até os 2 anos de idade. Nestes casos, o bebê apresentará crescimento e ganho de peso normais, sem complicações associadas. É notório, também, que a frequência dos episódios diminui bastante a partir dos 6 meses e isso se deve à iniciação da criança a alimentos sólidos e adoção de postura mais ereta nesse período. Já em crianças maiores e adolescentes, os episódios costumam ocorrer no período pós-prandial e são muito menos recorrentes do que em bebês (visto que se alimentam com frequência bem menor). Epidemiologia: O RGE é,

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7 min13 days ago

Síndrome do Intestino Irritável | Colunistas

Definição A Síndrome do Intestino Irritável (SII) é um distúrbio funcional do trato gastrointestinal, caracterizada principalmente por dor abdominal e alterações nos hábitos intestinais, incluindo diarreia e/ou constipação sem causa definida. Epidemiologia É um dos transtornos intestinais mais encontrados na prática, porém ainda pouco compreendido. Sua prevalência é maior na faixa etária de 30 a 50 anos, principalmente em mulheres. A prevalência mundial alcança de 3 a 25% e no Brasil cerca de 12% da população, porém somente 30% dos pacientes procuram ajuda médica. Etiopatogenia Apesar da etiopatogenia ainda não ser completamente conhecida, sabe-se que é multifatorial e envolve desde aspectos fisiológicos a psicossociais, seja na primeira apresentação ou em exacerbações. Embora todos os fatores estejam interconectados, cada um deles tem importância significativa na resposta individual à SII e estão relacionadas com a desregulação na transmissão entre o sistema nervoso central (SNC) e o sistema nervoso entérico. Alguns fatores que podem desencadear os sintomas são: consumo de determinados alimentos, alterações hormonais (ciclo menstrual), estresse, infecções, mudança de rotina, frustração, baixa autoestima, necessidade de aprovação social e doenças psiquiátricas (transtorno de ansiedade generalizada, transtornos de humor, transtorno do pânico e abuso de substâncias psicoativas). Lembrando que essas causas são desencadeantes em pacientes que já têm uma predisposição intestinal com desregulação autonômica da motilidade, anormalidade da sensibilidade visceral, redução na qualidade e quantidade da microbiota intestinal ou alterações na modulação da dor e resposta neuroendócrina. Função motora anormal A SII compreende um distúrbio gastrointestinal da musculatura lisa com motilidade basal normal, mas com cólon hipersensível a determinados alimentos, medicamentos, hormônios e estresse. A motilidade do cólon

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8 min19 days ago
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