Uma análise sobre o impacto da Covid-19 em idosos institucionalizados | Colunistas

Envelhecer: um processo natural Com o passar dos anos, o corpo humano passa por transformações biológicas que convergem para a diminuição progressiva do funcionamento dos mais variados sistemas do organismo, caracterizando um processo chamado senescência.  Cercado pelas mais variadas teorias, as quais vão desde o campo da genética – que associa o envelhecer à diminuição do tamanho dos telômeros – até teorias que apontam os radicais livres como atores importantes do processo de envelhecimento, a chegada da terceira idade é marcada por alterações significativas no indivíduo. O envelhecimento e a maior suscetibilidade às doenças A chegada a terceira idade não significa uma sentença de morte, nem tampouco a confirmação de que o indivíduo terá as suas funções físicas e sociais comprometidas. No entanto, a redução da capacidade funcional dos sistemas do organismo, dentre eles o sistema imune, associada a uma maior ineficiência fisiológica adaptativa cardiorrespiratória e renal, leva o indivíduo da terceira idade a uma maior predisposição a doenças, principalmente aquelas causadas por patógenos, como vírus e bactérias. Nesse ínterim, quando associado com afecções comuns de acometerem idosos, tais como hipertensão e diabetes, as infecções causadas por microrganismos podem ser agravadas e levarem o idoso a óbito. Os gigantes da geriatria e a institucionalização de idosos Em meio às afecções que podem afetar os idosos, existem sete condições dentro do campo da geriatria que estão intimamente relacionadas ao comprometimento funcional dos idosos e à redução da sua qualidade de vida, dentre eles, a síndrome da imobilidade, que se apresenta como um importante fator que leva muitos idosos a viverem em Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPI), tendo em vista os desafios que tal síndrome traz para a vida do idoso, levando-se em

Cristovão Pereira

4 minhá 46 dias

Avaliação global do idoso | Colunistas

Objetivos da geriatria A geriatria é uma especialidade médica que possui como pilares o aumento da funcionalidade e da saúde do idoso, assim como diminuir sua incapacidade física e cognitiva, e, para isso, deve compilar todos âmbitos da vida. Inicialmente, uma boa anamnese e um exame físico minucioso são de extrema importância para se ter uma base geral da vida do paciente. Logo, deve-se atentar aos famosos 5Is da geriatria, que por si já podem ser causa de sinais e sintomas. Por fim, e não menos importante, há os testes e escalas específicos para pacientes geriátricos. Dentre eles, temos: a avaliação da perda das ABVDS (atividades básicas de vida diárias), que envolvem atividades relacionadas ao autocuidado, como alimentar-se, banhar-se, vestir-se, arrumar-se, mobilizar-se, manter controle sobre suas eliminações; e avaliação de perda das AIVDS (atividades instrumentais de vida diárias), que denotam a capacidade do indivíduo para levar uma vida independente, abrange tarefas como preparar refeições, realizar compras, utilizar transporte, cuidar da casa, utilizar um telefone, administrar as próprias finanças, tomar seus medicamentos. Além desses, há diversos testes que serão discutidos adiante. É sempre bom lembrar que uma boa avaliação é de extrema importância pois o estado funcional do idoso é o maior preditor de morbidade e mortalidade. Os 5 Is da geriatria Iatrogenia: é um dos fatores mais importantes dentro da geriatria, pois grande parte dos idosos utilizam uma gama de medicamentos diariamente, o que constitui a polifarmácia, grande gerador de interações e efeitos adversos. Sabe-se que a partir do uso de três medicamentos, certamente, haverá interação entre eles. Alguns exemplos de efeitos adversos são: o anlodipino, que predispõe ao edema, o IECA, que predispõe à tosse, e chance de síndrome de Cushing por uso de corticosteroides.Incontinência urinária ou fecal:

Gabi Pulga

6 minhá 46 dias

A infertilidade e a síndrome dos ovários policísticos (SOP) | Colunistas

A infertilidade na síndrome dos ovários policísticos (SOP) é uma questão importante, pois gera sofrimento aos casais que desejam um bebê e não conseguem. Esse tema, de forma geral, tem ganhado espaço nas últimas décadas por conta do envelhecimento da população, da inserção da mulher no mercado de trabalho e do desenvolvimento de métodos contraceptivos, visto que isso permite que as mulheres façam um planejamento familiar e decidam ter filhos cada vez mais velhas. Como a infertilidade ocorre na SOP? Um casal é considerado infértil após 12 meses tendo relações sexuais desprotegidas sem gravidez. Essa condição pode ocorrer mediante diversos fatores, como alterações genéticas, endocrinológicas, imunológicas, idade, entre outros, sendo a SOP um desses fatores. Ela tem prevalência de 6 a 16% e é responsável por 80% dos ciclos anovulatórios. Esta síndrome causa infertilidade justamente pela anovulação, gerada pelas taxas elevadas de hormônio luteinizante (LH) e pela resistência à insulina. Mas também está relacionada a possíveis alterações endometriais em mediadores moleculares (moléculas de adesão celular, citocinas, fatores de crescimento e lipídios) que dificultam o processo de nidação nos casos em que há ovulação. É importante para a prática médica saber identificar esta síndrome precocemente e, nos casos em que há uma mulher com desejo de engravidar, saber direcioná-la para o melhor plano terapêutico. Quais os principais sinais e sintomas da síndrome? Disfunção menstrual Esse sintoma varia de amenorreia a oligomenorreia, chegando a menometrorragia episódica com anemia, quadro que geralmente ocorre por conta da anovulação presente na SOP, pois ela impede a produção de progesterona, ocasionando a menstruação. Além disso, os níveis elevados de androgênios podem neutralizar o estrogênio e produzir endométrio atrófico, o que resultaria na amenorreia.

Beatriz Joia

5 minhá 62 dias

MENOPAUSA | Colunistas

A menopausa é o nome dado à última menstruação, que geralmente acontece entre 45 e 55 anos, marcando o fim da fase reprodutiva da vida da mulher. Em outras palavras, isso significa que ela esgotou seu estoque de óvulos, que foram liberados desde a puberdade, mês a mês, ao longo de aproximadamente 30, 35 anos. O período que se segue após a cessação da menstruação é chamado de climatério. Os sintomas que marcam a entrada no climatério são semelhantes aos de uma TPM (tensão pré-menstrual), só que acentuada e prolongada. Na TPM, a sensação de inchaço no corpo e nas mamas, as fortes dores de cabeça ou enxaquecas, as alterações de humor (nervosismo, irritação, tristeza profunda e até mesmo depressão) podem manifestar-se ao longo de até quinze dias antes da menstruação. Do meio para o fim do climatério são comuns, ainda, a irregularidade nos ciclos e a variação do fluxo menstrual. Parte das mulheres que passam por esse período de climatério relata algum dos seguintes sintomas: ondas de calor e sudorese noturna, alteração no padrão do sono, ressecamento vaginal, diminuição da libido e sintomas depressivos (afirmam choro fácil, tristeza, desinteresse em fazer determinadas atividades). A partir disso, mudança no estilo de vida é a principal dica para passar por esta fase da melhor forma possível. O importante é a paciente reconhecer os sintomas e procurar orientação médica. Algumas mulheres chegam à menopausa precocemente, antes dos 40 anos, chama-se então de menopausa prematura ou precoce. E isso acontece por inúmeras causas, sendo as mais comuns a herança genética, a exposição ambiental a agressores (por exemplo, radiação quimioterapia), entre outras. Entretanto, se a mulher passou dos 55 anos e ainda não chegou à menopausa, deve ficar atenta. Normalmente esses casos são mais comuns em

Julya Pavão

3 minhá 62 dias

Escore Internacional de Sintomas Prostáticos e sua aplicação na HPB | Colunistas

Para que serve o IPSS? Sabe qual sua importância na prática clínica? Como utilizar deste escore para o manejo dos pacientes? Pois bem, logo abaixo vou te explicar direitinho o que é, por que utilizá-lo e como interpretá-lo, a fim de facilitar a prática clínica! O que é o IPSS? O Escore Internacional de Sintomas Prostáticos (IPSS – International Prostate Symptom Score), trata-se de um escore desenvolvido pela Organização Mundial da Saúde visando monitorar, diagnosticar e direcionar o tratamento de pacientes portadores de hiperpalsia prostática benigna. É um questionário autoaplicado, ou seja, a pontuação é feita de acordo com a percepção dos sintomas pelo paciente. Por quê utilizar o IPSS? A hiperplasia prostática benigna (HPB) é uma das patologias mais comuns em homens acima dos 50 anos e com o envelhecimento da população há um aumento da prevalência. Na HBP ocorre a hiperplasia das células epiteliais e do estroma da próstata, formando um tecido nodular adenomatoso, e esse aumento celular pode cursar com sintomas do trato urinário inferior, como polaciúria, noctúria ou tenesmo vesical.  Apesar de se tratar de uma doença benigna, o aumento prostático pode interferir na qualidade de vida dos pacientes e, quando não tratada, pode levar a retenção urinária, hidronefrose e insuficiência renal. Ao deparar-se com um paciente com sintomas sugestivos de HPB, durante a avaliação incial, a aplicação IPSS se faz imprenscindível para o reconhecimento de sintomas obstrutivos e irritativos, bem como a interferência da doença sobre a qualidade de vida dos pacientes – fator determinante na conduta médica. A partir do escore é possível determinar se o tratamento será expectante, farmacológico ou cirúrgico. Como utilizar o IPSS?

Verônica Kasper

4 minhá 62 dias

Síndrome da fragilidade no idoso: o que é preciso saber para um bom atendimento na APS | Colunistas

O processo de envelhecimento populacional acelerado em conjunto com o aumento da expectativa de vida deve despertar o olhar da sociedade para uma condição totalmente nova caracterizada por mudanças relacionadas às condições de saúde, morbidade e mobilidade dos idosos. Na atenção primária à saúde (APS), em especial, são observadas nítidas alterações no perfil epidemiológico, com elevação das doenças crônico-degenerativas e redução da incidência das doenças infectocontagiosas.  Diante deste novo panorama, a síndrome da fragilidade do idoso tem sido conceituada como uma condição clínica, diagnosticável, oriunda do declínio das reservas fisiológicas e funcionais destes pacientes em múltiplos sistemas, favorecendo a redução da tolerância fisiológica e psicológica.  Aspectos conceituais Dois modelos são conhecidos para abordagem e entendimento dos aspectos conceituais dessa síndrome, sendo eles o modelo fenotípico e o modelo de acúmulo de déficits.  No primeiro modelo, desenvolvido pela pesquisadora norte-americana Linda Fried, a fragilidade é tida como uma síndrome biológica com repercussão no aspecto físico do indivíduo. Neste modelo, um indivíduo é considerado frágil quando apresenta 3 ou mais dentre cinco componentes físicos identificados na avaliação clínica:  a) Perda de peso não intencional no último ano;  b) Fraqueza (baixa performance no hand-grip ou dinamômetro);  c) Exaustão (reportada pelo paciente);  d) Diminuição da velocidade de marcha;  e) Baixo nível de atividade física.  O segundo modelo, desenvolvido por Rockwood e Mitnitski, avalia a fragilidade através de um índice de fragilidade – o frailty index (FI), composto de 30 ou mais variáveis que correspondem a problemas de saúde acumulados ao longo do envelhecimento, podendo incluir comorbidades, fatores psicológicos, sintomas e incapacidades.  Diagnóstico  Por ser uma condição clinicamente diagnosticável, a literatura nos apresenta o

Camilla Mesquita

4 minhá 68 dias
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