Reação Hemolítica Aguda e suas ocorrências | Colunistas

Dentre o meio médico, a transfusão sanguínea é uma prática relativamente comum, sendo realizada em situações das mais diversas naturezas. Neste sentido, podemos dar como exemplo o paciente politraumatizado com perda sanguínea grande, nos momentos intra/pós-operatório ou, ainda, para suprir a necessidade de enfermidades que necessitem de reposição sanguínea, como a anemia. Durante estes procedimentos, uma das reações que podem ser provocadas pelo organismo, seria a chamada Reação Hemolítica Aguda ou Reação Hemolítica Transfusional Aguda (RHTA). A RHTA é definida como a hemólise dos eritrócitos do sangue circulante dentro das primeiras 24h pós-transfusão. Ela pode ocorrer devido à ativação do sistema de complemento, liberando enzimas proteolíticas, que rompem as membranas celulares das hemácias, que liberam enzimas proteolíticas, classificadas como hemólise intravascular; podendo ser extravascular também. Nestes casos, o principal anticorpo relacionado ao referido processo é a imunoglobulina M (IgM). Contudo, o principal mecanismo de reação da RHTA é a incompatibilidade ABO, tendo como seu fator causal,  erro durante o processamento da bolsa de sangue. É possível, também, que venha a ocorrer por uma reação imune à transfusão de plasma, sendo esta, porém, menos frequente. Existe, também, a possibilidade de ocorrência da denominada Anemia Hemolítica Autoimune (AIHA), a qual ocorre através da fixação de imunoglobulinas (IgG ou IgM) ou de proteínas do sistema de complemento na superfície da membrana das hemácias, produzindo uma reação hemolítica aguda, podendo ser também de início insidioso. Apesar das duas categorias de hemólises de caráter agudo ativarem o sistema de complemento do indivíduo, o que diferencia a RHTA da AIHA, é que a primeira é gerada pela reação imune pós-hemotransfusão, e a segunda é reativa pela exposição do paciente ao

Rebeca Riff

5 minhá 9 dias

Isquemia mesentérica | Colunistas

Anatomia As artérias responsáveis pela irrigação do trato gastrintestinal correspondem ao tronco celíaco; artéria mesentérica superior e inferior. O tronco celíaco origina-se da parede anterior da aorta, divindido-se em três ramos: artéria gástrica esquerda, hepática e esplênica, que irrigam o trato digestivo do estômago até o terço distal do duodeno. A artéria mesentérica superior emite os ramos jejunais; ileais; artéria ileocólica e artéria cólica que irrigam o intestino delgado, cólon ascendente  e transverso. A artéria mesentérica inferior emite os ramos que formam artéria cólica esquerda; média; artérias sigmoide e artéria retal superior.             Essas artérias estão interligadas por uma rede de vasos colaterais capazes de manter o fluxo adequado durante uma obstrução que se instala de forma gradual. A drenagem venosa é feita pela veia mesentérica superior, que se une à veia porta.  Epidemiologia A isquemia mesentérica é uma emergência vascular potencialmente fatal, com mortalidade em torno de 60 a 80% dos casos. A idade média dos pacientes varia entre 45 a 60 anos, com discreto predomínio no sexo masculino, e forte associação com doenças cardíacas, vasculares e trombóticas Achados clínicos A velocidade de instalação dos sintomas e gravidade da lesão intestinal é dada pela localização, extensão, presença de colaterais e a rapidez da formação de trombos e pontos isquêmicos. Em geral, os pacientes queixam-se de dor abdominal de forte intensidade, persistente, difusa e constante, pouco responsiva aos analgésicos habituais. Na doença embólica, o início é súbito, sem alterações significativas ao exame clínico. No quadro trombótico, o mais comum é a presença de dor abdominal, intermitente, pós-prandial e de início mais indolente. A tríade clássica: dor

Francielle Trindade

4 minhá 10 dias

COVID-19 e Diabetes Mellitus | Colunistas

A pandemia de COVID-19: No dia 31 de dezembro de 2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) foi notificada pela China da ocorrência de um surto de pneumonia na metrópole de Wuhan, capital da província de Hubei, na China. Em janeiro de 2020, as primeiras análises sequenciais do vírus (SARS-CoV-2) foram anunciadas pelas autoridades chinesas e pela OMS. Ainda em janeiro de 2020, a OMS decretou uma Emergência em Saúde Pública de Interesse Internacional. Já em 26 de fevereiro de 2020, no estado de São Paulo, tivemos o primeiro caso identificado no Brasil. Figura 1: Partículas do vírus SARS-CoV-2 em microfotografia em cores realçadas produzida por microscópio eletrônico. Fonte: https://www.nationalgeographicbrasil.com/photography/2020/03/fotos-de-microscopio-eletronico-mostram-particulas-do-virus-sars-cov-2 Com os diversos estudos realizados, foi possível concluir que uma parcela da população se enquadra no grupo de risco. As pessoas idosas, diabéticas, hipertensas, obesas e com doenças cardiovasculares que são infectadas pelo vírus, possuem uma chance maior de progressão para formas graves e, consequentemente, aumento da letalidade. Entendendo a Diabetes Mellitus (DM): A diabetes é uma síndrome metabólica caracterizada pela presença de hiperglicemia (níveis elevados de açúcar/glicose no sangue). É dividida em três tipos principais: Diabetes tipo 1 (autoimune): as células produtoras de insulina no pâncreas são destruídas e a glicose não consegue ser transportada para as células. É necessário que haja administração de insulina com o objetivo de prevenção de cetoacidose, coma e morte;Diabetes tipo 2: as células perdem a capacidade de utilizar corretamente a insulina, dessa forma, a glicose não entra na célula e se acumula no sangue, gerando uma resistência à insulina. É preciso que ocorra administração de insulina com o objetivo de controle do quadro hiperglicêmico. Atinge principalmente adultos e idosos;Diabetes gestacional: hiperglicemia diagnosticada na

Marina Pezzetti

4 minhá 17 dias

Hiperlipidemia: o que é, classificação, sintomas, complicações e tratamento | Colunistas

Os lipídios são essenciais para o organismo, pois participam da formação de algumas vitaminas e hormônios, além de ter papel estrutural na formação celular. Entretanto, alguns distúrbios podem alterar os níveis séricos dos lipídios como resultado de um aumento em qualquer das lipoproteínas. A dislipidemia, então, se caracteriza pelo nível de lípides circulantes aumentados na corrente sanguínea, principalmente o colesterol e triglicerídeos. Classificação da dislipidemia A dislipidemia pode ser classificada como primária ou secundária de acordo com as condições que levaram o indivíduo a desenvolvê-la. Dislipidemia primária A dislipidemia é considerada primária quando o distúrbio é de origem genética. As modificações genéticas podem promover deficiência na síntese de apoproteínas, falta de receptores, receptores deficientes ou defeitos no modo de lidar com a molécula de colesterol na célula. Hiperlipidemia secundária A hiperlipidemia secundária é decorrente de estilo de vida inadequado, de outros problemas de saúde ou pelo uso de alguns medicamentos. Pessoas com hábitos alimentares inadequados, como o excesso do consumo de gordura, principalmente saturada e gordura trans, por exemplo, tendem a acumular lipídios na circulação por consequência metabólica do excesso de tecido adiposo visceral e pela diminuição da expressão de receptores no fígado para algumas lipoproteínas. Mas, afinal, quais os sintomas da dislipidemia? A hiperlipidemia é uma doença silenciosa e dificilmente causa sintomas. Níveis de triglicerídeos quando demasiadamente altos (> 1.000 mg/dL) podem causar parestesia, dispneia e até confusão. Grandes concentrações de LDL podem também levar ao aparecimento de xantelasma, placas amareladas nas pálpebras. Entretanto, na maioria dos casos, o paciente hiperlipidêmico apresenta sinais e sintomas de uma complicação, uma vez que a hiperlipidemia está intimamente associada a inúmeras doenças dos mais variados sistemas.

Líbine Rafael Calado

5 minhá 19 dias

Uso de vírus para combater câncer ganha destaque na comunidade médica

Na última semana, fizemos um post contando a incrível história de um britânico de 61 anos que estava em estado terminal por causa de um linfoma de Hodgkin e se curou depois de ter COVID-19. O caso chamou a atenção da comunidade científica em todo o mundo e pode impulsionar pesquisas sobre o uso de vírus para combater câncer e outras doenças. É a chamada viroterapia, que usa a biotecnologia para converter os organismos em agentes terapêuticos para tratar doenças. “Não só a COVID-19, mas toda infecção viral, bacteriana, enfim, qualquer agressor externo ao nosso ambiente que seja estranho ao corpo pode despertar o sistema imunológico”, explicou o oncologista Raphael Brandão Moreira, em entrevista à CNN. Vírus treinado Apesar de raras, a literatura médica já descreveu outras situações de vírus que fortaleceram o corpo humano na luta contra o câncer e outras doenças. Um dos principais pesquisadores da viroterapia é o médico norte-americano Stephen Russel, presidente da Sociedade Americana de Terapia Genética e Celular. Ele e sua equipe pesquisam o tema há mais de vinte anos. Atualmente a equipe está realizando estudos clínicos de fase 1 que usam modificações dos vírus do sarampo, da estomatite vesicular (VSV), da coxsackie A21 (CVA21) e o mengovírus no tratamento de pacientes oncológicos. Em 2014, o grupo apresentou um caso em que uma mulher com mieloma múltiplo, um tipo incurável de câncer no sangue, entrou em remissão da doença após receber doses concentradas do vírus do sarampo, desenvolvido em laboratório. “Um vírus pode ser treinado para danificar especificamente um câncer e deixar outros tecidos do corpo ilesos”, declarou Russel à CNN.  Depois, os pesquisadores descobriram que o sucesso do tratamento experimental estava relacionado ao

Sanar

2 minhá 26 dias

O método auscultatório e os sons de Korotkoff | Colunistas

O método auscultatório é a forma rotineira e não invasiva utilizada para aferição das pressões arteriais sistólica e diastólica. Nele, um manguito é inflado na parte superior do braço, fazendo com que cada pulsação do ciclo da pressão arterial possa ser ouvida com o auxílio de um estetoscópio na artéria braquial. Esses sons são conhecidos como sons de Korotkoff, devido a sua descoberta pelo cientista russo Nikolai Sergei Korotkoff, em 1905. Figura 1. Nikolai Korotkoff (1874-1920)Fonte: INTROCASO, Luiz. História da medida da pressão arterial. Arquivos Brasileiros de Cardiologia. Volume 67 (nº 5). Brasília, DF. 1996. Histórico Os estudos relacionados à pressão arterial já estão presentes na medicina desde a época de Hipócrates (460 a.C.). Herófilo (300 a.C.) fundou a “doutrina do pulso”, na qual descreveu as pulsações e correlacionou a sístole e a diástole com sons musicais. Na mesma época, Erasistrato (310 a.C.), considerado o fundador da fisiologia, chegou à conclusão de que o “coração dá origem ao espírito vital que é levado pelas artérias a todas as partes do corpo”. Com o passar dos séculos, as pesquisas foram avançando, passando por diferentes técnicas de quantificação numérica de pressão arterial, inclusive chegando na criação no esfigmomanômetro, aparelho utilizado até hoje nas aferições. Então, no século XX, em 1905, Nikolai Korotkoff, apesar de relatar sobre o suprimento de sangue colateral, conseguiu relacionar as pressões sistólica e diastólica com as mudanças no fluxo laminar de sangue na artéria e, a partir disso, descreveu três sons auscultados: Baseado nas observações de que, sob completa constrição, a artéria não emite sons… O aparelho de Riva-Rocci é colocado no braço e sua pressão é rapidamente aumentada até bloquear completamente a circulação abaixo do manguito, quando não se ouve

Stephanie Liberatori

7 minhá 26 dias
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