Hidroxicloroquina e sua ineficácia na COVID-19 leve – estudo randomizado

Estudo randomizado mostra que hidroxicloquina não é eficaz na terapêutica de pacientes com casos leves de COVID-19, apresentando também efeitos adversos significativos. Com base na premissa de que não há terapias orais para a COVID-19 leve até o momento, em estágios precoces da doença, um estudo publicado na American College of Physicians, o “Hidroxicloroquina em adultos não hospitalizados com Covid-19 precoce”, avaliou o uso da hidroxicloroquina neste grupo de pacientes. Qual a importância desse estudo? Você já deve ter ouvido falar em outros estudos que concluíram o mesmo ponto. A questão é que este estudo é randomizado e duplo-cego. Um estudo randomizado é aquele no qual os pacientes são distribuídos aleatoriamente nos grupos de estudo (no caso, entre o grupo com uso de hidroxicloroquina e o grupo com uso de placebo). Assim, as variáveis confundidoras também se distribuem igualmente ao acaso! Como foi a metodologia? Os pacientes incluídos no estudo (N=423) foram aqueles com infecção confirmada pelo Sars-CoV-2 (81%) ou pacientes com alto risco de exposição (contato com paciente infectado) e suspeita clínica, ambos sintomáticos e não hospitalizados, com 4 dias de início dos sintomas. Um grupo de pacientes recebeu a hidroxicloroquina (uma dose de 800mg, seguida por 600mg em 6 a 8 horas, e então 600mg/ dia durante 4 dias) e o outro recebeu um placebo. O objetivo consistiu em avaliar a gravidade dos sintomas ao longo de 14 dias. O que concluiu o estudo? Ao longo dos 14 dias, não foi verificada diferença significativa no que concerne à gravidade dos sintomas entre o grupo que recebeu a hidroxicloroquina e

Yellowbook

1 min2 days ago

Como a pandemia do vírus Sars-Cov-2 afeta a formação dos futuros médicos do Brasil | Colunistas

Atualmente o mundo se encontra em meio a uma pandemia decorrente da disseminação rápida da COVID-19, doença infecciosa com complicações respiratórias causada pelo novo coronavírus humano, denominado SARS-CoV-2. Os infectados podem apresentar desde quadros clínicos de infecções assintomáticas até quadros respiratórios graves. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 80% das pessoas contaminadas podem ser assintomáticas e cerca de 20% dos casos são mais complexos, assim ocorrendo a necessidade de atendimento hospitalar. Então, para evitar que mais pessoas fossem infectadas, o governo aderiu a diversas medidas, as quais incluem o uso obrigatório de máscara e restrições quanto à circulação da população. Além disso orientações sobre higiene foram reforçadas, como lavar as mãos com frequência e o uso de álcool para descontaminação. Dessa forma, devido ao impedimento de locais de grande circulação de pessoas de funcionarem normalmente, as escolas e universidades foram afetadas, e suspenderam suas atividades presenciais. Métodos adotados de ensino a distância e sua eficácia para a graduação em medicina O ensino a distância (EaD) compreende uma modalidade educacional em que alunos e educadores estão separados, física ou temporalmente, assim, outros meios são utilizados para que o acesso à educação aconteça, como os meios tecnológicos de informação e comunicação. Tal método de ensino ganhou uma grande visibilidade pelo fato de não serem possíveis as aulas presenciais e também pela incerteza quanto à data da volta dessas atividades devido à pandemia da COVID-19. Assim, entrou-se em discussão no Brasil quais cursos superiores poderiam adotar essa forma de educação, para que não ocorressem muitos atrasos em seus calendários acadêmicos, o que se concluiu com a decisão do Ministério da Educação de que todos os cursos de graduação

Comunidade Sanarmed

5 min3 days ago

CASO CLÍNICO: Manifestação clínica da gonorréia | LIGAS

Área: Ginecologia Autores: Beatriz Pereira Magalhães, Cintia Mendes de Sousa Revisor(a): Beatriz Pereira Magalhães Orientador(a): Thiago Weiss Liga: Liga Acadêmica de Anatomia Humana e Cirúrgica (LAAHC-TO) Apresentação do caso clínico Paciente do sexo feminino, 27 anos, branca, secretária e procedente de Palmas, Tocantins, procurou a Unidade Básica de Saúde com queixa de dor durante o ato sexual e ao urinar acompanhada de corrimento vaginal, há uma semana. Paciente relata que há cerca de uma semana notou a presença de corrimento amarelado com cheiro forte e prurido, disúria, dispareunia e sangramento vaginal em algumas ocasiões. Nega comorbidades e alergias. Relata que a mãe é hipertensa e diabética. Ao exame físico paciente apresenta bom estado geral, lúcida e orientada em tempo e espaço, febril (38°C), acianótica, anictérica, hidratada, eupneica (FR=18 ipm), normocárdica (frequência cardíaca = 85 bpm) e normotensa (112×80 mmHg). Aparelho respiratório com murmúrio vesicular presente, sem ruídos adventícios. Aparelho cardiovascular bulhas normofonéticas e normorrítmicas em 2 tempos sem sopro. Abdome plano, flácido, ruídos hidroaéreos presentes, fígado e baço não palpáveis e indolor à palpação superficial e profunda. Aparelho genital com eritema e presença de corrimento. Paciente foi orientada a realizar exames laboratoriais para investigação de Neisseria gonorrhoeae. Os exames solicitados foram: esfregaço cervical por técnica de gram. Retornou à UBS após 15 dias com resultado do exame positivo para gonorréia. Foi conversado com a paciente sobre a medida de prevenção para doenças sexualmente transmissíveis, o uso de camisinha. O tratamento foi realizado com ceftriaxona 250mg intramuscular dose única. Questões para orientar a discussão      1. Quais as hipóteses diagnósticas? 2.  O que é

CASO CLÍNICO: Herpes labial | LIGAS

Área: Dermatologia Autores: Erasto Loesther Valentim Leal, Laryssa Ribeiro Cardoso Revisor(a): Beatriz Pereira Magalhães Orientador(a): Thiago Weiss Liga: Liga Acadêmica de Anatomia Humana e Cirúrgica (LAAHC-TO) Apresentação do caso clínico Paciente do sexo masculino, 22 anos, pardo, estudante e procedente de Porto Nacional, Tocantins, procurou a Unidade Básica de Saúde referindo prurido intenso na região perioral inferior direita há 4 dias acompanhado de febre e mal-estar geral. Assim, informa que há 2 dias manifestou pequena lesão no local do prurido. Relata suspeitar que o ocorrido procede após ter se envolvido com uma colega que apresentava a mesma lesão na boca. Nega alergias e outras comorbidades.    Ao exame físico paciente apresenta bom estado geral, lúcido e orientado em tempo e espaço, febril (38°C), acianótico, anictérico, hidratado, eupneico (FR=19irp) e normocárdico (frequência cardíaca = 90 bpm). Observa-se na região perioral rubor, inflamação e vesícula. Aparelho cardíaco: bulhas normofonéticas, ritmo cardíaco regular em 2 tempos, sem sopro audíveis. PA de 130/60 mmHg. AR: Murmúrio vesicular presente, sem ruídos adventícios. O paciente foi orientado a realizar os exames laboratoriais: hemograma para anticorpos de HSV, teste de anticorpo fluorescente direto das células extraídas de uma lesão e cultura viral da lesão. Após efetuado os testes, o paciente retornou à UBS com resultados positivos para herpes labial nos exames supracitados. A partir disso, o mesmo foi direcionado a evitar atividades e outros fatores conhecidos por originar as reincidências, como exposição ao sol sem protetor solar, evitar contato íntimo (beijo e sexo sem preservativo) e possuir utensílios para uso individual. O tratamento indicado foi o uso de Valaciclovir (Valtrex): 1 comprimido

Casos Clínicos: Meningite Tuberculinica | Ligas

Área: Neurologia/Infectologia/Radiologia Autores: Carolina Menezes e Lorena Fagundes Revisor(a): Stephanie Costa Orientador(a): Lara Cardoso Liga: Liga Acadêmica de Radiologia da Bahia (LARB) Apresentação do caso clínico Paciente, 13 anos, sexo masculino, estudante, católico, residente e natural de Salvador, foi admitido em ambulatório acompanhado pela mãe, a qual refere que o paciente sente dificuldade de movimentar pernas e braços associada ao aparecimento de manchas roxas há aproximadamente1hr. A mãe refere que na última hora, o paciente cursou com paresia associada a presença de petéquias e equimoses em MMII e MMSS. Também, relata que o filho teve febre o dia todo, sendo que há 2hr, teve febre de 38,6ºC, com 4 episódios de vômito “em jato” e há 6 dias, ele tem se queixado constantemente de cefaleia intensa e diurna. Ainda, refere que o filho apresenta artralgia, fotofobia e perda de peso, bem como que há 1 semana ele teve quadro gripal. A mãe afirma que na última hora o filho fez uso de antitérmico, analgésico e antiemético. A mãe relata ser HIV positiva e que o pai do paciente é hipertenso. Ela não sabe dizer se o paciente tomou todas as vacinas, pois perdeu quando ele tinha poucos meses. Mãe nega que o filho tenha feito cirurgia e feito transfusão sanguínea, bem como alega que o parto foi cesáreo e não houve quaisquer intercorrências durante gestação e em período pós-natal. Refere que o paciente tem dieta baseada em alimentos industrializados, mas que ele joga futebol todos os dias. Ainda, relata que ele mora com os pais e mais 4 irmãos, bem como afirma que as condições sanitárias não são boas onde

Edema Agudo Pulmonar na gestante em tempos de pandemia: COVID-19 ou pré-eclâmpsia? | Colunista

Desde o início do ano o mundo passa por um dos maiores desafios da humanidade: uma pandemia. Muitas informações se atualizam rapidamente, o que dificulta muito a abordagem clínica de casos que seriam “simples” – quem não saberia fazer um diagnóstico de gripe antes dessa pandemia de COVID-19? Esse caso clínico descreve uma paciente gestante com dispneia e dor pleurítica associados a pré-eclâmpsia. Vamos ao caso! História clínica Paciente de 27 anos, gestante G2Pn1A0 34s + 3d de gestação, buscou atendimento médico no dia 13/04/2020 queixando dispneia há 2 horas, tosse não produtiva e sudorese. Esses sintomas iniciaram-se há 2 horas, e a paciente também apresentava calafrios. O quadro clínico da paciente abria margem para vários diagnósticos possíveis, principalmente de acometimento pulmonar (pneumonia, derrame pleural, edema agudo de pulmão, etc.). Entretanto, sua história clínica aumentou em muito a hipótese do edema agudo de pulmão: era uma paciente diagnosticada com pré-eclâmpsia durante pré-natal e que apresentou em sua gestação passada iminência de eclâmpsia com interrupção da gestação por via alta. O grande fator de dúvida: COVID-19 Teoricamente tínhamos o quadro clínico todo montado para um edema agudo de pulmão por complicação a uma pré-eclâmpsia na gestante. Essa paciente receberia terapia anti-hipertensiva e seria discutida a interrupção da gestação – indução ou via alta. Entretanto, em tempos de coronavírus, todo caso clínico com sintomas respiratórios merece uma reavaliação. Desde março o Ministério da Saúde considera que todo o território nacional é de transmissão comunitária (PORTARIA Nº 454, DE 20 DE MARÇO DE 2020) e, portanto, todos nós somos potenciais transmissores do vírus. O Ministério da Saúde também definiu os casos que devem ser suspeitos de infecção pelo novo coronavírus: é

Cesario Vitor

1 min4 days ago

#AulaCoronavírus: Coronavírus e a Otorrinolaringologia | Ligas

O que é Coronavírus? Coronavírus é uma família de vírus RNA de fita simples, que podem infectar animais e seres humanos, causando doenças respiratórias, gastrointestinais, hepáticas e neurológicas.  O que significa ser um vírus de RNA? DNA e RNA são ácidos nucleicos de diferentes estruturas. Eles diferem no tipo de açúcar do DNA (Desoxirribose) e do RNA (Ribose). Além disso, as bases nitrogenadas do DNA (Adenina, Guanina, Citosina e Timina) diferem das do RNA em apenas uma (Uracila). Ou seja, o RNA é composto de Adenina, Guanina e Citosina assim como o DNA.  A imagem abaixo mostra a diferença entre o RNA e o DNA:  Fonte: https://romeo.if.usp.br/~browngon/03/RNA/diferenca.jpg?v=24y1xs5uq124jbz Qual o quadro clínico causado pelo novo Coronavírus (Sars-CoV-2)?   O quadro clínico varia de leve a grave. Pacientes leves (80% dos casos) apresentam sintomas semelhantes aos de outras doenças respiratórias, porém sem características radiográficas. Pacientes moderados apresentam febre, sintomas respiratórios e raio-X alterado. Pacientes graves podem ter dispneia, frequência respiratória maior que 30 incursoes respiratórias, saturação de oxigênio menor que 93% no ar ambiente e/ou PaO2/FiO2 menor que 300mmHg. Os pacientes críticos evoluem para insuficiência respiratória e/ou choque séptico e/ou falência de múltiplos órgãos.  Como é feito o diagnóstico?  Existem diversos métodos sendo utilizados no momento como a pesquisa do vírus por reação em cadeia de polimerase (PCR) de Swab nasal, teste rápido por fluorescência, imunocromatografia, teste de IgM/IgG, entre outros.  Qual a diferença de Coronavírus, COVID-19 e Sars-CoV-2?  Coronavírus é uma família de vírus, como explicado anteriormente. COVID-19 é o nome da doença causada pelo vírus dessa família

Doença do coronavírus 2019 (COVID-19) na gestante | Colunistas

Definição Causada pelo coronavírus 2, a COVID-19 é classificada como síndrome respiratória aguda grave (SARS-CoV-2). Trata-se de uma doença emergente com rápido aumento de casos e mortes desde sua primeira identificação em Wuhan, China, em dezembro de 2019. Os coronavírus causam doenças que variam em gravidade, do resfriado comum à doenças respiratórias graves e morte¹,². Seu período médio de incubação da infecção é de 5.2 dias, com intervalo que pode chegar até 12.5 dias. Ainda não existe tratamento ou vacina específicos para essa doença [3]. Modo de transmissão Acredita-se que a transmissão interpessoal de SARS-CoV-2 seja semelhante à transmissão de influenza e outros patógenos respiratórios; gotículas respiratórias são formadas quando uma pessoa infectada tosse ou espirra e essas gotículas são inaladas por contatos próximos, geralmente em 1,5 metros. Estudos apontam que a transmissão fecal-oral também é possível.[1] Não está clara a transmissão através de fômites. Transmissão vertical Até o momento, o SARS-CoV-2 não foi detectado no sangue do cordão umbilical, líquido amniótico ou placenta¹. Em análises que incluíram até 51 mulheres grávidas com COVID-19, nenhum caso de transmissão intrauterina foi documentado. Muitos desses bebês nasceram de parto cesariana e tiveram culturas nasofaríngeas positivas para SARS-CoV-2 nos primeiros dias de vida, um nível elevado de imunoglobulina M (IgM) e/ou pneumonia. Contudo, resultados de IgM+ não evidenciam a ocorrência de infecção intrauterina e, em muitos desses casos, a infecção precoce do bebê pode ter sido causada por contato com pais ou cuidadores infectados após o nascimento. Quadro clínico Síndrome gripal: febre ou calafrios, tosse nova e falta de ar;

Lívia Brito

6 min10 days ago

Radiologia na COVID-19 | Colunistas

Introdução A COVID-19 é uma doença infecciosa causada pelo coronavírus da síndrome respiratória aguda grave (SARS-CoV-2). Os coronavírus (família Coronaviridae) são vírus de RNA de fita simples envelopados, encontrados em humanos, mamíferos e aves, e responsáveis por doenças pulmonares, hepáticas, do sistema nervoso central e intestinal. O SARS-CoV-2 é zoonótico, como em muitas doenças em seres humanos. Por sequência genética, o coronavírus animal mais próximo é o coronavírus do morcego, sendo este a provável origem do vírus em humanos. Os primeiros casos de COVID-19 ocorreram na cidade Wuhan, China, em dezembro de 2019, antes de se espalharem mundialmente. Entre as epidemias causadas pelo coronavírus estão também a epidemia da síndrome aguda respiratória grave (SARS), em 2002-2003, e a epidemia de síndrome respiratória do Oriente Médio (MERS) em 2012. Apesar de ter surgido por animais, a COVID-19 não é considerada uma zoonose direta, visto que sua principal transmissão é entre humanos. A doença é transmitida por meio de gotículas das secreções da via aérea superior das pessoas infectadas, ao espirrar ou tossir, por exemplo. As gotículas podem ser inaladas, atingir diretamente as mucosas do nariz, olho ou boca, ou se depositar em objetos e superfícies que podem infetar quem nelas toquem e levem as mãos às mucosas citadas. O vírus SARS-CoV-2 afeta, sobretudo, os pulmões, infectando as células a partir da ligação de sua proteína S ao receptor da enzima conversora de angiotensina 2 (ECA2). Esta enzima é comumente encontrada nas células alveolares do tipo II dos pulmões. Assim, ao entrar nas células pulmonares, inicia-se o processo de replicação viral e produção de proteínas que inibem o sistema imunológico. Cada célula infectada pode

Lucas Albuquerque

6 min15 days ago
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