Pulso de Corrigan: O quê? Como? Quando? | Colunistas

Hoje, falarei um pouco do pulso de Corrigan, também chamado de pulso em martelo d’água ou pulso magno célere, característico da insuficiência aórtica. A palpação dos pulsos arteriais é atributo do exame físico do aparelho cardiovascular de qualquer bom examinador. Ao realizar a palpação dos pulsos, devemos avaliar, resumidamente: inspeção, palpação (frequência, duração, amplitude, simetria), ausculta e relação com o ritmo cardíaco. Podem ser obtidas informações relevantes do quadro clínico do paciente, que contribuem para a avaliação da estabilidade clínica ou mesmo diagnóstico de emergências médicas. Alterações no pulso podem ser percebidas em diversas cardiopatias e valvopatias, como o pulso bisferiens, pulso paradoxal, parvus et tardus, dicrótico, alternas e magno célere (ou pulso de Corrigan, que será abordado hoje). Insuficiência aórtica A insuficiência aórtica é uma das valvopatias mais comuns na prática clínica e é caracterizada por defeito durante o fechamento valvar no período diastólico, manifestando-se com sopro diastólico aspirativo, em decrescendo. Pode ser decorrente de doença valvar (sendo uma das principais causas a doença reumática) ou de doenças na aorta ascendente (por exemplo, a dissecção aórtica). O quadro clínico pode ser assintomático, mas o exame físico pode evidenciar, além do sopro, pressão arterial divergente, sinais de hipertrofia do ventrículo esquerdo (como desvio do ictus), pulso de Corrigan e aumento da pressão de pulso (que se reflete em diversas regiões do corpo, gerando achados com diversos epônimos, como o sinal de Traube, sinal de Duroziez, sinal de Müller, sinal de Minervini, sinal de Quincke, etc.). Nos estágios mais graves e tardios, podem haver sintomas de insuficiência cardíaca e congestão, como dispneia e angina. A insuficiência aórtica não se esgota por aí, mas fica de assunto para outro dia. Por ora,

João Victor Weber

4 minhá 4 dias

Escore de Gleason: avaliação do grau histológico do câncer de próstata | Colunistas

O Escore de Gleason, definido pelo médico patologista Dr. Donald Gleason na década de 1960, é um sistema que avalia o grau histológico do câncer de próstata, doença comum em homens mais velhos, entre 65 e 75 anos de idade. Microscopicamente, possuem diferenciação variável e a estratificação através do escore correlaciona o estágio patológico e prognóstico. O diagnóstico é feito por diversos exames, como toque retal, biópsia, PSA, ultrassonografia e estudo histopatológico. O estudo histopatológico do tecido obtido pela biópsia da próstata é indicado quando há anormalidades no toque retal e/ou na dosagem do PSA. A escala classifica a citoarquitetura tecidual ao microscópio em pequeno aumento, baseado na diferenciação glandular, em 5 graus distintos, sendo nessa graduação as células do câncer comparadas às células prostáticas normais. Dessa forma, o grau 1 é o mais bem diferenciado e menos agressivo, possuindo melhor prognóstico, e o grau 5 é o menos diferenciado e mais agressivo, com pior prognóstico. O escore tem como objetivo identificar a provável taxa de crescimento e tendência à disseminação da doença. Tabela 1: Grau e suas características Grau 1Células uniformes e pequenas, formação de glândulas regulares, pouca variação de tamanho e forma, com bordos bem definidos, densamente agrupadas, distribuídas homogeneamente e com pouco estromaGrau 2Células variam mais em tamanho e forma, glândulas uniformes frouxamente agrupadas e com bordos irregularesGrau 3Células variam ainda mais em tamanho e forma, glândulas muito pequenas, uniformes, anguladas ou alongadas, individualizadas e anarquicamente espalhadas pelo estroma. Podem formar massas fusiformes ou papilíferas, com bordas lisasGrau 4Muitas células fusionadas em grandes massas amorfas ou formando glândulas irregulares, distribuídas anarquicamente, com infiltração irregular e invasão de tecidos adjacentes. As glândulas podem apresentar células pálidas e grandes, com padrão hipernefroideGrau 5Tumor anaplásico. Células agrupadas em grandes massas com

Stephanie Seif

4 minhá 4 dias

A discussão em torno da vacinação para a COVID-19 | Colunistas

Mesmo após mais de um ano do primeiro caso relatado na China, temos que entender que tudo sobre a COVID-19 continua sendo novo e principalmente urgente. Nesse contexto, também se enquadram as vacinas, sendo sua busca uma esperança para vencermos a pandemia. Há um grande otimismo em relação às vacinas como forma de controle da pandemia, fato decorrente do sucesso de grandes programas de vacinação para diversas outras doenças, como poliomielite, atualmente presente em apenas 2 países, varíola, erradicada do mundo, e sarampo, que, apesar de surtos recentes, já houve períodos em que encontravam-se zerados os casos no Brasil1. As três doenças citadas são alguns dos motivos para o otimismo presente, todavia o cenário não é tão positivo assim. Os desafios que encontramos atualmente ultrapassam o limite do coronavírus e estão presentes na “viralização” de conteúdos falsos na internet. A onda das fake news não para de crescer e, de acordo com o projeto CoronaVirusFacts Alliance, entre 24 de janeiro e 1º de setembro de 2020 mais de 8,6 mil postagens com informações falsas sobre a COVID-19 já haviam circulado por todo o mundo. O projeto pode ser acessado pelo link a seguir, sendo uma ótima forma de avaliar a veracidade das notícias (https://www.poynter.org/coronavirusfactsalliance/). À vista do contexto retratado, é evidente que, com as vacinas, tal cenário não seria diferente, e as fake news já estão presentes, aumentando a desconfiança que já se instalava em torno da vacinação para a COVID-19. Soma-se a esse cenário o fenômeno de hesitação vacinal que vivíamos anteriormente à pandemia. Diante disso, é fundamental compreendermos a importância da vacinação, os problemas que essas notícias falsas podem gerar e, por fim, o básico das vacinas mais avançadas e promissoras, de modo que

Giovane Rossi

10 minhá 4 dias

Sinal de Kernig: Funcionalidades e Interpretação | Colunistas

Introdução             A semiologia é a área da saúde que estuda os sinais e sintomas relacionados às doenças humanas. Estes sinais, por sua vez, orientam a conduta médica e, ao serem encontrados no exame físico, é necessário o devido conhecimento para que o profissional da saúde chegue ao diagnóstico correto. Um destes sinais é o sinal de Kernig, muito importante na prática médica em vários cenários patológicos. Neste artigo, iremos abordar as várias funcionalidades deste teste e iremos aprender de maneira simples como interpretá-lo mediante o quadro clínico apresentado pelo paciente. O sinal de Kernig é um sinal semiológico que possui diversas utilidades, aplicando-se à pesquisa de entidades patológicas de diferentes etiologias. Funcionalidades             As funcionalidades do teste de Kernig podem ser várias, mas vamos nos deter às mais usuais. Entre elas, o teste de Kernig pode ser encontrado no exame do sistema locomotor, através de quadros de lombociatalgia. Além disso, também podemos encontrá-lo em traumas, quadros de irritação meníngea, hérnias de disco e hemorragias subaracnóideas. Anatomia             O teste de Kernig envolve estruturas relacionadas com a medula espinhal, suas raízes nervosas e as vértebras da região.             O nervo isquiático, também chamado de nervo ciático, é o maior nervo do corpo humano e faz parte do plexo sacral, um aglomerado de raízes nervosas que suprem a região pélvica do tronco. O nervo isquiático é tão grande que recebe da artéria glútea inferior um ramo específico, a artéria para o nervo isquiático. Este nervo atravessa o forame isquiático maior, geralmente inferior ao músculo piriforme, para entrar na região glútea, conforme representado na figura 1. Figura 1. Nervo isquiático Fonte: NETTER, 2000

Adrielly Lohany Barros

5 minhá 4 dias

Choque: saiba o que é e quais são seus tipos | Colunistas

É muito comum no meio médico a expressão “paciente chocado” ou “paciente chocou”, e certamente você já escutou essa frase em algum momento da sua vida. Mas o que, de fato,o significa isso? Nesse post, vamos tratar os principais aspectos do estado de choque e você não ficará desinformado. Vamos lá! Definição O termo choque refere-se ao estado de hipoperfusão orgânica efetiva generalizada, ou seja, as células não recebem o aporte de oxigênio necessário para manter a sua homeostase. A perfusão efetiva de um órgão ou tecido depende de dois fatores: Fluxo sanguíneo total para este órgão;Distribuição adequada deste fluxo, através do órgão ou tecido, de forma que todas as suas células recebam um suprimento adequado de oxigênio. É importante ter em mente que choque não é sinônimo de hipotensão arterial, pois isso refere-se a uma PA sistólica menor que 90 mmHg. Nem todo paciente hipotenso encontra-se em choque; e nem todo paciente com choque tem PA sistólica menor que 90mmHg. Tipos de choque O choque possui várias causas e pode ser classificado em quatro categorias, de acordo com o mecanismo predominante responsável pela hipoperfusão orgânica generalizada. Choque hipovolêmico: Ocorre devido à redução do volume sanguíneo em relação ao espaço vascular total, levando à queda das pressões e volumes de enchimento diastólico ventricular. Choque cardiogênico: Ocorre devido à falência da bomba cardíaca, seja pela perda contrátil, seja por um problema estrutural intracardíaco, levando ao aumento das pressões e volumes de enchimento diastólico ventricular. Disfunção sistólica: altera a contratilidade. Há redução do débito cardíaco, do volume sistólico e da PA, resultando em redução da perfusão

Amanda Labadessa

4 minhá 4 dias

Desenvolvimento Motor Fino: a habilidade do cirurgião | Colunistas

“E com a lâmina cortante em mãos – número 10 – o cirurgião assume a empunhadura de lápis, fazendo uma incisão precisa e suficientemente delicada naquela que tem tudo para ser uma bem sucedida cirurgia.” Cenas como  essa seriam impossíveis sem aquilo que conhecemos como motricidade fina: capacidade de executar movimentos precisos com controle e destreza, como por exemplo, manusear um bisturi. O desenvolvimento motor Desde o momento de nossa concepção até o término da vida estamos em constante desenvolvimento, com destaque para os 10 primeiros anos – etapa em que ocorre a maior parte dessas mudanças – especialmente no que tange ao desenvolvimento motor. Este, por sua vez, é dividido em dois grandes grupos:  Fatores de Influência Estudos apontam que o desenvolvimento motor sofre influência de inúmeros fatores, como o ambiental, sendo observado que indivíduos inseridos em ambientes ricos em estímulos têm o desenvolvimento motor favorecido, especialmente as habilidades motoras finas. Nesse contexto insere-se, ainda, o fator sociocultural que determina, por exemplo, quais aptidões serão mais estimuladas e, consequentemente, mais desenvolvidas em detrimento de outras. Em contrapartida, nascimento pré-termo, síndromes genéticas e outras condições podem interferir negativamente no desenvolvimento da motricidade fina, possivelmente afetando a participação das crianças em tarefas como vestir-se, alimentar-se e brincar. Motricidade fina Quando falamos especificamente do controle motor fino, este permite a coordenação de sistemas (ósseo, muscular e nervoso) que, de forma integrada, possibilitam a execução de movimentos essenciais para a vida individual e em sociedade, como vestir-se, amarrar o cadarço e escrever, sendo este último considerado como o ato motor mais fino realizado pela espécie humana.   O desenvolvimento da habilidade motora fina ocorre de forma acentuada na primeira infância, grande

Lara Brito

3 minhá 4 dias
Filtrar conteúdos
Filtrar conteúdos
Materiais
Ciclos da medicina
Política de Privacidade. © Copyright, Todos os direitos reservados.