Sequenciamento viral e novas variantes da covid-19 | Colunistas

No final de 2019, o novo coronavírus, chamado de síndrome respiratória aguda grave de coronavírus 2 (SARS-CoV-2), surgiu na cidade de Wuhan, na China, e, desde então, novas variantes da covid-19 foram descobertas, apresentando grande potencial transmissor. Como outros vírus, o SARS-CoV-2 evolui com o tempo, por meio de mutações no seu genoma, e ganha atenção devido ao importante impacto mundial no aumento do número de casos e nas implicações clínicas, portanto, causadas. Algumas linhagens já identificadas serão abordadas de forma sucinta neste texto, a fim de trazer maior compreensão sobre o tema. Virologia e transmissão             Os coronavírus são vírus de RNA de fita positiva com envelope. O sequenciamento do genoma completo indicou que o tipo causador da COVID-19 é um betacoronavírus, do mesmo subgênero do vírus da síndrome respiratória aguda grave (SARS). Assim como, apresentou semelhança com dois coronavírus de morcego, sugerindo que essa tenha sido a fonte primária de transmissão. O SARS-CoV-2 entra na célula do hospedeiro ligando sua proteína spike no receptor ACE2 (enzima conversora de angiotensina 2) (Figura 1). Frente a isso, hoje já são mais de 100 milhões de casos confirmados no mundo, sendo a transmissão de pessoa a pessoa a principal forma de disseminação da doença. Isso ocorre, através de gotículas respiratórias, quando o indivíduo tosse, espirra ou fala, se o vírus entrar em contato direto com as mucosas da outra pessoa. Além disso, ao tocar em uma superfície contaminada e levar as mãos aos olhos, nariz ou boca, também pode haver contágio. Variantes importantes Diversas variantes do SARS-CoV-2 estão circulando globalmente. A maioria das mutações no genoma SARS-CoV-2 não tem impacto na função viral. Contudo, algumas variantes possuem alterações na proteína

Izabel Tróia

3 minhá 4 dias

Vacina de dose única da Johnson & Johnson | Colunistas

A vacina não é da Johnson & Johnson Primeiramente, a vacina não é da Johnson & Johnson (J & J). Na verdade, a vacina é da companhia farmacêutica Janssen. A Janssen-Cilag Farmacêutica, ou Janssen-Cilag, é uma companhia farmacêutica fundada em 1953 em Beerse, Bélgica, pelo Dr. Paul Janssen. A companhia foi criada não como subsidiária de uma indústria química, mas sim como um instituto de pesquisa farmacológica.  Em 1961, Janssen Farmacêutica uniu-se ao grupo empresarial Johnson & Johnson.  Seu foco de atuação se dá na área de: Cardiovascular e Metabolismo, Imunologia, Doenças Infecciosas e Vacinas, Neurociências, Oncologia e Hipertensão Pulmonar. Atualmente, a Johnson & Johnson se associou à Autoridade de Pesquisa e Desenvolvimento Biomédico Avançado dos EUA (BARDA), na tentativa de acelerar o progresso da vacina, e tem colaboração de pesquisa com o Beth Israel Deaconess Medical Center, parte da Harvard Medical School e o Instituto Rega de Pesquisa Médica (KU Leuven / Universidade de Leuven), na Bélgica. Anúncio da vacina A Johnson & Johnson anunciou no dia 29 de janeiro de 2021 que sua vacina contra a covid-19 obteve 72% de eficácia na prevenção da doença nos Estados Unidos e alcançou uma taxa um pouco menor, de 66%, globalmente em testes mais amplos realizados em três continentes (incluindo os países: Argentina, Brasil – nos estados São Paulo, Bahia, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e Santa Catarina –, Bélgica, França, Alemanha, Holanda, Chile, Colômbia, México, Peru, Filipinas, África do Sul, Ucrânia, Espanha, Reino Unido e Japão) e com variantes múltiplas do vírus. Para tal resultado, realizou-se um teste com

Mel Amorim

7 minhá 4 dias

Exigência do uso de N95/PFF2 em países europeus | Colunistas

Sabe-se que o uso correto de máscara é uma medida de proteção significativa nas doenças respiratórias, especialmente na COVID-19. A prevenção tem como base a proteção coletiva, uma vez que pessoas infectadas podem ser assintomáticas. Nestas doenças respiratórias, as máscaras utilizadas eram as cirúrgicas e de grau médico (N95, PFF2 e similares), mas, devido à grande demanda durante a pandemia, a organização mundial de saúde (OMS) difundiu a ideia de confecção de máscaras de pano. Entretanto, países europeus vêm mudando suas percepções diante desta orientação, através da implementação do uso de máscaras N95 e PFF2. Imagino que você deve estar se perguntando: será que o uso de máscaras caseiras foi realmente efetivo na diminuição de casos? E por que essas mudanças ocorreram após um ano, desde o começo da pandemia? Transmissão Na primeira onda do COVID-19, as autoridades da saúde enfatizavam a transmissão por superfície contaminada e por gotículas (> 5 micrômetros) eliminadas pela fala, tosse, espirros e pela respiração. Na busca de limitar o contágio, o álcool em gel e a máscara caseira eram grandes aliados, mas pouco se sabia sobre a transmissão por aerossóis (< 5 micrômetros) no contexto dessa doença. No fim de 2020, estudos revisaram as formas de transmissão e identificaram que quanto menor a exposição a aerossóis menor seria a contaminação e propagação do vírus. Deste modo, a forma mais adequada se faz com usos de máscaras de grau médico em combinação com outras medidas de saúde pública. Máscaras: diferenças e como funcionam No mercado há diversas máscaras com padrões equivalentes, ou seja, dispõem de alta porcentagem de proteção. Mas qual é realmente a diferença? A PFF2 segue a

Ana Zorek

4 minhá 4 dias

VACINA EM SPRAY 100% BRASILEIRA | Colunistas

USP e InCor desenvolvem vacina em spray que poderá chegar ao mercado em um ano e meio. Vacina 100% brasileira em spray nasal Para aqueles que têm pavor de agulhas e sonham com a imunização contra a COVID-19, essa vacina será muito bem-vinda. Está sendo estudada uma vacina em spray nasal 100% brasileira de eficácia local, feita pelos pesquisadores da USP em parceria com InCor. Segundo Dr. Jorge Kalil (professor e diretor do Laboratório de Imunologia do Incor, da Faculdade de Medicina da USP), a vacina fortalecerá o sistema respiratório desde a mucosa nasal até o pulmão, atacando o vírus em sua porta de entrada no organismo humano – já que são órgãos de choque –, assim a vacina impedirá a colonização do vírus no local da aplicação. Essa vacina está sendo desenvolvida desde abril de 2020 e já foram feitos estudos em camundongos. Na primeira fase, já apresentou bons resultados nesses testes, agora irá para a próxima fase, a aplicação em humanos. A equipe criou a proteína Spike (uma das estruturas que compõem o vírus), e uma nanoparticula em laboratório e a aplicou em 220 pacientes convalescentes (pessoas que já tiveram a doença) para definir aspectos da resposta imune e assim melhorar sua eficácia no organismo. De acordo com o professor, Dr. Jorge Kalil, a meta é que os testes em seres humanos comecem este ano, e que esteja no mercado em um ano e meio. A vacina está sendo voltada para o SUS, e sua forma poderá ser aplicada em 4 doses (2 em cada narina) com intervalo de alguns dias. A vacina também é de fácil armazenamento, podendo permanecer em temperatura ambiente e poderá ser facilmente adaptada

Rainara Lúcia D'Ávila

2 minhá 4 dias

Manifestações e complicações neurológicas da COVID-19 | Colunistas

     Ao falar em sintomas da Covid-19 é comum ouvirmos frases como “perdeu o paladar e o olfato? Covid na certa!”, essa é apenas uma das manifestações e complicações neurológicas que a doença pode apresentar. A taxa de ocorrência dessas complicações é maior em pacientes graves e hospitalizados, embora a busca de sintomas seja dificultada pela falência cardiorrespiratória e disfunção cognitiva, que leva os pacientes à intubação. Especialmente, para nós brasileiros, o assunto é motivo de curiosidade, visto que há alguns anos presenciamos as complicações neurológicas do Zika vírus, o que deixa apreensão de que algo semelhante ocorra com o Coronavírus. Vamos conhecer as principais complicações e manifestações nesse cenário e como elas ocorrem? Patogênese       As lesões decorrentes da Covid possuem mecanismos variados, sendo oriundas da resposta inflamatória sistêmica e hipoxemia ou lesão direta pela infecção viral. Dentre os mecanismos indiretos, podemos citar o estado pró-inflamatório, caracterizado pela elevação de citocinas inflamatórias (TNF-alfa e IL-6, principalmente) e marcadores como D-dímero e ferritina. Os altos níveis dessas substâncias podem levar a alterações nos níveis de consciência, além de favorecer um estado pró-trombótico, culminando num risco aumentado para AVC e outros eventos de mesma natureza.      Outro fator sistêmico que pode estar relacionado à patogênese é a atividade alterada do sistema Renina, Angiotensina e Aldosterona, já que o vírus utiliza como porta de entrada o receptor ACE2, da enzima conversora de angiotensina, através da ligação da proteína Spike 1 presente no vírus, ao receptor, presente na célula. O cérebro expressa esses receptores nos neurônios e células da glia, que se tornam possíveis locais de infecção, levando a encefalites, mielites e doenças desmielinizantes.      Existem evidências de que o vírus pode invadir diretamente o SNC, como a presença de disseminação em amostras de LCR em pacientes

Sthefany Indiara

5 minhá 4 dias

Atrofia Muscular Espinhal (AME) | Colunistas

Nos últimos meses as redes sociais se tornaram palco de uma corrida contra o tempo para algumas famílias, você já deve ter visto ou até mesmo ajudado as diversas campanhas de arrecadação para comprar o remédio mais caro do mundo. Custando cerca de 12 milhões de reais, o Zolgensma é usado para neutralizar em crianças de até dois anos de idade os efeitos da atrofia muscular espinhal (AME). Definição A amiotrofia espinhal abrange um conjunto de doenças de herança autossômica recessiva, caracterizado pela degeneração gradativa dos neurônios motores no corno anterior da medula e dos núcleos de nervos cranianos. Essa é a segunda desordem fatal mais comum com esse caráter genético, perdendo apenas para a fibrose cística.  Quadro clínico A perda progressiva dos motoneurônios alfa prejudicam apenas a função da motricidade, preservando os neurônios sensoriais. Isso leva à fraqueza e à atrofia simétrica dos músculos voluntários proximais das pernas e dos braços, podendo atingir os músculos do tronco com a progressão da doença. Alguns aspectos clínicos incomuns são vistos na AME, a exemplo do padrão de distribuição da fraqueza muscular, que é mais compatível com uma desordem miopática do que neurogênica, não ocorrendo uma distribuição homogênea da fraqueza e atrofia muscular. A mortalidade e a morbidade são diretamente relacionadas com a idade do início das manifestações. As crianças com o subtipo mais grave (AME tipo I), podem não apresentar sinais ao nascimento, mas em poucos meses abrem um quadro de fraqueza muscular. A maior frequência de óbito ocorre nos casos de início mais recente e a principal causa são as infecções respiratórias. Classificação A doença é classificada de acordo com a gravidade e o

Flávia Shwenck

4 minhá 4 dias
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