Glomérulo renal | Colunistas

Introdução Achados como proteinúria e hematúria, no sumário de urina, te fazem pensar em sinais de alerta para doenças renais? Já ouviu falar em síndromes nefróticas, síndromes nefríticas ou em glomerulonefrites? Todos esses conceitos são decorrentes de falhas associadas a uma das principais estruturas responsáveis pela homeostasia do corpo: o glomérulo renal. O que é o Glomérulo renal? A urina é o meio de excreção dos resíduos corporais, bem como também da água, eletrólitos e não eletrólitos em excesso no organismo. Produzida nos rins, é conduzida pelos ureteres até a bexiga, na qual é armazenada para que seja eliminada através da uretra. No entanto, o que determina a composição da urina são os inúmeros processos de filtração, absorção e secreção que ocorrem nas unidades funcionais dos rins: os néfrons. Estruturas que, por sua vez, são formadas pelo corpúsculo renal (ou de Malpighi) – constituído da associação entre glomérulo, cápsula de Bowman e mesângio – e por um conjunto de túbulos e tubos com propriedades e funções específicas. O glomérulo renal consiste na principal unidade de filtração sanguínea, que irá auxiliar na reabsorção de líquidos e solutos, concomitantemente à formação da urina. Ele é formado por um tufo de capilares fenestrados que são originados de subdivisões da arteríola aferente, no momento em que penetra no polo vascular do corpúsculo renal. Dessa maneira, o sangue arterial chega ao glomérulo por meio da arteríola aferente, circula pelas alças de capilares, onde é filtrado, e retorna à corrente sanguínea pela arteríola eferente, também pelo polo vascular; enquanto isso, os líquidos e substâncias que atravessam a barreira de filtração glomerular para o espaço capsular são captados pelo túbulo contorcido proximal, no polo urinário, para, futuramente, serem reabsorvidos ou

Maria Beatriz Neves

7 minhá 43 dias

Classificação de Bosniak | Colunistas

Criada por Bosniak, a classificação permitiu a padronização da descrição e conduta de lesões císticas renais. No entanto, se torna imprescindível a exclusão de outras etiologias possivelmente associadas, de origem infecciosa, inflamatória e/ou vascular. Bosniak, quem? Dr. Morton A. Bosniak (1929 – 2016), radiologista responsável pela criação da classificação, nasceu em 13 de novembro de 1929. Graduou-se pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts e recebeu seu diploma médico pela Universidade de Nova York – Downstate Centro Médico. Bosniak foi responsável pela criação da primeira sociedade de imagem abdominal nos Estados Unidos. Atuou como presidente da Sociedade de Uroradiologia e recebeu diversos prêmios. Publicou (apenas, rs) 140 artigos originais e diversos capítulos de livros; servindo como mentor e modelo para diversos médicos. Então, já deu pra entender a importância dele, não é mesmo? Classificação de Bosniak Histórico Dentre os diversos artigos escritos por Bosniak, um deles foi escrito no final da década de 1980 e propusera a classificação das lesões renais de aspecto cístico, que seria baseada nas imagens adquiridas via tomografia computadorizada. Inicialmente, a classificação foi associada à tomografia computadorizada, mas foi estabelecida a possibilidade de uso da ressonância magnética para avaliação e classificação das massas císticas ao longo dos anos. A partir de 1990, Bosniak e colaboradores alteraram a classificação e introduziram uma quinta categoria (IIF – ‘F’ de follow up) justamente para contemplar aquelas lesões complexas em que se apresentava uma dificuldade de classificar como II ou III.  Por que? Alguns fatores que influenciaram a proposta de classificação foram a falta de padronização da caracterização das imagens e, consequentemente, das

Nicole Sena

6 minhá 44 dias

Fisiologia Renal | Colunistas

Fisiologia renal é a parte dos estudos dos rins, órgão encontrado aos pares no organismo humano e localizado na cavidade abdominal logo abaixo das costelas. Os rins fazem parte do sistema urinário, responsável pela produção de urina, o principal produto de excreção do organismo.  Funções: Filtração do sangue;Regulação do líquido extracelular, eliminando-o para que o volume normalize, e da pressão sanguínea;Regulação da osmolalidade: controlando a concentração de eletrólitos e solutos;Manutenção do equilíbrio iônico: mantendo a concentração adequada dos íons;Regulação do pH: controlando a acidez do plasma. Se esse estiver ácido, trabalha removendo H+ para que a concentração de HCO3- sobressaia. E se estiver alcalino é necessário conservar H+ para a manutenção do equilíbrio de potencial hidrogeniônico do plasma;Excreção de subprodutos metabólicos que possam ser tóxicos para o organismo;Apesar de não serem glândulas, os rins produzem e secretam alguns hormônios, como a eritropoetina, que atua regulando a produção de glóbulos vermelhos, e a renina, que atua na regulação da pressão sanguínea a partir do sistema renina – angiotensina II – aldosterona.  Anatomia Imagem 1 – Fonte: Toda Matéria O rim é formado por uma parte mais externa (1. Córtex) e uma parte mais interna (5. Medula). O conjunto de medulas forma as pirâmides renais; cada uma dessas é constituída por um sistema com milhares de túbulos microscópicos: os néfrons, estruturas funcionais dos rins. São esses corpúsculos renais os responsáveis pela filtração do sangue e produção da urina.   Imagem 2: Os capilares que estão em contato íntimo com o néfron participam da reabsorção – Fonte: Brasil Escola Processo de filtração A filtração é um processo inespecífico e constitui a passagem do plasma do glomérulo para a

Geórgia de Souza

5 minhá 45 dias

A conduta do trauma renal | Colunistas

O trauma renal consiste em uma lesão, seja ela da cápsula, córtex, medula e/ou sistema coletor, e pode ser provocado por traumas de origem penetrantes ou contusos. Os traumas penetrantes podem ser de alta, média ou baixa velocidade, enquanto os traumas contusos incluem lesões por colisão de veículos, quedas, esportes e assaltos. Manifestações Clínicas As manifestações podem ser inespecíficas, como hipersensibilidade à palpação do flanco e dor abdominal, e frequentemente podem estar associadas a fraturas de costelas, mas o principal achado é a hematúria macroscópica, que ocorre na grande maioria dos pacientes. Entretanto, o grau de hematúria não é proporcional ao grau de lesão renal. Achados tardios podem incluir febre, dor em flanco de instalação tardia e massa palpável em flanco. Classificação Figura 1. Descrição da classificação do trauma renal. Fonte: A American Association for the Surgery of Trauma Organ Injury Scale 2018, atualização para classificação de trauma renal com base em tomografia computadorizada: uma cartilha para o radiologista de emergência É de extrema importância classificar a lesão, pois ela orienta a conduta que será adotada e também indica o prognóstico, bem como avaliar a função renal prévia, ou seja, se o paciente apresenta rim único ou tem alguma doença renal, pois estes também servirão como guia para a conduta. As lesões renais podem ser classificadas através de vários sistemas, sendo o mais utilizado o da Associação Americana de Cirurgia do Trauma (AAST), que estadia o trauma de acordo com a gravidade, em graus de I a V. Grau I: contusão + hematúria macroscópica – microscópica e exames urológicos normais ou hematomas subcapsulares não expansivos sem laceração;Grau II: lacerações parenquimatosas < 1 cm de

Lícia Moreira de Queiroga

4 minhá 45 dias

Escore Internacional de Sintomas Prostáticos e sua aplicação na HPB | Colunistas

Para que serve o IPSS? Sabe qual sua importância na prática clínica? Como utilizar deste escore para o manejo dos pacientes? Pois bem, logo abaixo vou te explicar direitinho o que é, por que utilizá-lo e como interpretá-lo, a fim de facilitar a prática clínica! O que é o IPSS? O Escore Internacional de Sintomas Prostáticos (IPSS – International Prostate Symptom Score), trata-se de um escore desenvolvido pela Organização Mundial da Saúde visando monitorar, diagnosticar e direcionar o tratamento de pacientes portadores de hiperpalsia prostática benigna. É um questionário autoaplicado, ou seja, a pontuação é feita de acordo com a percepção dos sintomas pelo paciente. Por quê utilizar o IPSS? A hiperplasia prostática benigna (HPB) é uma das patologias mais comuns em homens acima dos 50 anos e com o envelhecimento da população há um aumento da prevalência. Na HBP ocorre a hiperplasia das células epiteliais e do estroma da próstata, formando um tecido nodular adenomatoso, e esse aumento celular pode cursar com sintomas do trato urinário inferior, como polaciúria, noctúria ou tenesmo vesical.  Apesar de se tratar de uma doença benigna, o aumento prostático pode interferir na qualidade de vida dos pacientes e, quando não tratada, pode levar a retenção urinária, hidronefrose e insuficiência renal. Ao deparar-se com um paciente com sintomas sugestivos de HPB, durante a avaliação incial, a aplicação IPSS se faz imprenscindível para o reconhecimento de sintomas obstrutivos e irritativos, bem como a interferência da doença sobre a qualidade de vida dos pacientes – fator determinante na conduta médica. A partir do escore é possível determinar se o tratamento será expectante, farmacológico ou cirúrgico. Como utilizar o IPSS?

Verônica Kasper

4 minhá 61 dias

Incontinência urinária na pessoa idosa | Colunistas

Epidemiologia e etiologia A Sociedade Internacional de Continências define a incontinência urinária como “qualquer perda involuntária de urina”, condição multifatorial que é altamente prevalente na população idosa, sendo uma das maiores síndromes geriátricas registradas, que pode comprometer a qualidade de vida tanto dos indivíduos afetados quanto dos familiares ou cuidadores envolvidos. A continência em si depende da integridade do trato urinário inferior, controle neurológico, cognição, mobilidade e motivação. Além disso, essa situação aumenta os custos do país em saúde e resulta em internações precoces. Ainda sobre a prevalência, sabe-se que o sexo feminino é o mais acometido, devido às condições anatômicas, e que o processo de envelhecimento aumenta essa prevalência e a gravidade. Uma situação que complica esse acometimento é a crença cultural de que a incontinência urinária é uma consequência natural e inevitável com o aumento da idade, o que traz constrangimento dos pacientes em abordar o assunto, de modo que mais da metade dos idosos não procura o devido auxílio médico. Classificação Incontinência urinária transitória É caracterizada quando há perda precipitada por insulto psicológico, medicamentoso ou orgânico, que cessa ou melhora após controle do fator desencadeante. Existe um mnemônico que resume as causas da IUT: DIURAMID (delirium, infecções do trato urinário, uretrite e vaginites atróficas, restrição de mobilidade, aumento do débito urinário, medicamentos, impactação fecal e distúrbios psíquicos). Incontinência urinária estabelecida Atualmente, são cinco os tipos de incontinência urinária estabelecida: Incontinência urinária de estresse A incontinência urinária de estresse se caracteriza por perda involuntária de urina que ocorre com o aumento da pressão intra-abdominal e pode ser causada por tosses, espirros, risadas excessivas ou atividade física no caso de

Joana Menezes

5 minhá 67 dias
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