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Conteúdo médico de Nefrologia

Casos Clínicos: Infecção Fúngica Sistêmica

HISTÓRIA CLÍNICA M.E.C.S, feminino, 2 anos e 10 meses, 15kg, natural e procedente de cidade de grande porte, em tratamento de leucemia linfoide aguda tipo B, sem marcadores de gravidade. Paciente granulocitopênica, com cateter central para quimioterapia. Apresentando picos febris há 20 dias, queda do estado geral, turvação da urina há 2 dias, apesar do uso de antibiótico de amplo espectro. EXAME FÍSICO Razoável estado geral, descorada (1+/4+), hidratada, eupneica, acianótica, anictérica, febril, boa perfusão periférica. FC: 100 bpm; FR: 18 ipm; PA: 86×58 mmHg; Tax: 36,7 o C. Sem achados dignos de nota em orelhas, nariz e cavidade oral. Ausência de linfonodomegalias palpáveis Ativa, reativa, sem déficits. Murmúrio vesicular presente bilateralmente, sem ruídos adventícios, sem desconforto respiratório. Precórdio calmo, em posição anatômica, bulhas rítmicas normofonética em 2 tempos sem sopros. Abdome globoso, ruídos hidroaéreos presentes, flácido, normotimpânico, indolor a apalpação, fígado a cerca de 5cm do rebordo costal direito, baço a cerca de 1cm da do rebordo costal direito. Massa palpável em flanco esquerdo. Extremidades aquecidas, boa perfusão periférica, tempo de enchimento capilar < 3s, com edema periférico (1+/4+), pulsos presentes nos 4 membros, simétricos e com boa amplitude. Presença de onicomicose em pé esquerdo. Sem alterações. EXAMES COMPLEMENTARES PONTOS DE DISCUSSÃO 1. Qual o provável diagnóstico? Por que apresenta febre? 2. Quais os exames complementares necessários para o diagnóstico?

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4 min12 days ago

Casos clínicos: Injúria renal aguda (IRA)

HISTÓRIA CLÍNICA Paciente do sexo masculino, 40 anos, homossexual (mesmo parceiro há 4 anos) e usuário ocasional de cocaína inalatória. Foi admitido no Serviço de Emergência, com queixa de oligúria, urina escura, fraqueza, dores musculares há 24h. Há 48h da admissão tinha feito uso de cocaína inalatória, seguida de agitação psicomotora intensa, sem convulsão, perda de consciência ou febre. Negou uso de outras drogas associadas, como álcool ou anfetaminas. Referiu hepatite A há quatro meses, sem necessidade de internação hospitalar (diagnóstico confirmado por sorologia). Sem história prévia pessoal ou familiar de HAS, DM ou nefropatias. EXAME FÍSICO Consciente, orientado, taquipsíquico, eupneico, corado e desidratado ++/4. PA: 150×100 mmHg; FC: 120 bpm, rítmico FR: 16 ipm; T. axilar: 36.5 o C. Ausência de achados relevantes. Ausência de déficits focais. Murmúrio vesicular (MV) presente, sem ruídos adventícios. Ritmo cardíaco regular, em 2 tempos, bulhas normofonéticas, sem sopros. Plano, RHA +, fígado palpável sob RCD e espaço de Traube cheio. Sem edemas. Ausência de sinais flogísticos. Exame de força muscular limitado por dor à palpação de musculatura difusamente, maior em membros inferiores (MMII). EXAMES COMPLEMENTARES USG renal: Rim Direito = 13,9 cm e Rim Esquerdo = 13 cm com elevação difusa da ecotextura do parênquima, sem perda da relação cortico-medular. Biópsia Renal: discreta proliferação de células mesangiais sem expansão da matriz, alguns túbulos em necrose, outros

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5 min12 days ago

Casos Clínicos: Lítiase Urinária

HISTÓRIA CLÍNICA Masculino, 38 anos, casado, natural e procedente de cidade de grande porte. Paciente previamente hígido chega ao pronto socorro com queixa de dor lombar à direita, em cólica, de forte intensidade com irradiação para o flanco direito e para testículo ipsilateral, sem fatores de melhora, associada à disúria, polaciúria e hematúria macroscópica há cerca de uma hora. Refere ainda sudorese, náuseas e vômitos. Pratica atividade física regularmente, é etilista ocasional e tem uma dieta rica em proteínas. Nega tabagismo. EXAME FÍSICO Estado nutricional bom, lúcido e orientado, mucosas coradas e desidratadas, eupneico, com fácies de dor. FC: 100 bpm; FR: 20 ipm; T: 36,5 o C; TA: 134×92 mmHg. Ausência de linfonoadomegalias palpáveis. Ausência de sinais focais. Tórax simétrico. Murmúrio vesicular bem distribuído, sem ruídos adventícios. Bulhas rítmicas e normofonéticas em 2 tempos, sem sopros. Sem cicatrizes, ruídos hidro-aéreos presentes, dor à punho-percussão no ângulo costo- vertebral direito (sinal de Giordano positivo); ausência de sinais de irritação peritoneal; fígado não palpável, espaço de Traube livre. Sudoréticas e sem edemas. Sem particularidades. EXAMES COMPLEMENTARES PONTOS DE DISCUSSÃO 1. Qual o diagnóstico mais provável? 2. Qual a explicação para os sinais e sintomas apresentados pelo paciente? 3. Quais exames complementares confirmam o diagnóstico e o que podemos identificar de alteração neles? 4. Qual a conduta terapêutica mais apropriada na

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5 min12 days ago

Casos Clínicos: Lesão Renal Aguda | Ligas

Área: Nefrologia Autor: Felippe Silva Oliveira Bispo e Gabriel Martins Nogueira Revisor: Moisés Santana Oliveira Orientador: Bárbara Maria Oliveira de Souza Liga: Liga Acadêmica de Nefrologia (LANEF) Apresentação do caso clínico Paciente do sexo masculino, 76 anos, negro, aposentado, natural e procedente de Salvador, residente do bairro de Brotas, procurou a unidade de emergência hospitalar, acompanhado da filha, com queixa de diarreia e vômito há quatro dias. Relata que os sintomas se iniciaram um dia após a ingestão de hamburguer que havia comprado em um food truck perto de onde mora. Refere piora nas últimas 48 horas, apresentado cerca de 4 dejeções de aspecto líquido, mucoso e não sanguinolento, além de 1 episódio de vômito e febre mensurada em 38,4 °C.  O paciente queixa-se ainda de oligúria e fadiga nas últimas 24 horas. Refere uso de antiemético para as náuseas e vômitos, com melhora. Sem fatores de melhora ou piora para oligúria e a diarreia. Nega dor abdominal, febre ou histórico de doenças prévias e alergias.  Refere que ingesta hídrica de 8 copos por dia e que faz uso social de cerveja em ocasiões pontuais, como aniversários e outras festas. Afirma dormir 7 a 8 horas por dia. Nega tabagismo. Ao exame físico, o paciente encontrava-se em REG, letárgico, afebril, acianótico, conjuntivas e escleróticas anictéricas, hipoativo, desidratado (+++/IV), eupneico (frequência respiratória = 18 ipm), taquicárdico (frequência cardíaca = 120 bpm) e hipotenso (90 x 60 mmHg). Sistema respiratório com murmúrio vesicular bem distribuído, sem ruídos adventícios. Aparelho cardiovascular com bulhas normofonéticas em dois tempos, sem presença de sopros. Abdome flácido, com ruídos hidroaéreos aumentados, discretamente doloroso à palpação profunda; fígado e baço não palpáveis.

Casos Clínicos: Doença Renal Crônica | Ligas

Área: Nefrologia Autores: Gabriel Martins Nogueira Revisor(a): Moisés Santana Oliveira Orientador(a): Bárbara Maria Oliveira de Souza Liga: Liga Acadêmica de Nefrologia (LANEF) Apresentação do caso clínico Paciente do sexo masculino, 65 anos, negro, caminhoneiro, natural e procedente de Salvador, procura o serviço de saúde queixando-se de edema em membros inferiores há 6 meses, acompanhados de fadiga e oligúria. O paciente refere ainda perda ponderal involuntária de três quilos nos últimos 6 meses, além de náuseas e inapetência, que surgiram há cerca de 1 mês. O paciente revela ser hipertenso há 20 anos, fazendo uso irregular de losartana 50mg. Nega uso de outras medicações. Refere histórico pessoal prévio de nefrolitíase há cinco anos; pai, diabético e hipertenso, faleceu aos 55 anos em decorrência de IAM; mãe, ainda viva e com 90 anos, tem histórico de nefrolitíase. Refere ser tabagista, 1 maço/dia, há quarenta anos. Nega etilismo e uso de substâncias psicoativas. Refere ingesta hídrica de 5 copos de água ao dia e não costuma praticar atividade física, pois passa a maior parte da semana na estrada e sente-se exausto nos seus dias de folga. No exame físico geral, o paciente apresentava-se em REG, LOTE, hidratado, anictérico e acianótico. Fácies atípica e atitude ativa no leito. Mucosas hipocoradas e hidratadas. Altura: 1,78 metros. Peso: 72 kg. IMC: 22,7 kg/m². Circunferência abdominal: 78 cm. PA MSD: 150×95 mmHg. PA MSE: 145×90 mmHg. FC: 105bpm. FR: 24ipm. Temperatura: 36,8 ºC. No exame físico cardiovascular, o paciente apresentava bulhas rítmicas hiperfonéticas em dois tempos. No aparelho respiratório, foram auscultados estertores crepitantes em bases pulmonares em ambos os hemotóraces. No exame físico do abdômen, notou-se

Casos Clínicos: Pielonefrite e ITU

Área: Nefrologia Autores: Camila Silva Bastos e Glória Coelho Barros Revisor(a): Moisés Santana Oliveira Orientador(a): Bárbara Maria Oliveira de Souza Liga: Liga Acadêmica de Nefrologia (LANEF) Apresentação do caso clínico Paciente do sexo feminino, 48 anos, bancária, compareceu ao ambulatório de clínica médica com queixa de disúria há 4 dias, graduada inicialmente em 5/10, de início gradual, sem fatores de melhora ou piora e com irradiação para a região lombar. Apresentava, ainda, polaciúria e dor suprapúbica. Oquadro se intensificou nos últimos 2 dias, com piora da dor, agora graduadaem 8/10, evoluindo também com febre não mensurada, calafrios e cefaleia holocraniana intensa, de caráter pulsátil. A paciente nega a existência quadros prévios com sintomas semelhantes, porémafirma já ter tido episódios de “infecção urinária”, não sabendo referir quantas vezes. Conta que seu trabalho ocupa quase toda a manhã e tarde, precisando ficar horas sem urinar. Refere uso de Dorflex 500mg “quando a dor aumenta”, nega uso de outros medicamentos para quadro álgico.Nos antecedentes patológicos, afirma diagnóstico de diabetes mellitus do tipo 2 há 3 anos, utilizando metformina desde então. Afirma fazer dieta com pouco açúcar e exercícios físicos regulares. No exame físico geral, a paciente apresentava-se em REG, LOTE, hidratada, anictérica e acianótica. Fácies atípica e atitude ativa no leito. Mucosas normocrômicas e hidratadas. Altura: 1,57 metros. Peso: 71 kg. IMC: 28,8 kg/m². Circunferência abdominal: 86 cm. PA MSD: 130×85 mmHg. PA MSE: 135×90 mmHg. FC: 81bpm. FR: 18ipm. Temperatura: 38,2 ºC. No exame físico cardiovascular, a paciente apresentava BN2T, na ausência de sopros. No aparelho respiratório, o murmúrio vesicular estava bem distribuído na ausência de ruídos adventícios. No exame físico do

Toda acidose metabólica deve ser tratada com bicarbonato? | Colunistas

Quantas vezes você já se deparou com uma acidemia (pH < 7.35) e pensou em administrar Bicarbonato de Sódio a fim de corrigir o distúrbio? Será que isso é válido em todas as Acidoses Metabólicas (AM)? Para discutir um pouco melhor sobre o racional desta conduta, precisamos entender como esse processo ocorre. O que é Acidose Metabólica? Existem diversas maneiras de se interpretar um distúrbio ácido-base (e não há superioridade de uma sobre a outra), iremos resumir aqui da maneira mais simples, aquela que aprendemos nas aulas de química do colégio, a interpretação baseada na equação de Henderson Hasselbach. Acidose Metabólica é o acúmulo de ácidos não voláteis no plasma, seja por adição de prótons (ganho de H+) ou perda de bases (HCO3–), e que laboratorialmente se manifesta com um pH < 7.35 na Gasometria (seja ela Arterial ou Venosa) às custas de uma redução na concentração plasmática de HCO3-. Veja bem, aqui estamos deixando de lado as Acidoses secundárias aos distúrbios respiratórios, onde a redução do pH para valores inferiores a 7.35 se dá pelo excesso de CO2. As AM podem ser divididas de acordo com o Anion Gap (ou “hiato aniônico”, em bom português) – AG aumentada e AG normal, também chamada de AM Hiperclorêmicas. Entendendo Ânion Gap (AG) AG nada mais é do que a diferença entre a concentração do principal cátion extracelular (Na+) e os principais ânions (Cl– e HCO3–). A soma dos íons de carga negativa deve ser igual a do Sódio afim de se obter uma neutralidade elétrica (afinal de contas não somos pilhas). Vamos utilizar valores hipotéticos: Na+

Guilherme Santa Catharina

4 min42 days ago

Nefrologia: residência, áreas de atuação, rotina e mais!

A nefrologia é uma especialidade clínica da medicina, que estuda a função dos rins e trata as doenças relacionadas a esse órgão e ao trato urinário.  Os rins possuem funções importantes para a manutenção da homeostase. Eles são responsáveis pela produção da urina, regulam eletrólitos e água e mantém os equilíbrios da pressão arterial e ácido-base. Muitas medicações e substâncias exógenas são processadas nos rins. Já o néfron é a unidade funcional do órgão, com capacidade de filtrar as impurezas do sangue. Se você se interessa por essa especialidade e quer saber mais sobre ela, continue lendo este artigo! aqui, vamos falar sobre a rotina do especialista, mercado de trabalho e residência médica em nefrologia. Acompanhe! O especialista e sua rotina O nefrologista pode trabalhar em diversas áreas de atuação: injúria renal aguda: patologia caracterizada pela súbita perda de função renal;doença renal crônica: perda lenta e progressiva da função renal;terapia renal substitutiva: dividida entre centros de hemodiálise, hemodiálise noturna/domiciliar, diálise peritoneal e transplante renal;nefrologia intervencionista: área crescente, onde o especialista é responsável por alguns procedimentos como implantação de cateteres;consultório: além do acompanhamento da doença renal crônica, o nefrologista também lida com os cuidados para hipertensão arterial sistêmica, infecção urinária, calculose renal. Boa parte dos nefrologistas costuma fazer plantão em clínicas de hemodiálise e atender pacientes portadores de insuficiência renal crônica. Também existe a possibilidade de trabalhar fazendo visitas em UTIs e enfermarias em um período e, no outro, retornar às clínicas de terapia, consultórios ou unidades de transplante. As clínicas de hemodiálise geralmente oferecem empregos em regime de plantão, que costuma durar 14 horas.

Sanar Residência Médica

4 min65 days ago

Resumo: hemogasometria arterial | Ligas

Conceitos gerais A hemogasometria arterial (HA) é um dos exames mais solicitados dentro da Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Um estudo de Machado et al demonstrou que a cada 100 pacientes internados na UTI de um hospital de referência, 11 HA eram solicitadas por dia no intuito de avaliar o quadro dos enfermos. A HA é um exame rápido, barato e minimamente invasivo, além de extremamente eficaz no diagnóstico de diversas patologias envolvendo os distúrbios ácido-base. Por esses motivos, um bom médico generalista deve ter o conhecimento técnico para ser capaz de compreendê-la adequadamente. 2. Indicações e contraindicações A HA deve ser solicitada quando for identificado algum distúrbio acidobásico, para mensurar o valor de pO2 ou pCO2, para avaliar a resposta a terapias e para a realização de testes bioquímicos. Contudo, o exame tem algumas contraindicações como distorções anatômicas ou infeção no local de realização do exame, coagulopatias severas e teste de Allen anormal.    2. Realização do exame Inicialmente o médico, já paramentado com luvas de procedimento e óculos de proteção, deve se apresentar ao paciente e realizar o Teste de Allen, para verificar o suprimento arterial da mão. Com isso, o profissional deve fazer a limpeza do punho, palpar a artéria radial do paciente e puncionar o local onde o pulso foi sentido. Isso deve ser feito com uma seringa própria para a realização da HA ou com uma já heparinizada. Após progressão da agulha e subsequente chegada ao lúmen do vaso, uma quantidade entre 2 e 3 mililitros de sangue é recolhida e encaminhada para análise. A hemostasia da área puncionada, então, deve ser feita para evitar maiores sangramentos. A técnica demonstrada anteriormente expõe um dos possíveis sítios de punção para a
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