Doença de Parkinson | Colunistas

Conceito O mal de Parkinson se trata de um quadro patológico crônico de caráter progressivo e degenerativo. Uma disfunção no sistema nervoso central acarreta degenerações resultantes do depósito anômalo da proteína alfa-sinucleina em agregados denominados corpos de Lewy. O resultado desse acúmulo provoca uma redução intensa na síntese de dopamina, um neurotransmissor essencial na realização dos movimentos voluntários do corpo. Em sua ausência, particularmente em uma pequena região encefálica denominada substância negra, o controle motor é comprometido, originando os sinais e sintomas clássicos da doença. Epidemiologia A enfermidade não possui predileção por raças, acomete principalmente o sexo masculino, ressaltando que as mulheres não estão isentas de serem afetadas. A faixa etária é em média a partir dos 55 aos 65 anos. Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) apontam que cerca de 1% da população mundial com idade superior a 65 anos tem a doença. No Brasil, em média 200 mil pessoas sofrem com este transtorno. É uma doença neurológica comum e intrigante no atual cenário global, com ampla distribuição e atinge todos os grupos étnicos e classes socioeconômicas. Tipos O parkinsonismo é o termo genérico dado a um grupo de condições que manifestam tais sintomas de Parkinson: tremor, rigidez muscular e lentidão. O parkinsonismo vascular é oriundo de vários pequenos acidentes vasculares na parte do cérebro que recebe informações sobre a posição e o movimento e podem cursar com os sintomas do Parkinson, tais como a rigidez, lentidão, marcha com passos curtos e lentos e a afasia. O diagnóstico diferencial é difícil, mas os sintomas do derrame, diferentemente do Parkinson, tendem a aparecer de repente e não progridem.

LANACC

8 minhá 12 dias

Doença de Parkinson: explicando fisiopatologia e tratamento cirúrgico | Colunistas

Introdução Antes de abordar a doença e a terapêutica em si, façamos uma breve revisão anatomofisiológica do circuito de modulação motora cerebral. No córtex cerebral, mais precisamente no giro pré-central, temos a área primária de ordenação do comando motor. Essa porção apresenta radiações eferentes que a ligam aos núcleos da base, ou sistema extrapiramidal, composto pelo corpo estriado, que é subdividido em neoestriado e paleoestriado. Fonte: NETTER, Frank H.. Atlas de anatomia humana. 7ª ed. RIO DE JANEIRO: Elsevier, 2019. Revisão anatômica e fisiológica O neoestriado é formado pelo núcleo caudado e pelo putâmen, e são eles que recebem as eferências corticais e de onde partem as aferências talâmicas e do tronco encefálico, quais sejam as fibras estriado-talâmicas e as fibras estriado-nigrais. O paleoestriado é, por sua vez, formado pelo globo pálido, subdividido ainda em globo pálido interno e externo. Todas as estruturas citadas até aqui, à exceção do tálamo e da substância negra, têm predomínio de fibras GABAérgicas. A Substância Negra ou Substância Nigra (SN), presente no mesencéfalo, é, ainda, subdividida em 2 porções: 1. Pars compacta (SNc) e 2. Pars reticulata (SNr), levando esse nome em virtude do acúmulo de neurônios com melanina. Para o parkinsonismo, a estrutura mormente importante é a SNc, formada por neurônios dopaminérgicos. A SNr é composta, sobretudo, por neurônios GABAérgicos. O sistema extrapiramidal normal funciona de 2 formas: 1. via direta (facilitadora do movimento) e 2. via indireta (dificultadora do movimento). Na imagem abaixo, um diagrama torna mais visível as duas vias. Descritivamente, a via direta é constituída pelo neoestriado, que emite fibras GABAérgicas (inibitórias) para o globo pálido interno e SNr, os quais irradiam fibras GABAérgicas para o tálamo, que encerra a

Francisco Matheus

5 minhá 21 dias

Base da avaliação dos reflexos tendíneos para o médico generalista | Colunistas

Reflexos tendíneos no contexto do exame neurológico Sabe-se que existem inúmeras condições de saúde que podem cursar com alterações neurológicas. Nesse sentido, traumas, infecções, doenças neurodegenerativas e várias outras levam a alterações fisiológicas que desencadeiam em diversificadas alterações clínicas dos pacientes, podendo dificultar o diagnóstico e identificação das patologias. É devido a isso que uma anamnese bem-feita é de suma importância, visto que é capaz de orientar uma suspeita diagnóstica inicial, levando a uma avaliação médica bem conduzida, com exames físicos melhores interpretados mediante alguma suspeita prévia. Na avaliação neurológica esse cenário não é diferente, e no contexto da avaliação clínica de um paciente, algumas peculiaridades do exame físico devem ser consideradas. Nesse escopo, vários podem ser os objetos de estudo, destacando-se a inspeção, força e tônus muscular, equilíbrio, padrão de marcha, sensibilidade, coordenação, integridade dos nervos cranianos, sinais meníngeos, estado mental e de consciência, além dos reflexos. Os diversos achados de todos esses fatores, em associação com a história clínica do paciente, são importantíssimos na condução de casos neurológicos, e aqui vamos desdobrar de forma prática como avaliar uma dessas variáveis no contexto do médico generalista, que são justamente os reflexos tendíneos. Generalidades Em primeiro lugar, vamos nos preocupar em entender o que seriam esses reflexos e porque eles ocorrem, para posteriormente avaliarmos quais são e como aplicá-los na prática clínica. De uma forma simplificada, eles nada mais são que uma resposta involuntária do organismo a um determinado estímulo. Quando esse estímulo ocorre, a informação é coletada por receptores nervosos, seguirá por uma via aferente até um ponto de substância cinzenta no sistema nervoso central, local onde haverá uma conexão com a via eferente que irá se dirigir para o músculo e

Lucas Diniz

5 minhá 26 dias

Qual a importância da escala de Hunt-Hess? | Colunistas

O aumento nos diagnósticos dos aneurismas intracranianos e o grave desfecho clínico associado à hemorragia subaracnóidea aneurismática reforça a importância de conhecer aspectos relevantes para o manuseio mais adequado dos pacientes, como a utilização de escalas de avaliação clínica, capazes de predizer desfechos. O que são aneurismas intracranianos? Os aneurismas arteriais são dilatações da parede da artéria e podem ser divididos de acordo com sua forma ou etiologia. A maior parte dos aneurismas intracranianos (80% a 85%) estão situados na circulação anterior, sendo que as formas mais comuns são os aneurismas saculares, cuja ruptura causa uma grave condição denominada hemorragia subaracnóide aneurismática. A ruptura de um aneurisma cerebral pode causar uma grave hemorragia intracerebral com repercussões clínicas importantes no paciente, estando associado à altas taxas de mortalidade e morbidade, sendo que a taxa de mortalidade global varia de 22% a 26%. Quais são as causas da Hemorragia subaracnóidea? As principais causas de hemorragia subaracnóidea espontânea são os aneurismas intracranianos, malformações arteriovenosas, neoplasias e doenças sistêmicas, como hipertensão arterial. No entanto, em 15% a 20% dos casos, a etiologia permanece indeterminada. Em adultos jovens, entre 20 e 50 anos, a HSA geralmente ocorre por ruptura de malformações arteriovenosas, acarretando significativo impacto na qualidade de vida desses pacientes. Já nas faixas etárias mais avançadas, observa-se maior incidência da HSA por aterosclerose. Quais os sintomas de um paciente com HSA? O quadro clínico mais típico na hemorragia subaracnóidea aneurismática é a queixa de uma cefaleia de início súbito, por vezes associada a vômitos, e alteração no nível de consciência. Além disso, crises epilépticas podem surgir no início ou durante o evento hemorrágico. É fundamental também a avaliação

Djanino Fernandes

3 minhá 27 dias

O nervo glossofaríngeo (IX par craniano), da anatomia à clínica. | Colunistas

Introdução Os pares cranianos são amplamente estudados na Medicina, tendo sua anatomia clínica, quase em sua totalidade, elucidada. Seu estudo é multidisciplinar, abordado, principalmente, na anatomia, na fisiologia e, claro, na neurologia. Neste momento, veremos a visão geral deste tópico, em seguida abordaremos o nervo glossofaríngeo e suas principais características. Os pares cranianos Podendo possuir ambas as funções motoras e sensitivas às estruturas da cabeça, pescoço e alguns sistemas biológicos, os pares cranianos são um conjunto de 12 nervos que originam-se da região encefálica. Diferente dos nervos espinhais, os nervos cranianos são formados por conexões neurais associadas aos núcleos distintos do tronco cerebral e estruturas corticais. Basicamente, os núcleos dos pares cranianos são funcionalmente organizados em núcleos distintos dentro do tronco cerebral.  A divisão funcional dos pares cranianos são: os nervos cranianos I (olfatório), II (óptico) e VIII (vestibulococlear) são considerados puramente aferentes; os nervos cranianos III (oculomotor), IV (troclear), VI (abducente), XI (acessório espinhal) e XII (hipoglosso) são puramente eferentes; os demais nervos cranianos, V (trigêmeo), VII (facial), IX (glossofaríngeo) e X (vago), são funcionalmente misturados (sensorial e motor). Imagem 1. Apresentação dos pares cranianos Fonte: https://blog.jaleko.com.br/nervos-cranianos-nervos-oculomotor-iii-nervo-troclear-iv-e-nervo-abducente-vi/nervos-cranianos/ O nono par craniano O nervo glossofaríngeo, também conhecido como IX par craniano, é um nervo misto, contendo função tanto motora como sensitiva. Além disso, apresenta funções parassimpáticas, as quais veremos posteriormente. Ademais, durante o desenvolvimento embriológico humano, por volta da quarta e quinta semanas, forma-se o terceiro arco faríngeo, estrutura que origina o IX par. Além deste, também, são originados: o músculo estilofaríngeo, o corno maior do hióide, a parte inferior do corpo do hióide, o timo e a glândula paratireóide inferior.

Vinícius Fonseca Bernardes

7 minhá 27 dias

Demência com corpos de Lewy: uma análise fisiopatológica | Colunistas

A demência é uma síndrome que desenha o declínio cognitivo múltiplo e persistente capaz de interferir na vida laboral do indivíduo. Tem um poder diferente do dellirium, pois esse interfere na atenção do indivíduo, e a demência se justifica pela perda de memória. O efeito demencial pode surgir por doenças previamente diagnosticadas, como Doença de Parkinson e Mal de Alzheimer, mas também por aparecimento de corpúsculos proteicos no córtex cerebral, como a Demência com corpos de Lewy. Um paciente pode ser identificado com demência a partir de sinais como alucinações visuais recorrentes, flutuações do estado cognitivo, sinais parkinsonianos extrapiramidais e sensibilidade aumentada ao uso de neuroepiléticos. Podem ser aludidos, também, os transtornos de cognição, como afasia (distúrbio da linguagem), apraxia (distúrbios de movimentos motores voluntários), agnosia (dificuldade de distinção de objetos através dos sentidos) e perda da função executiva (estranhamento ao organizar e planejar). De forma geral, as demências podem ser divididas em demência cortical ou demência subcortical.  Em casos de estado demencial subcortical, nota-se anomia, velocidade de processamento cognitivo precocemente afetada, personalidade apática, humor deprimido, fala disártrica, postura curvada, coordenação prejudicada, velocidade motora lentificada e presença de coreias, distonias e tiques. Já em situações de demência cortical, vê-se afasia precoce, velocidade de processamento cognitivo normal, personalidade despreocupada, humor eutímico, fala articulada, postura normal, controle motor normal e ausência de movimentos anormais. A proposta de classificar um quadro clínico de demência à formação dos Corpos de Lewy (CL) se baseia em achados histológicos que adequam o seu aparecimento em uma etiologia degenerativa.  A gênese dos corpos de Lewy vem da proteína alfa sinucleína, encontrada na fenda pré-sináptica; fisiologicamente, essa proteína age como reguladora de liberação das vesículas sinápticas e na regulação de liberação de dopamina. Em casos de mutação do gene

Ester Abreu

3 minhá 29 dias
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