Aplicações da ultrassonografia no diagnóstico da endometriose| Colunistas

A endometriose é uma doença de difícil diagnóstico. Tal frase é muito vista em livros acadêmicos, artigos científicos e até mesmo em questões de residência. Mesmo que você, médico ou estudante de medicina, leve em consideração o quadro clínico da paciente, exame físico e fatores de risco, encontrará algumas barreiras quanto ao diagnóstico definitivo. Essas barreiras e como resolvê-las, dentre outros pontos, serão abordados nesse texto. Estima-se que cerca de 10% das mulheres possuem endometriose no Brasil. Essa porcentagem não é bem definida, pois há muitos casos de subnotificação pela dificuldade diagnóstica. A endometriose é classificada em duas, a superficial e a profunda, e cada uma apresenta uma dificuldade diagnóstica muito diferente da outra, por isso, iremos vê-las em tópicos, a fim de tornar a explicação mais didática. Endometriose superficial A endometriose superficial é definida pelo livro Rotinas em Ginecologia e Obstetrícia como uma lesão que penetra menos de 5 mm da superfície peritoneal. É nessa classificação que o endometrioma se encaixa (foco de endometriose ovariana). Mas por que estamos falando em classificação ainda e não vamos direto ao ponto, ou seja, a ultrassonografia? Porque o ultrassom transvaginal é de excelente escolha, mas somente para os casos de endometrioma. Estima-se que a sensibilidade da USGTV para detecção de endometrioma é de 92% e a especificidade de 99%. Então, você pode estar se perguntando, qual é a dificuldade no diagnóstico? Essa é justamente a questão principal desse texto. A ultrassonografia transvaginal é eficaz em casos de endometrioma, mas não pode ser utilizada para diagnóstico definitivo porque, para que a endometriose possa ser diagnosticada, a lesão deve ser visualizada e enviada ao anatomopatológico. Para

Comunidade Sanarmed

3 min4 days ago

Casos Clínicos: Síndrome HELLP

HISTÓRIA CLÍNICA Paciente de 32 anos de idade, casada, previamente hígida, primigesta, com idade gestacional de 32 semanas e 4 dias, apresentou-se com queixa de cefaleia occipital de intensidade moderada com início há 5 horas associada a dor epigástrica. Relatava ainda edema generalizado há 4 semanas. Negava alterações visuais e perdas vaginais. Paciente realizou pré-natal de baixo risco, total de 8 consultas, sem intercorrências. Nega internações prévias, cirurgias, alergias ou outras comorbidades. EXAME FÍSICO • Geral: Paciente bem orientada no tempo e espaço, hipocorada (++/4+), ativa, acianótica, anictérica, edema generalizado, principalmente em MMII +++/4++. Peso: 65,5 Kg; Altura: 1,68; IMC: 23,2. • Sinais vitais: Pressão arterial sistêmica 160/100mmHg na 1° aferição e 180/110mmHg na 2° aferição, frequência cardíaca fetal de 144 bpm. • Abdome: doloroso, altura uterina de 28cm, dinâmica uterina ausente, colo posterior, centralizado, fechado, 70% apagado, bolsas íntegras. EXAMES COMPLEMENTARES • Exames anteriores à admissão: HIV negativo, HCV negativo, VDRL negativo. Quadro 1: Dados laboratoriais e valores de referência durante internação hospitalar QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO 1.Tendo em vista os dados apresentados, qual (is) a(s) principal (is) hipótese (s) diagnóstica (s) para essa paciente? 2.Quais os dados mais relevantes apresentados na história clínica e exames que guiam o raciocínio diagnóstico para essa (s) hipótese(s)? 3.Qual (is) a (s) principal (is) conduta(s) a ser(em) instituída(s) para essa paciente? 4.Quais as possíveis complicações pós-parto desse quadro? DISCUSSÃO

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7 min6 days ago

Casos Clínicos: Hipotireoidismo na Gestação

HISTÓRIA CLÍNICA Paciente de 30 anos, G2PN1A0, com hipotireoidismo prévio controlado, assintomático, em uso de levotiroxina 175mcg, ácido fólico 5mg e sulfato ferroso 300mg, inicia acompanhamento em serviço de pré-natal de alto risco (PNAR) com 14 semanas e 2 dias de idade gestacional (pela data da última menstruação e pela ultrassonografia). Nega outros antecedentes pessoais e não possui antecedente de patologia obstétrica. EXAMES FÍSICOS AO LONGO DO PRÉ-NATAL EXAMES COMPLEMENTARES SOLICITADOS NA ADMISSÃO QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO 1.É necessário encaminhamento de gestantes com hipotireoidismo ao serviço de pré-natal de alto risco? 2.Existe diferença no acompanhamento de uma gestante portadora de hipotireoidismo para de uma gestante eutireoidea? 3.Qual o medicamento de escolha para tratamento do hipotireoidismo na gestação? 4.Qual a importância do tratamento do hipotireoidismo na gestação? 5.O hipotireoidismo materno pode causar repercussões ao feto? Se sim, quais? DISCUSSÃO Distúrbios tireoidianos são frequentemente observados em mulheres em idade reprodutiva e tem como causas principais a deficiência de iodo, ainda presente em várias regiões do Brasil, e alterações no sistema imune. No caso acima, a paciente apresentou o marcador anti-TPO com valores elevados, sugerindo a etiologia autoimune. Tais distúrbios podem apresentar-se como risco à gestação, uma vez que este é um período de intensas alterações hormonais e imunológicas, além da dependência do feto dos hormônios tireoidianos e iodo da mãe. Durante a gestação, faz-se necessário que a tireoide materna produza uma maior concentração de hormônios tireoidianos,

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5 min6 days ago

Casos Clínicos: Descolamento Prematuro de Placenta

HISTÓRIA CLÍNICA IDB, 31 anos, sexo feminino, parda, casada, G1P0A0, idade gestacional (IG) 31 semanas e 03 dias, comparece ao Pronto Atendimento da maternidade de referência. Na admissão, paciente com queixa de dor abdominal intensa há seis horas e sangramento vaginal de coloração escurecida há menos de duas horas, sem perda de líquido amniótico. Não acompanhada da caderneta da gestante e de exames complementares realizados durante a gestação. Refere realização irregular do pré- -natal, comparecendo apenas a duas consultas desde o diagnóstico de gravidez (IG 08 semanas e 2 dias). Realizou Ultrassonografia com IG 11 semanas e 5 dias. Menciona que, durante a gestação, não apresentou comorbidade ou intercorrência, exceto alteração pressórica na segunda consulta de pré-natal (IG 23 semanas, aproximadamente), entretanto a paciente não recorda o valor aferido. Tabagismo iniciado aos 16 anos de idade (8 maços-ano), com cessação desde o diagnóstico de gravidez. Paciente nega traumas recentes e uso de substâncias químicas lícitas ou ilícitas durante a gestação. Nega também o uso de medicações contínuas antes e durante o período gestacional, além de alergia a medicações ou alimentos. Referente à história familiar, paciente desconhece a presença de comorbidades, inclusive coagulopatias. EXAME FÍSICO • Geral: alerta, orientada, estado geral regular, hipocorada 3+/4+, hidratada, anictérica, acianótica, ausência de linfadenomegalia palpável e de lesões de pele ou mucosa, com edema 1+/4+ em membros inferiores, com sudorese em extremidades. • Sinais Vitais: PA: 80x55mmHg; FC: 134 bpm; FR: 24 irpm; TAX: 35.8 °C; SatO2: 96% • Pulmonar: taquidispneia, com discreta utilização de musculatura acessória, com murmúrios vesiculares normoaudíveis, sem ruídos adventícios. • Cardíaco: taquicardia, ritmo cardíaco regular em dois tempos, com bulhas normofonéticas,

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9 min6 days ago

Casos Clínicos: Distocia de Ombro

HISTÓRIA CLÍNICA Paciente EAS, 29 anos, sexo feminino, mulata, casada, natural e residente de cidade de médio porte do interior, gestante, G2PN1A0, com idade gestacional (IG) de 39 semanas e 5 dias, que comparece à maternidade com queixa de perda do tampão mucoso e contrações de 5/5 minutos, é internada com a justificativa de início de trabalho de parto (TP). Paciente apresenta data da última menstruação (DUM) não confiável, sendo a IG e a data provável do parto (DPP), calculadas por ultrassonografia (USG) tardia com 14 semanas e 3 dias. Foi realizado pré-natal de risco habitual, com acompanhamento em seis consultas. cartão da gestante completo, constando os exames complementares realizados durante toda a gestação. Nega doenças prévias. Primeira gestação com parto normal a termo, sem intercorrências. Nega etilismo e tabagismo. Foi realizado exame físico obstétrico admissional. Já internada, evolui espontaneamente com progressão normal por algumas horas e queixas de dor abdominal. Realizado amniotomia com presença de líquido meconial fluido. Ao exame durante o trabalho de parto, evolução normal da dinâmica uterina (acompanhada pelo partograma) e bom estado fetal. Após dilatação completa e descida do polo cefálico, a paciente, ainda que assistida por vários membros da equipe, teve o período expulsivo prolongado devido a intercorrências intraparto com dificuldade de liberação das espáduas, sendo necessárias diversas manobras para desprendimento fetal, com nascimento de recém-nascido (RN) vivo e hipotônico, do sexo masculino, que foi encaminhado para a UTI neonatal do serviço. EXAME FÍSICO OBSTÉTRICO Exame no ato da admissão • Geral: Bom estado geral, corada, hidratada, eupneica. • Exame obstétrico: Altura uterina (AU) de 37cm; batimentos cardíacos fetais (BCF): 138bpm; movimentação

Sanar Medicina

9 min6 days ago

Doença do coronavírus 2019 (COVID-19) na gestante | Colunistas

Definição Causada pelo coronavírus 2, a COVID-19 é classificada como síndrome respiratória aguda grave (SARS-CoV-2). Trata-se de uma doença emergente com rápido aumento de casos e mortes desde sua primeira identificação em Wuhan, China, em dezembro de 2019. Os coronavírus causam doenças que variam em gravidade, do resfriado comum à doenças respiratórias graves e morte¹,². Seu período médio de incubação da infecção é de 5.2 dias, com intervalo que pode chegar até 12.5 dias. Ainda não existe tratamento ou vacina específicos para essa doença [3]. Modo de transmissão Acredita-se que a transmissão interpessoal de SARS-CoV-2 seja semelhante à transmissão de influenza e outros patógenos respiratórios; gotículas respiratórias são formadas quando uma pessoa infectada tosse ou espirra e essas gotículas são inaladas por contatos próximos, geralmente em 1,5 metros. Estudos apontam que a transmissão fecal-oral também é possível.[1] Não está clara a transmissão através de fômites. Transmissão vertical Até o momento, o SARS-CoV-2 não foi detectado no sangue do cordão umbilical, líquido amniótico ou placenta¹. Em análises que incluíram até 51 mulheres grávidas com COVID-19, nenhum caso de transmissão intrauterina foi documentado. Muitos desses bebês nasceram de parto cesariana e tiveram culturas nasofaríngeas positivas para SARS-CoV-2 nos primeiros dias de vida, um nível elevado de imunoglobulina M (IgM) e/ou pneumonia. Contudo, resultados de IgM+ não evidenciam a ocorrência de infecção intrauterina e, em muitos desses casos, a infecção precoce do bebê pode ter sido causada por contato com pais ou cuidadores infectados após o nascimento. Quadro clínico Síndrome gripal: febre ou calafrios, tosse nova e falta de ar;

Lívia Brito

6 min9 days ago

Teratógenos e defeitos congênitos: é possível prevenir? | Colunistas

Por que isso é importante? De acordo com a Organização Pan-Americana de Saúde, cerca de 8 milhões de crianças nascem com algum defeito ou anomalia congênita grave a cada ano no mundo, sendo que aproximadamente 3 milhões morrem antes dos 5 anos de idade. Os defeitos congênitos representam a segunda principal causa de morte neonatal e infantil no mundo. Além da mortalidade, os defeitos congênitos estão relacionados a riscos elevados de morbidades, como suscetibilidade a outras patologias, maior gravidade das intercorrências e maior número de internações hospitalares, sendo assim importante causa de gastos com a atenção à saúde e sofrimento para o paciente e sua família. Alguns conceitos importantes Quando falamos em teratologia, estamos nos referindo ao estudo das causas, mecanismos de ação, manifestações clínicas e prevenção dos defeitos congênitos. Um agente teratogênico é qualquer substância, organismo, agente físico ou estado de deficiência que pode causar alterações funcionais ou estruturais ao concepto durante a gestação. A essas alterações damos os nomes de malformações congênitas ou defeitos congênitos. A malformação congênita é uma anormalidade estrutural que pode ser observada ao nascimento. Já os defeitos congênitos seriam um termo mais abrangente, envolvendo toda anormalidade originada durante a vida intrauterina, independente de poder ser observada ou não ao nascimento, e que pode apresentar-se mais tardiamente. Mas, apesar dessa diferenciação conceitual, ambos os termos acabam sendo utilizados como sinônimos na prática. Os teratógenos Estima-se que o ser humano está exposto a cerca de 5 milhões de substâncias químicas, mas somente 3% já teriam sido testadas em animais, sendo 40% comprovadamente teratogênicas

Ana Paula Ahid

6 min36 days ago

Você sabe conceituar os distúrbios hipertensivos da gestação? | Colunistas

Definição Doença hipertensiva específica da gravidez (DHEG) é um conceito generalista que faz menção à hipertensão desenvolvida durante a segunda metade da gestação. Vale salientar que definimos como hipertensão na gravidez medidas PAS>140 ou PAD>90 mmHg. A DHEG é um termo amplo que abrange diversas condições como eclampsia, pré-eclâmpsia, hipertensão crônica de qualquer etiologia, hipertensão crônica com eclâmpsia sobreposta (ou superajuntada) e hipertensão gestacional transitória. Tais condições possuem enorme relevância clínica, pois representam a maior causa de morte materna no Brasil. Classificação Pré-eclâmpsia Caracterizada como a presença de hipertensão e proteinúria após a 20ª semana de gestação (sendo mais frequentes no 3º trimestre) em gestantes normotensas previamente. A proteinúria é a presença de 300mg ou mais de proteína em urina de 24h ou >1+ em amostra isolada de urina ou relação proteinúria/creatinúria em amostra de urina >0,3. Em 2013, o American College of Obstetricians and Gynecologists, através de sua diretriz, definiu como critérios diagnósticos de Pré-eclâmpsia a presença de novo quadro hipertensivo sem proteinúria, encontrando um dos seguintes achados: Alteração da função hepática (elevação de transaminases 2x o valor normal);Trombocitopenia (<100.000/mm3);Piora da função renal (creatinina >1,1mg/dL ou 2x valor normal não possuindo presença de doenças renais);Edema agudo de pulmão;Sintomas visuais ou cerebrais. Obs: Atualmente, o edema não faz parte dos critérios diagnósticos. Eclâmpsia  É considerada como a presença de crises convulsivas em uma paciente com pré-eclâmpsia em que podemos descartar outras causas. Antes das convulsões, a paciente apresenta alguns sinais como cefaleia, epigastralgia, alterações visuais e dor no quadrante superior direito do abdome.

Thiago Guimaraes

2 min51 days ago

USG obstétrica | Colunistas

Embora o Ministério da Saúde brasileiro não preconize a realização da ultrassonografia (USG) durante o pré-natal de baixo risco, ela tem importância qualitativa nele, garantindo uma melhor assistência materno-infantil. A USG é um método não invasivo o qual não possui efeitos deletérios ao feto ou mãe e é importante para: datação da idade gestacional, avaliação da vitalidade fetal, crescimento do feto e detecção de malformações congênitas. Abordaremos a realização da USG obstétrica de maneira generalizada, com os principais aspectos a serem observados e analisados em cada trimestre da gestação, visto que não há a padronização quanto à realização desta. 1º Trimestre O ultrassom transvaginal permite o diagnóstico de certeza da gestação através da visualização do saco gestacional a partir de 4 – 5 semanas e a presença de batimentos cardíacos cardiofetais é detectada na 6ª semana. A USG realizada neste trimestre é a melhor para definição da idade gestacional através do comprimento cabeça-nádegas (CCN) entre 11 e 13 semanas, tendo menor chance de erros que a data da última menstruação. A realização da USG morfológica realizada juntamente ao perfil bioquímico neste trimestre, também, permite o rastreio de trissomias do 21 (Síndrome Down) e do 18 com a medida da translucência nucal entre 11 e 14 semanas, sendo realizada de preferência na 12ª semana. Figura 1: Saco gestacional. Fonte: Zugaib, 2016. Figura 2: Medida CCN. Fonte: Zugaib, 2016. Figura 3: Medida da Translucência Nucal e presença de osso nasal. Fonte: FEBRASGO, 2018. 2º Trimestre Neste trimestre realiza-se a USG morfológica entre 20 e 24 semanas, preferencialmente na 22ª

Larissa Faria

2 min52 days ago
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