Alterações neurofisiológicas envolvendo acuidade visual reduzida | Colunistas

A acuidade visual (AV) é a capacidade de percepção de objetos e formas, principalmente pela fóvea, sendo determinada pela habilidade de distinguir dois estímulos separados no espaço em contraste com o fundo. Portanto, quanto melhor a AV, melhor a nitidez dos objetos em foco. Trata-se de um dos parâmetros para avaliar o desempenho funcional do sistema visual, além do campo visual.1, 2 A alteração visual pode ser classificada como oftalmológica ou neurológica. Esta última classificação pode denominar tanto a lesão das vias ópticas quanto de motricidade muscular (lesão do nervo ou músculo). Esse artigo visa abordar o sistema visual, algumas causas neurofisiológicas de baixa acuidade visual e os sintomas apresentados pelos pacientes com esse tipo de comprometimento. O Sistema Visual O sistema visual tem início na função receptora e neural da retina, em que a luz alcança a retina atravessando todas as suas camadas até atingir a camada pigmentar. De forma sucinta, a luz provoca a degradação de substâncias químicas nos cones e bastonetes (fotorreceptores), excitando neurônios das camadas subseqüentes, as células bipolares e ganglionares. Os axônios dessas últimas dirigem-se para a papila (ou disco óptico), região desprovida de fotorreceptores e considerada o início do nervo óptico, sendo referenciada como o ponto cego da retina (figura 1A).3,4 Como a retina não é um tecido homogêneo, há certa perda da acuidade visual, exceto pela região central da mácula – a fóvea, na qual as camadas internas são deslocadas lateralmente para mitigar essa perda de acuidade (figura1B).3 A fóvea não se diferencia do restante da retina apenas pela densidade celular mais seletiva, mas também pela presença

Marina Baeta

5 min8 days ago

A relação entre saúde da visão e o desenvolvimento de pessoas portadoras de síndrome de down | Colunistas

Síndrome de Down e deficiência visual A Síndrome de Down é uma condição genética estudada há bastante tempo por cientistas e médicos, que buscam meios para alcançar melhores soluções e planos prognósticos para evitar complicações futuras para os portadores. Um dos principais problemas que pessoas nesta condição enfrentam são os acometimentos relacionados à visão. Se você pesquisar pela internet sobre “distúrbios visuais relacionados à Síndrome de Down”, você irá encontrar estudos controle, casos clínicos e revisões literárias com dados comprovando que crianças portadoras de Síndrome de Down possuem uma porcentagem bem mais elevada de problemas relacionados à visão que crianças não portadoras (Caso queira ver um desses estudos de maneira mais detalhada, acesse o link: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6587677/). Mas afinal, por que é tão importante ter essa ótica sobre os problemas de visão dos portadores de Síndrome de Down? Os problemas de saúde relacionados à visão acometem entre 15 a 50% das crianças nesta condição. Pessoas em fase de crescimento, precisam de uma variedade de estímulos para que possam aprender e entender um pouco o funcionamento do que estar ao seu redor, o que ganha uma importância maior em portadores de Síndrome de Down, que necessitam de uma maior atenção e de um plano de educação mais planejado. O estímulo visual é a maneira mais eficaz de ensinar uma criança com Síndrome de Down a desenvolver-se mentalmente e socialmente, o que significa que a visão se torna o pilar central para aprendizagem e que qualquer problema relacionado a ela pode acarretar graves prejuízos. Quais são os principais acometimentos oftalmológicos em crianças portadoras de Síndrome de Down? Entre

Fabio Ulisses

3 min12 days ago

Caso Clínico: Olho Seco | Ligas

Área: Oftalmologia Autora: Jorllâny Rayana de Barros Silva Revisor: João Victor Araújo Vieira Orientadora: Anamaria   Liga: Liga Acadêmica de Oftalmologia Clínica e Cirúrgica da Universidade Católica de Pernambuco (LAOCC-UNICAP) Apresentação do caso clínico Paciente do sexo masculino, 26 anos, branco, estudante do curso de ciências da computação, procedente e residente de Recife, Pernambuco, procurou ambulatório da Oftalmologia com queixas de sensação de ressecamento ocular, hiperemia ocular, sensibilidade à luz há cerca de 1 ano. Paciente relata que os sintomas pioram quando ele utiliza o computador, assiste televisão. Antecedentes pessoais: Nega hipertensão arterial sistêmica, nega diabetes mellitus, nega asma, nega reumatismo, nega cirurgias, nega alergias, não faz uso de lentes corretivas e nega uso de colírios. Antecedentes familiar: Pai: glaucoma (+) Mãe: Diabetes Mellitus tipo II e retinopatia diabética Ao exame oftalmológico: O paciente não apresenta alterações anatômicas, lesões cutâneas, alterações pigmentares e inflamatórias. Motilidade ocular preservada, Ponto Próximo de Convergência 7 cm. Acuidade visual: Avaliação visual para longe (sem correção): 20/20 ambos os olhosAvaliação visual para perto (sem correção): 20/20 ambos os olhos Biomicroscopia: Cílios bem implantados, ausência de blefarite, ponto lacrimal pérvio, glândulas de Meibomius pérvias, tempo de ruptura do filme lacrimal (BUT): 4 segundos em ambos os olhos (<10 segundos), menisco lacrimal < 1mm, Teste de Schirmer < 6 mm. Conjuntiva hiperemiada, sem presença de pterígio, córnea transparente em ambos os olhos, câmara anterior profunda sem reação em ambos os olhos, pupilas isocóricas e fotorreagentes, íris de morfologia normal,

Caso clínico: Palidez de nervo óptico a esclarecer | Ligas

Área: Oftalmologia Autora: João Victor Araújo Vieira Revisor: Ana Elizabeth Pereira Barbosa Orientadora: Anamaria Coutinho Liga: Liga Acadêmica de Oftalmologia Clínica e Cirúrgica da Universidade Católica de Pernambuco (LAOCC-UNICAP) Caso Clínico Paciente: M.A.C, 25 anos, natural do sul do país (RS) QPD: duplicidade na imagem à leitura de perto e certo embaçamento visual de longe mais acentuado à direita há 3 meses HDA: Refere o paciente que apresenta episódios de embaçamento visual de longe, mais acentuado em olho direito, sendo o primeiro episódio há cerca de 2 anos, com duração de poucas semanas. Há cerca de 3 meses notou duplicidade na imagem na leitura de perto. AP: Nunca usou óculos, nega HAS e DM, não sabe sobre alergia medicamentosa, episódio de herpes zoster na adolescência sem sequelas aparentes e dores do tipo furadas em coluna cervical com formigamento em mãos e braços. Taxas boas, exceto baixa vitamina D. AF: Mãe com “ fraqueza muscular “ e osteoporose, tendo desenvolvido catarata pelo uso de remédios (não sabe qual). Pai com diabetes tipo 2 e hipertensão arterial leve. Nega câncer e glaucoma. EXAME FÌSICO: Paciente hígido, boa deambulação. Leve exoforia  com hipofunção RM direito. O RFM direto parece algo reduzido à direita, o consensual parece normal.  Boa simetria de face, ausência de ptose. Notamos incômodo ao movermos o pescoço do paciente para a frente, referindo leves “choques “ que descem pelas costas. Perfusão periférica normal. Ao retornar após cicloplegia, temos: AVL   OD   +1,75  

Caso Clínico: Glaucoma Agudo na Urgência Oftalmológica | Ligas

Área: Oftalmologia Autores: Christiana Lopes do Amaral Oliveira Farias Revisor(a): Júlyo Thadeus Souza Costa de Páscoa Orientador(a): Anamaria Coutinho Liga: Liga Acadêmica de Oftalmologia da Universidade Catolica de Pernambuco (LAOCC) Apresentação do caso clínico Paciente, sexo feminino, 67 anos, hipermetrope admitida no Urgência do Hospital Santa Luzia, com queixa de quadro agudo com dor bastante intensa em olho esquerdo, cefaleia holocraniana, náusea e alterações visuais. Ao exame com oftalmoscópico observa-se meia midríase paralítica com câmara anterior rasa. Com Tonômetro de Goldman, foi realizado a medição da P.I.O. (Pressão intraocular) sendo de 31 mmHg. O diagnóstico foi de crise de glaucoma agudo, sendo realizado a internação da paciente para conduta de controle do glaucoma. Questões para orientar a discussão                 1. Qual é a possível conduta medicamentosa para o quadro? 2. Qual é a possível conduta cirúrgica para o quadro? 3. Quais os possíveis efeitos da crise de glaucoma aguda se não controlada? 4. Qual a fisiopatologia do glaucoma agudo de ângulo fechado? 5. Quais os outros possíveis diagnóstico diferenciais? Respostas Tratamento medicamentoso (emergencial): Sistêmico: Uso do Manitol 20% IV: dose de 1,5 – 2 g/kg. Auxilía a diminuição da PIO sendo um agente hiperosmolar, diminuindo o volume na camâra posterior pela desidratação e diminuição do humor vítreo. Acetazolamida VO: 250mg de 6 em 6 horas, pode ser iniciada com dose de ataque de 500mg. Age diretamente na diminuição da produção do humor aquoso por ser um

Caso Clínico: Ceratocone | Ligas

Área: Oftalmologia Autora: Ariosto Afonso e Daniel Sena Revisor:  Orientadora: Anamaria   Liga: Liga Acadêmica de Oftalmologia Clínica e Cirúrgica da Universidade Católica de Pernambuco (LAOCC-UNICAP) Apresentação do caso clínico Paciente do sexo feminino, 23 anos, branca, estudante do curso de medicina, procedente e residente em Recife, Pernambuco, solteira, agnóstica. Procurou ambulatório da Oftalmologia com queixas de visão borrada e distorcida. Paciente relata necessidade de frequentes mudanças de óculos e baixa tolerância ao uso de lentes de contato há 3 anos. Refere ainda desconforto ocular e fotofobia há cerca de 1 ano. Nesse último ano, nem com o uso óculos sua acuidade visual melhora. Antecedentes pessoais: Nega hipertensão arterial sistêmica, nega diabetes mellitus, nega asma, nega reumatismo, nega cirurgias. Relata que apresentou asma na infância e apresenta esporadicamente alergia ocular (ceratoconjuntivite atópica) Antecedentes familiar: Pai: Saudável Mãe: Diabetes Mellitus tipo II Ao exame oftalmológico: O paciente não apresenta lesões cutâneas, alterações pigmentares e inflamatórias. Motilidade ocular preservada, Ponto Próximo de Convergência 4 cm. Acuidade visual: Avaliação visual para longe (sem correção): 5/20 ambos os olhosAvaliação visual para perto (sem correção): 10/20 ambos os olhos Biomicroscopia: Cílios bem implantados, ausência de blefarite, ponto lacrimal pérvio. Conjuntiva normocorada, sem presença de pterígio, córnea de espessura fina e formato de cone, câmara anterior profunda sem reação em ambos os olhos, pupilas isocóricas e fotorreagentes, íris de morfologia normal, cristalino transparente. A paciente apresenta o sinal de Munson ao olhar para baixo e

Caso clínico: PTOSE PALPEBRAL | Ligas

Área: Oftalmologia Autora: Paloma Morcourt Diniz e Silva Orientadora: Anamaria Liga: Liga Acadêmica de Oftalmologia Clínica e Cirúrgica da Universidade Católica de Pernambuco (LAOCC-UNICAP) Apresentação do Caso Clínico Paciente do sexo feminino, 60 anos, parda, casada, assistente de secretaria em escola, natural de São Bento do Una-PE e procedente de Recife-PE. Vem ao ambulatório de Oftalmologia queixando-se de de diminuição da acuidade visual em ambos os olhos, de igual intensidade, além de relatar pupila midriática, também em ambos os olhos, sendo acompanhados de cefaleia. Refere início dos sinais e sintomas há cerca de 05 meses, não havendo nenhum fator de melhora ou piora. Antecedentes pessoais: DM HASAneurisma diagnosticado há 03 mesesNega cirurgias prévias Nega alergias Nega uso de lentes de contatoNega uso de colírios Antecedentes familiares: Pai: hipertensão, falecido devido AVC Mãe: glaucoma, hipertensão, diabetes  Ao exame oftalmológico: Alteração na motilidade ocular com diversos movimentos do olho durante movimentação da pálpebra superior. Não possui lesões cutâneas, alterações pigmentares ou inflamatórias. Biomicroscopia: Cílios bem implantados, ptose palpebral, ausência de blefarite, ponto lacrimal pérvio, glândulas de Meibomius pérvias. Conjuntiva sem alterações, córnea transparente em ambos os olhos. Pupilas midriáticas em ambos os olhos, não havendo resposta fotomotora. Íris de tamanho e morfologia normal. Cristalino transparente. Pressão Intraocular: Olho direito: 16mmHg Olho esquerdo: 15mmHg Fundo de olho: Olho direito: Nervo óptico corado, escavação papilar fisiológica 0,3 respeitando a INST, mácula e vasos preservados.Olho esquerdo: Nervo óptico corado, escavação papilar

Qual a diferença entre Uveíte anterior aguda e Conjuntivites? | Ligas

O que é Uveíte anterior aguda? É um subtipo de uveíte caracterizado pela inflamação preponderante do segmento anterior do olho. Pode se apresentar de três formas: irite (representando inflamação da íris com presença de células inflamatórias na câmara anterior, mas sem acometimento do vítreo anterior), ciclite (inflamação presente, principalmente no corpo ciliar) e iridociclite (representando processo inflamatório primário da íris, associado a inflamação secundária do corpo ciliar e presença de células inflamatórias na câmara anterior e no vítreo anterior). A maioria dos casos é por causa idiopática, entretanto esta patologia pode ser causada por infecção (tuberculose, sífilis, herpes) traumas, pós-cirurgias, doenças sistêmicas, como sarcoidose, Doença de Behçet, artrite reumatóide, espondiloartropatias soro negativas, artrite idiopática juvenil.  O que é Conjuntivites? É uma patologia definida pela presença de um processo inflamatório na conjuntiva. Existem diversos tipos de conjuntivite, como viral, bacteriana, alérgica, sendo estas as responsáveis pela maioria dos casos de conjuntivite, e traumática, química, entre outros. Com relação as conjuntivites bacterianas, os principais agentes etiológicos são Sthapylococcus aureus, Staphylococcus pneumoniae e Haemophilus sp, o acometimento é bilateral, sendo o segundo olho acometido dois a três dias após o primeiro. As conjuntivites virais são causadas principalmente pelo adenovírus, é autolimitada e costuma aparecer após um quadro de infecção respiratória ou exposição a uma pessoa com tal infecção. As conjuntivites alérgicas, ocorre a partir de uma reação de hipersensibilidade tipo 1 mediada por IgE, o paciente, geralmente tem história de atopia e apresenta como fatores desencadeantes o contato com animais, polém, poluentes, picadas de insetos ou qualquer substância que seja capaz de desencadear uma reação de hipersensibilidade.   Diferenciando os sintomas Sintomas da Uveíte anterior aguda Dentre as uveítes, a uveíte

Qual a diferença entre Glaucoma Agudo e Uveíte Anterior Aguda? | Ligas

O que é Glaucoma Agudo? Glaucoma Agudo, também conhecido como Glaucoma de Ângulo Fechado, define-se como alterações fundoscópicas (comprometimento do nervo óptico) e acometimento do campo visual decorrente da elevação da pressão intraocular (PIO) de início rápido. A crise de glaucoma geralmente advém do fechamento do ângulo de drenagem do humor aquoso pela midríase. Portanto, o desencadear do glaucoma agudo é mais comum durante a noite. A apresentação do quadro envolve dor ocular forte, hiperemia ocular, redução da acuidade visual, náuseas e vômitos. Apesar de incomum, a crise de glaucoma agudo não pode ser ignorada visto as complicações relacionadas, sendo a principal a perda visual rápida e irreversível. Dessa forma, o glaucoma aguda é classificado como emergência oftalmológica. O que é Uveíte Anterior Aguda? A Uveíte é, por definição, a inflamação da camada uveal (camada média, vascular) do globo ocular. Tratando-se da Uveíte Anterior, caracteriza-se a íris e o corpo ciliar como estruturas acometidas. Sua causa é, principalmente, idiopática. Apresentando dor, fotofobia e perda da acuidade visual do olho acometido. Diferenciando os sintomas Uma das principais diferenças das manifestações clínicas do Glaucoma Agudo para a Uveíte Anterior é a resposta pupilar à luz e sua apresentação, sendo a pupila de um olho acometido por glaucoma não reativa à luz e midriática, enquanto a pupila de um olho com uveíte apresenta miose e baixa reatividade à luz. Outra forma de diferenciar bem as duas patologias é por meio da aferição da Pressão Intraocular, visto que esta estará elevada em um paciente portador de Glaucoma de Ângulo Fechado em crise. Um aspecto muito importante que deve sempre ser avaliado é a
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