Entendendo o teste do reflexo vermelho | Colunistas

Também conhecido como teste do olhinho, o teste do reflexo vermelho (TRV) é um exame de rastreamento que permite identificar algumas anormalidades que alteram a transparência dos meios oculares. Dessa forma, o teste alterado indica investigação adicional para correta identificação da causa envolvida.             É um teste rápido, indolor, de baixo custo, que envolve uma técnica simples, com uma boa relação custo-benefício. Além disso, não é invasivo. O TRV é indicado pelo Ministério da Saúde, de acordo com as Diretrizes de Atenção à Saúde Ocular na Infância, para todas as crianças. Esse exame pode estar alterado nas principais causas de cegueira na infância (catarata infantil, retinocoroidite por toxoplasmose, glaucoma congênito e retinopatia da prematuridade). Quando essas doenças são identificadas e tratadas precocemente, é possível prevenir a morbidade e o prejuízo no desenvolvimento e na qualidade de vida das crianças.             Durante a leitura do texto, você poderá identificar quais doenças podem ser diagnosticadas a partir de um TRV alterado, entender a técnica de realização do exame e saber quando é preconizada sua realização. Além disso, será discutida também a conduta do profissional diante dos possíveis resultados do exame. Quais as doenças que podem ser identificadas a partir da alteração do teste do reflexo vermelho?             O TRV encontra-se alterado nas desordens que causam opacidade dos meios oculares. Sendo assim, as principais doenças que podem ser diagnosticadas durante a investigação de um TRV alterado incluem: Catarata: altera a transparência do cristalino;Glaucoma: altera a transparência da córnea;Toxoplasmose e outras doenças inflamatórias: alteram a transparência do vítreo;Retinoblastoma: altera a transparência da retina. O descolamento de retina também pode ser identificado. Porém, para que isso aconteça, o descolamento de retina geralmente está em uma

Liliane Coelho

4 minhá 61 dias

Trombose de seio cavernoso: como não perder de vista esse diagnóstico |Colunistas

Chegou a hora tão esperada por todo médico recém-formado, o primeiro plantão! Um misto de alegria, medo (mais medo do que alegria, eu confesso) e apreensão. Você pensa: “O que será que vai aparecer por aqui hoje?”. Eis que seu primeiro paciente é Helena, uma mulher de 65 anos, com queixa de “dor atrás do olho direito, com olhar desviado há 1 dia”. Refere também cefaleia, diplopia, olho vermelho, baixa acuidade visual e febre alta (39°C). É diabética, hipertensa em uso irregular das medicações e apresentou sintomas de sinusite há 1 semana, tratados com amoxicilina por apenas 3 dias, pois os sintomas melhoraram e ela decidiu parar as medicações para “não atacar o estômago”. Ao examiná-la, você observa que o olho direito está realmente muito vermelho, os vasos parecem ingurgitados, há quemose e uma visível proptose. Além disso, há paralisia do nervo abducente. Os sinais vitais começam a te assustar pois ela está com 39°C, 110bpm, PA 90 x 60 mmHg e perfusão capilar periférica igual a 3s. Você logo pensa: “Meu Deus, eu devia ter prestado mais atenção às aulas de oftalmologia da faculdade!” Calma, depois de hoje, você nunca mais vai errar esse diagnóstico, que é raro, porém muito importante. Introdução Os seios cavernosos são plexos venosos localizados lateralmente à sela túrcica; apresentam-se como espaços trabeculados delimitados por camadas de dura-máter e são preenchidos por sangue venoso proveniente principalmente das veias oftálmicas superiores e inferiores. Por ele passam os nervos oculomotor (III par), troclear (IV par), abducente (VI par), ramos V1 e V2 do nervo trigêmeo (V par) e a porção intracavernosa da artéria carótida interna que contém ao seu redor, fibras simpáticas. A trombose

Dra Carol Bonini

5 minhá 66 dias

Rotina da residência de Oftalmologia

Muitos médicos e estudantes de medicina se interessam em saber um pouco mais da rotina da residência de oftalmologia, já que é uma das residências mais concorridas atualmente. Além disso, é uma especialidade que atua no diagnóstico, tratamento e prevenção de afecções relacionadas à um dos órgãos mais incríveis do corpo humano. Em 2018, de acordo com a Demografia Médica no Brasil, foi revelado que havia 13.825 mil médicos oftalmologistas no país, o equivalente a 3,6% do total de médicos registrados. Ao mesmo tempo, neste mesmo ano, os recém-formados que optaram pela especialização formavam 5% do total de entrevistados. Diversos serviços oferecem residência em oftalmologia no país. Dentre os que mais se destacam estão a USP, Unifesp e o Banco de Olhos de Sorocaba. Em todas as instituições, a oftalmologia é uma das especialidades mais concorridas. Na USP, por exemplo, a concorrência em 2020 foi de 18.57 candidato/vaga. Para conhecer um pouco mais da especialidade e da rotina do residente de oftalmologia, convidamos Daniel Filipe Oliveira Rabelo, formado em 2016 pela Funorte em Minas Gerais e atualmente residente do segundo ano de oftalmologia na Universidade Federal da Bahia. A escolha da residência A escolha da residência é um momento fundamental na carreira do médico, e usualmente, leva em consideração diversos aspectos, tanto pessoais quanto profissionais. Inicialmente, Daniel teve dúvida entre Oftalmologia e Radioterapia. Porém, após cursar 2 meses da última especialidade, decidiu ir em busca do que realmente se identificava. Nesse caso, a Oftalmologia destaca-se por ser uma área de acesso direto e que contempla a parte clínica e cirúrgica da Medicina. Além disso, é uma especialidade com perfil mais resolutivo, como conta Daniel. “A Oftalmologia é uma

Sanar Residência Médica

5 minhá 83 dias

Revendo a oftalmo | Colunistas

Olhando o passado             Na última sexta-feira de outubro deste famigerado ano de 2020, concluí minha participação no internato de oftalmologia da UFPB, a federal da Paraíba. Eu e meus colegas, agradecidos pela acolhida que tivemos no setor, nos cotizamos para fazer uma confraternização. Contudo, entre salgados, bolos e “refris”, o que houve de mais saboroso na “confra” foi ouvir dos residentes, preceptores e da enfermagem, foi que nós tínhamos desempenhado um bom trabalho junto à equipe. Segundo um residente nos confidenciou, havia uma cultura de que a oftalmo, por ser específica demais, não atraía a atenção dos internos, que buscavam nela mais um período de descanso que de aprendizado – felizmente nosso grupo quebrou esta “maldição”. Ressalto, todavia, que estas linhas não são uma autopropaganda travestida de literatura (elogio em boca própria é vitupério, já dizia Cervantes), mas a constatação do óbvio:  a vida é uma amante justa, que se oferece na medida da nossa entrega, e isso vale dentro e fora da oftalmologia. Só não enxerga quem não quer. A oftalmo olho no olho             Em virtude do reduzido número de cirurgias (por conta do “coronga”), não fomos ao bloco cirúrgico, mas acompanhamos diversos serviços em caráter ambulatorial, como os setores de retina, plástica, clínica geral e, especialmente, o plantão, onde são recebidos pacientes com as mais diversas demandas oftalmológicas de urgência e emergência. Digo sem reservas que minha passagem pela oftalmo e, sobretudo, pelo plantão da oftalmo, me permitiu conhecer o que realmente se pode denominar doenças prevalentes da oftalmologia. Graças a esta vivência, comecei a ver a oftalmo não como “coisa de especialista”, mas sim um espaço acessível ao médico generalista, que frequentemente se depara com cataratas, conjuntivites e traumas oculares, diante

Clayton Moura

2 minhá 85 dias

Tudo o que você precisa saber sobre o nervo oculomotor | Colunistas

1. Definição e trajeto O nervo oculomotor constitui o III par de um agrupamento de doze nervos conhecido como os nervos cranianos. Esse grupo recebe esse nome porque emerge através dos acidentes anatômicos cranianos, como as fissuras e os forames e estão envolvidos por bainhas tubulares que são originadas das meninges cranianas. O nervo oculomotor possui sua origem no mesencéfalo; a partir desse ponto, atravessa a dura-máter no sentido lateral ao diafragma da sela que atua como teto para a glândula hipófise, depois transpassa o teto e a parede lateral do seio cavernoso. Nesse ponto, o nervo oculomotor deixa a cavidade do crânio e entra na órbita por meio da fissura orbital superior. A partir dessa fissura, o nervo oculomotor se divide em dois segmentos: a divisão superior, que é responsável pela inervação dos músculos reto superior e levantador da pálpebra superior; e a divisão inferior, que inerva os músculos retos inferior e medial e o músculo oblíquo inferior.   2. Funções               Como funções, o nervo oculomotor possui duas principais. A primeira corresponde à função motora somática, do grupo eferente somático geral, que equivale à condução de impulsos referentes a temperatura, dor, pressão, tato e propriocepção, inervando os seguintes músculos do bulbo do olho: músculos retos superior, medial e inferior e oblíquo inferior. A segunda função é motora visceral, do grupo parassimpático-eferente visceral geral, responsável pela condução de impulsos para o músculo liso, que inerva o músculo liso do esfíncter da pupila, responsável pela constrição da pupila, e o músculo ciliar, responsável pela acomodação visual.             Existem dois núcleos oculomotores, um para cada função do nervo oculomotor. O núcleo motor somático está localizado no mesencéfalo e o núcleo motor

Allison Diego Bezerra

4 minhá 152 dias

Interpretação do reflexo pupilar | Colunistas

O reflexo pupilar à luz ou reflexo fotomotor é parte de um exame neurológico padrão. Ele avalia o reflexo de constrição da pupila, chamada miose, diante da incidência de luz direta no olho a ser testado. Portanto, podemos avaliar anormalidades na via aferente do nervo óptico ou na via eferente visceral do nervo oculomotor.             Vamos, então, analisar como esse reflexo acontece e quais são as estruturas envolvidas. Via aferente somática especial A luz, incidida diretamente em um globo ocular com o auxílio de uma lanterna, atinge a retina. A alta intensidade luminosa é traduzida em sinais elétricos, potenciais de ação, transportados pelo nervo óptico, correspondente ao II par de nervos cranianos. Ele se une ao nervo óptico do lado oposto, formando o quiasma óptico. Essa região, anterior ao diencéfalo, permite o cruzamento de parte das fibras do nervo óptico para o lado contralateral. Elas continuam como trato óptico até atingir o corpo geniculado lateral do tálamo. Via eferente visceral geral Essas fibras sensitivas podem partir do corpo geniculado lateral em direção aos núcleos pré-tectais bilaterais do mesencéfalo, fazendo sinapses com os seus neurônios, que se comunicam com os neurônios dos núcleos do III par de nervos cranianos do nervo oculomotor. Esse nervo, além de possuir um componente eferente somático dos músculos extrínsecos do bulbo ocular, possui um componente eferente visceral, com inervação parassimpática. O núcleo do nervo oculomotor está localizado no tronco encefálico, no mesencéfalo, ao nível do colículo superior. Mais especificamente, os neurônios pré-ganglionares estão no núcleo Edinger-Westphal. A informação para a miose da pupila, caminha, então, até o gânglio ciliar, de onde parte o neurônio pós-ganglionar da via. Este atua diretamente sobre o músculo esfíncter da pupila,

Gabriela Bochi

4 minhá 155 dias
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