Globus faríngeo – além do refluxo gastroesofágico | Colunistas

Quando ouvimos um paciente referir uma sensação de “bola/nó na garganta”, o famoso globus faríngeo, imediatamente o nosso cérebro emite um alerta gritando “REFLUXO GASTROESOFÁGICO!”, não é? Mas este sintoma vai muito além disso, e hoje iremos conversar um pouquinho sobre curiosidades, causas e como tratá-lo. De manifestação psíquica a orgânica              Nos tempos de Hipócrates, o globus era considerado problema feminino. Acreditavam que o útero era um órgão móvel e se locomovia até a região cervical, causando o desconforto. Esta visão, depois de percebido que o útero não é um órgão “viajante”, abriu espaço para a teoria de que se tratava de uma manifestação presente em pacientes em menopausa com desordens psiquiátricas, como a personalidade histriônica. Dessa forma, o globus recebeu o sobrenome “hystericus”.  E pasmem: esta forma de enxergar o globus apenas foi desmitificada na década de 60/70, quandotrocou denome e passou a ser conhecido como “globus faríngeo”, após ser observada uma correlação entre ele e sintomas faríngeos. A partir deste momento, foi quebrado o estigma de condição psiquiátrica feminina para se tornaruma manifestação presente em ambos os sexos, mas háumporém: sua etiologia exata ainda é desconhecida, há estudos que ainda o associam a questões psiquiátricas, e outros associando-o a causas orgânicas. As causas             Conforme o spoiler acima, não temos definida uma causa exata para o globus faríngeo. Ele é um distúrbio abrangido tanto pela questão psiquiátrica (inclusive consta no DSM-V) quanto pela questão somática, havendo critérios diagnósticos no Consenso Roma IV.             Pelo que é descrito na literatura, há algumas doenças/alterações anatômicas possivelmente desencadeadoras, mas é difícil afirmar que de fato são a causa, ou se apenas se trata de associações. Entre elas estão a

Bárbara Galardino

3 minhá 72 dias

Laringite aguda: o que fazer?

Estima-se que um adulto tenha de 2 a 5 infecções das vias aéreas superiores por ano. Enquanto que, em crianças, esse número pode ir para até 9 episódios anuais. E ai, você saberia o que fazer no caso de laringite aguda? Abordamos esse tema no nosso Super Material de Otorrinolaringologia do SanarBooks, de onde estamos tirando essas informações! As infecções agudas ocorrem como uma evolução de uma infecção das vias aéreas superiores (IVAS). Por isso, levam a inflamação da mucosa das pregas vocais e o aumento da produção de muco. Os pacientes que evoluem com infecção laríngea costumam apresentar rouquidão, odinofagia e tosse. A laringite aguda é a principal causa de disfonia na população geral e sua etiologia é predominantemente viral. A doença costuma ser autolimitada, com melhora da disfonia em até 7 dias. Crupe ou laringotraqueobronquite A síndrome de crupe é um conjunto de doenças infecciosas das vias aéreas. Elas variam em gravidade, etiologia e acometimento anatômico, podendo gerar inflamação na laringe e nas vias subglóticas. É a causa mais comum de obstrução das vias aéreas em crianças. Isso ocorre pois a epiglote e a glote formam um ângulo mais agudo na criança. Os sintomas costumam se iniciar com um quadro de infecção das vias aéreas superiores e evoluem com sinais de obstrução das vias aéreas inferiores. Surgem então rouquidão, tosse ladrante, estridor inspiratório, febre, taquipneia e uso de musculatura acessória. Se houver acometimento brônquico, podem ocorrer sibilos. Os sintomas costumas ser piores a noite e duram cerca de 3 a 7 dias. O tratamento visa manutenção da perviedade das vias aéreas. Corticosteroides, por exemplo, diminuem a

Carreira Médica

1 minhá 104 dias

Otosclerose: etiologia, diagnóstico e tratamento | Colunistas

A otosclerose  A otosclerose consiste em uma doença inflamatória, relatada com predominância média de 8,5% dentre as patologias auditivas, na qual os osteoclastos absorvem osso lamelar, substituído, por sua vez, por um osso de maior espessura, celularidade e vascularidade. Ela pode ser assintomática, provocar hipoacusia de transmissão ー por anquilose, devido ao prejuízo às articulações entre os ossículos martelo, bigorna e estribo ー ou provocar hipoacusia sensorial (perda neurossensorial) se atingir o labirinto. Em cerca de ¾ dos pacientes, a doença é bilateral e 50% dos doentes possui histórico familiar. Anatomia básica da orelha  A orelha é dividida em três regiões que interagem entre si para promover o sentido da audição: externa, média e interna. Na parte externa, tem-se o pavilhão auricular, o qual é formado pelo esqueleto fibrocartilaginoso, e o canal auditivo externo (CAE), cuja composição é ⅓ cartilagínea (externo) e ⅔ óssea (internos). O CAE conduz as ondas sonoras até a membrana timpânica, enquanto ela permanece tensionada por músculos, promovendo a reverberação. Já na região média estão presentes a caixa do tímpano, a cadeia de ossículos (martelo, bigorna e estribo) e os músculos que os tensionam. A parte mais interna da orelha, localizada no osso temporal, é dividida em labirinto anterior e posterior. O labirinto posterior consiste em dois sistemas de cavidades ósseas (canais semicirculares e vestíbulo) e um labirinto membranáceo. Já o labirinto anterior contém apenas a cóclea, uma estrutura de grande importância na transformação dos estímulos sonoros em ondas elétricas despolarizantes de membrana. Além disso, os canais do labirinto membranáceo contêm dois tipos de fluidos: a perilinfa, que preenche as escalas timpânica

Bianca de Araújo Sobral

5 minhá 130 dias

Resumo sobre laringite (completo) – Sanarflix

Definição O termo laringite é sinônimo de inflamação laríngea, o que implica uma resposta local a dano tecidual, caracterizado por dilatação capilar e infiltração leucocitária. A laringite aguda é uma condição autolimitada que dura menos de três semanas e geralmente está associada a uma infecção do trato respiratório superior, principalmente viral. As infecções geralmente ocorrem durante um período de até sete dias, com febre e comprometimento das vias aéreas, sendo mais prevalente na infância. Causas não infecciosas incluem tensão vocal excessiva, refluxo gastroesofágico e inalação de irritativos.  Laringite infecciosa   A laringotraqueíte aguda (também denominada de crupe viral) pode ser definida como uma infecção viral subaguda de vias aéreas alta caracterizada por tosse tipo “latido de cachorro”, febre e estridor. Os agentes mais comuns são o vírus parainfluenza 1 e 2, e influenza tipo A. Ocorre mais frequentemente no outono e inverno, com crianças de 1 a 3 anos, e duração média de 3 a 7 dias. Pode ser chamada atípica quando ocorre em menores de 1 ano, duração maior que 7 dias, ou quando não tem curso benigno com resolução espontânea e, nestes casos, deve-se pensar em corpo estranho, estenose subglótica, traqueíte bacteriana.  O resfriado comum é a infecção viral do trato respiratório superior manifestado geralmente por coriza, tosse, febre baixa e cefaléia. Ocasionalmente, quando há acometimento inflamatório da laringe, pode ocorrer disfonia. Pode ser causado por diversos agentes como rinovirus (mais frequente), adenovírus (geralmente com maior dificuldade respiratória), picornavirus, entre outros. O quadro é autolimitado e em cerca de 50% dos casos o agente não é identificado.  Embora a etiologia da infecção na maioria dos casos seja considerada viral, foram isolados da nasofaringe de

SanarFlix

3 minhá 132 dias

Resumo de estomatite (Completo) – Sanarflix

Definição Estomatite é o nome dado a toda inflamação da mucosa bucal ou orofaringe, podendo causar dor e prejudicar a ingestão de alimentos e líquidos. As causas principais são infecções, doenças sistêmicas, irritantes químicos ou físicos e reações alérgicas. No entanto, a maioria dos casos são idiopáticos, ou seja, não há uma causa conhecida.  Diagnosticar e tratar essas lesões orais pode ser um desafio para muitos médicos, pois muitas dessas lesões se assemelham mesmo sendo de etiologias diferentes. Além disso, a maioria dos médicos recebe treinamento inadequado na avaliação e tratamento de doenças bucais.  Etiologia da estomatite    Mesmo que a maioria dos casos seja de origem idiopática, existem diversos diagnósticos diferenciais para estomatite. Para facilitar o raciocínio diagnóstico, o ideal é identificar o tipo da lesão (branca, ulcerosa ou bolhosa) e, posteriormente, pensar as possíveis causas para cada tipo. Como a produção de saliva protege a mucosa oral, a xerostomia é um fator predisponente para a estomatite.  A estomatite aftosa recorrente (EAR) é a afecção mais comum da mucosa oral. Apesar das constantes pesquisas e preocupação clínica, sua causa permanece obscura. Normalmente a EAR surge como uma ulceração epitelial nas superfícies mucosas não queratinizadas de partes móveis da boca como língua, palato mole e parte interna dos lábios e bochechas. Lesões orais erosivas, ulcerativas e bolhosas são muito comuns, com amplo diagnóstico diferencial, incluindo processos infecciosos, autoimunes e inflamatórios. Entre as causas infecciosas as virais são as mais comuns, como a herpes simples, varicela zoster e influenza. Doenças sexualmente transmissíveis como HIV, gonorreia e sífilis eventualmente também podem causar estomatite.  Lesões erosivas causadas pelo Herpes Simples. 

SanarFlix

3 minhá 150 dias

Vertigem na emergência: de diagnósticos benignos a fatais | Colunistas

Os pacientes que chegam ao departamento de emergência com desorientação espacial irão referir suas queixas como tontura, um termo inespecífico, frequentemente usado pelos pacientes para descrever sintomas de vertigem, tontura inespecífica, desequilíbrio e pré-síncope. Se for uma tontura vertiginosa, o paciente irá relatar ilusão de movimento rotatório (sensação das coisas girando) em torno do ambiente ou vice-versa. Após confirmar que se trata de vertigem, é preciso diferenciar se estamos diante de uma síndrome vestibular aguda (SVA) ou de uma vertigem recorrente. Na vertigem recorrente, o paciente tem as manifestações mais de uma vez e melhoram após alguns minutos, como na vertigem posicional paroxística benigna (VPPB), ou tem uma manifestação que dura horas e melhora logo após, como ocorre na doença de Ménière. Diferentemente, a SVA tem instalação abrupta, piora progressivamente por horas ou dias e melhora após dias ou semanas. Esta síndrome é a nossa verdadeira preocupação na emergência, pois ela pode ter causas periféricas (menos graves), como a neurite vestibular, e causas centrais (potencialmente fatais), como AVC de fossa posterior. Para entender a importância dessa diferenciação, em um estudo recente, pacientes que procuraram o departamento de emergência e foram diagnosticados com lesão vestibular periférica ou vertigem posicional paroxística benigna realizaram, com igual frequência, exame de imagem. Isso significa que houve um excesso de pedidos de ressonância em pacientes com VPPB (quando não há indicação de exame de imagem), e provavelmente uma falha com menos pedidos do que o necessário em casos de neurite vestibular (quando é importante excluir casos de vertigem central). Se o caso for realmente de um paciente com SVA, o que fazer? A principal finalidade da abordagem da tontura na emergência é a exclusão de causas

Marcos Vinicius Silva

4 minhá 154 dias
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