40 anos de Alma-Ata: desafios da Atenção Primária à Saúde no Brasil e no mundo

40 anos de Alma-Ata: desafios da Atenção Primária à Saúde no Brasil e no mundo

Autores:

Luiz Felipe Pinto,
Daniel Soranz,
David Ponka,
Luís Augusto Pisco,
Zulmira Maria Hartz

ARTIGO ORIGINAL

Ciência & Saúde Coletiva

versão impressa ISSN 1413-8123versão On-line ISSN 1678-4561

Ciênc. saúde coletiva vol.25 no.4 Rio de Janeiro abr. 2020 Epub 06-Abr-2020

http://dx.doi.org/10.1590/1413-81232020254.01012020

A Conferência Internacional sobre Cuidados Primários de Saúde, realizada pela OMS em Alma-Ata, na República do Cazaquistão, acaba de ultrapassar 40 anos. Ela expressava, em setembro de 1978, a “necessidade de ação urgente de todos os governos, de todos os que trabalhavam nos campos da saúde e do desenvolvimento e da comunidade mundial de promover a saúde de todos os povos do mundo”. A chamada “Declaração de Alma-Ata”1 enfatiza a Atenção Primária à Saúde (APS), salientando a necessidade de foco especial nos países em desenvolvimento, reafirmada na Conferência de Astana2.

Os organizadores deste número temático se sentem muito felizes de saber que no ano em que comemora seu 25º aniversário, a Ciência & Saúde Coletiva consolida sua linha de discussão da Estratégia Saúde da Família (ESF) e amplia o espaço para debater a Medicina de Família e Comunidade (MFC), nesta que é a principal revista de Saúde Pública brasileira, segundo o índice do Google Metrics para periódicos em língua portuguesa. A pretensão, desde o início, foi trazer à baila e divulgar temas que se consideram fundamentais sobre a atenção primária, na região das Américas e Íbero-Americana.

Esta edição contém 23 artigos sobre o tema em pauta, escritos por cerca de 80 autores de nove países (Brasil, Uruguai, Peru, Jamaica, Haiti, Estados Unidos da América, Canadá, Portugal e Espanha). A maior parte dos textos foi escrita por médicos de família, profissionais da Estratégia Saúde da Família, professores e pesquisadores da área. Eles abordam o tema sob três eixos: (1) gestão, modelos de atenção, avaliação da organização da APS e processo de trabalho das equipes de APS; (2) formação profissional em APS e MFC (internato, programas de residência, mestrado); (3) aspectos epidemiológicos, sistemas de informação, prontuários eletrônicos e uso de tecnologias para ampliação do acesso (telessaúde/telemedicina para áreas remotas). Aliás, sobre essa última questão, o tema apresentado pelo artigo do grupo de pesquisadores da UFRGS foi um dos destaques do Prêmio “APS Forte para o SUS – Acesso Universal”, outorgado pela OPAS3 em outubro de 2019, representando a experiência brasileira mais virtuosa no âmbito do SUS para a ampliação de acesso e regulação dos serviços, com o uso de tecnologias de telemedicina padrão-ouro, que caracteriza a nova era da saúde digital nos cuidados personalizados4 e a integração de necessidades complexas. Esperamos que os leitores apreciem tanto por essas lições inovadoras, como também para mais uma vez reconvocar a necessidade de ancorar os sistemas de saúde na atenção primária à saúde.

REFERÊNCIAS

1 Declaração de Alma Ata sobre Cuidados Primários. 1978. [acessado 2019 Dez 22]. Disponível em:
2 World Health Organization (WHO). Declaration on Primary Health Care, Astana 2018. [acessado 2019 Dez 26]. Disponível em:
3 Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS). Prêmio APS Forte para o SUS - Acesso Universal. Finalistas do Prêmio APS Forte para o SUS. [acessado 2019 Out 29]. Disponível em:
4 Ribeiro JM. Saúde Digital, um sistema de saúde para o século XXI. Lisboa: Fundação Francisco Manuel dos Santos; 2019.
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