A ciência odontológica brasileira

A ciência odontológica brasileira

Autores:

David Normando

ARTIGO ORIGINAL

Dental Press Journal of Orthodontics

versão impressa ISSN 2176-9451

Dental Press J. Orthod. vol.19 no.2 Maringá mar./abr. 2014

http://dx.doi.org/10.1590/2176-9451.19.2.014-014.edt

"Os homens distinguem-se pelo que fazem; as mulheres, pelo que levam os homens a fazer." (Carlos Drummond de Andrade, poeta mineiro)

Há três anos, um editorial sublime1exaltava o audacioso crescimento na produção científica da Odontologia brasileira. No texto, nosso ex-editor arriscou previsão na qual o Brasil ocuparia, a partir de 2015, o papel de maior produtor mundial de conhecimento na área odontológica. O autor se calcou nos dados da base Scopus, que na época sequer incluía o Dental Press Journal of Orthodontics (DPJO). Atualmente, essa base disponibiliza dados relativos até o ano de 2012, que incluem o DPJO como o periódico com maior número de publicações científicas na Odontologia brasileira.

No cenário atual, leia-se até 2012, continuamos ocupando a segunda posição na produção científica mundial. Porém, já começamos a espreitar, com a pupila de um lince, uma aproximação com os Estados Unidos, o país com a maior produção. Estamos crescendo feito gigante. Para se ter uma ideia, em 2009, a produção científica estadunidense na área odontológica era 66% maior do que a brasileira. A cada ano, a diferença veio se estreitando, até que em 2012 chegou a 20%. Não se espantem se a produção brasileira ocupar o primeiro posto ainda em 2014. Destarte, temos a convicção de que a inclusão do DPJO na base Scopus contribuiu para a aceleração desse crescimento, conforme hábil previsão1.

Um olhar para o próprio umbigo revela indicadores ainda mais cintilantes. Dez anos atrás, em 2002, constavam na base Scopus apenas 171 artigos produzidos pela área odontológica do Brasil. Em 2012, foram 1.533. O nosso fator H, quociente que revela o impacto do conhecimento produzido, vem crescendo em ritmo galopante. Atualmente, o país ocupa a oitava posição na área odontológica, o que não deixa de ser um orgulho para uma produção ainda adolescente. A melhora nesses indicadores está fortemente associada às políticas governamentais de acompanhamento da efusiva produção científica da pós-graduação brasileira, a despeito de qualquer crítica. Ou seja, precisamos reconhecer que alguém comanda essa batuta num ritmo que lembra bateria nota 10 de escola de samba.

Ademais, devemos reconhecer que os periódicos científicos made in Brazil têm contribuído substancialmente para dar visibilidade ao notório incremento na produção intelectual da nossa pós-graduação. Atualmente somamos, na base Scopus, sete periódicos produzidos no Brasil: em 2012, essas revistas científicas publicaram 675 artigos (enquanto em 2002 existiam apenas dois periódicos, que publicaram 96 artigos). Nesse momento da leitura, o seu olhar poderia envesgar em direção a uma crítica importante: são números, apenas. Nada disso. Com o substancial incremento do nosso fator H e a saudável melhora de qualidade na produção das pós-graduações, impossível seria elencar nesse editorial as técnicas capazes de corrigir o estrabismo.

Nesse contexto, a Ortodontia, não obstante, tem muito a comemorar. Em 2012, fomos o país com maior produção científica em periódicos nessa subárea, com importante participação do DPJO - um periódico indexado nas principais bases bibliográficas mundiais. O fator H da Ortodontia brasileira é o terceiro do mundo, e temos a convicção de que a inserção do DPJO na base PubMed/MEDLINE, em 2013, contribuirá, sobremaneira, para novas conquistas em um futuro não tão distante.

A ciência odontológica brasileira continua fervilhando e, num contraponto matemático, desafia a própria regressão à média. A posição alcançada é consequência de uma ação que envolve um número incomensurável de pesquisadores de todos os rincões desse imenso país; tais como ritmistas, de uma bateria de escola de samba, que irrompem as madrugadas. Gente ensandecida, que acredita ser capaz de produzir conhecimento científico de ponta. Acreditar é atitude primaz, por isso a euforia. Todos nós estamos sob o enredo primoroso de bela liderança - maestrina, diga-se -, de transpiração incansável e inspiração inebriante; dessas que arrastam foliões por sua sagacidade. Somente a sensibilidade de Drummond para uma descrição tão sublime das mulheres da sua terra.

REFERÊNCIAS

1. Faber J. In 2015, Brazil will become the main knowledge producer in dentistry in the world. Dental Press J Orthod. 2011 Mar-Apr;16(2):6-7.