A fenomenologia do envelhecer e da morte na perspectiva de Norbert Elias

A fenomenologia do envelhecer e da morte na perspectiva de Norbert Elias

Autores:

Lina Faria,
Luiz Antonio de Castro Santos,
Rafael Andrés Patiño

ARTIGO ORIGINAL

Cadernos de Saúde Pública

versão On-line ISSN 1678-4464

Cad. Saúde Pública vol.33 no.12 Rio de Janeiro 2017 Epub 18-Dez-2017

http://dx.doi.org/10.1590/0102-311x00068217

ABSTRACT

This study focuses on the contribution by German sociologist Norbert Elias (1897-1990) to the theme of aging and death. A reading of Elias’ work allows reconsidering his analyses and perspectives on the thresholds of aging and death in societies with different demographic histories. Norbert Elias addressed these issues in The Loneliness of the Dying, published in 1982 in Germany and with an expanded version in 1985 in England. The author delves into his own experience with aging as inspiration for constructing his work, referring to his personal history and career as a social scientist, dialoguing with both the social and human sciences and with knowledge in the field of health. Elias endeavors to understand how the aging body is experienced and represented by the elderly person and how younger people grasp the processes and stages of advancing age. His thinking is attuned to the multiplicity of metaphors and meanings on finitude, on processes of aging and rites of passage in “younger” societies or more demographically “mature” ones. These are the concerns and inquiries of Norbert Elias that we will reflect on, in dialogue with his studies on finitude or the final moments of existence.

Key words: Aging; Death; Bereavement

RESUMEN

Este texto se centra en la contribución del sociólogo alemán Norbert Elias (1897-1990) al tema de envejecer y de la muerte. La lectura de Elias permite reconsiderar sus análisis y perspectivas, en relación con los umbrales del envejecimiento y de la muerte en sociedades con diferentes trayectorias demográficas. Norbert Elias abordó los temas del envejecimiento y muerte en su obra La Soledad de los Moribundos, publicada en 1982 en Alemania y, en su versión ampliada, en 1985, en Inglaterra. El autor busca en la propia experiencia del envejecimiento una inspiración para la construcción de su trabajo, refiriéndose a su historia personal, y a su trayectoria como científico social, dialogando tanto con las ciencias sociales y humanas, así como con los conocimientos en el área de la salud. Elias quiere entender cómo el cuerpo envejecido es vivido y representado por la persona anciana y cómo los más jóvenes comprenden los procesos y estadios del avance de la edad. Su pensamiento está atento a la multiplicidad de metáforas y significados sobre la finitud, acerca de los procesos de envejecimiento y ritos de transición en sociedades más “jóvenes” o demográficamente “maduras”. Son esas las preocupaciones e indagaciones de Norbert Elias sobre las que reflexionaremos, en diálogo con sus estudios sobre la finitud o los momentos postreros de la existencia.

Palabras-clave: Envejecimiento; Muerte; Aflicción

Introdução

Il y a toujours cette idée qu’il faut ‘tuer le mort’, comme disent les Mossi de Haute-Volta” Déchaux 1 (p. 15).

Eis teu primeiro dever, meu caro Lucílio: faz a aprendizagem da alegria. Quero que ela seja abundante na tua casa. E o será, se estiver dentro de ti mesmo. Quando a alegria tem outra origem, não enche o coração; só desenruga a fronte. Crê-me, a verdadeira alegria é coisa severa. O atributo da alma é o de estar alerta, segura, pairando acima de todos os acontecimentos” Sêneca 2 (p. 148).

O presente texto focaliza a contribuição do sociólogo alemão Norbert Elias (1897-1990) ao tema do envelhecer e da morte. Elias somente alcançou projeção em todos os círculos intelectuais da Europa já idoso. Que sua obra sobre os ciclos finais de vida tenha justamente se projetado quando o próprio Elias envelhecia é fato que guarda certa ironia. Sua imaginação sociológica levou-o a superar a reflexão sobre “modos europeus de envelhecer” na direção, ou na busca, de padrões por assim dizer universais nas etapas ou estágios limiares. Arnold van Gennep, etnólogo francês bem mais velho que Elias, também procurava constantes invariáveis e processos recorrentes em todas as sociedades humanas. Mas Elias estava atento à diversidade regional do fenômeno da finitude e do morrer.

Desde logo, sabemos que, em todas as sociedades europeias e em outros países do chamado Primeiro Mundo, as representações sociais sobre o tema se afastam, sob vários aspectos, de um olhar latino-americano. Tornar-se idoso difere em sociedades tipicamente individualistas, como a norte-americana, e em sociedades como as latino-americanas, que historicamente e até nossos dias guardam uma configuração social em que a comunidade, ou os laços de solidariedade de forte base familiar, ainda têm seu lugar.

De que modo o envelhecer se apresenta em sociedades cuja dinâmica demográfica as define como mais “velhas” e se distinguem de sociedades de pirâmide etária considerada mais jovem, como as da América Latina e do Brasil, em particular? Nas sociedades contemporâneas, de que modo se aproximam, ou se afastam, as cerimônias e rituais que presidem o adeus do - e ao - moribundo? A leitura de Elias permite reconsiderarmos suas análises e perspectivas em relação aos limiares do envelhecer e da morte em sociedades de diferentes trajetórias demográficas. Os processos do envelhecer e as cerimônias fúnebres em sociedades mais “jovens” mantêm características semelhantes, certa proximidade, mas sob vários aspectos se distanciam dos cenários de países da Europa ou de nações asiáticas. Essas indagações são o ponto de partida para uma leitura e apreciação da obra de Norbert Elias, referida às questões antes enunciadas.

Norbert Elias abordou os temas do envelhecimento e morte em sua obra A Solidão dos Moribundos, publicada em português pela Editora Jorge Zahar Edition, em 2001, com tradução da versão inglesa por Plínio Dentzien 3. O mesmo volume traz um importante pós-escrito, intitulado Envelhecer e Morrer: Alguns Problemas Sociológicos. O texto inicial foi publicado originalmente na Alemanha em 1982. Na tradução da obra para o inglês, em 1985, publicou-se também o pós-escrito, transcrito de uma conferência de Elias durante um congresso médico na Alemanha, em outubro de 1983. Assim, a edição em inglês é mais encorpada do que a obra em alemão. Os dois textos se completam e o leitor se beneficia duplamente. Elias busca na própria experiência do envelhecimento uma inspiração para a construção de seu trabalho, referindo-se à sua história pessoal e à sua trajetória de cientista social, dialogando tanto com as ciências sociais e humanas quanto com os conhecimentos na área da saúde.

Em 1983, num congresso médico na Alemanha, Elias, aos 86 anos, foi um dos palestrantes. Sobre essa intervenção, comentou o historiador Alarcon Agra do Ó: “Não era apenas o pronunciamento de um cientista social: era um idoso que falava, e a partir de um lugar construído na própria fala como marcado pelos sinais da velhice4 (p. 391). Tratava-se de uma fala, segundo o autor, para profissionais responsáveis “pela demarcação mais precisa e mais eficiente dos limites e das possibilidades da velhice4 (p. 391). Embora o envelhecimento humano seja um fenômeno biológico natural e inevitável, ganha os contornos de um estereótipo negativo 5. Para muitas pessoas é difícil aceitar os sinais da velhice, as limitações impostas pela doença, a deterioração do corpo e as perdas sociais. Particularmente em sociedades “novas” do ponto de vista demográfico, o envelhecimento é compreendido como algo indesejável, que gera dependência, exclusão e processos de estigmatização. Le Breton 5 refere-se ao momento de crise, quando o indivíduo tem a percepção da imagem corporal e o corpo se mostra de modo por vezes contundente, na experiência pessoal.

Nos anos de 1980, quando Elias publicou sua obra sobre o envelhecer e a morte, os debates estavam centrados nos aspectos fisiológicos e patológicos e, em especial, nos desdobramentos destes aspectos, limites e possibilidades. O conjunto desses estudos enfatizava as limitações associadas a fatores fisiológicos, genéticos e ambientais, tais como incapacidades funcionais, diminuição da capacidade cognitiva, aumento do risco de quedas, redução na amplitude dos movimentos, alteração no metabolismo geral, menor acuidade visual e auditiva, dificuldades de deglutição. Aspectos de ordem social já recebiam alguma atenção, como a perda de autoestima e a fragilidade do idoso diante de situações de insegurança 6, por vezes acentuadas pela morte de entes queridos ou pela emergência constante de agravos e percepção de finitude em um corpo outrora jovem e vigoroso.

As imagens e as percepções sobre o envelhecimento passaram por estágios diferentes, afirma Elias. As sociedades têm formas diferentes de compreender o envelhecimento humano e tratar os seus idosos, que foram apreendidas socialmente, conforme a prática específica de cada grupo, com atitudes de respeito, medo, solenidade, reverência, descaso, vergonha e/ou violência.

Elias conhecia profundamente a literatura internacional, o processo de envelhecimento populacional discutido nas várias áreas do saber. Em países como Canadá, Inglaterra, Alemanha, Japão, Estados Unidos, Portugal e França, os idosos tornaram-se objeto privilegiado de estudos, tanto na área da saúde quanto nas áreas de sociologia e antropologia. Assim, o tema foi cada vez mais visitado pelos profissionais e estudiosos das áreas de nutrição, psicologia, saúde pública, saúde coletiva, enfermagem, geriatria, gerontologia e no âmbito das ciências sociais. As prioridades já há algum tempo eram reiteradas pelos estudos sobre envelhecimento. Destacavam-se, entre outras questões, as políticas públicas sobre a redução da dependência e as redes sociais de apoio; os conflitos intergeracionais e o apoio familiar; a percepção do idoso sobre a finitude e o luto 6,7,8,9,10,11,12,13,14.

O conflito ou empatia entre velhos e jovens ganhava contornos de interesse às perspectivas ou interpretações de natureza interacionista, uma questão importante para Elias. Colocar-se no lugar do outro, que está perdendo sua força muscular, sua autonomia, sua memória, é inimaginável para quem ainda não está vivenciando o processo de envelhecimento. As pessoas mais jovens têm dificuldades de “imaginar a situação em que suas próprias pernas e tronco deixam de obedecer à sua vontade, como seria normal3 (p. 79). Opera-se aí, fundamentalmente, a incapacidade dos mais jovens em ocupar, “ao menos por um instante”, diz Elias, o lugar dos velhos pela ausência de identificação com a velhice.

Elias acreditava que a própria experiência do envelhecimento, ou seja, a percepção do idoso sobre sua imagem corporal e sua vida psíquica, era pouco tratada pela literatura. Como o corpo envelhecido é experimentado e compreendido pela pessoa idosa? Nessa mesma época, na França, o sociólogo e psicólogo social Serge Moscovici 15 sublinhava o papel das representações sociais como condicionantes das relações entre as pessoas, ao orientar condutas e definir identidades. A observação de modos diferenciados da velhice em uma mesma sociedade - para não falarmos de variações entre diferentes culturas - tem motivado estudos na linha da percepção e compreensão do que constituiria o bem, ou o bom, envelhecer. A importância da pergunta, colocada anteriormente, é continuamente sugerida em estudos recentes, que acentuam o fato de o corpo se apresentar como uma das dimensões que suportam ou fragilizam a identidade pessoal, lhes dão um “sentido de continuidade” ou de descontinuidade, no percurso do envelhecimento 16 (p. 520). Em outras palavras, as mudanças durante o envelhecimento afetam a experiência da própria identidade e impõem reposicionamentos subjetivos.

Nessa direção, Elias quis entender também a percepção dos mais jovens, ou seja, como pessoas nas idades supostamente “normais de vida ativa”, nas palavras do autor, enxergam o indivíduo que envelhece, se fragiliza e se torna vulnerável à doença e à morte. E, com base nessa discussão, emergem os temas das representações e padrões de interação social.

Representações sociais da velhice

De forma consciente ou não, resistimos à ideia de que um dia também envelheceremos, sugere Elias. E afastamos, como longínqua, a “indesejada das gentes”, de que nos fala o poeta. A identidade social “negativa” da velhice, muito presente no imaginário social contemporâneo, colocava e coloca dificuldades especiais para as pessoas que ultrapassam a chamada meia-idade. Nas palavras do autor, “não é fácil imaginar que nosso próprio corpo, tão cheio de frescor e muitas vezes de sensações agradáveis, pode ficar vagaroso, cansado e desajeitado3 (p. 80). E continua, “não podemos imaginá-lo e, no fundo, não o queremos3 (p. 80). “Que as pessoas se tornem diferentes quando envelhecem é muitas vezes visto, embora involuntariamente, como um desvio da norma social (...); quão difícil é para as pessoas jovens ou de meia-idade entender a situação e a experiência dos velhos3 (p. 81).

As explicações biológicas do envelhecimento e de seus problemas nos remetem à noção do desvio da norma, que tem destaque no texto de Elias. A problematização do envelhecimento suscita esse tipo de discussão, sobretudo pela estreita relação com o saber médico que, desde o século XIX, com a ascensão da medicina social, “passou a enquadrar as práticas sociais a partir de seus próprios conceitos17 (p. 10). Gradativamente, toda forma de comportamento que destoava do “padrão burguês de comportamento” (o valor da força de trabalho, da inteligência, do desempenho ou performance) passou a ser vista como anomalia e/ou desvio. Para o pensamento médico da época, os desvios em relação às expectativas de normalidade, tanto os desvios como a própria noção de normalidade, eram entendidos como fenômenos puramente biológicos, produtos de uma natureza também anormal 17.

Contudo, Elias projeta sua obra sobre outro eixo, longe da biologia. Percepções e suposições comuns sobre pessoas mais velhas são baseadas em estereótipos de anomalia ou desvio, cuja origem é social. Esses estereótipos têm seu impacto agravado quando, além de se expandirem socialmente, são internalizados ou encapsulados pelo self, como nos ensinava Talcott Parsons 18, cuja estatura intelectual equiparava-se à de Elias, este, poucos anos mais velho.

Os diferentes cenários do envelhecer e as distintas modalidades do cuidado que se constroem em diferentes sociedades, ainda que atraiam sua atenção, não constituem preocupação central de Norbert Elias. Destaque-se, todavia, que a literatura internacional segue seus passos e traça ou deriva de Elias as perguntas relevantes sobre a diferenciação social. Os “estudos de caso” se multiplicam, revelando experiências diferenciadas do envelhecimento em escala mundial.

As concepções teóricas, não obstante seu nível de abstração, conduzem ou permitem situar e interpretar aquela diferenciação ou diversidade. Se falamos de self em Parsons, coloca-se de pronto a díade self versus coletividade, isto é, se e quando atuamos movidos pelo self-interest ou pelo interesse do coletivo. Se adotamos o prisma da subjetividade, o fazemos também para poder recorrer à obra do filósofo francês Paul Ricoeur (1913-2005). Ricoeur 19 nos leva a considerar a identidade em suas obras como processo relacional entre o “si-mesmo” e o outro, particularmente em Soi-Même Comme un Autre. Uma alternativa à expressão “si-mesmo como um outro”, frequente em português, é “eu enquanto outro”, na tradução de uma obra recente sobre Ricoeur 19. Essa relação, em que o self se configura e reconfigura no envelhecer diante de um outro é ponto de partida para entendermos melhor o significado e as limitações do termo “autonomia”. É como se Ricoeur nos lembrasse cautela diante da acepção que o termo receberá bem mais tarde no campo da saúde e das profissões, com referência ao idoso que conquista graus de independência funcional. Autonomia e experiência existencial não supõem, necessariamente, um alto grau de independência funcional.

Nesse processo de individualização, Norbert Elias e Paul Ricoeur seguem o mesmo caminho crítico. Para ambos, autonomia e fragilidade não se excluem. O paciente que se torna um tanto independente ou “autônomo”, na velhice, ainda assim é um indivíduo frágil. E se conhece e se reconhece diante do “outro”. Elias e Ricoeur rejeitariam de pronto a atitude distanciada ou indiferente do médico diante de seu paciente, particularmente do idoso frágil. Isso vale para os círculos de convivência do idoso, não apenas no trato da doença. Elias recorda, em particular, o processo de resistência ou de “recalcamento” das pessoas em idades consideradas “normais de vida ativa” em relação ao envelhecimento humano.

Essa resistência é narrada por Elias, numa experiência que o próprio autor vivenciou, já com certa idade. Um colega o convidou para jantar em casa. Quando se sentou numa “moderna poltrona de lona”, muito baixa, o anfitrião parecia ter certeza de que Elias não conseguiria levantar-se sem ajuda, como acontecera com outro professor, também idoso. “Hahahaha! Não conseguia levantar!” “Meu anfitrião se sacudia de rir3 (p. 82). Para Elias, essa atitude revelava a dificuldade em se aceitar as agruras da individualização, entre os “não velhos e os velhos”. Dito de outra maneira, afirmaria o sociólogo, deve-se buscar identificar os idosos que são mais independentes daqueles muito dependentes, como os que apresentam dificuldade de locomoção, ainda que uns e outros sejam objetos de uma escuta atenta, de uma atenção solidária.

Salientamos a importância, que decorre das reflexões dos autores, de atentarmos para as similitudes, especificidades e diversidades do contexto cultural, social e econômico no processo de envelhecimento e que lhe conferem sentidos diferentes, pois estão presentes desigualdades sociais, de gênero, de raça etc. Nesse processo, em que os cenários da classificação se desenham, importa reter, no entanto, as singularidades. “Eis a alteridade mínima exigida: este elemento da classe, mas não o restante da classe19 (p. 29).

Isso posto - a necessidade, sempre presente, de individualizar ou singularizar pela atenção cúmplice diante do outro -, mesmo o idoso que possua “boa saúde” encontra dificuldades no seu dia a dia para a realização de determinados movimentos do corpo, que podem ser “vagarosos, cansados e desajeitados3 (p. 80) e, em especial, dificuldades de relacionamento e convívio com pessoas mais jovens. Para Elias, os jovens têm resistência em se colocar no lugar dos mais velhos, particularmente em culturas e sociedades fortemente urbanizadas, porque mesmo os idosos “saudáveis” são diferentes das pessoas de idade “padrão”, da idade que serve de medida ou de referência de “normalidade”. A doença e a dependência são uma grande preocupação, pois podem afetar o equilíbrio da estrutura familiar; e não se pode esquecer que todo indivíduo é vulnerável e, em algum momento de sua vida, necessitará de cuidados 10.

Esse caminho, de ajuda e cuidado, de atenção ao cotidiano e à prevenção de agravos, é trilhado pela Psicologia do Desenvolvimento. Duas gerações de importantes psicólogos foram responsáveis por contribuições até certo ponto divergentes, ou distintas. Ainda que não tenham encontrado eco nos escritos de Elias, são trilhas abertas pela Psicologia e referências para a própria avaliação crítica de sua obra, como ora fazemos.

Uma primeira corrente firmou-se pelas reflexões de Erik H. Erikson (1902-1994), psicólogo e psicanalista norte-americano, de origem judaico-alemã. Sua teoria psicossocial do desenvolvimento humano buscou compreender os fenômenos de crise identitária, discutidos em sua obra Identity and the Life Cycle, publicada em 1959 20. O Ciclo de Vida Completo21, tradução do livro em que revisitou o tema, em 1987, é importante também por refletir, já octogenário, uma vida inteira dedicada às questões da construção e dilaceramento da identidade ao longo de estágios ou ciclos - uma visão que tomou corpo e se difundiu, em todo o mundo, sob a denominação de “perspectiva desenvolvimental dos ciclos de vida”.

Em chave que se aproxima do pensamento de Elias, os ciclos são o outro nome das “formas de envelhecimento”, a exemplo das bem-sucedidas, saudáveis e ativas. E há os caminhos do desassossego, da saúde mental precária, da depressão, das incapacidades.

Os estágios psicossociais descrevem algumas crises que o indivíduo atravessa e que podem fragilizá-lo ou fortalecê-lo, de acordo com o modo como vivenciam, superam e entendem os conflitos. Interessa-nos entender a crise que Erikson classifica como “integridade versus desespero” e que, segundo o autor, ocorre na fase mais avançada da vida. É o momento de reflexão sobre as realizações e as conquistas da vida, mas, também, momento de temor pela proximidade com a morte. Essa etapa da vida pode ser vivenciada, segundo Erikson, de diferentes formas: a pessoa idosa pode viver estressada e angustiada em função das agruras da velhice; do luto pela perda de entes queridos; pela ausência de um papel social que a valorize; e, especialmente, pela proximidade da morte. Por outro lado, o idoso pode perceber-se desempenhando papel importante na família, na sociedade e entre os amigos. As situações de dependência, doenças e incapacidades vivenciadas na velhice não implicam, necessariamente, condições de fragilidade e/ou vulnerabilidade, se a pessoa idosa dispõe de redes sociais de apoio.

A segunda corrente, bastante influente no campo da Psicologia, é liderada pelo psicólogo alemão Paul B. Baltes (1939-2006), cuja life-span theory busca mapear as condições de um envelhecimento “bem (ou mal!) sucedido”. A rigor, trata-se de contribuição de menor importância, se tomarmos Elias e Erikson como referênciais teóricos de voo mais alto. Em uma palavra, a proposta de Baltes acentua a capacidade “plástica” do indivíduo, ao longo de seu ciclo de vida, de mudança e adaptação às novas situações, compensando as perdas funcionais, cognitivas e sociais provocadas pela idade avançada. Os termos que guiam a pesquisa, suas noções-chave, transitam entre referências da análise de fatores e variáveis e a teoria das organizações. Nesse ponto, as soluções teóricas dessa corrente se chocam com as de Erik Erikson: “otimização seletiva”, “seleção, otimização e comportamentos compensatórios”, “antecedentes multivariados”, “plasticidade cognitiva” 22,23,24,25. Em outras palavras, o meio social e cultural interfere na globalidade das funções realizadas pelo idoso, mas a ênfase está na terapêutica individualizadora, na procura de funções prazerosas e compensatórias.

A contribuição intelectual de Paul Baltes, como pesquisador do envelhecimento, distancia-o das preocupações de Norbert Elias em construir uma teoria integradora dos níveis micro e macro, situados historicamente. Se para Elias, nas configurações tecidas na interação social as pessoas se encontram diante do outro e de si, e no espaço-tempo das interações constituem e constroem o chão das subjetividades, as propostas de Baltes percorrem outras trilhas.

Elias propõe ao idoso que se situe histórica e existencialmente e assim aproxima-se de Ricoeur (a memória, a história, o esquecimento); Freud convida o idoso a deitar-se no “divã analítico”; Baltes manda-o levantar-se, andar, fazer atividades. Estimulação, funções, desempenho... O idoso em Lisboa ou em Tóquio terá diante de si o mesmo protocolo de estímulos diários, rumo ao envelhecimento sadio. Contudo, a referência empírica, logo revelada pelos termos correntes em inglês, selection, optimization, compensation (SOC), talvez seja o idoso em Miami ou Nova York. Baltes e seus colegas parecem seguir um protocolo de estímulos e de maximização de ganhos. À proporção que eles próprios envelhecem, uma miríade de textos curtos em journals compõe o padrão de trabalho intelectual “à moda americana”, de conteúdo propositivo e clínico; já Elias adota padrões europeus tradicionais, longos textos, longa maturação, a preocupação com a subjetividade e a interação. E se Baltes mira o corpo em movimento, Elias inclina-se para os “atributos da alma”, de que nos fala Sêneca.

Elias lembraria, sempre, “a marcada diferença entre a posição dos que envelhecem e dos moribundos nas sociedades industriais de hoje e nas pré-industriais3 (p. 84). Um pouco como se essas últimas fossem as sociedades periféricas dos tempos atuais, marcadas pela urbanização “sociopática”, nas palavras do sociólogo Luiz Pereira 26. Esses são os cenários de que se ocupa Elias, ao mesmo tempo em que se volta para o palco, ou para o proscênio, das subjetividades construídas. “Ocupo-me... em examinar o que as pessoas que envelhecem e as moribundas experimentam subjetivamente3 (p. 84). Idosos vivenciam, hoje e ontem, em cada sociedade histórica, uma diversidade de experiências no interior de seu grupo de referência (família, vizinhança, jogo de damas na praça, conversas no bar, caminhadas), que devem ser valorizadas e que irão se refletir em suas vidas. “A maneira como as pessoas se dão conta, quando envelhecem, de sua maior ou menor dependência de outras pessoas3 (p. 82) difere de pessoa para pessoa - e de cultura para cultura.

Aaron Antonovsky (1923-1994), sociólogo israelense, sugere que um forte sentido interno de coerência, ou uma vivência “coerente” diante das agruras do envelhecimento, desempenham papel importante para enfrentá-las. Os termos que o autor consagrou como um sentido interno de coerência traduz-se por um “sentimento de confiança” do idoso que se vê capaz de gerenciar seus próprios problemas, manter sua autonomia e alcançar o controle de dimensões e situações de sua própria vida 27. Em que pese o valor heurístico da contribuição de Antonovsky, põe-se diante de nós certa hesitação quanto ao caráter da autonomia buscada pelo idoso: o envelhecer em Israel, sociedade moderna e sob o constante impacto das culturas de países capitalistas ocidentais, seria o mesmo “envelhecer” de um palestino? Isso é, como se distingue o palestino idoso do israelense na “busca de coerência” em suas existências?

As estruturas da personalidade refletem as estruturas sociais, lembraria Elias. Antonovsky aceitaria tais termos, e possivelmente apontaria a possibilidade de um plano de pesquisa empírica, em que escalas de coerência fossem construídas para palestinos e israelenses. Elias replicaria: não basta conhecer os níveis de “coerência”, não se pode negligenciar as dimensões sociais, culturais e políticas que afetam tais níveis. O problema crucial de pesquisa seria, então, apreender os modos pelos quais as estruturas sociais operam junto às diferentes coletividades. Um postulado teórico recorrente, em Elias: os contrastes que resultam dos processos civilizatórios se impõem ao observador ou ao estudioso. Importa considerá-los, considerar os “saberes” acumulados em cada cultura, o lastro de situações vivenciadas que irão influenciar a forma como os idosos manterão seus níveis e limites pessoais de autonomia, de desempenho funcional, de controle de suas vidas. “Não há mais pessoa tipicamente velha”, de acordo com a Organização Mundial da Saúde 28 (p. 6), pessoas com mais idades podem alcançar trajetórias positivas do envelhecimento, apresentando níveis de capacidade física e mental comparáveis aos de uma pessoa jovem, o que não impede, diria Elias, a existência de pessoas “tipicamente velhas” em uma dada cultura ou no interior de um processo civilizatório. Cada velhice tem suas peculiaridades, decorrentes de histórias de vida, de itinerários terapêuticos e das configurações sociais de onde brotam. Elias se refere a “cursos de vida” e “estruturas de personalidade”, ou seja, ao modo como se articulam as configurações tomadas pelas estruturas de personalidade no decurso de uma vida, fundamentais no processo de envelhecimento sadio ou ativo - se recorrermos, aqui, aos termos empregados pela psicologia do desenvolvimento.

O recalcamento da morte e a finitude no “curso de vida”

Da fenomenologia da finitude segue-se a própria conceituação do morrer. Para Elias, a experiência da morte difere de sociedade para sociedade e como processo histórico, cada qual com suas imagens específicas e rituais de passagem, nos quadros cambiantes da socialização e individualização. Em A Solidão dos Moribundos, Elias destaca duas formas de lidar com a inevitabilidade da finitude da vida; a primeira seria encontrada nos mitos antigos - concebida como um ritual de passagem - pregam a existência de vida após a morte. “O medo de nossa própria transitoriedade é amenizado com a ajuda de uma fantasia coletiva [nossa ênfase] de vida eterna em outro lugar3 (p. 17). Os mitos sobre a vida eterna enquadram-se em estruturas predominantemente coletivas e institucionalizadas.

A segunda ordem de enfrentamento, mais contemporânea, seria uma tentativa de evitar a própria ideia da morte, afastando-a dos vivos e dos debates sociais e, tanto quanto possível, tornando o tema um tabu. Na leitura dos franceses, quando se referem a Elias, o tema da morte sofreria um refoulement, um escamoteamento, uma supressão ou recalcamento. Com efeito, “não há uma noção, por mais bizarra que seja, na qual as pessoas não estejam preparadas para acreditar com devoção profunda (...) desde que lhes dê a esperança numa forma de vida eterna3 (p. 12). Modernamente, a generalização da imagem da morte como processo natural soma-se ao individualismo e assim facilita a elaboração de fantasias, sobretudo individuais, para enfrentar o medo comum à finitude. Contudo, essa mudança não produz uma maior aceitação da morte, apenas transforma o modo de enfrentá-la. O temor e medo da morte justificam a resistência em nos identificarmos com os moribundos; evitamos nos aproximar deles porque nos obrigariam a enfrentar nossa própria finitude.

Nas sociedades contemporâneas, lembra Elias, a expectativa de vida é maior; a nova condição demográfica pode conviver, paradoxalmente, com uma visão negativa e pessimista da morte. “A vida é mais longa, a morte é adiada3 (p. 15). Pode ser um processo natural, aquele que nos leva à morte, mas nem por isto o espetáculo do adeus é corriqueiro. Se “ficou mais fácil esquecer a morte no curso normal da vida3 (p. 15), pode-se afirmar que, ainda assim, a morte é recalcada. Esse é o mecanismo de negação, o refoulement a que nos referimos.

Uma observação necessária, na medida em que discutimos os processos de recalcamento ou negação de um “ciclo de vida”, são os rituais de passagem entre as etapas ou fases cruciais da existência. A interpretação que historicamente se consagrou, na tradição das ciências humanas, foi a de Arnold van Gennep (1873-1957), etnólogo francês, nascido na Alemanha, cujo texto luminar data de 1909, Les Rites de Passage, traduzido apenas em 1960 para o mundo anglo-saxão e muito depois para a língua portuguesa 29. O estudo das cerimônias que marcam momentos liminares de vida, tais como os rituais funerários, foi sua contribuição maior. O fato de ter sido um outsider na vida acadêmica europeia (“l’accueil de l’école sociologique française était très froid”, lembrou a antropóloga Nicole Belmont 30) talvez explique a ausência de seu nome nos escritos de Elias, ele próprio, como se sabe, só “descoberto” e valorizado pela Academia já bastante idoso. O que importa é a centralidade da discussão das cerimônias de “passagem” também para Elias, como se o tema fosse cultivado por ambos à distância e sem reciprocidades, no mundo intelectual europeu. Destacam-se, em van Gennep, as dimensões mágico-religiosas dos ritos, a um tempo coletivos e individualizados e guardando sempre certa recorrência, acima e além de configurações típicas de caráter regional ou nacional.

Elias enfatizava o caráter diferenciado de culturas e seus rituais, mas salientava o modo como cerimônias públicas operam invariavelmente de modo catártico, para reduzir ansiedades e medos e facilitar a transição de um tempo sociobiológico a outro, como se dá ao longo dos processos civilizadores da finitude humana. Arnold van Gennep, ao trabalhar o tema da morte no início do século XX, não pôde captar, como Elias, as mudanças profundas que ocorreriam mais tarde pelo deslocamento dos moribundos, do espaço familiar e cotidiano no interior da vida privada para o espaço hospitalar. Phillipe Ariès, o criticado medievalista francês (1914-1984), publicou em 1975 sua obra sobre a morte no Ocidente, Essais sur l’Histoire de la Mort en Occident: Du Moyen-Age à nos Jours31 e, em 1977, L’Homme Devant la Mort32. O hospital, afirmava o historiador francês, retira do morrer o caráter ritual, tornando-o um gesto técnico decidido entre o médico e seus colaboradores. Essas mudanças, no quadro derradeiro da vida, afetam a experiência do idoso e os momentos de perda e luto entre familiares.

Não será fortuito assinalar que tanto Ariès como Elias se debruçaram sobre o tema, especialmente este último. Se a literatura frequentemente discute Elias como um tributário da obra de Ariès, cumpre estabelecer que sua postura foi, antes de tudo, fortemente crítica: dificilmente se dirá que foi “influenciado” por Ariès, na moda atual de se atribuir ou se encontrar influências entre autores, mesmo quando de fato inexistam. Intencionalmente, deixamos esse contraponto entre ambos para o fecho da presente sessão, pois na leitura crítica de Elias se esclarecerá melhor sua visão sobre os fenômenos da finitude e da morte 33.

Em texto longo e esclarecedor, o sociólogo francês Jean-Hugues Déchaux 1 traz à baila o texto de Elias, mas como um puzzle: Elias “contra” Elias. “Nos parece necessário reabilitar um Elias, crítico de Ariès, contra um Elias da morte recalcada, que finalmente o traiu1 (p. 171). Elias segue Ariès, quando ambos afirmam que a morte se individualiza nas sociedades modernas 32. “A morte é derrelicção”, é desamparo. Déchaux capta esse ponto, mas para voltá-lo contra o próprio Elias: se a morte é interpretada como um recalcamento individual, isto se dá em razão de “uma concepção insuficientemente dialética da individualização1 (p. 175). Ariès passa ao largo dessa dimensão mais complexa da individualização, mas não Elias. Ele mesmo é quem irá apontar as condições teóricas de superação do argumento de Ariès, ainda que sem negá-lo in totum.

O cenário de uma morte “íntima” não equivale à morte dessociável; a morte contemporânea não é um sinônimo de enclausuramento. A noção de recalcamento deverá ser revista, ou reavaliada, à luz das análises de Elias em A Sociedade dos Indivíduos34. Nessa obra, composta por ensaios escritos entre 1939 e 1987, Elias sugere que a autonomia daquele que tem consciência de sua finitude tem o necessário contraponto na consciência do pertencimento a seu grupo social. Ou, na leitura de Déchaux, a consciência da morte e a consciência de si se refletem, dialeticamente, no reconhecimento diante do “outro significativo”. Eis aqui uma releitura absolutamente lúcida, em que a dimensão interacionista do pensamento de Elias é resgatada.

Afirma Déchaux: “Desde que se faça da morte a ocasião de um acontecimento último, a presença do outro é necessária. (...) A autonomia do sujeito não é negação de todo laço ou pertencimento1 (p. 175). Na modernidade, a possibilidade de condução do ritual final pelo próprio idoso não escapava ao olhar histórico-comparativo de Elias (olhar que faltava a Ariès, dizia Elias). A cerimônia da cremação é um caso ilustrativo: diante do desenlace final adiado pelos ganhos em expectativa de vida, a cerimônia é frequentemente organizada por seu “ator principal”. Déchaux aponta o reconhecimento, em Elias - e contra a interpretação única do recalcamento - de uma dialética entre autonomia e dependência 1. Estamos de volta a diferentes experiências culturais do morrer, a vivências diferenciadas em diversas regiões do mundo, que descortinam o movimento entre a finitude e a morte como uma experiência cambiante entre a morte “recalcada”, por um lado, e sua vivência como espaço de encontro (o encontro final!) de subjetividades, por outro.

Considerações finais

Elias sempre esteve atento a diferentes cenários, e tampouco escaparia a ele a encenação mais próxima do recalcamento da morte, em sociedades tipicamente individualistas como a norte-americana, e o espetáculo ritualístico de encontro de subjetividades, ao modo latino-americano e mediterrâneo, que historicamente e ainda hoje revelam a presença de laços de solidariedade que não se esgotam na típica individualização da “passagem”. Sua obra nos conduz, em sua dialética interna, a contemplar a extraordinária diversidade dos momentos de finitude e morte.

Uma apreciação atenta à contribuição de seu pensamento deve reiterar os efeitos diferenciados do envelhecimento, estudados nas diversas dimensões da relação entre indivíduo e sociedade. A valorização dessas dimensões é fundamental na categorização da diversidade do processo de envelhecimento e das possibilidades abertas, no mundo contemporâneo, para um envelhecimento digno e solidário.

A pessoa mais velha, na maioria das vezes, é definida como idosa quando chega aos 60 anos, independentemente de seu estado biológico, psicológico ou emocional. Entretanto, o conceito de idade é multidimensional e o processo de envelhecimento tem significados que extrapolam as dimensões da idade cronológica, como experiência heterogênea e individual. O idoso vivencia uma diversidade de experiências individuais que deve ser valorizada. É isso que Elias procura discutir em seu trabalho. Sua obra chama a atenção para os sentidos do envelhecimento como consequência das experiências individuais, familiares e grupais vivenciadas ao longo da vida. O prolongamento da expectativa de vida das populações tem gerado modificações, não apenas no perfil demográfico do mundo, mas também na percepção da pessoa em relação à vida, à saúde e suas relações com o processo de envelhecimento.

As reflexões de Elias permitem considerarmos, em sua complexidade, o tornar-se idoso em sociedades tipicamente individualistas, como a norte-americana, e em sociedades como as latino-americanas, que ainda resguardam laços de solidariedade de forte base familiar. Seu pensamento está atento à multiplicidade de metáforas e significados sobre a finitude, sobre processos do envelhecer e rituais de passagem em sociedades mais “jovens” ou demograficamente “maduras”. Essas indagações são o ponto de partida para uma leitura e apreciação da obra de Norbert Elias.

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