A fisioterapia no Peru

A fisioterapia no Peru

Autores:

Gabriela Mallma Arrescurrenaga

ARTIGO ORIGINAL

Fisioterapia e Pesquisa

versão impressa ISSN 1809-2950versão On-line ISSN 2316-9117

Fisioter. Pesqui. vol.26 no.4 São Paulo out./dez. 2019 Epub 02-Dez-2019

http://dx.doi.org/10.1590/1809-2950/00000026042019

No Peru, a fisioterapia surge inicialmente como cinesiologia, no âmbito educacional, e passa depois ao âmbito hospitalar1.

Em 1º de setembro de 1943, no governo de Manuel Prado y Ugarteche, por meio do Decreto nº 2.396, foi criado o curso de Cinesiologia na Faculdade de Educação da Universidad Nacional Mayor de San Marcos (UNMSM), na modalidade de pós-graduação para profissionais de educação física e da saúde. Uma das profissionais de maior destaque dessa primeira geração é María Barrantes Sánchez, que promoveu a ginástica ortopédica nas escolas nacionais e deu início ao que seriam os departamentos de cinesiologia (a partir de sua abordagem, nove desses departamentos foram criados). Junto com outros profissionais dessa época, María fundou em 1955 a Asociación Peruana de Kinesiólogos (APK) e, três anos mais tarde, em 1958, foi realizado o I Congresso Nacional de Cinesiologia.

No mesmo período, no âmbito hospitalar, surge a necessidade de profissionais especializados, o que leva à inauguração, em 17 de julho de 1961, da Escola de Fisioterapeutas e Terapeutas Ocupacionais, na rede de assistência social.

Os processos formativos de uma profissão não são exclusivos nem excludentes, e sempre se relacionam com o que ocorre nos países vizinhos. Essas inter-relações permitiram que a APK participasse, em 19 de novembro de 1967, da fundação da Confederação Latino-Americana de Fisioterapia e Cinesiologia (CLAFK, na sigla em espanhol), uma organização sem fins lucrativos que contribuiu para o desenvolvimento da profissão na América Latina.

Em 1968, é decretada a reforma universitária, que cria a Escola Profissional de Tecnologia Médica da Faculdade de Medicina da UNMSM. Como consequência da reforma, no final de 1969, o curso de Cinesiologia é transferido da Faculdade de Educação para a Faculdade de Medicina, onde é incorporado à recém-criada Escola Profissional de Tecnologia Médica, tendo seu nome alterado para “Tecnólogo em Fisioterapia e Reabilitação”. Nesse mesmo ano, o curso também é implantado na Universidad Nacional Federico Villarreal (UNFV), com a mesma duração, de três anos e meio.

Em outubro de 1969, foram organizados em Lima o I Congresso da Confederação Latino-Americana de Fisioterapia e Cinesiologia e o II Congresso Nacional, eventos de que participaram todos os países-membros da CLAFK.

Em 1972, formam-se os primeiros profissionais egressos da UNMSM, com o título de “Tecnólogo em Fisioterapia” e, em 1982, o curso passa a ser oferecido como graduação, com duração de 5 anos, passando a se chamar “Bacharel em Tecnologia Médica em Fisioterapia e Reabilitação”.

No Peru, nossa profissão está intimamente ligada aos altos e baixos da política nacional. Vale mencionar que, na década de 1980, nosso país passou por um conflito interno e internacional e uma forte crise econômica, o que acarretou grande atraso no desenvolvimento das ciências e da educação. Como consequência dessa crise, os profissionais perderam contatos internacionais e priorizaram a criação da Escola Profissional de Tecnologia Médica.

Em 1994, após mais de 10 anos de silêncio, a APK foi reativada como Asociación Peruana de Terapia Física (Aspetefi). Desde então, trabalhamos para retomar nossa posição na América Latina e ingressar como membro na Confederação Mundial de Fisioterapia (World Confederation for Physical Therapy - WCPT), o que ocorreu em maio de 1999, durante assembleia da WCPT em Yokohama (Japão).

A participação internacional, junto com nossos pares, é sem dúvida a melhor maneira de levar o desenvolvimento de nossa profissão a outros níveis. Assim, na reunião do Comitê Executivo da WCPT, realizada em Lima em 2000, foi apresentado o Macroprojeto de Nivelamento Curricular de Fisioterapia e Cinesiologia para a América Latina, que tem como uma de suas principais conclusões a necessidade de unificar critérios de titulação dos fisioterapeutas, equiparando-a à utilizada no mundo.

A partir desse projeto, a Aspetefi trabalha em estreita colaboração com docentes de várias universidades e consegue estabelecer um perfil do profissional fisioterapeuta para o futuro. Isso requer o reforço de conceitos e fundamentos teóricos e equiparação das cargas horárias e dos diplomas universitários em âmbito regional. O próximo passo é aprovar os programas de especialização. Em 2006, a UNFV foi pioneira na criação de programas de especialização; os primeiros a obter a resolução da reitoria foram: Fisioterapia Cardiorrespiratória e Fisioterapia no Idoso. Inicia-se, portanto, outra etapa no desenvolvimento de nossa profissão.

Atualmente, 22 universidades formam fisioterapeutas, e 5.500 profissionais estão registrados em todo o país. O curso comemora 76 anos, e todos os fisioterapeutas peruanos desejamos que a profissão continue se desenvolvendo para atingir os padrões internacionais.

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