A história oral e pesquisa documental como itinerário de pesquisa na enfermagem: um estudo bibliométrico (2000-2014)

A história oral e pesquisa documental como itinerário de pesquisa na enfermagem: um estudo bibliométrico (2000-2014)

Autores:

Sheila Saint-Clair da Silva Teodosio,
Edilene Rodrigues da Silva,
Maria Itayra Padilha,
Maiara Suelen Mazera,
Miriam Susskind Borenstein

ARTIGO ORIGINAL

Escola Anna Nery

versão impressa ISSN 1414-8145versão On-line ISSN 2177-9465

Esc. Anna Nery vol.20 no.4 Rio de Janeiro 2016 Epub 25-Ago-2016

http://dx.doi.org/10.5935/1414-8145.20160087

RESUMEN

Objetivo:

Analizar la aplicación de la historia oral temática asociada a la investigación documental catalogada en el Centro de Estudios e Investigación en Enfermería de la Asociación Brasileña de Enfermería en el período 2000-2014.

Métodos:

Estudio cualitativo documental. Se consideraron 26 tesis y 49 disertaciones, que adoptaron la historia oral y documental como itinerario de investigación como fuentes importantes para la sistematización del conocimiento histórico en enfermería.

Resultados:

El sudeste brasileño representó la mayor cantidad de estudios, un total de 16 tesis y 27 disertaciones, seguido por el Sur, con 9 tesis y 9 disertaciones y el Nordeste con 10 disertaciones. El marco teórico de elección fue Pierre Bourdieu, siendo utilizado por 22 estudios seguidos por Michel Lowi, Michelle Perrot, Karl Max y Michel Foucault.

Conclusión:

La historia oral y documental ha sido una parte importante de los programas de posgrado en el país ampliando la creación de una red de investigación e investigadores de historia en enfermería.

Palabras clave: História de enfermería; Historia; Documentos; Investigación

INTRODUÇÃO

O debate historiográfico vem sofrendo consideráveis transformações, especialmente a partir do século XX, ocasionada pela ruptura iniciada na França, no ano de 1929, de um novo paradigma no campo do conhecimento histórico, que apontava para novos direcionamentos, no que diz respeito à produção historiográfica. "A escola dos Annales foi o primeiro movimento historiográfico nascido no próprio campo da pesquisa histórica"1:139. A historiografia da Antiguidade Clássica, a qual buscava como fonte para a construção de seus relatos os testemunhos diretos, que havia predominado até finais do século XIII, perde no século XIX o prestígio que tinha. Surge, então, a história tradicional que influenciada pelo Positivismo, concentrava sua atenção nos feitos dos grandes homens, estadistas, generais e, também, em personalidades eclesiásticas. A história tinha como propósito descrever, apenas por meio de documentos, as sociedades passadas e suas transformações1.

O movimento dos Annales produz transformações no campo da história apresentando uma tripla possibilidade de estudos históricos: novos problemas, novas abordagens, e novos objetos para a história. Para Jacques Le Goff e Pierre Nora, novos problemas colocam em causa a própria história, novas abordagens modificam os setores tradicionais da História e novos objetos trazem novas possibilidades no campo epistemológico da história2. Assim, nesse novo paradigma, a história do século XX passa a ser conhecida, também, por ser uma história do tempo presente, pela singularidade de coexistir com testemunhos vivos, trazendo para a pauta dos historiadores os depoimentos orais3. O grande marco da história oral foi a criação, em 1940, do primeiro projeto formal de história oral, na Universidade de Colúmbia, Nova York, na qual Allan Nevins, historiador da Universidade de Colúmbia, publicando biografias de grandes personalidades da história norte-americana3,4. O movimento da história oral se amplia, nas décadas de 1960 e 1970, quando se passa a entender e estudar os movimentos sociais como feminismo, direitos civis, protestos antivietnam, além da preocupação com as minorias e menos favorecidos como os negros e as crianças3.

No Brasil, a instalação dos primeiros programas de história oral constitui um marco da história oral no país: a criação do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC), sediada pela Fundação Getúlio Vargas, no estado do Rio de Janeiro, em 1973, e o Laboratório de História Oral da Universidade Federal de Santa Catarina, em 1975.

O primeiro texto publicado a usar a expressão "história oral" foi resultado da dissertação de mestrado de Carlos Humberto P. Corrêa, da Universidade Federal de Santa Catarina, intitulado História Oral: teoria e técnica, que em 1977, delineava critérios para a definição da história oral nos trópicos5:90.

Não obstante os esforços envidados nos anos 1970, somente na década de 1980 com o processo de redemocratização do país a história oral realmente floresceu. Nos anos 1990, observa-se um acréscimo significativo da história oral, principalmente no ano de 1994 e 1996, quando foram criadas, respectivamente, a Associação Brasileira de História Oral e a Associação Internacional de História Oral6.

Em que pese o avanço da história oral no Brasil e no mundo ainda encontra-se controvérsias acerca da terminologia da mesma entre os estudiosos do tema. Para uns ela configura como uma disciplina, outros a apresentam como uma técnica e existem alguns que a veem como um método. Nesse estudo compreende-se que:

História oral é um conjunto de procedimentos que se iniciam com a elaboração de um projeto e continuam com a definição de um grupo de pessoas (ou colônia) a serem entrevistadas, com o planejamento da condução das gravações, com a transcrição, com a conferência do depoimento, com a autorização para seu uso, arquivamento e, [...] com a publicação dos resultados que devem, em primeiro lugar, voltar ao grupo que gerou as entrevistas7:35.

De acordo com Padilha, Borenstein, (2005), a história oral pode ser dividida em três modalidades distintas: História oral de vida, que é decorrente de narrativas, as quais dependem da memória; História oral temática, que foca-se em um ponto central capaz de levar à objetividade, permitir a interlocução documental e a delimitação temática, e, Tradição oral, que se ocupa de descrições mais detalhadas da vida cotidiana8.

Nesse texto, focalizamos a investigação nos estudos sobre história no itinerário de pesquisa da enfermagem, com destaque para as modalidades da história oral temática e pesquisa documental. Em conformidade com Meihy; Holanda, "a história oral temática é sempre de caráter social e nela as entrevistas não se sustentam sozinhas ou em versões únicas". Assim, é comum nos estudos de história oral a associação dessa modalidade com a pesquisa documental9:38.

A pesquisa documental, segundo Sá-Silva, Almeida e Guindani, vem sendo valorizada por pesquisadores, especialmente das Ciências Humanas e Sociais, por perceberem a importância e valor das informações que podem ser coletadas de documentos9. Ressaltam que esse tipo de pesquisa possibilita a compreensão da questão em estudo, bem como a reconstrução da contextualização histórica e sociocultural de determinado fato ou momento vivido. O documento se constitui como uma fonte importantíssima para a pesquisa documental que tem como foco a busca de informação em materiais que, nunca receberam tratamento analítico científico, como jornais, relatórios, fotografias, atas, entre outros materiais. Para alguns estudos, o documento é caracterizado como a principal fonte da pesquisa8,10. Ao relatar sobre a importância da escolha do método utilizado na pesquisa documental, os autores dizem que a pesquisa documental é um método de escolha e de verificação de dados; visa ao acesso às fontes pertinentes, e, a esse título, faz parte integrante da heurística de investigação11.

Portanto, a história oral temática e a pesquisa documental tem sido utilizada por pesquisadores no desenvolvimento de seus estudos. Na enfermagem, a pesquisa histórica vem ganhando força entre os pesquisadores, a partir de 1980, "com a preocupação em compreender a enfermagem como parte de um processo histórico, social, cultural, político e de gênero"12:534.

Observa-se, ainda, que nos últimos anos, os enfermeiros têm utilizado a história oral temática, associada a pesquisa documental, enquanto itinerário de pesquisa em suas teses, dissertações, monografias, livros e artigos. As bases de dados têm registros cada vez mais frequentes acerca desses estudos.

Com base nessa compreensão, a temática central do estudo abrange a pesquisa histórica na enfermagem, buscando evidenciar a expansão das pesquisas centradas na história oral temática e na pesquisa documental, bem como a sua importância para o conhecimento científico da profissão e para o resgate da sua memória. Espera-se que este estudo possa contribuir com o incremento da pesquisa histórica na enfermagem, em geral, e da história oral em particular. Assim, para justificar o estudo parte-se do entendimento de que o método investigativo da história oral se apresenta como uma contribuição para os estudos da enfermagem permitindo-lhe se debruçar sobre novos problemas e novas temáticas possibilitando: novos olhares sobre a trajetória da profissão, o resgate de sua memória e a construção do seu devir.

Este estudo tem como objetivo analisar a aplicação da história oral temática associada à pesquisa documental, publicados pela enfermagem brasileira e catalogados pelo Centro de Estudos e Pesquisas em Enfermagem da Associação Brasileira de Enfermagem (CEPEn-ABEn), no período de 2000 a 2014.

MÉTODOS

Entendendo a importância da história para o registro das memórias e lembranças da enfermagem, desenvolveu-se um estudo qualitativo, utilizando-se o método da pesquisa documental, com o intuito de identificar a produção científica dos enfermeiros (dissertações e teses) relativa ao aporte metodológico da história oral temática e pesquisa documental.

O estudo foi norteado pela seguinte questão: Qual a aplicação da história oral temática associada à pesquisa documental, nos estudos publicados pela enfermagem brasileira e catalogados pelo Centro de Estudos e Pesquisas em Enfermagem da Associação Brasileira de Enfermagem (CEPEn-ABEn), no período de 2000 a 2014?

As fontes de pesquisa foram as dissertações e teses registradas no catálogo "Informações sobre pesquisas e pesquisadores em enfermagem do Centro de Estudos e Pesquisas em Enfermagem da Associação Brasileira de Enfermagem (CEPEn-ABEn), em sua versão disponível on line13.

Considerou-se as teses e dissertações, que adotaram a história oral temática e documental no itinerário de pesquisa, como fontes documentais importantes para a sistematização do conhecimento histórico da enfermagem.

As fontes estão na origem, constitui o ponto de partida, a base, o ponto de apoio da construção historiográfica [...]. Assim, as fontes históricas não são a fonte da história, ou seja, não é delas que brota e flui a história. Elas, enquanto registros, enquanto testemunhos dos atos históricos são fontes do nosso conhecimento histórico, isto é, é delas que brota, e nelas que se apoia o conhecimento que produzimos a respeito da história14:29.

A escolha do CEPENa deu-se por constituir-se em um banco de dados dos estudos científicos, para o qual as teses e dissertações dos programas de enfermagem defendidas no Brasil, são encaminhadas, tendo assim, um reconhecido trabalho de organização e preservação de documentos históricos da enfermagem.

O presente estudo foi realizado por meio das seguintes etapas: identificação do tema e da questão norteadora; estabelecimentos dos critérios de seleção da amostra; busca e seleção dos estudos na base de dados; tabulação dos dados em planilha eletrônica, construção de tabelas e gráficos para análise e discussão dos resultados. Estabeleceram-se como critérios de inclusão: dissertações e teses, produzidos por enfermeiros, cujo aporte metodológico contemplasse a história oral temática e pesquisa documental, incluídos nos Catálogos do CEPEn, no período de 2000 a 2014, no Brasil. Como Critérios de exclusão foram definidos: trabalhos que utilizaram a história oral de outras modalidades como, história oral de vida e denominadas de tradição oral, biografias; e produção de autores internacionais.

A delimitação do período foi definida por ser 2000 o ano em que se inicia os registros on line de teses e dissertações CEPEn e, o ano de 2014, por ser o último ano dos registros no catálogo de defesas de dissertações e teses. A busca pelo material ocorreu no período de novembro de 2014 a fevereiro de 2016.

Inicialmente, a busca se deu por consulta dirigida pelo índice por assunto, utilizando a terminologia: história e história da enfermagem. No levantamento das fontes, observou-se que alguns estudos catalogados não tinham as características da pesquisa histórica, bem como outros que, não obstante apresentasse um desenho metodológico da pesquisa histórica, não figuravam como tal. Assim, tivemos o cuidado de realizar a leitura cuidadosa de alguns resumos que, a priori, tivessem alguma relação com a temática da história.

Na coleta de dados, foram identificadas 75 estudos no CEPEn, com publicações concernentes a história oral temática e pesquisa documental. O fluxograma abaixo apresenta o percurso da coleta de dados.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Inicialmente, é relevante destacar que os resultados da pesquisa descrevem, unicamente, a produção científica da enfermagem registrada na base do CEPEn no espaço temporal de 2000 a 2014, e referentes àqueles estudos que adotaram o aporte metodológico da história oral temática e pesquisa documental, não representando, portanto, toda a produção de teses e dissertações publicados nesse período da enfermagem brasileira, em geral, e da pesquisa histórica em particular.

No que se refere ao tipo de trabalho, foram identificados no CEPEn 26 Teses de doutorado e 49 dissertações de mestrado (Figura 1). Observa-se que, mesmo considerando a expansão dos cursos de doutorado da área de enfermagem, ainda há um predomínio de publicação em história oral temática e documental das dissertações nos programas de mestrado. Esse fato pode se explicar tanto pelo grande quantitativo de cursos de mestrado existentes no Brasil, como também pelo tempo de elaboração e defesa das dissertações ser inferior ao das teses favorecendo, assim, as publicações em um período mais curto. Embora o catálogo do CEPEN on line tenha começado a ser veiculado em 2001, nele estão contidas as defesas de dissertações e teses do ano de 2000, as quais configuram nos resultados deste estudo, conforme o Gráfico 1.

Figura 1 Fluxograma representativo da busca por estudos na área de história oral publicados pela enfermagem brasileira, incluídos nos Catálogos do CEPEn, no período de 2000 a 2014, Florianópolis, 2016. 

Gráfico 1 Demonstrativo do número de Teses e Dissertações por ano de defesa. Fonte: Dados da pesquisa, Florianópolis, 2016. 

O quantitativo de teses e dissertações catalogadas no CEPEn, no período de 2000 a 2014, apresentado nos gráficos acima, revela que as produções das Dissertações tem oscilado com momentos de crescimento e momentos de declínio. Contudo, é perceptível que a partir do ano de 2005, a publicação das teses vem num crescimento contínuo e regular podendo se equiparar as dissertações, se considerarmos o tempo de defesa e também o número de programas de pós-graduação em cada um dos níveis. Para ilustrar o crescimento dos Programas de Pós-Graduação (MA: Mestrado Acadêmico, MP: Mestrado Profissional, DO: Doutorado) em Enfermagem no Brasil, podemos dizer que "em maio de 2013, a área contava com 63 programas de pós-graduação stricto sensu (26MA e DO, 02DO, 21MA e 14MP), totalizando 89 cursos (28DO, 47MA e 14MP), assim, distribuídos por região: 2,3% (02MA) no Norte; 20,2% (05DO, 11MA e 02MP) no Nordeste; 9,0% (02DO, 05MA e 01MP) no Centro-Oeste; 49,4% (15DO, 21MA e 08MP) no Sudeste e 19,1% (06DO, 08MA e 03MP) no Sul. Esse quantitativo de cursos stricto sensu da Área de Enfermagem representava 1,7% do total de cursos de pós-graduação brasileiros e 9,7% dos da área de Ciências da Saúde"15:84.

Vale ressaltar que esse crescimento é consonante tanto com o fortalecimento da pós-graduação em Enfermagem quanto com o avanço da pesquisa de história oral enfermagem brasileira. No entanto, considera-se que ainda precisa ser muito estimulada a produção de Teses e Dissertações na área de história da enfermagem, principalmente no que se refere a história oral temática e pesquisa documental.

Para avaliar as regiões mais predominantes em termos de estudos históricos que utilizaram a história oral e a pesquisa documental, apresentamos, a seguir, o Gráfico 2 abaixo:

Gráfico 2 Demonstrativo de Teses e Dissertações de acordo com a região geográfica dos Programas de Pós-graduação. Fonte: Dados da pesquisa, Florianópolis, 2016. 

Por conseguinte, observando o Gráfico 2, identificamos que, o Sudeste brasileiro é a região geográfica, onde são contabilizados o maior número de estudos, perfazendo um total de 16 teses e 27 dissertações defendidas nos programas de pós-graduação em enfermagem com as referidas temáticas, seguido da região Sul, com nove teses e nove dissertações e região Nordeste com dez dissertações.

No que se refere às instituições em que os estudos foram elaborados, o Gráfico 3, abaixo, reforça o predomínio das Universidades e Escolas de Enfermagem do sul e sudeste já observado na figura anterior.

Gráfico 3 Demonstrativo de Teses e Dissertações de acordo com os Programas de Pós-graduação em enfermagem. Fonte: Dados da pesquisa, Florianópolis, 2016. 

A predominância das teses e dissertações na região Sudeste tem aderência ao fato de que a maior parte dos programas de pós-graduação se localizam nessa região. E em consonância a esse dado, a predominância dos grupos de pesquisa em História da Enfermagem e saúde também garantem essa concentração.

A análise dos dois gráficos acima reforça estudos anteriores que reconhecem, o avanço das publicações acerca da história da enfermagem no Brasil, mas, ainda com predomínio das regiões Sul e Sudeste, apontando, assim, a necessidade da ampliação desses estudos em outras Universidades e Escolas de Enfermagem das demais regiões do país16,17.

Um outro dado analisado, foi a distribuição das teses e dissertações de acordo com o referencial teórico utilizado e presente nos resumos apresentados. Vale destacar que essa informação apresenta limitações, considerando que nem todos os estudos enfocam qual o referencial teórico utilizado.

Atinente ao referencial teórico adotado pelos pesquisadores de Enfermagem, na área de história, percebeu-se uma supremacia de Pierre Bordieu, sendo utilizados por 22 estudos de tese e dissertações, alguns desses pesquisadores utilizaram o referido autor juntamente com Michel Lowi, Michelle Perrot e Karl Max. O teórico Michel Foucault foi utilizado por seis estudos. O gráfico 4, deixa evidente esse predomínio, tendo os demais autores uma menor utilização nos trabalhos estudados, como: Gramsi, Freidson, Chauí, Nobert, Holbwacs, Minayo, entre outros. Verificamos também que muitos estudos (26) não citam o referencial teórico que foi adotado na investigação. Padilha; Borenstein, em artigo sobre a produção histórica da enfermagem, já alertavam da necessidade de se explicitar o referencial estudado, na perspectiva da socialização do conhecimento da história da enfermagem no Brasil18:673.

Gráfico 4 Demonstrativo das Teses e Dissertações quanto ao referencial teórico adotado. Fonte: Dados da pesquisa, Florianópolis, 2016 

No que se refere às temáticas estudadas, identificou-se que a história oral temática tem se revelado, predominantemente, um instrumento importante no sentido de possibilitar uma ampliação dos objetos de estudo. A análise dos dados demonstrou que a história dos cursos, notadamente, da graduação em Enfermagem e das instituições hospitalares, são as temáticas mais presentes nas publicações. Percebe-se, ainda, mesmo que em menor dimensão, a escolha de outras temáticas que apontam para: a construção das estratégias políticas para a ocupação de espaços de poder e da organização política da categoria; a questão de gênero; a prática e identidade profissional, e o cuidado da enfermagem. Este estudo corrobora pesquisa anterior na qual "os artigos de história da enfermagem analisados por Padilha et al, (2013) identificou cinco grandes áreas de produção de conhecimento em história da saúde e enfermagem: identidade profissional da enfermagem; institucionalização da enfermagem; escolas de enfermagem; entidades organizativas; e especialidades de enfermagem"19:698.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este trabalho buscou evidenciar a adoção e expansão da pesquisa histórica na enfermagem, principalmente a história oral, classificada como temática e documental, e a sua importância para o conhecimento histórico da profissão e para o resgate da sua memória. Muito embora se reconheça que existem outros métodos para estudar a pesquisa histórica na enfermagem, optou-se por um estudo de natureza bibliométrica, considerando-se a abrangência do estudo.

Alguns desafios ainda devem ser enfrentados na pesquisa histórica da enfermagem, um deles é o registro sobre a adoção do referencial teórico-metodológico. Ainda, observa-se na produção tanto de teses quanto de dissertações um número significativo de publicações que não explicitam a adoção do método histórico, nem tampouco o referencial teórico que sustenta essa modalidade de pesquisa. Essa é uma tarefa que urge ser cumprida tendo em vista a necessidade do reconhecimento científico e socialização da pesquisa histórica na enfermagem. Outro desafio é o estímulo à criação de linha de pesquisa histórica nos programas de pós-graduação fundamental para expansão e fortalecimento da pesquisa histórica na enfermagem brasileira

Convém lembrar a limitação deste estudo por ter sido realizado em uma única base de dados, todavia os resultados podem ser considerados relevantes pelas análises que eles geram, possibilitando novos estudos mais abrangentes. Sugere-se que em trabalhos futuros se ampliem a pesquisa para outros bases de dados.

Espera-se que os resultados deste trabalho possam contribuir com a identificação dos programas que tem adotado a pesquisa em história oral como itinerário de pesquisa na enfermagem, proporcionando aos pesquisadores da área a possibilidade de troca de experiências e, quiçá, a criação de uma rede de pesquisa e pesquisadores em história da enfermagem facilitando, assim, a realização de trabalhos interinstitucionais.

Enseja-se, ainda, que a história oral, na enfermagem, possa avançar cada vez mais enquanto itinerário de pesquisa e venha a configurar-se em uma grande área de investigação por meio das pesquisas orais em suas diferentes modalidades, pois se debruçando sobre sua trajetória histórica, a enfermagem pode ensejar novas possibilidades de construção do seu vir-a ser.

REFERÊNCIAS

1 Aróstegui J. A pesquisa histórica: teoria e método. Bauru (SP): EDUSC, 2006.
2 Le Goff J, Nora P. História: novos problemas. 4ª ed. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1995.
3 Ferreira MM. História, tempo presente e história oral. Topoi. [periódico na internet]. 2002 dez; [citado 2015 out 10]. p 314-32. Disponível:
4 Thomson A. Aos cinquenta anos: uma perspectiva internacional da história oral. IN: Albert V, Fernandes TM, FERREIRA MM, orgs. História oral: desafios para o século XXI. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2001. 204p.
5 Meihy JCSB. Desafios da história oral latino-americana: o caso do Brasil. IN: Albert V, Fernandes TM, Ferreira MM, orgs. História oral: desafios para o século XXI. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2001. 204p.
6 Meihy JCSB. Os novos rumos da história oral: o caso brasileiro. Revista de História. 2006; 155:191-203.
7 Meihy JCSB. Manual de história oral. 5ª ed. São Paulo: Loyola, 2005.
8 Padilha MICS, Borenstein MS. The methodology of historic research in the nursing. Texto & contexto enferm. 2005 dez;[citado em 2016 feb 25]. 14(4):575-84. Disponível: >. access on 25 Feb. 2016.
9 Meihy JCSB, Holanda F. História oral: como fazer, como pensar. São Paulo: Contexto, 2007.
10 Cardoso CFS. Ficção científica, percepção e ontologia: e se o mundo não passasse de algo simulado? História, Ciências, Saúde-Manguinhos. 2006 out. 13(suppl.):17-37.
11 Sá-Silva JR, Almeida CD, Guindani JF. Documentary research: theoretical and methodological clues. Revista Brasileira de História e Ciências Sociais [Online]. 2009 July;[citado em 2015 dez 20]. 1(1):1-14. Disponível:
12 Padilha MICS, Borenstein MS. Nursing History: Teaching, research and interdisciplinarity. Esc Anna Nery. 2006 out/dez; [citado em 2015 out 15]. 10(3):532-8.
13 Centro de Estudos e Pesquisas em Enfermagem da Associação Brasileira de Enfermagem. Disponível em: Acesso em outubro e novembro de 2015.
14 Saviani D. Breves considerações sobre fontes para a história da Educação. Revista HISTEDBR On-line. 2006 ago.(Esp.):28-35.
15 Scochi CGS, Munari DB, Gelbcke FL, Erdmann AL, Gutiérrez MGR, Rodrigues RAP. Pós-graduação Stricto Sensu em Enfermagem no Brasil: avanços e perspectivas. Rev. bras. enferm. [online]. 2013 sep.;[cited 2016 Mar 18];66(spe):80-9. Available:
16 Padilha MI, Borenstein MS, Carvalho MAL, Ferreira AC. Grupos de pesquisas em história de enfermagem: a realidade brasileira. Rev. Esc. Enferm. USP [on line]. 2012. 46(1):192-9.
17 Costa R, Borenstein MS, Padilha MI. History of Nursing and Health Knowledge Study Group: production of knowledge in the graduate program. Texto & contexto enferm. 2013 mar. 22(1):71-78. Available: >. access on 03 Mar. 2016.
18 Padilha MCS, Borenstein MS. Historical research vinculated to nursing graduate programs in brazil from 1972 to 2004. Texto & contexto enferm. 2007 out/dez;16(4):671-9.
19 Padilha MI, Ferreira AC, Maliska ICA, Villarinho MV, Zytkuewisz GV, Sell C. Recent trends in scholarship on the history of nursing in Brazil. História, Ciências, Saúde-Manguinhos. 2013 june; [cited 03 mar 2016]; 20(2):695-707. Available: >. access on 03 Mar. 2016. .
Política de Privacidade. © Copyright, Todos os direitos reservados.