A saúde do idoso na graduação em fisioterapia no Brasil: um estudo transversal

A saúde do idoso na graduação em fisioterapia no Brasil: um estudo transversal

Autores:

Isabel Oliveira Monteiro,
Mayle Andrade Moreira,
Lívia de Araújo Mota,
Ana Carla Lima Nunes

ARTIGO ORIGINAL

Fisioterapia e Pesquisa

versão impressa ISSN 1809-2950versão On-line ISSN 2316-9117

Fisioter. Pesqui. vol.27 no.1 São Paulo jan./mar. 2020 Epub 06-Abr-2020

http://dx.doi.org/10.1590/1809-2950/19008627012020

RESUMEN

El envejecimiento de la población ha estado ocurriendo rápidamente en el mundo, lo que resulta necesaria la capacitación de los profesionales de la salud involucrados en el cuidado del anciano, incluido el fisioterapeuta. El presente estudio tuvo el objetivo de describir el perfil de los cursos de fisioterapia en las instituciones de educación superior (IES) en Brasil con respecto a la enseñanza sobre la salud del anciano. Es un estudio observacional y transversal. Se realizó una recopilación de informaciones sobre los cursos de fisioterapia en Brasil mediante el análisis del plan de estudios, los proyectos pedagógicos y un formulario específico. Se analizaron 525 IES, de las cuales el 91,3% ofertan una materia que aborda la salud del anciano, de esta, el 98,4% son obligatorias y el 91,3% del tipo teórico-prácticas. En las del tipo prácticas, el 25,6% están en el ámbito de pasantías, siendo que el 81,9% se realizan con ancianos voluntarios y el 54,9% están dirigidas a todos los niveles de atención. En el análisis de la distribución de la materia por región, se observó una mayor presencia en la región Sudeste (40,2%) (p=0,03). La mayoría de las IES en Brasil abordan la salud de los ancianos en el plan de estudios del curso de fisioterapia. No obstante, la distribución de la materia es desigual en el país, lo que puede resultar en divergencias en la conducta terapéutica e influir negativamente en la calidad de la asistencia a los ancianos.

Palabras clave | Envejecimiento; Fisioterapia; Enseñanza

INTRODUÇÃO

O envelhecimento populacional é um fenômeno que ocorre de forma acelerada mundialmente1. No Brasil, as projeções indicam que, entre 2000 e 2020, o número absoluto de idosos duplicará, e até 2030, a quantidade de idosos irá superar a de crianças e adolescentes2. Associado a isto, observa-se uma mudança no perfil epidemiológico, com um aumento progressivo de doenças crônico-degenerativas, predomínio de incapacidades funcionais e sobrecarga dos gastos públicos no âmbito da saúde3.

Considerando todas as dimensões da saúde do idoso e a multiplicidade do indivíduo, a abordagem multiprofissional em saúde é a mais adequada1), (4. Deve-se avaliar não somente aspectos relacionados à estrutura e função do corpo, mas também as possíveis limitações em atividades e restrição na participação social, observando os fatores contextuais, pessoais e ambientais, envolvidos5. No entanto, verifica-se que, embora existam políticas que dão suporte ao cuidado integral do idoso, persistem embargos quanto a sua aplicação prática, bem como carência quanto à capacitação dos profissionais.

A Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) destaca a existência de diversas barreiras ao cuidado integral do idoso no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) (6. Exemplos são a pouca estrutura física disponível, a dificuldade no acesso a exames diagnósticos, a carência de recursos humanos e a falta de capacitação para os profissionais, o que levaria a uma assistência menos eficaz e a piores condições de saúde para os idosos atendidos6.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) enfatiza a necessidade de capacitação dos profissionais envolvidos no cuidado às pessoas idosas como estratégia para garantir assistência adequada1. Dentre esses profissionais, destaca-se o fisioterapeuta, que atua sobre os diferentes órgãos e sistemas corporais, com o objetivo de prevenir e tratar distúrbios cinéticos funcionais, promovendo a melhor funcionalidade7. Nesse sentido, a Associação Americana de Fisioterapia (APTA) reconhece o fisioterapeuta como essencial no cuidado ao idoso, atuando nos diversos níveis de atenção à saúde e na promoção de melhorias em suas condições de saúde, o que possibilita uma melhor qualidade de vida8.

Entretanto, não existem estudos que abordem a situação atual de capacitação dos profissionais fisioterapeutas, formados em instituições de ensino superior (IES) do Brasil, no que diz respeito à saúde do idoso. Considerando as especificidades da atenção à saúde da pessoa idosa, assim como a crescente demanda dessa área, a atuação do fisioterapeuta nesse cenário necessita de uma formação sólida. Dessa forma, este estudo tem por objetivo descrever o perfil dos cursos de fisioterapia de instituições de nível superior do Brasil quanto ao ensino direcionado à saúde da população idosa.

METODOLOGIA

Trata-se de um estudo observacional, de caráter transversal, realizado no período de fevereiro de 2017 a fevereiro de 2018, que teve como participantes as IES brasileiras cadastradas no Ministério da Educação (MEC) que oferecem o curso de graduação em fisioterapia.

Procedimentos

Inicialmente, realizou-se uma busca no sítio eletrônico do MEC para levantamento dos cursos de fisioterapia em funcionamento no país. Foram incluídos todos os cursos de instituições de nível superior públicas e privadas, não diferenciando universidades, faculdades, centros universitários e outros, que estivessem registrados no MEC e que disponibilizassem publicamente as informações sobre sua grade curricular ou respondessem a um formulário eletrônico sobre a mesma. Em seguida, realizou-se uma pesquisa nos endereços eletrônicos desses cursos com o objetivo de obter o projeto pedagógico (PP), ou a grade curricular, e o endereço de e-mail. Nos casos em que não foi possível obter o e-mail via site, foram realizadas três tentativas de contato telefônico para solicitação.

Após a obtenção dos endereços de e-mail, encaminhou-se um link para acesso remoto a um formulário digital que deveria ser respondido pelos coordenadores. Essa etapa do estudo teve por objetivo confirmar os dados obtidos com a coleta dos PP e grades curriculares, evitando possíveis erros de informações. Para os casos de divergência de informações, foi realizado um segundo contato via e-mail. Quando não se obteve sucesso nesse contato, foi considerada a resposta obtida pelo formulário eletrônico. Foram excluídos da análise os cursos nos quais não foi possível encontrar nenhum contato virtual, que não possuíam nenhuma turma de fisioterapia em andamento ou que não responderam às tentativas de contato e não possuíam PP e/ou grade curricular disponível em endereços eletrônicos.

Quanto à coleta de dados, foram obtidas informações sobre a existência de disciplina específica da abordagem fisioterapêutica no idoso, ou que apresente conteúdo direcionado à sua saúde, bem como a existência de projeto de extensão e/ou programa de pós-graduação sobre essa área. No caso de haver a disciplina, os coordenadores foram questionados quanto à obrigatoriedade, carga horária, vagas anuais ofertadas, existência de atividades práticas e natureza destas (laboratório e/ou campo de estágio, local de estágio, nível de atenção em saúde), além da especificidade da disciplina. Indagou-se, também, quanto à titulação máxima dos ministrantes da disciplina. As informações coletadas são de domínio público. Foram observados critérios éticos em todo o decorrer da pesquisa.

As informações obtidas foram classificadas de acordo com as características da disciplina, para melhor apresentação dos dados, conforme descrição a seguir: geral, para todas as disciplinas que abordam saúde do idoso, podendo incluir outras fases do ciclo da vida; específica I, para todas as disciplinas que apresentam conteúdo exclusivamente voltado à saúde do idoso; específica II, para todas as disciplinas específicas de abordagem fisioterapêutica no idoso.

Análise estatística

A análise dos dados foi realizada no software Statistical Package for Social Sciences (SPSS), versão 20.0. Na análise descritiva, foram utilizadas média e desvio-padrão para as variáveis quantitativas, e frequências absolutas e relativas para as variáveis categóricas. O teste qui-quadrado foi utilizado na análise bivariada para verificar a relação entre a presença da disciplina de saúde do idoso e as regiões do Brasil. O nível de significância assumido para todos os testes foi de 5%.

RESULTADOS

A busca no portal e-MEC obteve um total de 684 IES com cadastro ativo para o curso de fisioterapia, das quais 42 (6,1%) não foram encontradas ou não dispunham, em seus sítios eletrônicos, de e-mail ou contatos telefônicos. Após sucessivas tentativas de contato, obteve-se informações sobre 525 (76,7%) cursos, seja pelo formulário eletrônico ou PP. O resumo dos procedimentos de contato com seus respectivos resultados é apresentado na Figura 1.

Figura 1 Sequência de eventos da seleção da amostra, considerando critérios de inclusão e exclusão 

Na distribuição dos cursos por região foram excluídos 4 (0,8%) cursos da análise pela impossibilidade de identificar a sua localização. Dos 521 cursos de fisioterapia incluídos, verificou-se uma predominância de cursos no estado de São Paulo (25,9%). O único estado a não apresentar nenhum curso de fisioterapia em funcionamento foi Roraima. Quanto a região, houve maior prevalência na região Sudeste (39,9%) e menor na região Norte (5%).

Dos 525 cursos analisados, 475 (90,5%) pertencem a instituições privadas de ensino, 523 (99,6%) são oferecidos na modalidade presencial e 494 (94,1%) oferecem disciplina que aborda a saúde do idoso (geral). Em relação à especificidade da disciplina quanto à gerontologia, obtivemos informações sobre 458 cursos, dos quais 418 (91,3%) oferecem disciplinas voltadas exclusivamente à saúde do idoso (específica I). Destas, 309 dispunham de dados quanto ao direcionamento da disciplina, se específico ao cuidado fisioterapêutico (específica II) ou não, sendo observado que 282 (91,3%) foram consideradas específicas da fisioterapia (específica II).

Ao analisar as características das disciplinas que abordam o referido tema, nota-se que a maioria é de caráter obrigatório (98,4%), do tipo teórico-prática (91,3%). Houve predomínio do título de mestre (51,6%) como a maior titulação entre os professores ministrantes do curso. A média da carga horária da disciplina foi de 84,5 (±85,3) horas, com oferta de 72,7 (±40,1) vagas anuais (Tabela 1).

Quando verificadas as características das atividades práticas relatadas, menos de 30% das disciplinas têm práticas em campos de estágio, onde o discente tem contato com o idoso (81,9%) e vivencia os três níveis de atenção em saúde (54,9%) (Tabela 2).

Tabela 1 Caracterização das disciplinas que abordam saúde do idoso nos cursos de fisioterapia do Brasil 

Características das disciplinas Gerala (n=494) Específica Ib (n=418) Específica IIc (n=282)
Obrigatoriedade da disciplina (n) 494* 418* 282*
Sim (%) 486 (98,4%) 413 (98,8%) 278 (98,6%)
Tipo de disciplina (n) 173* 150* 111*
Teórica (%) 14 (8,1%) 12 (8%) 8 (7,2%)
Prática (%) 1 (0,6%) 1 (0,7%) 1 (0,9%)
Teórico-prática (%) 158 (91,3%) 137 (91,3%) 102 (91,9%)
Titulação máxima entre os professores ministrantes (n) 126* 108* 84*
Especialista (%) 11 (8,7%) 10 (9,3%) 8 (9,5%)
Mestre (%) 65 (51,6%) 56 (51,9%) 42 (50%)
Doutor (%) 46 (36,5%) 39 (36,1%) 32 (38,1%)
Pós-doutorado (%) 4 (3,2%) 3 (2,8%) 2 (2,4%)
Vagas anuais (n) 112* 309* 282*
Número de vagas (média±DP) 72,7 (±40,1) 72,9 (±39,8) 69 (±36,6)
Carga horária (n) 441* 309* 282*
Horas (média±DP) 84,5 (±85,3) 79,8 (±44) 79,8 (±49,3)

*Amostra obtida por categoria (n válidos); a Disciplinas que abordam saúde do idoso, podendo incluir outras fases do ciclo da vida. b Disciplinas com conteúdo exclusivamente voltado à saúde do idoso. c Específica II: disciplinas específicas de abordagem fisioterapêutica no idoso. DP: desvio-padrão.

Tabela 2 Caracterização das disciplinas de saúde do idoso que realizam abordagem prática 

Características das disciplinas Gerala (n=159) Específica Ib (n=138) Específica IIc (n=103)
Local da atividade prática* (n) 121* 105* 83*
Laboratório (%) 17 (14%) 13 (12,4%) 11 (13,3%)
Estágio curricular (%) 31 (25,6%) 31 (29,5%) 23 (27,7%)
Ambos (%) 73 (60,3%) 61 (58,1%) 49 (59%)
Voluntários das atividades* (n) 116* 101* 79*
Alunos (%) 21 (18,1%) 15 (14,9%) 15 (19%)
Idoso (%) 95 (81,9%) 86 (85,1%) 64 (81%)
Nível de atenção em saúde* (n) 113* 98* 75*
Primário (%) 9 (8%) 9 (9,2%) 9 (12%)
Secundário (%) 7 (6,2%) 5 (5,1%) 3 (4%)
Terciário (%) 2 (1,8%) 2 (2%) 1 (1,3%)
Dois níveis de atenção (%) 33 (29,2%) 31 (31,6%) 24 (31,9%)
Todos os níveis (%) 62 (54,9%) 51 (52%) 38 (50,7%)

*Amostra obtida por categoria (n válidos). a Disciplinas que abordam saúde do idoso, podendo incluir outras fases do ciclo da vida. b Disciplinas com conteúdo exclusivamente voltado à saúde do idoso. c Disciplinas específicas de abordagem fisioterapêutica no idoso.

Quanto à existência de projeto de extensão, obteve-se informação de 291 cursos, dos quais 75 (25,8%) oferecem projetos voltados ao cuidado da pessoa idosa; 401 cursos ofereceram dados sobre programas de pós-graduação, dos quais 68 (17%) possuem programas direcionados à saúde do idoso.

Ao analisar a associação entre a presença da disciplina que aborda saúde do idoso (geral), específica I e específica II com as regiões onde o curso é ofertado, observou-se associação significativa entre a presença da disciplina que aborda saúde do idoso (geral) e a região Sudeste (p=0,03) (Figura 2).

Figura 2 Distribuição por região de disciplinas que abordam a saúde do idoso nos cursos de fisioterapia no Brasil 

DISCUSSÃO

O objetivo do nosso estudo foi descrever o perfil dos cursos de fisioterapia no Brasil quanto ao ensino direcionado à saúde da população idosa. Constatamos que a maioria dos cursos de fisioterapia aborda a saúde do idoso em pelo menos uma disciplina, mas apenas parte dos estudantes tem conteúdo específico à atenção fisioterapêutica para o idoso. O acesso do discente ao conteúdo é assegurado, pois na maioria dos casos a disciplina é obrigatória. Apesar de terem caráter teórico-prático, nos três níveis de atenção, e serem ministradas principalmente por professores com título de mestre, grande parte dos discentes não tem acesso ao ambiente prático real de atendimento ao idoso, o que possivelmente dificultará a prática futura desse profissional com essa população.

O grande número de cursos de fisioterapia no Brasil aumenta o desafio de analisar como esses profissionais estão sendo preparados para lidar com o processo de envelhecimento. A Política Nacional do Idoso prevê a necessidade de adequação curricular à transição demográfica no Brasil9. Nesse contexto, a maioria dos cursos de fisioterapia brasileiros apresenta uma disciplina que contempla a saúde do idoso em seu currículo, sendo esta principalmente de caráter obrigatório. Nota-se uma preocupação dos cursos em seguir as diretrizes, também reforçadas pela OMS, que enfatizam a necessidade de incluir nos currículos de todos os cursos de saúde temas direcionados à saúde da população idosa1. Esse panorama contribui para a formação do fisioterapeuta como profissional generalista, conforme recomendação das Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Fisioterapia10.

No entanto, essa formação generalista não é uniforme no território nacional, com predomínio na região Sudeste. Assim, o estudante de fisioterapia está submetido a diferentes formações, podendo representar divergências na conduta profissional e deficiências na assistência recebida pelos idosos em determinadas regiões do país. Percebe-se, portanto, a importância da uniformização da formação do fisioterapeuta, além da necessidade de uma educação continuada, visando à completa capacitação para lidar com essa população.

Das estratégias didáticas para potencializar o aprendizado, a inserção de novos cenários, que enquadram novos conteúdos e atividades práticas, pode redirecionar a perspectiva sobre intervenções em saúde11. A maioria dos cursos de fisioterapia realizam atividades práticas agregadas às disciplinas de saúde do idoso. Oh, Lee e Kim12 destacam que a prática estimula nos alunos as habilidades relacionadas à comunicação, solução de problemas e relações interpessoais, o que estimularia o desenvolvimento das habilidades essenciais para a futura profissão. Apesar desses dados positivos, observamos que boa parte dos estudantes não tem oportunidade de vivenciar a prática com o idoso, limitando a experiência prática em si. Tais oportunidades são espaços de expressão de conflitos e escolhas, onde o conteúdo se depara com a individualidade e a ética, favorecendo a articulação entre teoria e prática11.

Nesse contexto, a participação dos estudantes no cotidiano dos serviços permite a vivência responsável da realidade. A prática clínica baseada nos três níveis de atenção favorece a ampliação desse cenário, pautando o aprendizado na solução de problemas 11. No entanto, parte importante das práticas de saúde do idoso não inclui todos os níveis de atenção. Evidências mostram a necessidade de garantir uma formação que aborde os mais diferentes níveis de atenção à saúde, garantindo a observância das Diretrizes Curriculares Nacionais dos Cursos de Graduação em Fisioterapia3), (10), (13), (14. No panorama do envelhecimento, tais aspectos ganham maior relevância na medida em que se ressalta a importância da prevenção e promoção à saúde do idoso.

Miranda, Mendes e Silva3 destacam que o investimento na formação de profissionais da saúde capacitados para a atuação em gerontologia é importante para a garantia de boas práticas profissionais3. Entretanto, nossos resultados apontam para uma pequena quantidade de cursos de pós-graduação na área do envelhecimento nas universidades, o que dificultaria o acesso dos profissionais ao processo de educação continuada e à pesquisa. Segundo a OMS, a educação continuada é essencial para a garantia de boas práticas, melhora dos tratamentos disponíveis e atualização das diretrizes existentes.

A nossa pesquisa possui como limitação a busca de dados provenientes de projetos pedagógicos e grades curriculares disponíveis on-line, que podem não estar atualizados. No entanto, como estratégia de ajuste, os dados foram confirmados através de questionário específico. Ademais, não existem estudos sobre a situação atual de capacitação dos profissionais fisioterapeutas que vêm sendo formados em instituições de ensino superior do Brasil no que diz respeito à saúde do idoso. A relevância deste estudo ganha maior proporção considerando a enorme área geográfica do Brasil, composta de regiões bastante divergentes e que apresentam grande quantidade de cursos de fisioterapia.

Diante do exposto, constatamos a inclusão da saúde do idoso nos currículos dos cursos de fisioterapia do país. No entanto, essa inclusão ainda não é universal, o que indica que parte dos fisioterapeutas graduados pode não possuir competências suficientes para lidar com a população idosa em constante ascensão. Além disso, existe uma lacuna na formação continuada, aqui representada pela pós-graduação, limitando a produção de conhecimento. Por fim, sugere-se a realização de estudos que investiguem a qualidade do conteúdo referente à saúde do idoso ministrado nesses cursos, o que poderá fornecer maior detalhamento da formação do fisioterapeuta, permitindo uma análise mais aprofundada.

CONCLUSÃO

Os cursos de graduação em fisioterapia das instituições de nível superior do Brasil abordam, em sua maioria, a saúde do idoso na grade curricular. A inserção de disciplinas obrigatórias, de caráter teórico-prático, abordando os três níveis de atenção, com atividades práticas que incluem o atendimento ao idoso, são sinais da intenção dessas instituições adequarem a formação do profissional fisioterapeuta à transição demográfica. No entanto, a distribuição dos cursos e das disciplinas no país é desigual, podendo trazer divergências na conduta terapêutica. Conhecer o perfil do profissional que está sendo formado é fator essencial para a qualidade do atendimento ao paciente.

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