A seção de Criação na revista Interface: vinte anos de experimentação

A seção de Criação na revista Interface: vinte anos de experimentação

Autores:

Eliane Dias de Castro,
Eduardo Augusto Alves de Almeida,
Gisele Dozono Asanuma,
Juliana Araújo Silva,
Renata Monteiro Buelau,
Mariangela Scaglione Quarentei,
Ricardo Rodrigues Teixeira,
Elizabeth Maria Freire Araújo Lima

ARTIGO ORIGINAL

Interface - Comunicação, Saúde, Educação

versão impressa ISSN 1414-3283versão On-line ISSN 1807-5762

Interface (Botucatu) vol.21 no.63 Botucatu out./dez. 2017

http://dx.doi.org/10.1590/1807-57622017.0357

ABSTRACT

To celebrate the 20th anniversary of the journal Interface, members of the team responsible for the Creation section immersed themselves in a range of materials that have been published in the section since the journal’s very first issue. The result is an assortment of images, words and reflections that gives an insight as to the multiplicity of voices that tell this story. They represent attempts to think about the Creation section both nowadays and in the past, along with possible pathways for its on-going – and essential – reinvention.

Key words: Creation; Languages; Health research; Interdisciplinarity; Publishing group

RESUMEN

Para conmemorar los veinte años de la revista Interface el equipo de creación revisó profundamente el conjunto de materiales publicados en la sección de Creación desde el primer número de la revista. El resultado es este conjunto de imágenes, palabras y reflexiones que constituyen recortes de la multiplicidad de voces que cuentan esta historia. Son tentativas de pensar en la sección de Creación ayer y hoy, además de otros posibles caminos para su reinvención constante y necesaria.

Palabras-clave: Creación; Lenguajes; Investigación en salud; Interdisciplinariedad; Grupo de edición

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Inventar e reinventar a Criação

A revista Interface nasce em agosto de 1997, com intenção de estimular o debate e a difusão de conhecimentos em torno das questões contemporâneas que desafiam seus campos de interesse. Em seu primeiro número, ela já apresentava um diálogo gráfico-textual com sua interdisciplinaridade, dando lugar a experimentações estéticas variadas.

Pensar nos vinte anos da seção de Criação desta revista mobiliza questões antigas, e também atuais, que atravessam a equipe editorial em 2017. Queremos problematizar o que, por que e como ela opera num periódico científico indexado e arbitrado por interlocutores de diferentes áreas do conhecimento. Seção que se firmou com publicações de caráter inventivo, provocativo ou reflexivo, que se apresentam com linguagens diversas ou utilizam recursos visuais, poéticos, literários, musicais, audiovisuais etc. O intuito de tais recursos é promover outras possibilidades de interlocução e também oferecer diferente tessitura às discussões, em diálogo com as artes e a cultura em geral.

O nome da revista já apresenta a sua intenção de abertura. E o nome da seção, o que enuncia? A que vem um espaço para a Criação em uma revista alojada no Laboratório de Educação e Comunicação em Saúde, Departamento de Saúde Pública da Faculdade de Medicina e Instituto de Biociências da UNESP de Botucatu?

Um interesse de acolher múltiplas formas de intervenção e práticas de saúde, a formação universitária e continuada atravessada por campos diversos, em especial: a educação e a comunicação, a filosofia, as artes, as ciências sociais e humanas, com ênfase nas pesquisas qualitativas e na Saúde Coletiva.

Trata-se de um espaço aberto a pesquisas estéticas, atravessadas pelo pensamento crítico, que não se enquadram na formatação científica das demais seções da revista. É importante destacar que “criação” não significa, necessariamente, “arte”. E, também, que a maior liberdade formal da Seção de Criação, para além das normas tradicionais de publicações acadêmicas, não implica menor rigor dessas produções.

Ao longo destes vinte anos, tal proposta tornou públicas ideias ousadas, inquietantes, experimentais, que acolhem algo valioso – e, por vezes, esquecido – do trabalho de estudo e pesquisa: a experimentação. Os processos, as invenções, as errâncias e as forças criativas são aqui necessárias para problematizar os próprios modos de fazer e pensar a produção de conhecimento.

Ao mesmo tempo, e justamente por conta desse desejo por formas inventivas, cada criação submetida à apreciação da equipe editorial vem acompanhada de questões ainda não consideradas: provocam debates, exigem reformulações, mantêm todos num processo vivo de pensar a própria seção, a que ela vem e como se enuncia.

Nas próximas páginas, apresentamos: recortes da multiplicidade de vozes que contam a nossa história, algumas tentativas de pensar a seção de Criação ontem e hoje, além de outros possíveis caminhos para a sua constante – e necessária – reinvenção.

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Outras linguagens para o saber

A revista Interface foi idealizada por um grupo interdisciplinar de estudos do tema da Educação e da Comunicação no campo da Saúde, em um momento em que diversos projetos de integração entre a universidade, a comunidade e os serviços de saúde estavam sendo criados e experimentados tanto no ensino de graduação quanto na pós-graduação em Saúde, envolvendo as várias profissões dessa área1.

A epígrafe que a acompanhou por muitos anos foi a frase de Pierre Lévy2, que descreve a interface como superfície de contato, de tradução, de articulação entre dois espaços, duas espécies, duas ordens de realidade diferentes. Intenção que articula a revista diretamente com as novas bases para as cartografias científicas contemporâneas. Uma tentativa de ampliar o entendimento do homem em sua universalidade, diversidade e diferença.

Incertezas, indeterminações, imprecisões e a complexidade nas formas de conceber e fazer ciência são mostradas e acentuam as redefinições dos laços sociais em curso, instaurando redes, redimensionando o imaginário, adensando-o como círculo comunicacional onde a invenção valoriza a ética, num exercício estético-político que inclui certas poéticas como formas ativas de encarar o real3.

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Desalinho do tempo

A presença de Maria Lúcia Torrales Pereira(i) e Ricardo Rodrigues Teixeira(j) na equipe que concebeu a revista foi crucial para a Criação, que, entre 2009 e 2014, teve como editora Mariângela Quarentei(k). Essas presenças marcaram profundamente a concepção editorial da revista, que se manteve no desafio de tornar expressiva sua vocação interdisciplinar, buscando produzir e afirmar interfaces entre diferentes discursos e linguagens, na exploração de um diálogo gráfico-textual.

Em 2009, o projeto gráfico da revista passa a ser pensado a partir do conteúdo publicado na seção, de forma a produzir uma integração entre a capa, as interferências gráficas nos textos, a rede imagética e textual de conceitos e temáticas presentes em cada número, além de imagens organizadas em pranchas intercaladas entre os artigos publicados na edição impressa. Em 2013, o formato digital provocou a equipe com novos desafios e possibilidades. A seção expandiu a gama de experimentações no projeto gráfico, com a articulação de textos, cores, imagens, e agora, também, vídeos e áudios nas suas criações.

Foram publicados nesta seção: textos literários, poéticos e teatrais; ensaios críticos sobre artes plásticas, teatro, cinema, dança e fotografia; pinturas em tela e pinturas corporais; autorretratos; escultura e instalações; gravuras e xilogravuras; colagens e mosaicos; costuras e bordados; desenhos, esboços e projetos arquitetônicos; ensaios fotográficos; registros e relatos de mostras, exposições, performances e espetáculos; cartografias de expedições urbanas; acompanhamentos de festas populares; estudos etnográficos; entre outros materiais entrelaçados.

Por meio dessa diversidade de linguagens e composições, foram abordados temas variados, entre eles: interfaces entre ciência e arte, pesquisa e experimentação; crise da ciência e crise da representação; produtivismo na academia; ressonâncias entre loucura e criação; diferentes estratégias de humanização em saúde e de inclusão sociocultural; oficinas de atividades artísticas; aspectos do corpo e da corporeidade; comunicação, formação e educação em saúde; produção de saúde e produção de subjetividade; olhares sobre a cidade; cotidiano e modos de vida; amor, solidão, vulnerabilidades; e reflexões sobre os processos de criação, de escrita e de pesquisa.

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Escrever com...

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As aproximações com a seção de Criação da revista Interface se dão a partir de acontecimentos, estudos e pesquisas produzidos por uma rede de profissionais à espreita do trabalho vivo que constitui certas proposições. Numa tessitura relacional, fazeres e encontros conduzem a colaborações desejantes, com expressões de experiências poéticas e críticas que requerem um lugar de acolhimento para sua publicação fora dos formatos tradicionais da academia.

Expõem-se, de maneira próxima e afetiva, experimentações com linguagens que aferem singularidades do exercício de pesquisar atrelado ao ato criador e à inventividade, e que, em alguns momentos, envolvem, também, a participação coletiva no processo da pesquisa. As publicações evocam a participação e a emancipação, em especial, daqueles que habitam as margens do projeto científico e artístico hegemônico. A seção de Criação busca alojar, assim, alguns vestígios dos acontecimentos, proporcionando outras visualidades e reflexões que acionam, na prática, mudanças no pensamento e deslocamentos sensíveis.

O que toca? O que conecta? O que produz leituras menores ou estabelece pontes? Fazeres e cuidados não hegemônicos são colocados em marcha na escolha das imagens, dos textos, na elaboração da montagem e das composições da edição. Trabalha-se junto, trabalha-se com cada autor, acompanham-se experiências para efetuar formatos que problematizem a pluralidade de formas de produzir conhecimento e agreguem, ao projeto da publicação científica, a complexidade de articulá-lo aos acontecimentos do presente.

Trata-se de realizar intervenções delicadas e pertinentes numa coleta do mundo onde a criação é um problema vital para produzir certas aberturas na fixação dos lugares tecidos na durabilidade e especialização do projeto científico, cunhando, na edição, outras temporalidades e espacialidades, outras formas de imersão na linguagem, com a apresentação de possibilidades expressivas que instaurem “capacidades de sentir e falar, de pensar e agir, que não pertence a nenhuma classe em particular, que pertence a qualquer um”5 (p. 43).

A seção de Criação acolhe certas vitalidades no processo de pesquisa acadêmica ou em suas bordas, atualizando formas do cuidado em saúde, inventando modos de ensinar e produzir pensamento e contato implicados na amplitude do ato de pesquisar. Operam-se, portanto, intensidades que fazem ver: forças, trajetos, afetos, sensações, que transbordam, por aproximações ou por distanciamentos, do projeto científico dominante.

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Questões de linguagem, implicações políticas

Entre as diversas questões que se colocam durante o trabalho desta editoria, cabe destacar uma, que diz respeito à linguagem, e uma segunda, cujas implicações são políticas. Talvez ambas fiquem mais evidentes se convocarmos, com intuito de interlocução, algumas ideias de Jacques Derrida, conforme aparecem no debate transcrito e publicado sob o título de Rastro e arquivo, imagem e arte. Diálogo7. Assim, perguntamos: que forças são tensionadas nesse espaço, dito de “criação”, que propõe acolher outras formas de produção intelectual, as quais vêm acompanhadas não somente do desejo de se fazerem, mas, também, da potência intrínseca ao resultado que vem a público; desejo e potência que se realizam, justamente, porque encontram, na criação, tanto um gesto (ato criativo) quanto um espaço (de publicação).

A questão de linguagem, mencionada acima, encontra-se num constante embate com a normatização acadêmica, pois quer forçar os seus limites e experimentar formas diversas. Ela também traz conflitos em si mesma; e são os conflitos, mais do que os apaziguamentos, que sugerem caminhos alternativos.

Derrida aborda o problema da relação entre imagem e texto, que apresenta um paradoxo complexo, no sentido de que toda imagem convoca palavras e toda palavra é prenhe de imagens. O filósofo quer saber o que resta da imagem após o escrito. Questão que, no caso das publicações científicas, deveria ser fundamental; pois há sempre a tendência de que a palavra predomine – como formadora de discurso –, enquanto a imagem assume papel de ilustração, com sua força expressiva domesticada, posta a serviço do texto.

Por que motivo e em que momento a academia rebaixou a linguagem visual – a qual, curiosamente, predomina no cotidiano contemporâneo? A comunicação, no âmbito ordinário, é cada vez mais icônica. Porém a produção intelectual, em geral, se faz apenas com palavras. Por mais instigante que seja a sua investigação, os artigos científicos convencionais abrem mão da potência sensível das demais linguagens, entre elas, a imagética. Há também várias outras. O que se perde nessa tradução da experiência viva para as letras – e somente as letras? É uma pergunta que a Criação tenta se fazer por outra via, que é a de ceder espaço a experimentos com linguagens variadas, como a fotografia, o vídeo, o áudio e, até mesmo, o texto, quando este escapa da norma e se apresenta pelo viés poético.

Derrida ainda deseja saber: se respondemos a um texto com palavras, podemos responder a um estímulo visual com outra coisa que não uma imagem? Porque, de alguma maneira, transferir as demais linguagens ao registro verbal implica perverter o que é próprio delas. A questão cabe a toda forma de produção de conhecimento. Em nosso caso: por que traduzir para o texto as questões que afetam nossas vivências e pesquisas em comunicação, saúde e educação? O que ganhamos e o que perdemos durante esse processo? Que tipo de conhecimento estamos privilegiando? Em outras palavras: por que não produzir uma imagem, um filme, uma música? Uma aula, um movimento, um toque? Por que não responder à afetação do pesquisador com uma forma sensível?

A segunda questão, que citamos no início, diz respeito a um posicionamento político; às escolhas e, também, às consequências da publicação.

Esse ato de criar e publicar os produtos da nossa pesquisa contém uma vontade de compartilhá-los e, também, uma tentativa de impedir que se percam. Tal operação é, segundo o filósofo, uma operação de poder, com implicações evidentemente políticas, no sentido amplo do termo. Que sempre vêm à tona durante as edições da revista. Primeiro, por parte dos próprios autores, que se propõem a localizar, classificar, hierarquizar a sua produção. Em segundo, por parte da equipe editorial, responsável pelo delicado – e, ao mesmo tempo, violento – trabalho de deliberação, ou seja, de escolher, avaliar e institucionalizar a produção do outro. Trabalho delicado porque requer lidar com a alteridade, a diversidade e a produção intelectual dos autores. Trabalho violento porque não há arquivamento sem seleção, e não se pode guardar tudo, portanto arquivar é, também, um ato de destruição. Como identificar limites, como operar com essa finitude? Se há critérios precisos para avaliar artigos acadêmicos convencionais (adequação à forma, ineditismo, relevância no campo, clareza etc.), como avaliar propostas que, justamente, desejam escapar à norma?

Esses embates ressurgem a cada edição da revista. Se a rigidez normativa não compete à seleção das propostas submetidas, há, ainda, um rigor e uma ética que nos cabe pensar, inventar e operar. Além de uma maneira de trabalhar que só pode ser gentil, tanto na recepção das propostas, no diálogo com os autores e na publicação. Gentileza que, se não chega a ser um método, ao menos, é um princípio a orientar a edição e a reinvenção constante que o processo todo requer.

Editoração: equipe e proposta em processo

A seção sempre foi desafiada pelas contribuições dos autores, fazendo com que o processo de criação se tornasse inerente à própria seção.

A equipe instaurou uma rede de trabalho sensível e afetivo, que potencializa experiências singulares e coletivas, múltiplas formas de expressão da vida e do pensamento reflexivo. Explorar o que instaura uma zona de comunidade a partir da confiança e da junção de pequenos coletivos que vislumbrem tentativas de provocar estados de invenção e trabalhar as publicações para o projeto editorial final.

O pouso do olhar sobre a diferença permeia o processo de reflexibilidade e responsabilidade; encontram-se, nos afetos, a alegria, a potência e a complexidade, efeitos ressonantes para intensificar publicações num periódico científico interdisciplinar.

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Festejar ...

“Celebram-se vinte anos da seção de Criação da revista Interface. Seção de um periódico acadêmico que celebra, há vinte anos, a criação, a invenção, a experimentação, a liberdade formal, abrindo espaço para a publicação de produções que não cabem nos moldes da comunicação acadêmica. Acho importante enfatizar que só pode ser esse o sentido de se chamar esta seção de Criação: o de celebrá-la! Jamais no sentido de que esta seria a seção em que estaria confinada a “criação”, que não estaria presente nas demais seções da revista. De modo algum! A expectativa é sempre de que toda produção científica que mereça ser publicada contenha uma boa dose de criação nas mais diversas etapas de sua produção, da concepção da pesquisa à exposição dos resultados. Nesse sentido, a seção chamada Criação não reivindica ser o espaço da criação na revista, mas o da sua celebração.

E a criação é festejada seguindo os padrões de toda festa: a busca de uma verdade fundada na beleza, na alegria e no desejo de estarmos juntos, que redesenha vozes, palavras, corpos e gestos, ao arrancá-los de determinados esquemas formais, seja o das normas da vida cotidiana, seja o das regras do jogo científico. Rompem-se limites, invertem-se lugares e, como se festejássemos o divino, uma criança é coroada a cada nova edição para lembrar quem é que, de fato, reina nos territórios da ciência e da razão, na medida em que eles continuam a ser territórios da vida.

Quando a presença por vinte anos desse espaço numa revista acadêmica é cuidadosamente revisitada e analisada, como foi feito no presente artigo, descobre-se a consistência do conhecimento aí construído/compartilhado. Consistência fundada na possibilidade de se “acolher certas vitalidades no processo de pesquisa” que não encontram vias de expressão nos espaços extremamente regulados da produção e comunicação de conhecimento acadêmico; consistência fundada na capacidade de se “acionar mudanças no pensamento e deslocamentos sensíveis” e, sobretudo, no forte desejo de se “provocar estados de invenção”

Celebrar a criação, festejá-la num espaço aberto à liberdade e às experimentações expressivas, é sempre um modo de emular a divindade, de manter vivo o apetite pela invenção, motor indispensável da produção científica e filosófica, tanto quanto da arte.

Por fim, cabe dizer que comemorar os vinte anos da seção de Criação da revista Interface é, também, relembrar sua origem enquanto um gesto criativo no campo da editoria científica e o dever de homenagear alguém que teve uma grande importância nesse gesto, a arte-educadora Maria Lúcia Torrales Pereira, que abriu espaço para a criação por onde passou na sua trajetória profissional, da educação infantil à Educação Superior. E, do mesmo modo, homenagear e agradecer a todos que têm recriado a Criação, a cada novo número da revista, ao longo de todos esses anos, único modo dessa rica experimentação editorial ‘perseverar na existência’”...

Ricardo Rodrigues Teixeira

Imagem 8. Para onde vai a forma quando a matéria cede passagem 

Palavras (nunca) finais

Belezas e precariedades estão presentes nos encontros e chamam à interferência todos os participantes em horizontalidade. Aqui, a mutação da sensibilidade faz com que se apreendam significados surpreendentes onde, normalmente, só se vê repetição ou impossibilidade. Geram-se outros sentidos de vida que permitem ir ao cotidiano, viver as experiências de maneiras diversificadas, tanto social quanto culturalmente, trabalhando para o desmanchamento de violências cristalizadas, disseminadas e agudas. Na imanência dos trabalhos, sempre singularizados, compartilham-se força e alegria ao se encontrarem linguagens para reinventar a arte e a vida.

Para a celebração dos vinte anos da seção de Criação da revista Interface, revisitamos todos os trabalhos publicados, querendo estreitar o pensamento e o contato sensível que permitiriam esta reflexão. Se é impossível mencioná-los um a um, deixamos o convite para o leitor acessá-los no site da revista e se contaminar com o que, pela resistência sempre inventiva, ainda é possível.

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REFERÊNCIAS

1. Cyrino AP, Lima EA, Garcia VL, Teixeira RR, Foresti MCPP, Schraiber LB. Um espaço interdisciplinar de comunicação científica na saúde coletiva: a revista interface – comunicação, saúde, educação. Cienc Saude Colet. 2015; 20(7):2059-68.
2. Lévy P. As tecnologias da inteligência: o futuro do pensamento na era da informática. São Paulo: 34; 1993.
3. Carvalho EA. A declaração de Veneza e o desafio transdisciplinar. Rev Margem Educ. 1992; 1(1): 91-103.
4. Dias RO. Imaginar. In: Fonseca TMG, Nascimento ML, Maraschin C, organizadores. Pesquisar na diferença: um abecedário. Porto Alegre: Sulina; 2012. p. 127-30.
5. Rancière J. O espectador emancipado. São Paulo: WMF Martins Fontes; 2012.
6. Pelbart PP. O avesso do niilismo: cartografias do esgotamento. São Paulo: N-1 Edições; 2013.
7. Derrida J. Rastro e arquivo, imagem e arte. Diálogo. In: Derrida J. Pensar em não ver: escritos sobre as artes do visível (1979-2004). Florianópolis: UFSC; 2012. p. 91-144.
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