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Adaptação cultural do Test of Narrative Language (TNL) para o Português Brasileiro

Adaptação cultural do Test of Narrative Language (TNL) para o Português Brasileiro

Autores:

Natalia Freitas Rossi,
Tâmara de Andrade Lindau,
Ronald Bradley Gillam,
Célia Maria Giacheti

ARTIGO ORIGINAL

CoDAS

versão On-line ISSN 2317-1782

CoDAS vol.28 no.5 São Paulo set./out. 2016 Epub 26-Set-2016

http://dx.doi.org/10.1590/2317-1782/20162016018

INTRODUÇÃO

Nos primeiros anos de vida, as situações de interação comunicativa vivenciadas pela criança são fortemente marcadas pelo uso da linguagem falada. Por sua vez, a conversação, a narrativa oral de scripts e, posteriormente, a narrativa de história constituem os primeiros modelos de esquema narrativo com que a criança tem contato(1).

Esse esquema é construído de forma gradual ao longo do desenvolvimento, à medida que a criança é exposta socialmente aos diferentes modelos de representação organizacional da linguagem por meio de interações que são estabelecidas principalmente no ambiente com a família e na escola(2) em consonância com o desenvolvimento de uma arquitetura neurofuncional, constituída por uma rede neural complexa que envolve diferentes áreas cerebrais, de ambos os hemisférios(3,4).

Ao longo dos anos, pesquisadores têm mostrado que o desempenho de crianças na narrativa oral, em idade pré-escolar, pode predizer problemas futuros na alfabetização(5), bem como predizer a competência textual na idade escolar(6). Deste modo, o uso de métodos quantitativos e qualitativos para investigação da narrativa oral tem sido valorizado dentre os procedimentos formais e informais para avaliação da linguagem(7-11).

Dentre os instrumentos formais para investigação da narrativa oral, podemos citar o “Test of Narrative Language” (TNL)(12). Esse instrumento tem como proposta investigar o desempenho de crianças com idade entre cinco anos e 11 anos e 11 meses em tarefas de compreensão narrativa e de narração oral de histórias (reais e ficcionais), a partir de três diferentes formatos de tarefa: sem apoio de figura, com apoio de figuras em sequência e com apoio de figura única.

No contexto internacional, o TNL tem sido utilizado: (a) como medida para correlacionar o desempenho narrativo ao desempenho em habilidades de leitura, para discutir o papel preditivo da narrativa oral no processo de aprendizagem acadêmica(5); (b) em situação de pré e pós-intervenção narrativa para monitoramento das mudanças nos aspectos macro e microestruturais da narrativa oral(13); e (c) na investigação de aspectos específicos da narrativa oral de crianças com atraso de desenvolvimento da linguagem(14).

Até onde se tem conhecimento, não há no momento um instrumento formal para fins de investigação da narrativa oral que tenha sido construído ou adaptado para a nossa cultura linguística. Nota-se, dentre os estudos de revisão que se detiveram no levantamento de instrumentos formais de linguagem que foram adaptados e validados ou que se encontram em fase de adaptação no Brasil(15-17), que não há referência a qualquer instrumento formal que proponha investigar a narrativa oral.

Para tanto, o objetivo do presente estudo foi realizar a tradução e a adaptação cultural do Test of Narrative Language (TNL) para o Português Brasileiro.

MÉTODOS

Aspectos éticos

O estudo teve aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa (no1016/2014). Todos os sujeitos tiveram sua participação consentida com a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido e apresentação do Termo de Assentimento, elaborados para fins específicos desta pesquisa, segundo resolução do Conselho Nacional de Saúde – CNS 466/12 sobre Diretrizes e Normas Regulamentadoras de Pesquisas Envolvendo Seres Humanos.

Descrição do instrumento

O Test of Narrative Language (TNL)(12) é um instrumento formal com norma referência para a população norte-americana e que foi desenvolvido para avaliar o desempenho de crianças com idade entre cinco anos e 11 anos e 11 meses em tarefas de compreensão narrativa e de narração oral de histórias (reais e ficcionais). O teste é composto por seis tarefas organizadas em dois subtestes (compreensão narrativa e narração oral), a partir de três diferentes formatos: sem apoio de figura, com apoio de figuras em sequência e com apoio de figura única.

    a. Subteste de compreensão narrativa

A compreensão narrativa é avaliada por meio de perguntas realizadas após a apresentação oral da história: sem apoio de figura (Tarefa 1), com apoio de figuras em sequência (Tarefa 3) e com apoio de figura única (Tarefa 5).

As perguntas são de caráter literal inferencial e visam obter informações sobre a capacidade de a criança ouvir e compreender palavras e sentenças, bem como realizar relações entre ideias centrais ao tema da narrativa. As crianças são indagadas sobre informações específicas apresentadas em cada uma das histórias (e.g., nome dos personagens, cenário, eventos e problema central), atribuindo-se um ponto para cada resposta correta, julgada segundo orientações do manual do examinador.

Uma particularidade da tarefa 1 é que, ao final da apresentação oral da história, pelo avaliador, a criança é solicitada a propor uma resolução para a complicação apresentada (“O que você acha que eles deveriam fazer?”). Essa pergunta visa obter informações sobre a capacidade de a criança propor uma resolução coerente e estreitamente relacionada com o problema da história.

    b. Subteste de narração oral

A narração oral é avaliada por meio de: (a) recontagem sem apoio de figura (Tarefa 2); (b) produção com apoio de figuras em sequência (Tarefa 4); e (c) produção com apoio de figura única (Tarefa 6).

A tarefa de recontagem (Tarefa 2) exige por parte da criança a reprodução fidedigna da história apresentada na Tarefa 1. O desempenho da criança é medido pela presença das principais informações da história na recontagem (e.g., referência a tempo, nome dos personagens, informações específicas sobre o cenário, verbos e suas inflexões), atribuindo-se um ponto para cada informação apresentada.

Nas tarefas 4 e 6, o desempenho é medido a partir das informações veiculadas nas histórias construídas pela criança. Essas informações atendem tanto ao conteúdo da história (representado nas figuras) como às dimensões macroestrutural (cenário; personagens; elementos de história, incluindo complicação, ação e eventos; relação temporal; relação causal; consequência; desfecho; coerência global da história e criatividade) e microestrutural da narrativa (vocabulário e gramática, incluindo a descrição de objetos; referenciação, relacionada com o uso de pronomes, tempo verbal; estruturação gramatical das frases ao longo da narração e o uso de elementos coesivos). As informações provenientes da narração oral das histórias devem ser identificadas e classificadas num sistema de escore que varia de zero a dois pontos (e.g., 0=três ou mais erros gramaticais; 1=um ou dois erros gramaticais; ou 2=nenhum erro gramatical).

    c. Escores fornecidos pelo instrumento

As medidas fornecidas pelo TNL permitem estabelecer valores que representam, separadamente, o desempenho no subteste de compreensão narrativa e de narração oral. Essas medidas são representadas pelo escore bruto, idade equivalente, percentil e escore padrão. O teste também prevê uma medida global, representada pelo Índice de Habilidade de Linguagem Narrativa (IHLN), classificação do percentil e a classificação descritiva do desempenho da criança (muito superior, superior, acima da média, média, abaixo da média, pobre e muito pobre).

Processo de tradução e adaptação do instrumento

O processo de tradução e adaptação do TNL para o Português Brasileiro (TNL-PB) teve autorização formal da editora PRO-ED, Inc., responsável pela comercialização do instrumento. Esse processo foi realizado seguindo cinco etapas (Figura 1) consideradas fundamentais para adaptação de instrumentos entre culturas(18,19), a saber:

Figura 1 Representação esquemática das etapas do processo de tradução e adaptação cultural para o Português Brasileiro do Test of Narrative Language 

  • Etapa 1. Tradução da versão original (Inglês) para a língua-alvo (Português Brasileiro), realizada de modo independente por dois tradutores bilíngues e juramentados, gerando duas versões traduzidas (TNL-PB1 e TNL-PB2).

  • Etapa 2. Comparação entre as duas versões traduzidas para identificar a existência de possíveis discrepâncias entre as versões; adaptação de itens para avaliação da equivalência semântica e cultural e discussão com comitê de especialistas (três fonoaudiólogos brasileiros) para ajustes finais e proposição da versão síntese do TNL-PB.

  • Etapa 3. Retrotradução da versão síntese do TNL-PB para a língua original, realizada por um terceiro tradutor bilíngue e juramentado, não conhecedor do teste original e do objetivo da pesquisa.

  • Etapa 4. Comparação entre a versão retrotraduzida e a versão original do teste para avaliação da equivalência conceitual, semântica e cultural entre as versões, realizada pelo comitê de especialistas (três fonoaudiólogos brasileiros e o primeiro autor do teste original) para proposição da versão adaptada pré-final do TNL-PB. Um quarto especialista (linguista brasileiro) foi consultado para situações em que houve maior dificuldade encontrada na transposição de conceitos entre a língua de origem do instrumento e a língua- alvo.

  • Etapa 5. Estudo-piloto com a aplicação da versão adaptada pré-final do TNL-PB na população-alvo para verificar e avaliar a equivalência operacional do teste quanto à sua compreensibilidade, forma de aplicação e de pontuação (sistema de escore) e critérios de interpretação para gerar a versão final adaptada.

  • Etapa 5a. Participantes do estudo-piloto. O estudo-piloto foi composto por 56 crianças com idade entre cinco anos e 11 anos e 11 meses de ambos os gêneros que frequentavam de 1a a 6a série do ensino fundamental público do interior do Estado de São Paulo. O nível socioeconômico das crianças variou entre B2 e D-E, segundo Critério de Classificação Econômica Brasil da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa(20). As informações sociodemográficas dos participantes estão apresentadas na Tabela 1.

    Tabela 1 Distribuição dos participantes do estudo-piloto por idade, gênero, ano escolar e classificação socioeconômica 

    Grupo Etário Faixa Etária Gênero Ano Escolar Critério Brasil
    5 anos
    (n=8)
    5 anos a 5 anos e 11 meses 5F:3M 1 (n=8) C1 (n=3)
    C2 (n=3)
    D-E (n=2)
    6 anos
    (n=8)
    6 anos a 6 anos e 11 meses 4F:4M 2 (n=8) B2 (n=1)
    C1 (n=4)
    C2 (n=3)
    7 anos
    (n=8)
    7 anos a 7 anos e 11 meses 4F:4M 2 (n=3)
    3 (n=5)
    B2 (n=2)
    C1 (n=3)
    C2 (n=2)
    D-E (n=1)
    8 anos
    (n=8)
    8 anos a 8 anos e 11 meses 4F:4M 3 (n=8) B2 (n=1)
    C1 (n=3)
    C2 (n=3)
    D-E (n=1)
    9 anos
    (n=8)
    9 anos a 9 anos e 11 meses 4F:4M 4 (n=8) C1 (n=4)
    C2 (n=3)
    D-E (n=1)
    10 anos
    (n=8)
    10 anos a 10 anos e 11 meses 4F:4M 4 (n=2)
    5 (n=6)
    B2 (n=2)
    C1 (n=5)
    C2 (n=1)
    11 anos
    (n=8)
    11 anos a 11 anos e 11 meses 4F:4M 5 (n=4)
    6 (n=4)
    B2 (n=1)
    C1 (n=5)
    C2 (n=2)

    Legenda: F=feminino; M=masculino

Os critérios de inclusão foram: (a) aceite dos pais e das crianças, formalizado, respectivamente, pela assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido e do Termo de Assentimento; (b) histórico negativo de atraso no desenvolvimento neuropsicomotor, de prejuízo na acuidade auditiva e/ou acuidade visual, informado pelos pais; e (c) desempenho acadêmico classificado na média em relação aos demais alunos da sala, segundo informado pelo professor.

As informações referentes ao desenvolvimento da criança foram obtidas por meio de entrevista com os pais, que responderam às seguintes informações sobre os seus filhos: (a) identificação: data de nascimento, idade e série escolar atual, peso e tamanho ao nascimento; (b) história pregressa: histórico de tratamento fonoaudiológico, psicológico e pedagógico prévio ou atual; idade em que andou e falou as primeiras palavras; queixa de perda auditiva ou dificuldade visual; queixa de dificuldade de memória e/ou atenção; relato de alguma doença genética ou neurológica existente.

  • Etapa 5b. Análise do desempenho dos participantes na versão adaptada pré-final do TNL-PB. As crianças foram filmadas durante toda a aplicação do teste, seguindo as recomendações do manual do examinador. As narrações foram integralmente transcritas e a atribuição de pontos nas tarefas foi realizada com o apoio do material transcrito e do vídeo.

A pontuação das tarefas do TNL foi realizada conforme os critérios estabelecidos no manual do examinador para estabelecer os seguintes escores: (a) escore bruto de compreensão narrativa, obtido pela soma do número de acertos nas tarefas 1, 3 e 5; e (b) escore bruto de narração oral, pela soma do número de acertos nas tarefas 2, 4 e 6; (c) escore bruto total, pela soma dos escores brutos dos dois subtestes (compreensão e narração); e, por fim, (d) o Índice de Habilidade de Linguagem Narrativa (IHLN), pela soma dos escores padrão de compreensão e narração.

Os escores padrão de compreensão narrativa e de narração oral foram estabelecidos a partir das tabelas de conversão disponibilizadas no manual do examinador. A partir do IHLN, foi possível estabelecer a classificação descritiva dos participantes (muito superior, superior, acima da média, média, abaixo da média, pobre e muito pobre). As medidas obtidas a partir do escore padrão, incluindo o IHLN, bem como a classificação descritiva, foram utilizadas neste estudo apenas para explorar se os escores obtidos pelas crianças do estudo-piloto representavam o escore considerado esperado para a idade cronológica, segundo dados normativos da população norte-americana.

Para análise dos dados, foi utilizada análise estatística descritiva e aplicação do teste estatístico não paramétrico de Kruskal-Wallis para a comparação dos grupos etários a partir nos escores brutos (compreensão narrativa, narração oral e total).

RESULTADOS

Etapas 1 e 2. Tradução e comparação entre as versões traduzidas

As duas versões traduzidas do TNL para o Português Brasileiro (TNL-PB1 e TNL-PB2, Etapa 1) não apresentaram discrepâncias significativas (semântica e idiomática) (Etapa 2). As discrepâncias encontradas foram prioritariamente marcadas por situações pontuais de sinonímia semântica (e.g., “caminhou e andou”, “escolher e decidir”) e por frases com significado semelhante, mas que foram escritas de formas diferentes (e.g., “ouça cuidadosamente e ouça com muita atenção).

Na ocasião da compilação das versões TNL-PB1 e TNL-PB2, para gerar a versão síntese (Etapa 2), foram realizadas adaptações consideradas relevantes pelos pesquisadores para atender à equivalência semântica e cultural entre a versão original e a versão síntese. Foram realizadas adequações de elementos não representativos da cultura local (e.g., nome de personagens) ou cuja tradução adotou a língua culta do Português Brasileiro, substituída pela língua coloquial (Tabela 2).

Tabela 2 Adaptações realizadas nas tarefas do Test of Narrative Language, em relação à versão original 

Tarefas Original TNL-PB adaptado Observações
Tarefa 1 e 2 McDonald’s Story A história da Lanchonete Substituição do título da história por outra equivalente para adequar à cultura local.
“What do you like to order?” “O que você gosta de pedir quando vai numa Lanchonete?” A repetição da palavra “Lanchonete” na pergunta favoreceu a compreensão das crianças mais jovens no estudo-piloto.
Lisa and Raymond Sofia e Pedro Nomes próprios comuns no Brasil e de fácil pronúncia.
“They jumped into the car …” “Eles correram para o carro…” Trata-se de uma expressão idiomática com sentido figurado em inglês. Foi realizada a substituição por expressão com sentido equivalente.
“…and their mother drove them to…” “…e a mãe levou eles para…” “...e a mãe os levou para...” é uma tradução que atende à norma culta da língua. Optou-se por “...levou eles para...” que atende à língua coloquial.
“She couldn’t decided whether to get a Big Mac or a Happy Meal…” “Ela não sabia se queria um X-salada ou um Hambúrguer...” No estudo-piloto, verificou-se que as crianças utilizaram mais a estrutura “...não sabia se queria...” do que “...não conseguia escolher...”.
“…Cheeseburger…”
“…French fries…”
“…Vanilla milk shake…”
“…Happy Meal…”
“…Cachorro-quente…”
“…Batatas fritas…”
“…Suco de laranja…”
“…X-salada…”
Nome de lanches típicos de lanchonetes nos diferentes contextos sociais e regiões do Brasil.
“…salad…” “…torta…” Salada não é um alimento comum de ser encontrado no cardápio de Lanchonetes no Brasil. Optou-se pela “torta” que é facilmente encontrada em Lanchonetes de rua do país.
“She had left it...” “Ela tinha esquecido a bolsa...” “Ela havia esquecido-a...” ou “Ela havia esquecido a bolsa...” atendem à norma culta da língua. Optou-se por uso do verbo “ter” mais o particípio regular do verbo “esquecer” (esquecido) por ser mais utilizado na língua coloquial.
“…Dollars…” “…Reais…” Moeda corrente do Brasil.
Tarefa 3 The Shipwreck Story A História do Naufrágio O título e a história foram mantidos em relação ao original.
“...an art Project...” “...uma escultura...” “Um projeto de arte” é uma tradução correta. Optou-se pelo termo “escultura”, uma vez que remete à criação de objetos artísticos, representado na história 3 pela construção do navio.
“Her ship was ruined...” “O navio dela quebrou...” “O navio dela ficou arruinado” também é uma tradução aceita, no entanto optou-se pelo termo “quebrado” por ser mais comum às diferentes faixas etárias e contextos sociais.
“...she felt terrible” “...ela ficou triste” “Ela se sentiu terrível” ou “Ela se sentiu mal” são traduções aceitas. A opção por “...ficou triste...” levou em conta dois aspectos: (1) O sentimento de “tristeza” que é um estado emocional facilmente reconhecido e nomeado por crianças de diferentes idades e contextos sociais e (2) o verbo de ligação “ficar” para expressar o estado de tristeza que é mais utilizado na língua coloquial, o que também favorece o seu uso por parte das crianças, uma vez que o verbo “sentir” requer colocação pronominal “sentiu-se” para atender à norma culta.
Tarefa 4 Late for School Story A história do menino atrasado para a escola A palavra “menino” foi acrescida no título para melhor adequar a estrutura da frase para o Português do Brasil e para que fosse possível manter a palavra “história” no título, como na versão original.
A/A+ 10/10+ A nota escolar pode ser variável entre as escolas. No estudo-piloto, previamente à aplicação, perguntava-se à criança qual nota era adotada na escola. A escala de zero a dez foi a classificação com que as crianças estavam mais familiarizadas.
Tarefa 5 The dragon story A história do Dragão O título e a história foram mantidos em relação à versão original.
Daniel and Michelle Daniel e Luíza “Michelle” foi substituído por “Luíza” por ser mais comum no Brasil e de fácil pronúncia.
“...eyes wide in terror...” “...olhos arregalados de medo...” “Medo” é um sentimento bastante conhecido por crianças de diferentes faixas etárias e contextos sociais, diferentemente de “terror”. Conjuntamente com “olhos arregalados” compõe uma expressão bastante comum e utilizada na nossa cultura linguística.
Tarefa 6 Aliens Story A história dos Alienígenas No estudo-piloto, as crianças utilizaram mais frequentemente “Alienígenas” e não “Aliens”.
Instruções
Tarefas 1, 3 e 5
“ I want you to listen to a story ... Listen carefully” “Eu vou te contar uma história ... Escute com muita atenção” A instrução “Eu quero que você escute” foi adaptada para “Eu vou te contar”: (a) essa instrução frequentemente antecede atividades de ouvir histórias e (b) também para evitar repetições do verbo “escutar” em estruturas frasais muito próximas.
Instruções
Tarefas 1, 3 e 5
“...I’ll ask you some questions...” “...eu vou fazer algumas perguntas...” “...Eu farei algumas perguntas...” atende à norma culta da língua. No entanto, o uso do futuro simples frequentemente é substituído na língua coloquial pela forma composta “eu vou fazer”.
Instruções
Tarefas 3 e 5
“... I’m going to tell you a story that goes with the pictures...” “...Eu vou te contar uma história com essas figuras...” “...Eu vou te contar uma história que acompanha essas figuras...” é uma tradução aceita. No entanto, optou-se por utilizar “...com essas figuras...” partindo do princípio de que as figuras constituem o recurso com o qual a história é narrada oralmente.

Na versão síntese do TNL-PB, duas das três histórias que constituem parte das tarefas de compreensão narrativa (Tarefas 3 e 5), foram mantidas como na versão original, realizando-se adaptações de natureza semântica e sintática para atender à equivalência idiomática e conceitual (Tabela 2). A história que serve de base para as tarefas 1 (compreensão narrativa) e 2 (narração oral por recontagem) do TNL, “McDonald’s Story”, foi substituída pela história “A História da Lanchonete”.

Não foram realizadas adaptações nas figuras que compõem parte do material de elicitação da narrativa. Quanto à estrutura do instrumento, não foram realizadas adaptações no número de itens que compõem o teste, assim como no sistema de pontuação do teste (itens a serem pontuados e pontuação máxima por tarefa), em relação à versão original (Figura 2).

Figura 2 Representação da estrutura do Test of Narrative Language (versão original e adaptada), incluindo a pontuação máxima para cada tarefa 

Etapas 3 e 4. Retrotradução e avaliação da equivalência conceitual, semântica e cultural entre as versões (original e traduzida)

A retrotradução da versão síntese do TNL-PB para a língua original (Etapa 3) foi comparada com a versão original do teste e avaliada pelo comitê de especialistas, composto por fonoaudiólogos com experiência na área da linguagem (três fonoaudiólogos brasileiros e um norte-americano, primeiro autor do teste) (Etapa 4). O comitê concluiu que a versão adaptada atendia às equivalências necessárias (semântica, conceitual e cultural) em relação à versão original do teste.

Etapa 5. Estudo-piloto

No estudo-piloto, verificou-se que as crianças não apresentaram dificuldades para compreender as instruções das tarefas, bem como para responder às tarefas, tanto de compreensão narrativa quanto de narração oral.

Para certificar-se sobre a adaptação realizada em relação ao tema da história das tarefas 1 e 2 (“McDonald’s Story” adaptada para “A História da Lanchonete”), a pergunta de sondagem que antecede a apresentação oral da história foi apresentada nas duas versões: traduzida (“Have you ever eaten at McDonald’s?” traduzida para “Você alguma vez já comeu no McDonald’s?”) e adaptada (“Você alguma vez já comeu numa Lanchonete?”). Verificou-se que 30 das 56 crianças (53,5%) responderam “não” para a pergunta do McDonald’s e apenas 12 crianças (21,42%) responderam “não” para a pergunta da Lanchonete, de modo que a maioria das crianças do estudo-piloto informaram já terem realizado ao menos uma refeição numa lanchonete.

Durante a aplicação da versão pré-final do TNL-PB, verificou-se a necessidade de ajustes finais. As adaptações realizadas ao longo do processo estão compiladas na Tabela 2.

O teste estatístico Kruskal-Wallis mostrou que houve diferença estatisticamente significante entre os grupos etários para os escores brutos de compreensão, de narração e o escore total (Tabela 3). Nota-se que os escores tendem a ser crescentes em função da idade dos participantes. Em relação à classificação do Índice de Habilidade de Linguagem Narrativa (IHLN) dos sujeitos, verificou-se que das 56 crianças avaliadas, 40 (71,43%) apresentaram classificação média, 11 (19,64%) acima da média e cinco crianças (8,93%) apresentaram classificação superior.

Tabela 3 Escore bruto (compreensão, narração e total) das crianças do estudo-piloto, segundo grupo etário do Test of Narrative Language 

Grupo Etário Escore Bruto
Compreensão Narração Total
M Md DP p M Md DP p M Md DP p
5 22,5 22,5 1,4 0,000 28,0 28,0 0,9 0,000 50,5 51,0 1,9 0,000
6 26,8 27,0 1,0 38,0 39,0 4,3 64,8 66,0 3,9
7 32,2 32,5 3,0 42,6 40,0 7,7 74,8 72,5 10,0
8 32,0 33,5 1,5 50,2 49,0 6,3 82,2 82,5 6,7
9 34,7 34,0 1,7 51,2 51,0 2,8 85,9 85,0 3,3
10 34,5 35,0 1,9 55,4 54,5 3,9 89,9 89,5 4,9
11 35,6 35,5 1,6 61,2 59,5 6,1 96,8 95,0 6,5

Legenda: Teste Estatístico de Kruskal-Wallis p≤0,05; M=Média; Md=Mediana; DP=Desvio Padrão

DISCUSSÃO

Neste estudo, apresentamos os resultados do processo de tradução e de adaptação cultural do Test of Narrative Language (TNL)(12) para o Português Brasileiro.

A escolha pelo TNL para ser traduzido e adaptado culturalmente para o Português Brasileiro deve-se ao fato de este instrumento incluir na sua estrutura alguns dos principais itens considerados fundamentais no sentido de propor uma investigação da narrativa oral de crianças, seja no contexto de desenvolvimento típico ou atípico de linguagem, os quais serão discutidos a seguir.

O primeiro item a ser destacado é o fato de o constructo do teste permitir o acesso a ambas as informações, compreensão narrativa e narração oral de histórias. A vantagem de um instrumento que mede habilidades receptivas e expressivas e que informa um escore individual para tais habilidades, como no caso do TNL, é o fato de informar ao profissional a existência de possíveis discrepâncias entre essas dimensões da linguagem. Sabe-se que alguns quadros clínicos são caracterizados pela discrepância entre habilidades receptivas e expressivas, a exemplo do Transtorno Específico de Linguagem, de modo que o olhar individualizado poderá fornecer subsídios complementares para o diagnóstico e a intervenção, embora esse olhar deva ser ponderado em conjunto com outros instrumentos formais e informais de avaliação da linguagem para uma análise mais completa do caso(12).

O segundo item a ser mencionado sobre a escolha do TNL refere-se à possiblidade de acesso a informações que recaem sobre as habilidades cognitivas e linguísticas e que atendem, respectivamente, às dimensões macro e microestrutural da narrativa conferindo, assim, suporte ao constructo teórico do teste.

O teste inclui o acesso a informações a partir dos principais elementos típicos da Gramática de História(21) (e.g., personagens, cenário, complicação, resolução e o desfecho da história) e que também subsidiam outras propostas quantitativas, no entanto informais, para fins de investigação da narrativa oral(8,11,22,23). A organização mais geral da narrativa no nível macroestrutural emerge de habilidades cognitivas mais gerais, de natureza executiva(24), incluindo informações relacionadas à coerência e à relação lógica e causal entre eventos e ações desenvolvidas pelos personagens, as quais são contempladas no sistema de pontuação proposto pelo TNL.

Já as informações que atendem à dimensão microestrutural da narrativa no TNL estão focadas nos aspectos linguísticos internos da narrativa, principalmente sintáticos e semânticos, com informações relacionadas com a estrutura gramatical dos enunciados, o vocabulário e os elementos coesivos utilizados pela criança na narração. Tais elementos são citados por pesquisadores da área(8,9,22,25) como parte fundamental dos critérios de análise de amostras de linguagem voltados aos aspectos linguísticos da narrativa.

Embora para fins investigativos seja possível – e é válido – estabelecer recortes específicos sobre uma dessas dimensões (macroestrutura ou microestrutura), ou ainda sobre um dos aspectos que essas dimensões abarcam (e.g., diversidade lexical na dimensão microestrutural), as perspectivas sobre a avaliação da narrativa oral de história aportadas pelo modelo cognitivo de representação do esquema narrativo sugerem que sejam analisados tanto os aspectos macro quanto os microestruturais, partindo-se da premissa de que, juntos, esses parâmetros são importantes para informar sobre a competência narrativa do indivíduo(3,25).

Como terceiro item, podemos ressaltar o fato de o TNL incluir amostras de narrativa do tipo script e ficção, contemplando os pressupostos preconizados pelo modelo hierárquico de coleta de amostras de narrativa oral proposto por Hughes e colaboradores(1), exceto por não incluir amostras de narrativa espontânea. Conforme mencionado, o teste também inclui a variação do formato da narrativa com a presença e a ausência do apoio de figura e, ainda, a variação do uso de figura em sequência e de figura única. De modo geral, as narrações com figuras tendem a apresentar estruturas menos complexas, com enunciados menos extensos, quando comparadas com as narrações sem apoio de figuras, sugerindo, assim, a necessidade de incluir diferentes contextos de elicitação como parte dos procedimentos para investigação do desempenho narrativo(26).

Por fim, como quarto e último item sobre as considerações a respeito da escolha do TNL, podemos destacar a faixa etária do teste (cinco a 11 anos e 11 meses), que abrange as idades em que se observam mudanças significativas no processo de aquisição do esquema narrativo de história.

Dentro de uma perspectiva desenvolvimentista, estudos mostraram que, ao final dos 5 anos, as crianças são capazes de dominar grande parte da estrutura de uma narrativa do tipo história e, aos 6 anos, já são capazes de compreender e narrar histórias bem estruturadas e completas(27). No entanto, esse desenvolvimento segue ainda de maneira expressiva até os 12 anos de idade(12), em consonância com a aquisição de habilidades cognitivas e linguísticas mais complexas, com expressivo desenvolvimento de funções executivas, do domínio léxico-sintático e das relações lógico-semânticas(28).

A respeito do processo de tradução e adaptação do TNL para o Português Brasileiro, pode-se dizer que o TNL é um instrumento cujo conteúdo favoreceu esse processo, uma vez que não faz uso de muitas expressões idiomáticas e os temas abordados nas tarefas são extensivos à nossa realidade cultural, com exceção do tema de uma das histórias, a história “McDonalds”. Na versão original do TNL, a história “McDonald’s” subsidia as tarefas 1 e 2 do TNL, respectivamente “McDonald’s Story” e “McDonald’s Retell”. A cadeia de restaurantes “McDonald’s” tem representação em diversos países, inclusive no Brasil. No entanto, num país com tamanha extensão geográfica como o Brasil e que enfrenta sérios problemas sociais, o acesso cotidiano a esse tipo de restaurante é limitado a uma faixa específica da população. Assim, para garantir a equivalência experiencial entre as versões, na versão adaptada para o Português Brasileiro optou-se por substituir a história “McDonald’s Story” pela “História da Lanchonete”, cujo tema central é semelhante ao proposto na versão original, permitindo manter a equivalência semântica dos elementos de análise, só que adaptados para a nossa cultura (e.g., nome dos personagens, nome dos lanches e das bebidas) para que a história adaptada representasse o contexto de lanchonetes comuns ao contexto cultural local.

No estudo-piloto, a verificação dessa informação com a população-alvo do teste – o que é recomendado como parte da avaliação da equivalência experiencial(19) – mostrou que a lanchonete McDonald’s não era parte do cotidiano da maioria das crianças que participaram do estudo, embora muitas crianças referiram conhecer o nome dessa cadeia de restaurantes fast food. Em contrapartida, a maioria delas (78,58%) informou já ter ido alguma vez comer numa lanchonete não especificada.

Apesar de algumas crianças também terem informado que nunca haviam realizado uma refeição numa lanchonete, esse tema em si mostrou ser mais adequado ao contexto cultural dessas crianças, uma vez que, quando indagadas pelo avaliador, elas foram capazes de mencionar algum membro da família que já havia estado numa lanchonete ou em alguma lanchonete próxima à sua residência, com menção há alguns dos tipos de comida e bebida comercializados neste local (e.g., “Eu não. Meu primo Guilherme sempre vai. Ele gosta de cachorro-quente” ou “De sábado meu pai vai buscar lanche pra nóis come lá em casa”). Por outro lado, apesar de algumas crianças também terem mencionado conhecer a lanchonete “McDonald’s”, embora nunca tenham estado numa antes, não foram observadas referenciações muito específicas sobre o nome de lanches comercializados nesse local, exceto o nome de refrigerantes e sucos mais comuns e que são popularmente conhecidos.

É válido lembrar que o estudo-piloto foi realizado com alunos de escola pública, sendo que a maioria deles pertencia à classificação econômica C1 (n=27; 48,21%) e C2 (n=17; 30,35%), segundo Critério de Classificação Econômica Brasil(20) (Tabela 1). Segundo dados divulgados em 2015, as classes C1, C2 e D-E representam, respectivamente, 22,9%, 24,6% e 26,6% da população no Brasil, de acordo com a Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa(29), o que juntas representam 74,1% da população brasileira.

Sabe-se que o conhecimento de mundo da criança exerce uma importante influência no desempenho narrativo, de modo que um determinado tema a ser abordado pode favorecer, ou não, seu desempenho numa tarefa de narrativa de história(12). Também é bem estabelecido na literatura que a frequência e a familiaridade com representações semânticas favorecem o acesso ao significado pelo sistema de compreensão da linguagem, que, por sua vez, é mediado pela memória de longa duração, responsável pelo armazenamento da palavra a ser acessada à posteriori(29); o que, neste caso, poderia conferir certa vantagem às crianças com acesso frequente a um tipo de lanchonete específica, uma vez que o sistema de pontuação das tarefas 1 e 2 leva em consideração a evocação de informações específicas veiculadas na história, como o nome da lanchonete e os tipos de lanches e bebidas solicitados pelos personagens.

O cuidado com o uso da norma culta da língua foi outro fator determinante na adaptação do TNL para o Português Brasileiro. A opção pelo uso de estruturas frasais que atendem à forma coloquial da língua teve também o objetivo de favorecer a compreensão por crianças mais jovens e de diferentes contextos sociais, bem como tornar a linguagem do teste, tanto na instrução quanto do conteúdo das histórias, mais próxima do estilo linguístico utilizado na linguagem falada cotidiana, uma vez que o instrumento em questão é de narrativa oral.

Em relação às questões operacionais do teste, verificou-se no estudo-piloto que o teste foi de fácil aplicação e que os itens adaptados (instruções e tarefas) foram compreendidos pelas crianças. Conforme mencionado nos resultados, após a aplicação da versão adaptada pré-final do TNL-PB, foram realizados ajustes finais no teste. Esses ajustes foram necessários para refinar as adaptações que foram realizadas, visando à equivalência semântica (vocabulário e gramatical), ponderando-se também informações trazidas a partir do desempenho da população-alvo do teste.

As diferenças estatisticamente significantes encontradas na comparação entre os grupos etários (escore bruto de compreensão, narração e total) e a distribuição desses escores em função da idade (Tabela 3) mostraram que as crianças mais velhas apresentaram mais acertos do que as crianças mais jovens. No entanto, essa análise ainda será aprofundada nos estudos subsequentes que estão em andamento com a versão adaptada do TNL-PB para identificar se essas diferenças estão ocorrendo entre todos os grupos etários, o que é desejável, uma vez que tais diferenças representam as diferentes fases do desenvolvimento da linguagem narrativa em que as crianças de diferentes idades se encontram no momento de aplicação do teste, o que sugere estar acontecendo para a amostra do estudo-piloto.

As classificações descritivas apresentadas pelas crianças deste estudo foram próximas às classificações esperadas para a população norte-americana. Esse achado fornece indícios de que o desempenho das crianças avaliadas a partir da versão adaptada do TNL-PB e dos critérios de análise estabelecidos pelo teste original foi semelhante ao das crianças pertencentes à cultura norte-americana. Esses dados, no entanto, devem ser interpretados com cautela, uma vez que tais comparações foram utilizadas neste estudo apenas para fins exploratórios das equivalências de mensuração entre as versões, não configurando dados normativos da população do Brasil. A equivalência de mensuração, com base nos estudos psicométricos da versão adaptada para o Português Brasileiro, poderá mostrar se haverá ou não a necessidade da adaptação desses escores para a amostra brasileira.

CONCLUSÃO

Foi realizada a tradução e a adaptação do TNL para o Português Brasileiro. Adaptações foram necessárias para atender à equivalência semântica e experiencial da população-alvo, considerando o contexto sociolinguístico-cultural do Brasil. A versão final adaptada apresentou equivalência conceitual, semântica e operacional em relação à versão original do TNL. Os resultados aqui reportados atendem às etapas iniciais consideradas fundamentais para a adaptação cultural de instrumentos formais, que foram realizadas até a fase de estudo-piloto. As etapas subsequentes, que atendem à equivalência de mensuração para fins de validação e normatização do teste, estão em andamento e poderão complementar os resultados deste estudo.

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