Alternativas que contribuem para a redução da violência obstétrica

Alternativas que contribuem para a redução da violência obstétrica

Autores:

Gabriela Moreno Marques,
Diego Zapelini do Nascimento

ARTIGO ORIGINAL

Ciência & Saúde Coletiva

versão impressa ISSN 1413-8123versão On-line ISSN 1678-4561

Ciênc. saúde coletiva vol.24 no.12 Rio de Janeiro dez. 2019 Epub 25-Nov-2019

http://dx.doi.org/10.1590/1413-812320182412.236612019

Aos editores:

O estudo de Lansky et al.1 é pertinente tendo em vista outras alternativas e políticas que vêm sendo adotadas no Brasil e no mundo para diminuir a violência obstétrica. Desta forma, colaboramos com algumas alternativas que estão sendo desenvolvidas no Brasil e outras que precisam ser aprimoradas ao redor da América Latina com a finalidade de priorizar a saúde materno-infantil.

A redução da violência obstétrica e a humanização da assistência hospitalar ao parto no Brasil é um desafio antigo2. O “Projeto Parto Adequado” e o “Projeto Apice On” são algumas alternativas implementadas no Brasil que apoiam a humanização do parto, além de qualificar os serviços e os profissionais que atuam no cuidado da gestação, parto e puerpério. Ao final do piloto do Projeto Parto Adequado em 2016, a taxa de partos vaginais em 26 hospitais que participaram, cresceu em média 76%, sendo que era de 21% em 20143. O Projeto Apice On, ainda não possui maiores resultados, em virtude da sua recente implementação, 2017, mas possui como objetivos centrais: o aprimoramento na formação, atenção e gestão dos profissionais4.

Outra alternativa para auxiliar no combate à violência obstétrica, está em compreender a gestante como um todo, ou seja, aprimorar a atenção ao binômio mãe-bebê5. Durante as consultas do pré-natal, os profissionais da área da saúde, de forma multidisciplinar, devem analisar o perfil sociodemográfico, clínico e psicológico da gestante, para assim conhecer e desmistificar as expectativas, as dúvidas e o medo do desconhecido que permeia o período gravídico-puerperal6.

Para que esta compreensão por parte dos profissionais seja possível, a utilização de instrumentos que mensurem as expectativas, o conhecimento e, por último, a satisfação com o parto é uma outra alternativa complementar à compreensão da gestante como um todo. Uma revisão sistemática analisou instrumentos existentes que mensurem a satisfação das mulheres com o parto, porém não incluiu instrumentos que mensurem as expectativas6, o que contempla uma nova alternativa para a redução da violência obstétrica: a criação de instrumentos específicos para avaliar as expectativas das gestantes. Compreender as expectativas das gestantes é uma alternativa singular, pois cada mulher é diferente, logo, possui sentimentos e dúvidas distintas7. A redução da violência obstétrica é um desafio na América Latina8, porém com o movimento da humanização na atenção à saúde materno-infantil há esperança de um novo cenário.

REFERÊNCIAS

1 Lansky S, Souza KV, Peixoto ERM, Oliveira BJ, Diniz CSG, Vieira NF, Cunha RO, Friche AAL. Violência obstétrica: influência da Exposição Sentidos do Nascer na vivência das gestantes. Cien Saude Colet 2019; 24(8):2811-2824.
2 Dias MAB, Domingues RMSM. Desafios na implantação de uma política de humanização da assistência hospitalar ao parto. Cien Saude Colet 2005; 10(3):669-705.
3 Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Projeto Parto Adequado [Internet]. [cited 2018 Sep 5]. Available from: .
4 Marin DFD, Iser BPM. Robson classification system applied to the Brazilian reality. Am J Obstet Gynecol 2018; 30:1.
5 Benute GRG, Nomura RY, Santos AM, Francisco RPV, Zarvos MA, Lucia MCS. Preferência pela via de parto: uma comparação entre gestantes nulíparas e primíparas. Rev Bras Ginecol e Obstet 2013; 35(6):281-285.
6 Nilvér H, Begley C, Berg M. Measuring women's childbirth experiences: A systematic review for identification and analysis of validated instruments. BMC Pregnancy Childbirth 2017; 17(1):1-19.
7 Ayres LFA, Henriques BD, Amorim WM. A representação cultural de um " parto natural ": o ordenamento do corpo grávido em meados do século XX. Cien Saude Colet 2018; 23(11):3525-3534.
8 Quattrocchi P. Obstetric Violence Observatory: Contributions of Argentina to the International Debate. Med Anthropol Cross Cult Stud Heal Illn 2019; 1-15.
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