Análise da percepção do câncer por idosos

Análise da percepção do câncer por idosos

Autores:

Isaac Felipe Leite Braz,
Raquel Andresa Duarte Gomes,
Mariele Silva de Azevedo,
Francisco das Chagas Marison Alves,
Danilo Silveira Seabra,
Francisco Pignataro Lima,
Joabe dos Santos Pereira

ARTIGO ORIGINAL

Einstein (São Paulo)

versão impressa ISSN 1679-4508versão On-line ISSN 2317-6385

Einstein (São Paulo) vol.16 no.2 São Paulo 2018 Epub 28-Jun-2018

http://dx.doi.org/10.1590/s1679-45082018ao4155

INTRODUÇÃO

Câncer é definido como um grande grupo de doenças que podem afetar qualquer parte do organismo. Essa doença exibe um crescimento descontrolado de células anormais, com potencial de disseminação para outros tecidos.(1) Essa lesão constitui um problema de saúde pública mundial: de cada sete mortes no mundo, uma deve-se ao câncer, sendo mais que HIV/AIDS, tuberculose e malária juntos.(2) A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, em 2020, existam 15 milhões de novos casos no mundo,(3) enquanto no Brasil estimou-se casuística de 420 mil novos casos de câncer para o biênio 2016-2017, excetuando-se os de pele não melanoma (cerca de 180 mil).(4)

Quando se fala de uma doença crônica grave como o câncer, a morte é um assunto presente desde o diagnóstico, permeando o tratamento e se estendendo até mesmo ao seguimento pós-tratamento.(5) Nesse sentido, o Terror Management Health Model propõe que pessoas são frequentemente motivadas a evitar situações que as façam lembrar da morte, especialmente quando existe a percepção de que não há maneiras de diminuir a vulnerabilidade ao óbito.(6) Logo, a percepção de câncer como sentença de morte pode levar a prejuízo no diagnóstico precoce, na adesão aos programas de rastreamento e no tratamento do câncer.(7)

Esse fato torna-se especialmente importante entre os idosos, pois a incidência dessa doença aumenta de forma considerável com a idade, já que, com o avançar dos anos, acumulam-se fatores de risco de tipos específicos de câncer.(8) Podem-se citar exposição cumulativa ao sol e a radiações ionizantes;(2) contato com álcool, tabaco e poluição ambiental; alimentação inadequada e exposição a infecções como fatores de risco para uma variedade de neoplasias malignas. Tais lesões incluem os cânceres mais prevalentes no mundo, que são o de pele, pulmão, colorretal, próstata(8) e câncer de mama.(9)

Além do acúmulo desses fatores de risco, sabe-se que o sistema imune também se torna comprometido com idade, sendo menos eficaz no combate a neoplasias. Observa-se, nessa faixa etária, a diminuição do repertório de células T, em detrimento da variedade clonal que se observa na juventude, o que leva à diminuição da capacidade de responder a infecções. As células T senescentes não expressam moléculas coestimulatórias, como CD27 e CD28, importantes para a interação com linfócitos B e outras células apresentadoras de antígeno para a produção de anticorpos, manutenção de longo prazo e ativação de células T.(10) Corroborando estes fatos, a expectativa para o ano de 2030 é de que 70% de todas as neoplasias ocorram na população idosa dos Estados Unidos.(11)

Considerando que os idosos formam o grupo com maior risco de desenvolver câncer, essa população precisa ter informações confiáveis e acuradas para prevenir sua ocorrência. Desse modo, torna-se imperativo conhecer como os idosos percebem o câncer. A partir desse conhecimento, é possível prever comportamentos relacionados à saúde, possibilitando a criação de estratégias para educação em saúde e melhoria da prevenção do câncer nesse grupo específico.

OBJETIVO

Analisar a percepção do câncer na população idosa, correlacionando os dados obtidos com as variáveis sexo, idade e histórico pessoal de câncer.

MÉTODOS

Esta pesquisa foi submetida e aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa em seres humanos do Hospital Universitário Onofre Lopes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, parecer 327.967, CAAE: 17263913.0.0000.5292, tendo sido realizado de acordo com a resolução 466/12 do Conselho Nacional de Saúde e a Declaração de Helsinque. O experimento foi conduzido tendo o conhecimento e consentimento de cada participante, com posterior assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

Para o cálculo amostral, foi considerada população de idosos residentes na cidade onde o estudo foi realizado igual a 84.323 indivíduos, conforme último censo.(12) O erro amostral considerado foi de 5%, o nível de confiança de 95% e a homogeneidade de 80%, resultando em um tamanho recomendado para a amostra de 246 indivíduos, que foi arredondado para 300. Desse modo, o estudo incluiu indivíduos com idade superior a 60 anos presentes nas dependências do Hospital Universitário Onofre Lopes, em Natal, RN, Brasil, no período de novembro de 2013 a setembro de 2015, sendo selecionados aleatoriamente para a realização de uma entrevista.

Inicialmente, os indivíduos foram abordados e receberam dos pesquisadores as informações sobre a pesquisa. Aqueles que concordaram em participar assinaram Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Posteriormente, foi aplicado um questionário (Anexo 1) baseado no Health Information National Trends Survey (HINTS - https://hints.cancer.gov/docs/Instruments/HINTS_4_Cycle_2_English.pdf), composto por dez perguntas sobre percepção acerca do câncer. Os participantes foram indagados quanto à quantidade de pessoas que eles acreditavam sobreviver à doença após cinco anos do diagnóstico e a respeito da percepção de risco individual de câncer. Ainda, foram questionados se concordavam ou não com assertivas que tratavam da diversidade de recomendações de prevenção, da possibilidade de se diminuir o risco de desenvolver a doença, da causalidade, do rastreamento e do pessimismo diante da doença.

Tal instrumento de pesquisa foi originalmente desenvolvido a partir de uma iniciativa do National Cancer Institute, com o objetivo de avaliar os padrões de uso de informações sobre saúde e câncer, e a forma como os riscos de câncer são percebidos pela população, e oferecer aos pesquisadores meios para investigarem novas teorias sobre comunicação em saúde.(13) Atualmente, o HINTS é considerado como a principal fonte de dados sobre comunicação relacionada ao câncer nos Estados Unidos e já foi adaptado e utilizado em pesquisa em outros países, incluindo o Brasil.(14)

Análise estatística

A análise estatística foi feita por meio do software Statistical Package for Social Science (SPSS, Chicago, IL, EUA), versão 22 para Windows, de forma descritiva e mediante modelo de regressão logística multivariada. Os dados obtidos foram estratificados quanto a sexo, idade e histórico de câncer. Foi considerado valor de p<0,05 como estatisticamente significativo.

RESULTADOS

A amostra total foi composta por 300 idosos, sendo 174 (58%) do sexo feminino. Dos entrevistados, 194 (64,6%) possuíam idade entre 60 e 69 anos, 89 (29,7%), entre 70 e 79 anos, e somente 17 (5,7%), entre 80 e 89 anos. A média de idade da população foi igual a 67,82 anos (mínimo de 60 anos e máximo de 88 anos). Do total de participantes, 29 (9,7%) tinham história pregressa positiva para câncer, de maneira que os tipos mais frequentes foram: oito casos de câncer de mama (2,7%), sete casos de câncer de próstata (2,3%) e três casos de câncer de pele não melanoma (1%).

Na avaliação da percepção sobre o câncer, foram realizadas dez perguntas aos entrevistados, tendo sido obtido um total de 2.723 respostas, sendo 1.124 respostas consideradas como fatalistas (41,3%) e 1.599 (58,7%) otimistas, demonstrando predomínio de visão positiva acerca do câncer na amostra entrevistada (dados não mostrados). Alguns indivíduos entrevistados optaram por não responder a algumas perguntas (277 perguntas no total).

Por meio da regressão logística multivariada, foram analisadas associações entre a percepção sobre câncer e sexo, idade e histórico pessoal de câncer dos participantes (Tabela 1). Não foram evidenciadas, neste estudo, diferenças relevantes entre a população masculina e feminina, a respeito da percepção sobre o câncer.

Tabela 1 Associações entre a percepção sobre câncer e sexo, idade e histórico pessoal 

Sexo Idade Histórico de câncer
Masculino OR (IC95%; valor de p) Feminino 60-69 OR (IC95%; valor de p) 70-79 OR (IC95%; valor de p) 80-89 Não OR (IC 95%; valor de p) Sim
Poucas pessoas sobrevivem ao câncer 0,768 (0,449-1,314; p=0,335) Referencial 1,868 (0,492-7,096; p=0,359) 2,543 (0,642-10,069; p=0,184) Referencial 0,379 (0,167-0,858; p=0,02) Referencial
Muitas recomendações de como se prevenir do câncer 0,845 (0,475-1,502; p=0,566) Referencial 4,022 (0,507-31,929; p=0,188) 3,403 (0,408-28,344; p=0,258) Referencial 1,227 (0,436-3,453; p=0,698) Referencial
É difícil diminuir as chances de desenvolver um câncer 1,391 (0,848-2,280; p=0,191) Referencial 0,498 (0,147-1,692; p=0,264) 0,499 (0,141-1,767; p=0,281) Referencial 1,979 (0,893-4,384; p=0,093) Referencial
Tudo causa câncer 0,918 (0,551-1,529; p=0,743) Referencial 1,121 (0,361-3,481; p=0,843) 0,704 (0,217-2,285; p=0,559) Referencial 0,898 (0,385-2,097; p=0,804) Referencial
O câncer detectado cedo pode ser curado 0,392 (0,152-1,014; p=0,054) Referencial 1,208 (0,145-10,077; p=0,861) 0,998 (0,110-9,085; p=0,999) Referencial * Referencial
Posso desconfiar de que tenho câncer antes do diagnóstico 0,704 (0,419-1,183; p=0,185) Referencial 2,179 (0,759-6,251; p=0,148) 1,723 (0,573-5,181; p=0,333) Referencial 1,524 (0,681-3,408; p=0,305) Referencial
Exames regulares podem identificar o câncer em uma fase inicial 0,622 (0,175-2,209; p=0,462) Referencial 0,103 (0,021-0,499; p=0,005) 0,194 (0,038-1,002; p=0,05) Referencial 1,662 (0,192-14,356; p=0,644) Referencial
O câncer é causado principalmente pelo comportamento 0,816 (0,469-1,418; p=0,47) Referencial 0,880 (0,281-2,755; p=0,827) 0,577 (0,171-1,949; p=0,376) Referencial 0,653 (0,283-1,510; p=0,319) Referencial
Quando penso em câncer penso em morte 0,959 (0,591-1,556; p=0,864) Referencial 0,925 (0,329-2,604; p=0,883) 1,277 (0,434-3,762; p=0,657) Referencial 0,451 (0,203-1,002; p=0,05) Referencial
Tenho alta chance de desenvolver câncer no futuro 0,781 (0,397-1,537; p=0,475) Referencial 0,846 (0,200-3,577; p=0,820) 1,528 (0,333-7,015; p=0,586) Referencial 2,105 (0,772-5,742; p=0,146) Referencial

*Não foi possível realizar o teste, pois nenhum paciente com histórico positivo de câncer discordou.

OR: odds ratio; IC95%: intervalo de confiança 95.

Com relação à idade, os indivíduos com mais de 80 anos demonstraram chance estatisticamente maior de acreditar que os exames regulares podem identificar o câncer em estágios iniciais, se comparados ao grupo de faixa etária 60-69 anos (odds ratio − OR: 0,103; intervalo de confiança de 95% − IC95%: 0,021-0,499; p=0,005).

Em se tratando do histórico de câncer, as pessoas que afirmaram ter recebido diagnóstico prévio de câncer apresentaram chance estatisticamente maior de acreditar que poucas pessoas sobrevivem ao câncer, se comparadas às que não tinham histórico pessoal positivo (OR: 0,379; IC95%: 0,167-0,858; p=0,02). Nenhum participante com histórico de câncer positivo discordou de que o câncer detectado cedo pode ser curado.

Demais associações entre as variáveis estudadas não revelaram resultados estatisticamente significativos.

DISCUSSÃO

A população de idosos, de modo geral, possui alguns pontos contrários à efetividade da prevenção secundária do câncer.(15) No entanto, ao se estratificar esse grupo em categorias – como feito no presente trabalho – certas particularidades foram realçadas, indicando a existência de heterogeneidades dentro dessa população, mormente no que diz respeito à percepção sobre o rastreamento do câncer.

Quanto à estratificação da população entrevistada em faixas etárias, o subgrupo com idade de ≥80 anos foi o que apresentou as maiores chances de perceber que exames regulares podem detectar o câncer precocemente. Um trabalho norte-americano sobre rastreamento do câncer colorretal em idosos(16) detectou que as pessoas com faixa etária de 65 a 74 anos foram as que apresentaram maior porcentual de não ida ao profissional de saúde, sendo esta uma característica também associada a não estar em dia com o rastreamento de câncer colorretal. Diante disso, uma explicação plausível para o resultado encontrado na nossa pesquisa seria uma ida mais frequente ao médico por pessoas com ≥80 anos de maneira que elas se expõem mais a consultas em que os médicos introduzem a importância do rastreamento, em relação a idosos mais jovens, sendo necessários estudos futuros para se confirmar essa hipótese.

Em relação ao histórico de câncer, os idosos com história pregressa positiva para câncer mostraram mais chances de acreditar que poucos são os que sobrevivem a esta enfermidade. Neste contexto de aumento significativo da sobrevida a diversos tipos de câncer,(1719) inclusive no Brasil,(20) poderíamos intuir que as pessoas que sobreviveram ao câncer seriam mais otimistas, acreditando que um número considerável de indivíduos sobrevive à doença por vários anos. No entanto, tal suposição não está de acordo com os achados na nossa amostra.

Essa aparente contradição pode ser mais bem entendida considerando-se a Teoria do Processamento Dual,(19,21) a qual afirma que o ser humano é capaz de responder com intensidades diferentes às memórias de experiências positivas e negativas, uma vez que o cérebro processa tais situações de formas distintas. Estudo realizado no Reino Unido(19) aplicou esses conceitos no contexto do câncer, obtendo dos entrevistados respostas fatalistas e pessimistas mais precocemente e com maior conteúdo emocional, quando comparadas às respostas otimistas, que eram citadas em segundo lugar e de forma muito menos emotiva. Outro ponto importante, defendido pela teoria, é que uma imagem mental elaborada com facilidade é interpretada pelo nosso cérebro como um evento que ocorre frequentemente.(19)

Desse modo, podemos sugerir que, ao ser diagnosticado com câncer, o idoso, inserido nos serviços de saúde, deve se deparar com experiências positivas e negativas de outros pacientes. Devido ao processamento dual, as vivências negativas são mais marcantes, ficando mais vívidas em sua memória, o que contribui para a percepção de serem os acontecimentos mais frequentes e, consequentemente, para a concepção de que o câncer possui uma baixa sobrevida para a maioria dos pacientes.

Cumpre salientar que, embora a Teoria do Processamento Dual, da forma como foi abordada acima, explique o surgimento de percepções fatalistas após o diagnóstico de câncer, o presente trabalho, sendo um estudo transversal, não permite saber a relação de temporalidade entre a construção de percepções fatalistas sobre câncer e o histórico pessoal da doença: o indivíduo já tinha uma concepção fatalista antes de receber o diagnóstico ou elaborou a percepção fatalista após o diagnóstico?

Apesar de a população com histórico positivo tender a ter pensamentos fatalistas sobre a sobrevivência ao câncer, em nosso estudo, observou-se que todos os participantes com histórico positivo acreditam que essa enfermidade, quando detectada precocemente, pode ser curada. Uma possível explicação para essa concepção otimista é a massificação de campanhas educativas e do conhecimento sobre a importância do diagnóstico precoce. No Brasil, reconhece-se a importância de ações de saúde contra o câncer desde 1920,(22) no sentido de mobilizar a sociedade para participar da prevenção e intervir de forma dinâmica, suscitando o questionamento e, consequentemente, mudanças de comportamento.(23)

Nesse sentido, estudo realizado nos Estados Unidos,(24) que encontrou resultados semelhantes a esses, relata que indivíduos com história prévia de câncer têm maior preocupação sobre apresentarem novos cânceres e que, adicionalmente, eles têm risco aumentado de desenvolver outras neoplasias.(24,25) Assim, isso poderia motivá-los a buscar mais o diagnóstico precoce e as medidas de prevenção.

Essa disseminação de conhecimento mostra-se importante independentemente do histórico prévio de câncer. Em nosso estudo, tanto pacientes com histórico positivo, quanto aqueles que não o possuem acreditam que o diagnóstico precoce do câncer melhora as chances de sobrevivência: de todos os entrevistados, 91,0% (dados não mostrados) apresentaram essa crença, fato também observado por outros autores.(24)

Com relação aos indivíduos com histórico negativo, nosso estudo mostrou que esses participantes tendem a não pensar em morte quando pensam em câncer. No entanto, estudo realizado nos Estados Unidos mostrou resultado diferente, pois os pacientes sem histórico de câncer evitam consultas médicas por elas evocarem nessas pessoas a lembrança de morte,(26) enquanto que indivíduos com histórico de câncer tendem a expressar menos a crença de câncer como sentença de morte.(24)

O nosso resultado, diferente dos obtidos nos Estados Unidos, pode ser explicado analisando-se, nesses dois países, a prevalência de sobreviventes do câncer, que se trata do número de sobreviventes diagnosticados com câncer nos últimos 5 anos por 100 mil adultos. No Brasil, essa prevalência equivale a 720,2, enquanto nos Estados Unidos, a 1.892,1, evidenciando pior sobrevida dos brasileiros em relação aos norte-americanos.(27) Dentre as possíveis causas, destacam-se dificuldade de acesso a recursos médicos, insuficiência na disponibilidade e na oferta de determinados serviços públicos, sistema incapaz de integralizar os atendimentos e escassez de investimento em saúde.(28)

A American Cancer Society (ACS) menciona que a sobrevida dos pacientes diagnosticados com câncer em um país é uma medida importante da eficácia do sistema de saúde, no que diz respeito ao diagnóstico, ao manejo e ao tratamento do câncer. Outro dado que sugere um pior desempenho do sistema de saúde brasileiro é observado quando se comparam os anos de vida perdidos para o câncer por 100 mil pessoas. Os brasileiros perdem 2.117 anos enquanto os americanos, 2.031 anos.(27)

Assim, frente às barreiras enfrentadas no sistema de saúde brasileiro pelo paciente com câncer, associado ainda às dificuldades inerentes ao tratamento oncológico, o qual é agressivo, invasivo e fonte de angústia para o paciente,(5) pode-se entender a visão pessimista dos entrevistados com histórico positivo, se comparado aos pacientes sem histórico, que, por não terem enfrentado esses obstáculos e dificuldades do sistema, tendem a não associar câncer à morte.

Os resultados do estudo forneceram dados de comportamentos relacionados à saúde da população idosa que podem auxiliar no desenvolvimento de estratégias de educação e prevenção do câncer nessa população. Adicionalmente, a disseminação de informações adequadas ao público idoso reduzirá o nível de preocupação e ansiedade gerado pela possibilidade de desenvolver o câncer ou pela experiência já vivenciada de ser ter a doença.

CONCLUSÃO

Idosos com ≥80 anos mostraram chances mais expressivas de crer que exames regulares podem identificar o câncer em uma fase inicial, as quais podem estar relacionadas a uma maior frequência de atendimentos médicos nessa faixa etária. Indivíduos com histórico positivo de câncer, por sua vez, apresentaram maiores chances de acreditar que poucas pessoas sobrevivem à doença, o que pode estar associado à maior intensidade das lembranças negativas relacionadas ao câncer. Além disso, todos os entrevistados com diagnóstico prévio de câncer concordaram que o câncer detectado cedo pode ser curado, o que provavelmente está de acordo com a ampla divulgação da importância do diagnóstico precoce em campanhas preventivas. As concepções observadas na amostra estudada se configuram como alvos em potencial para abordagens educativas e comunicativas que visem a uma maior eficácia na prevenção contra o câncer.

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