Análise de indicadores assistenciais em uma Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica na cidade de Fortaleza/CE

Análise de indicadores assistenciais em uma Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica na cidade de Fortaleza/CE

Autores:

Carlos Ariel Souza de Oliveira,
Francisco Cid Coelho Pinto,
Thiago Brasileiro de Vasconcelos,
Vasco Pinheiro Diógenes Bastos

ARTIGO ORIGINAL

Cadernos Saúde Coletiva

versão impressa ISSN 1414-462Xversão On-line ISSN 2358-291X

Cad. saúde colet. vol.25 no.1 Rio de Janeiro jan./mar. 2017 Epub 30-Mar-2017

http://dx.doi.org/10.1590/1414-462x201700010220

Abstract

Introduction

health indicators are measures that provide information on different health dimensions and attributes and on the factors that determine them. This study aimed to analyze the indicators of a Pediatric intensive care unit through the diagnostic of the profile of patients admitted to the ICU and by checking the occupancy rates, length of stay and other important data to the hospital.

Methods

the research has a descriptive, exploratory, longitudinal, prospective, documentary and quantitative approach. Data collection was carried out between March 2015 and February 2016, after approval from the hospital Ethics Committee.

Results

the sample studied had the average age of 10.63 ± 0.50 years with 73.10 ± 2.45% of male prevalence, and Traumatic Brain Injury (TBI) stood out as the cause of admission. The occupancy rate during the studied period was 86.13%.

Conclusion

the results led to the conclusion that the males predominate in Pediatric Intensive Care Unit in relation to females, with Traumatic Brain Injury as the main cause and the average of 8.72 ± 0.47 days of mechanical ventilation use in 75.30% of the cases.

Keywords:  indicators; pediatrics; intensive care; health system

INTRODUÇÃO

Os indicadores de saúde, em termos amplos, são medidas que refletem, indiretamente, relevantes informações sobre diferentes dimensões e atributos da saúde e dos fatores que a determinam, incluindo o desempenho do sistema de saúde1.

A qualidade assistencial compartilhada entre os profissionais da área da saúde, sobretudo os que atuam nas esferas gerenciais, vem sendo cada vez mais discutida, tendo em vista as exigências dos usuários dos estabelecimentos de saúde, quanto ao maior comprometimento destas instituições. Sendo assim, os indicadores têm como objetivo auxiliar o monitoramento dos possíveis erros e eventos adversos ocorridos durante internações em hospitais2.

Os indicadores servem de instrumento para qualificação, avaliação e monitoração da saúde e seus determinantes, seja em relação a uma população, pessoa ou mesmo uma instituição3. Estes indicadores são instrumentos valiosos para auxiliar os hospitais a identificar áreas que precisam ser mais bem estudadas, com visão voltada à melhoria da qualidade dos cuidados prestados aos pacientes. A Unidade de Terapia Intensiva (UTI) faz parte da classificação dos indicadores de segurança4.

A qualidade da assistência em UTI pode ser avaliada através de indicadores que, mediante a utilização de parâmetros concretos, tem por finalidade uma demonstração numérica do desempenho técnico e de processos de tratamento desenvolvidos nessa Unidade. Por esse motivo, os indicadores que serão empregados devem ser concebidos cuidadosamente para que sejam completos, práticos, robustos e válidos, e com isso poderemos nos concentrar nas áreas que exigem uma maior investigação5.

De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), em sua Instrução Normativa nº 4, que disserta a respeito dos indicadores para avaliação de Unidades de Terapia Intensiva, em consonância com art. 48 da RDC/ANIVA nº 7, destaca-se que o monitoramento dos respectivos indicadores devem ser mensais, dentre os quais podem ser destacados: Tempo de permanência na Unidade de Terapia Intensiva; Incidência de Pneumonia Associada à Ventilação Mecânica (PAV); Taxa de utilização de Ventilação Mecânica (VM)6.

O estudo teve como objetivo geral analisar os indicadores de uma Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica, e específicos: Traçar o perfil do diagnóstico dos pacientes internados na UTI em estudo; Verificar as taxa de ocupação e tempo de permanência na referida Unidade; Verificar a taxa de desmame com sucesso na Unidade em estudo; bem como detectar o uso da Ventilação Mecânica prolongada.

METODOLOGIA

A pesquisa foi de caráter descritivo, exploratório, longitudinal, documental, prospectivo e de abordagem quantitativa, realizada no Hospital Instituto Doutor José Frota (IJF), situado na Rua Barão do Rio Branco, S/N, Centro, Fortaleza, CE.

O IJF é o maior hospital terciário de urgência e emergência do Ceará, com atendimento 24 horas para pacientes de alta complexidade, apresentando uma média de 13 mil atendimentos por mês, em que cerca de 50% das pessoas atendidas são de municípios do interior e região metropolitana de Fortaleza. Referência em todo o Brasil para o tratamento de queimaduras e intoxicações, o IJF tem um Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) e um Centro de Assistência Toxicológica (CEATOX), entre outros serviços.

A Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Instituto Doutor José Frota é constituída por 33 leitos, que são subdivididos em 7 leitos para UTI Pediátrica e 26 leitos para UTI Adulta.

A coleta de dados foi realizada de março/15 a fevereiro/16, conforme aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa do Instituto Dr. José Frota (Protocolo nº 1.177.954).

A amostra foi constituída dos prontuários de crianças internada na Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica do referido hospital no período do estudo, independentemente do gênero ou do quadro patológico em que se encontravam. Nenhum prontuário foi excluído, tendo em vista que a amostra foi igual à população do estudo.

Os dados foram registrados em um instrumento de coleta de dados, contendo tópicos como: idade, gênero, motivo de ingresso na UTI, dias que se utilizou de suporte ventilatório e taxa de ocupação da UTI Pediátrica. O item motivo de internação foi definido pelo diagnóstico que levou à admissão no hospital, sendo agrupados em: TCE (Traumatismo Crânio Encefálico) por qualquer motivo; vítima de PAF (Projétil por Arma de Fogo) em qualquer parte do corpo; TCE+PAF para aqueles em que o TCE foi em decorrência de PAF; e Outros, para os diversos motivos para admissão, como: intoxicação exógena, queimaduras, cirurgias abdominais e torácicas, traumatismo raquimedular, broncoaspiração e outros.

Os dados obtidos foram analisados no software Statistical Package for Social Sciences (SPSS) versão 20.0, e os resultados apresentados em forma de gráficos e tabelas.

O estudo seguiu os aspectos éticos que envolvem a pesquisa com seres humanos, como garantia da confidencialidade, do anonimato, da não utilização das informações em prejuízo dos indivíduos e do emprego das informações somente para os fins previstos na pesquisa.

RESULTADOS

A UTI Pediátrica do Instituto Dr. José Frota recebe crianças/adolescentes com idade inferior a 18 anos, e no período do estudo a média de idade foi de 10,63 ± 0,50 anos. O mês de novembro/15 apresentou uma média de idade elevada, quando comparada com os outros meses analisados, porém sem diferença estatística significante (ρ = 0,082) (Quadro 1).

Quadro 1 Distribuição dos dados de acordo com a idade e o gênero dos pacientes internados na UTI Pediátrica no período de março/2015 a fevereiro/2016. Fortaleza/CE, 2016 

Meses Idade Média (Anos) Gênero (%)
Masculino Feminino
Março/15 12,78 ± 3,93 71,43 28,57
Abril/15 10,18 ± 6,17 75,00 25,00
Maio/15 10,12 ± 6,00 68,42 31,58
Junho/15 11,09 ± 5,61 66,67 33,33
Julho/15 8,49 ± 6,48 68,42 31,58
Agosto/15 8,89 ± 6,06 81,25 18,75
Setembro/15 8,77 ± 4,88 80,00 20,00
Outubro/15 12,84 ± 3,71 52,63 47,37
Novembro/15 13,12 ± 3,10 68,75 31,25
Dezembro/15 10,26 ± 5,02 83,33 16,67
Janeiro/16 8,53 ± 5,08 80,00 20,00
Fevereiro/16 12,47 ± 4,46 81,25 18,75

Com relação ao gênero dos pacientes internados na UTI em estudo, foi possível evidenciar que o gênero masculino apresentava um percentual médio no período de 73,10 ± 2,45%, e o feminino 26,90 ± 8,48%. Entretanto, essa diferença foi mais acentuada no mês de dezembro/15, porém sempre o gênero masculino era preponderante (Quadro 1).

A taxa de ocupação no período do estudo apresentou-se no primeiro, no quarto e no décimo primeiro mês inferior a 80%, porém nos outros meses analisados ficou acima de 85%, com uma média percentual de ocupação nesse período de 86,13 ± 3,17%. Essa taxa de ocupação média representa em leitos ocupados 6,12 ± 0,19, sendo o mês de março/15 com 4,32 ± 0,20 leitos ocupados por dia, apresentando a menor taxa do período, e a maior em julho/15 com 6,77± 0,09 leitos (Quadro 2).

Quadro 2 Distribuição dos dados de acordo com o número de Leitos/Dia e a Taxa de Ocupação na UTI Pediátrica no período de março/2015 a fevereiro/2016. Fortaleza/CE, 2016 

Meses Leitos (Dias) Taxa de Ocupação (%)
Março/15 4,32 61,75
Abril/15 6,40 91,42
Maio/15 6,23 88,94
Junho/15 5,97 66,29
Julho/15 6,77 96,77
Agosto/15 6,33 90,32
Setembro/15 6,66 95,23
Outubro/15 5,86 85,71
Novembro/15 6,60 94,28
Dezembro/15 6,68 95,39
Janeiro/16 5,52 78,80
Fevereiro/16 6,21 88,66

Na pesquisa, os pacientes na Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica apresentaram um tempo de permanência média de 15,52 ± 0,94 dias. No mês de junho/15, apresentou o menor tempo permanência (9,42 dias), ficando o mês novembro/15 com o maior (19,80 dias) (Quadro 3).

Quadro 3 Distribuição dos dados de acordo com o Tempo de Permanência e do Diagnóstico de Internação na UTI Pediátrica no período março/2015 a fevereiro/2016. Fortaleza/CE, 2016 

Meses Tempo de Permanência (dias) Diagnóstico da Internação (%)
TCE PAF TCE+PAF OUTROS
Março/15 12,18 43,28 7,46 38,80 10,44
Abril/15 17,45 41,66 0,00 44,27 14,06
Maio/15 16,08 66,32 0,00 22,27 11,39
Junho/15 9,42 34,07 16,20 32,40 17,31
Julho/15 17,50 54,76 1,90 10,00 33,33
Agosto/15 19,60 53,06 6,12 14,28 36,53
Setembro/15 13,33 46,00 13,00 0,00 41,00
Outubro/15 14,30 25,27 15,05 6,98 56,45
Novembro/15 19,80 40,90 16,16 0,00 43,43
Dezembro/15 18,81 45,51 22,70 4,83 29,85
Janeiro/16 11,40 40,70 20,46 7,60 21,63
Fevereiro/16 16,36 61,66 7,46 8,33 15,55

Ao ser analisado o diagnóstico que levou à internação dessa população, foi possível detectar que o Traumatismo Crânioencefálico (TCE), provocado por traumas (quedas, espancamento, acidentes automotores), apresentou uma preponderância em todos os meses analisados, destacando o mês de abril, em que existiu uma associação com PAF (Projétil por Arma de Fogo), e nos meses de outubro e novembro de 2015 ocorreu a prevalência de outros diagnósticos (Quadro 3).

Ao relacionar o tempo de permanência na UTI Pediátrica com o diagnóstico de internação, é evidente a presença de pacientes vítimas de TCE, porém no mês de novembro/15, quando ocorreu o maior tempo médio de permanência, a presença de outros diagnósticos apresentou um maior percentual. Evidencia-se que o menor tempo de permanência foi em junho/15, mês esse em que houve um equilíbrio entre os diagnósticos de TCE e de TCE associado a PAF (Quadro 3).

Com relação à utilização da Ventilação Mecânica na UTI Pediátrica, foi evidenciado que nos últimos três meses analisados ocorreu um aumento nesse tempo médio de utilização da ventilação, sendo que nesse período do estudo a média de dias de uso ficou em 8,93 ± 0,78 dias, abaixo desses meses (Quadro 4).

Quadro 4 Distribuição dos dados de acordo com o Tempo de Permanência de Internação, Tempo e Taxa de Utilização da Ventilação Mecânica na UTI Pediátrica no período março/2015 a fevereiro/2016. Fortaleza/CE, 2016 

Meses Tempo de Permanência (dias) Tempo de Utilização da VM (dias) Taxa de Utilização da VM (%)
Março/15 12,18 9,00 60,44
Abril/15 17,45 7,21 58,85
Maio/15 16,08 8,63 84,21
Junho/15 9,42 5,42 79,16
Julho/15 17,50 10,75 84,21
Agosto/15 19,60 11,25 64,28
Setembro/15 13,33 10,27 73,33
Outubro/15 14,30 8,36 73,68
Novembro/15 19,80 9,79 87,50
Dezembro/15 18,81 8,81 84,21
Janeiro/16 11,40 6,59 80,00
Fevereiro/16 16,36 8,50 73,68

Na pesquisa foi evidenciado que o tempo de permanência na UTI Pediátrica foi menor no mês de junho/15 e também se apresentou o menor tempo de utilização de ventilação mecânica. Ao analisar a maior taxa de uso de ventilação mecânica, presente no mês de novembro/15, que foi também o mês que teve o maior tempo de permanência na UTI Pediátrica, porém, essa proporcionalidade não se mantém presente na correlação dos outros dados, não apresentando relação estatisticamente significativa (Quadro 4).

No Quadro 2 foi possível evidenciar que não existe uma relação da Taxa de Utilização da Ventilação Mecânica com o Tempo de Utilização da Ventilação Mecânica, muito menos com o Tempo de Permanência na Internação na UTI Pediátrica (Quadro 4).

Quando analisada a Taxa de Sucesso do Desmame da Ventilação Mecânica na UTI Pediátrica, foi possível detectar que nos meses de junho/15 a agosto/15 essa taxa foi abaixo 50%, assim como nos meses de novembro/15 e janeiro/16, porém no período do estudo a taxa média de sucesso ficou em 53,10 ± 3,98% (Figura 1).

Figura 1 Distribuição dos dados de acordo com a Taxa de Sucesso de Desmame da Ventilação Mecânica na UTI Pediátrica no período de março/2015 a fevereiro/2016. Fortaleza/CE, 2016 

A utilização por tempo prolongado da Ventilação Mecânica na UTI Pediátrica foi acentuada no mês de julho/15, ficando com 25% dos pacientes que usavam o suporte ventilatório por mais de 21 dias. No entanto, notou-se uma baixa tanto no mês de março quanto no de outubro/15, evidenciando uma ausência da taxa de pacientes em ventilação mecânica (Figura 2).

Figura 2 Distribuição dos dados de acordo com a Taxa de Pacientes em Ventilação Mecânica Prolongada na UTI Pediátrica no período de março/2015 a fevereiro/2016. Fortaleza/CE, 2016 

DISCUSSÃO

No presente estudo, a idade média dos pacientes internados na UTI Pediátrica foi de 10,63 ± 0,50 anos, no entanto, essa média ficou acima dos estudos realizados por Hanashiro et al.7 que foi de 5,4 ± 5,0 anos, e de Khan et al.8 que apresentou uma média de 4,07 ± 4,42 anos. Todavia, as amostras desses estudos abordam patologias diversas e incapacitantes como: doenças neuromusculares, neurológicas e síndromes genéticas, apontando comprometimentos mais precoces, diferentemente da principal causa que acomete o presente público, sendo acometidos principalmente por traumas, sejam eles diretos ou indiretos, tratando-se de um grupo claramente exposto a situações de risco, estabelecendo assim uma diferenciação de causas e idades.

O gênero masculino teve uma prevalência significativa no presente estudo, confirmando os dados de Abelha et al.9, que apresentaram 60,5% do gênero masculino. No entanto, no estudo realizado por Müller et al.10 a prevalência foi do gênero feminino, com 55,9%, e crianças portadoras de câncer, diferentemente do que se evidenciou, pois o presente estudo demonstrou maior exposição a situações de risco por parte do gênero masculino.

Analisando-se o diagnóstico decorrente à internação dos pacientes, foi possível detectar que o Traumatismo Crânioencefálico (TCE) predominou como uma das causas de admissão na UTI Pediátrica, tendo uma alta percentual nos meses de maio e julho/15 e fevereiro/16, justificando-se por uma provável associação de fatores, podendo ser entendido como uma soma da hiperatividade infantil com o período de festas carnavalescas por todo o país, e por se tratar do mês de férias da maioria dos pacientes, estando assim sujeitos a fatalidades decorrentes das situações a que as crianças são expostas.

A média percentual da taxa de ocupação no período do estudo foi de 86,13%, estando de acordo com os estudos de Agência Nacional de Saúde Suplementar11, pois a taxa de ocupação relatada para a UTI Pediátrica da rede do SUS (Sistema Único de Saúde) foi de 82,4%, com variações de 71,1% a 89,5%, confirmando os dados do presente estudo.

Por se tratar de uma classe de pacientes em estado crítico, a UTI Pediátrica evidencia um alto índice de internação, e em decorrência dessas causas, a taxa de ocupação é alta, assim como o tempo de permanência. Ressalta-se que no período em estudo os pacientes na Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica apresentaram um tempo médio de permanência de 15,52 ± 0,94 dias.

De acordo com Lanetzki et al.12 em UTI Pediátrica no Estado de São Paulo a média de permanência foi de 9,7 dias em 2009. O Compromisso com a Qualidade Hospitalar13 relatou que o tempo médio de permanência na UTI pediátrica é de 7,4 a 9,9 dias, esses valores ficaram bem abaixo do presente estudo, pois a elevação dessa média de permanência pode ser devida ao perfil de pacientes com diagnóstico de TCE.

Os pacientes que se encontram nas UTI normalmente usam um auxílio ventilatório, por apresentarem dificuldades respiratórias. No presente estudo, foi evidenciada uma média de permanência de 8,72 ± 0,47 dias de utilização da ventilação mecânica, que para o estudo de Moniz et al.14 foi baixo, visto que o do referido autor foi de 15 dias em média.

A Taxa de Utilização de Ventilação Mecânica do hospital em estudo apresentou uma média que corresponde a 75,30%, valor esse bem acima do apresentado por Damasceno et al.15 que foi de 56,5% correspondente à região Nordeste, e no Brasil de 51,4%. Esse aumento na taxa de utilização da Ventilação Mecânica no presente estudo se deve ao fato de os pacientes admitidos no hospital em estudo apresentarem traumas acentuados, como TCE.

No período do estudo, a taxa média de sucesso de desmame ficou em 53,10 ± 3,98%, expressando um indicador positivo para a UTI Pediátrica do referido hospital. Porém, os dados apresentados por Assunção et al.16 foram de 79,2% de sucesso, ficando bem acima do presente estudo. Todavia, poucas literaturas abordaram o desmame de pacientes na UTI Pediátrica.

Entretanto, a taxa de pacientes em Ventilação Mecânica prolongada foi equivalente a 25% no presente estudo, que utilizaram suporte ventilatório por mais de 21 dias. Esse dado pode ser confirmado por Mota et al.17, que foi de 25,3%.

No entanto, Damasceno et al.15 apresentaram em seu estudo uma taxa de 55,6% de pacientes em Ventilação Mecânica Prolongada, expressando uma variabilidade na utilização de suporte mecânico ventilatório, decorrente das distintas causas que acometem os pacientes dos hospitais.

Todavia, este estudo apresenta algumas limitações, pois acredita-se que o perfil e pacientes atendidos nessa UTI em estudo sejam bem diferentes de outras unidades, visto que o público envolve crianças vítimas de fatalidades e com idade muitas vezes próxima da adolescência.

CONCLUSÃO

Concluiu-se que o gênero masculino teve uma frequência maior na UTI Pediátrica, com idade média de 10,63 ± 0,50 anos e principal acometimento por Traumatismo Crânio encefálico. Os pacientes apresentaram uma média de 8,72 ± 0,47 dias de utilização da ventilação mecânica e 75,30% de taxa de utilização de ventilação mecânica. Apresentou-se um percentual de mais de 50% de sucesso no desmame de ventilação mecânica, ao contrário da taxa de pacientes em ventilação mecânica prolongada na UTI Pediátrica, que se fez inferior a 30%. Notou-se que 91% dos pacientes permaneceram mais de 10 dias na UTI Pediátrica, apresentando uma taxa de ocupação superior a 60%.

No decorrer do estudo, pôde-se perceber uma escassez de literaturas que abordassem os indicadores que se fazem presentes dentro das UTI Pediátricas, consequentemente dificultando as comparações de dados, apresentando-se também, algumas vezes, uma não compatibilidade de públicos.

Os indicadores demonstraram ser um instrumento pontual para cada serviço, pois cada Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica apresenta sua peculiaridade, com sua população específica.

REFERÊNCIAS

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